Capítulo 4: Raiva

1446 Palavras
Kate ainda estava finalizando sua dança, quando Andrew focou os olhos nela. Ele parecia ter despertado completamente da bebida, pois ergueu a cabeça, tirando sua atenção das meninas que rebolavam a sua volta. Os olhos azuis intensos encarou os dela, que eram verdes como uma floresta densa. Ela abaixou o olhar, sussurrando algo no ouvido de um dos homens que disputavam sua atenção. E enquanto fazia isso, não tirava os olhos devagar mafioso. Andrew tinha a pele branca, com um corpo magro, porém definido. Ele passou a mão nos cabelos loiros escuro, e se levantou. Hipnotizado, ele saiu da mesa onde estava, deixando as meninas para trás. Kate ergueu a cabeça e manteve os lábios marcado de vermelho entreabertos, quase convidativos. Andrew pode sentir seu coração batendo forte se misturando com uma necessidade estranha de tocar na pele branca e macia da mulher no palco. Ele deu alguns passos pra frente e esbarrou em um homem, que teria passado ao lado dele, junto com seu grupo de seguranças e parceiros de negócios. O homem se virou, olhando Andrew de cima a baixo e erguendo uma das sobrancelhas. Ele parou um segundo, encarando bem a face com barba de Andrew, que quebrou o contato visual com Kate e precisou encarar o sujeito a sua frente. — O que faz aqui, moleque? Está ficando louco? Aqui não é lugar para um Cardenas. — E por que não? — Seu pai não te ensinou sobre as regras? De não entrar no território dos outros? Andrew sabia que boates eram proibidas, de acordo com o código t**o da Máfia Cardenas. Os antigos diziam que apesar de ser um bom lugar para negócios, havia muita perdição e riscos em estar embriagado em um local como aquele. Um homem poderia ser seduzido, levado a usar drogas compradas de outros traficantes, bebidas que não tinham procedência. Um Cardenas poderia facilmente ser manipulado ou assassinado em um ambiente inseguro como aquele. Por isso, eles tinham diversos clubes, que passava por processos rigorosos de contratação. Muitos, faziam juramentos à família, pondo em risco a vida de todos que amava, para garantir o bem-estar de quem serviam. — Eu não devo explicações a você. O homem sorriu e balançou a cabeça. — Leva ele pros fundos e dá uma surra nele. Assim ele aprende. Sussurrou um traficante, que tinha ido ali negociar novas mercadorias. O sujeito ouviu e olhou para ele, considerando a hipótese. Andrew engoliu em seco, sem saber o que fazer para sair daquela enrascada. Sabia que não adiantava só sair pela porta da frente, não com as mangas limpas. Não estava com a arma na cintura, mas se tocassem nele, haveria sangue para todo lado. Quem estava em volta, já tinha percebido a movimentação e até reconhecido Andrew, que não tinha sido notado antes. — Olá rapazes. O que acha de deixar meu amigo em paz em troca de uma dança particular? Kate apareceu, repentinamente, com sua voz suave e quase angelical. Ela colocou a mão no peito do sujeito que estava prestes a deixar Andrew quebrado. Afinal, mesmo o Mafioso sendo cheio de habilidades e truques, enfrentar pelo menos dez homens não seria nada fácil. O homem claramente ficou interessado, depois de olhar pra Kate de cima a baixo. — Só uma dança me parece pouco, pra livrar esse i****a de uma boa surra. Respondeu, com um sorriso malicioso no rosto. Kate se inclinou e sussurrou uma proposta em seu ouvido. Ele passou a língua nos lábios e concordou. — Tudo bem, liberem ele. Andrew olhou para Kate, que não conseguiu encará-lo de volta. — Está livre hoje, mas se voltar aqui, já sabe o que vai acontecer. O homem olhou para Andrew, que deu um passo a frente. Logo os outros fizeram o mesmo, protegendo o sujeito. Ele não recuou, mas também não deu o primeiro soco, como gostaria. Poderia sair ferido, mas causaria uma grande briga que certamente deixaria seu pai extremamente furioso. — Vou levá-lo até lá fora. Pra garantir que saía em segurança. Ela segurou no braço de Andrew, quase o empurrando pra fora. O homem deu um passo na direção dela, com o olhar desconfiado. — E quem me garante que você vai voltar? — Um de seus homens pode me acompanhar. Ele olhou para