Pré-visualização gratuita Prólogo
Povs Megan
Nova York- HOSPITAL 🏥 (Emergência)
Trabalhar na emergência é um caos. Cada plantão é tão exaustivo, tem dia que nem consigo voltar para casa, acabo dormindo no meu consultório.
Meus residentes só causam problemas, eu até tento passar a mão na cabeça, mas o meu superior é muito carrasco.
— O que significa isso, doutora Megan?
Sou cutucada e bufo baixinho, revirando os olhos sem veja.
Respiro fundo, antes de me virar e dá de cara com o meu chefe:
— Bom dia para você também, dr. Dylan. Como está sendo seu dia?
— Não fuja de uma resposta.
Seu tom insistente, me confronta. Ele estende a prancheta.
— Seu cabelo está ótimo. – elogio, enquanto mexo no seu topete, fazendo-o levantar uma sobrancelha para cima.
—Está me paquerando?
Seu olhar incerto, focaliza bem no meu rosto. Toda vez que ele me olha dessa maneira, me lembra uma pessoa...
— Não, eu sou comprometida.
Mostro a aliança em meu dedo esquerdo, soltando uma risada. Viro, e nós dois vamos andando, caminhando pelos corredores.
— Dizem que você é viúva. É verdade?
— A fofoca rola solta no hospital. E se eu for, não é da conta de ninguém.
Paro de andar, ficando na frente do próprio. O sorriso irônico continua nos meus lábios, pois eu sei uma forma de tirá-lo do sério.
— Tem razão, doutora... — ele se aproxima para perto do meu rosto. Ficamos cara a cara. — Não é da conta de ninguém, mas você pode ser responsabilizada por isso.
Novamente o meu chefe estica a prancheta e reviro os olhos, preparada para ouvir o sermão.
— Eu só dei alta a uma paciente. O que há de errado nisso?
Mudo o meu tom, para mais cauteloso. Enquanto sou repreendida, através do contato visual.
— A paciente tem câncer terminal, dra. Megan. Sabe o que significa?
— Como você disse: "câncer terminal."
Repito a frase, debochando, fazendo aspas com os dedos.
— Não pode dar alta a uma paciente, que não está pronta para voltar para casa.
— Quer que ela volte para casa dentro de um caixão?— rebato, deixando-o irritado e nervoso.
— Não seja insensível.
— Já perdi muita coisa nessa vida, dr. Dylan— lhe olho no fundo dos olhos— Se tem uma coisa que eu não sou, é insensível.
— Mas parece.
Seus olhos permanecem me desafiando. Ignoro o tom de julgamento.
— É porque você não me conhece.— passo adiante — Só dei a chance da paciente se despedir da família.
— Você não é a salvadora da pátria, não aja como se fosse. Aqui é um hospital, e não uma igreja.
— Acho que você está precisando ir a igreja, está muito amargo.
Tiro sarro, assim que o vejo me dando às costas. Dou um grito, ao vê-lo virando no final do corredor:
— Eu sou cristã, sabia? Respeite mais a fé dos outros.
Ele me ignora totalmente. Passo a mão no rosto, eu sou muito i****a.
Paro uma das minhas residentes, que vem passando na hora.
— Alice.
– Sim, doutora, está precisando de algo?
— Me conte mais do Dr. Dylan Ortez.
— Já ouvi falar muitas coisas sobre ele.
— Ah é?
A médica recém-formada começa andar comigo pelos corredores, fofocando. Preciso encontrar pelo menos o ponto fraco desse homem, para ele me deixar em paz.
— Falam por aí, dra. Megan, que ele é muito sozinho. Ninguém gosta dele.
— Também né, com a arrogância que ele possui. Fora a soberba, o quão insuportável é. Até a voz dele me irrita.
Enquanto reclamo, a minha residente tenta me avisar que o médico está atrás de mim, ouvindo tudo.
Deixo a prancheta cair das minhas mãos pelo que susto levo, no exato momento que ele cutuca o meu ombro.
– Eu sou tudo isso que você pensa, dra. Megan?
Me ajoelho para pegar, e ele faz o mesmo. Nossas mãos se esbarram e puxo rapidamente o papel, escondendo.
— N-nao, doutor, imagine.— tento disfarçar, mas acabo ficando contra a parede.
— Devolva o prontuário da paciência de câncer terminal que você roubou.
— Não sei do que você está falando.
— Anda, dra. Megan, ou então terei que notificar o conselho de medicina. Não é uma postura nada ética, esconder a identidade da paciente.
Meu chefe exige, com a mão estendida, enquanto me ameaça. Até penso em rasgar o papel com os dados da paciente, mas acabo o entregando.
Quando ele circula atenção pro papel, sua feição muda.
— É a minha sogra que está morrendo.
O olhar do Dr. Dylan parece tão vago, com a revelação.
Ele sai andando, sem rumo e sem direção.
— Ela é alguma parente dele, dra Megan?
— Não que eu saiba, Alice.
Dou de ombros, ficando intrigada com a reação do chefe cirurgião. É a primeira vez que ele demonstra sentir empatia por alguém.
— Sabia que esse homem lembra ao pai dos meus filhos, na aparência. Se Ryan tivesse um irmão gêmeo, com certeza eu colocaria Dr. Dylan.
Brinco com a situação, apesar de sentir muita falta do meu grande amor.
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Pov's Ryan/ Dylan.
A minha mãe está morrendo. Como pode ser possível?
Dou um soco na parede, revoltado.
A vida já me arrancou Megan e nossos filhos de mim, agora minha mãe está morrendo e não posso fazer nada.
Maldito foi o dia que concordei em mudar de rosto e de identidade.
Agora tenho que fingir para minha esposa que sou outra pessoa, e ainda ter que conviver com ela, a tratando como uma desconhecida
Resolvo ligar para minha secretária.
" Mande buscar a paciente que a Dra. Megan liberou, sem minha autorização. Notique também o conselho do hospital sobre o ocorrido. E avise também a Dra. Megan que estou a dando uma advertência, por três dias, para que seu ato não se repita ".
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