Andrew, para Kate e em seguida ordenou que um de seus seguranças os escoltasse até a saída. Kate continuou segurando Andrew pelo braço enquanto o levava pro lado de fora, pela porta dos fundos. — O que você fez? — Estou salvando sua vida. Acha que sairia daqui inteiro? — O que vai fazer com ele... — Isso não importa. Só não apareça aqui de novo. Não sei que loucura deu na sua cabeça. — Me conhece? — E quem não? Além do mais, só mafiosos não são bem vindos aqui. Ela abriu a porta e o deixou sair. Andrew não sabia o que fazer ou o que dizer pra aquela jovem. Ela precisaria se submeter a alguma coisa desagradável pra salvar a pele dele, que, mais uma vez, foi inconsequente o bastante para prejudicar mais do que a si mesmo. Ele ficou olhando pra ela, com uma expressão que ela não conseguia identificar. — Anda logo com isso. Disse o segurança, impaciente. Kate engoliu em seco e fechou a porta, sabendo que não apenas tinha salvo a vida dele, mas evitado uma guerra. Andrew ficou olhando pra ela, até perdê-la de vista. Quando a porta se fechou, ele colocou as mãos na cabeça e fechou os olhos, se recriminando. Se fosse um dia diferente, ele iria até o clube, traria uma dúzia de soldados e tocaria o terror naquela boate. Mas com as relações com o pai instáveis e o ódio por ser obrigado a um casamento com alguém que considerava da família, ele não tinha coragem o suficiente para provocar uma chacina naquele lugar. Não quando ainda corria uma quantidade anormal de álcool em seu sangue e quando pessoas inocentes, como aquela que tinha salvado sua pele, poderia se machucar gravemente em sua empreitada. Ele se encostou na parede, ao lado da porta e ficou lá. Ainda estava furioso. Não podia deixar que terminasse daquela forma. Ele era o segundo homem mais importante da Máfia. Como poderia sair assim, corrido, como um covarde? Não, não poderia fazer isso. Não deixaria as coisas terminarem daquele jeito. Com os punhos cerrados, Andrew encarou a porta. Entraria lá e faria aquele sujeito engolir os próprios dentes. Ele colocou a mão na maçaneta e abriu a porta, mas alguém a fechou novamente. — Não quer fazer isso. Andrew se virou, pronto para arrumar outra briga, quando encontrou um rosto conhecido. A mão de Mason ainda estava na porta quando Andrew confessou. — Merda. Achei que teria de te dar um soco. — Melhor não entrar lá. — Como me achou? — Te procurei em metade das boates. Imaginei que fosse fazer alguma coisa proibida. Paguei um casal pra me dizer se tinha visto você lá dentro e te viram saindo bem na hora. — Uma mulher me ajudou a sair... Eu teria apanhado um pouco antes de você chegar. Apesar de que... Andrew fechou o punho novamente, sedento por sangue. — Eu sei que está querendo briga, Andrew. Mas isso não seria apenas uma briga e sim o começo de uma guerra. Seu pai tenta manter as coisas em ordem com esses traficantes há tempo demais pra você estragar tudo em uma noite. — Eles precisam de uma lição. Não podem me tratar de qualquer jeito. — Então faremos isso, mas não agora. Está de cabeça quente por causa do casamento. Mason, segurança e motorista particular de Andrew, era um dos poucos capazes de fazê-lo enxergar as coisas com clareza, pra não tomar decisões precipitadas, como estava querendo fazer. — As notícias voam. — Todos já sabem. Andrew cruzou os braços, balançando a cabeça. Casamentos arranjados não era uma novidade na família, mas a ideia de seu pai era absurda demais. Karen e ele passaram uma parte da vida juntos, crescendo como uma família. Era quase doentio querer juntá-los. — Eu sei que não está feliz, mas seu pai está se vingando, porque Kayla pediu o divórcio. Não podem fazer nada contra ele. Ou suas decisões. — Então é isso, preciso aceitar que me casarei com a garota que eu cresci amando como irmã por causa da raiva psicotica dele? Aquilo deixava Mason profundamente incomodado. Ele não podia expressar seus sentimentos para Andrew, mesmo que pensasse que ele jamais diria alguma coisa. De todo modo, tinha que guardar sua dor para si. — Infelizmente sim. Ele é o Chefe. E também é seu pai.
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