Capítulo 7

840 Palavras
Dominic Russo realmente esperou. Essa foi a pior parte. Ele não olhou o relógio, não mexeu no celular, não demonstrou o menor sinal de impaciência. Sentou-se à mesa mais próxima da janela, como se tivesse escolhido um lugar fixo em um território que pretendia dominar, e permaneceu ali. Presente. Imóvel. Inevitável. Arya tentou voltar ao trabalho, mas o corpo não obedecia direito. As mãos tremiam ao pegar os copos, a mente falhava nas contas simples, e a sensação de estar sendo observada queimava entre os ombros. Porque ela estava. Ela sentia. Mesmo quando não o via. Mesmo quando forçava os olhos a ficarem na máquina de café, nos pedidos, nas pessoas que entravam e saíam. Dominic continuava ali. Esperando. Alguns clientes cochichavam. Outros lançavam olhares rápidos e respeitosos na direção dele, como se soubessem que aquele homem não era alguém que se fazia aguardar — mas ali estava ele, aguardando. Por causa dela. Isso a deixava sem ar. Mila se aproximou em um momento de descuido. — Você conhece ele? — perguntou, baixa. Arya demorou um segundo demais para responder. — Não. Era verdade. Mas também não era. Porque ninguém olha para um estranho daquele jeito. Mila percebeu. Claro que percebeu. Mas antes que pudesse insistir, outro pedido surgiu, salvando Arya de ter que explicar o inexplicável. O tempo passou arrastado. Cada minuto parecia uma provocação. Dominic não foi embora. Não desviou. Não desistiu. E, pouco a pouco, Arya começou a entender que aquilo fazia parte do jogo dele. A paciência. A certeza. Ele não precisava correr atrás. Bastava permanecer. Quando o turno finalmente se aproximou do fim, o coração de Arya já estava exausto de tanto bater errado. Ela retirou o avental com dedos duros, prendeu a respiração e olhou para a mesa perto da janela. Ele ainda estava lá. Na mesma posição. Como se nada no mundo tivesse sido mais importante do que cumprir a própria promessa. Eu espero. O pânico veio acompanhado de outra coisa. Algo quente. Algo perigoso. A sensação absurda de ser… escolhida. Arya odiou isso. Odiou o que aquilo fazia com ela. Mas não conseguiu impedir. — Vai embora pelos fundos — Mila sugeriu, percebendo a tensão. — Se você não quer falar com ele. Arya considerou. Por um segundo inteiro, considerou. Mas a lembrança da voz de Dominic, segura, definitiva, ecoou na sua cabeça. Eu espero. Homens como ele não eram feitos para serem evitados. Eram feitos para encontrar. Se ela fugisse agora, seria pior depois. Muito pior. — Não — respondeu, mais para si mesma do que para Mila. Respirou fundo. E caminhou. Cada passo em direção à mesa parecia mais pesado que o anterior. O café estava mais silencioso, atento, como se todos soubessem que estavam prestes a assistir algo que não entendiam completamente. Dominic ergueu os olhos quando ela se aproximou. Não surpreso. Não aliviado. Apenas… satisfeito. Como alguém que nunca duvidou do desfecho. Arya parou diante dele. Tentou ignorar a forma como o coração se jogava contra as costelas. — Meu turno acabou — disse. Ele assentiu devagar, absorvendo cada detalhe dela como se guardasse tudo. — Eu sei. Claro que sabia. Dominic se levantou. Perto, ele parecia maior. Mais intenso. O tipo de homem que ocupava espaço mesmo em silêncio. — Obrigado por vir — falou. Como se tivesse sido um pedido. Não uma inevitabilidade. Arya cruzou os braços, tentando se proteger da influência invisível dele. — Eu estou aqui. Pode falar. Os olhos escuros desceram rapidamente pelo gesto defensivo dela, mas ele não comentou. — Vamos dar uma volta. Não foi exatamente uma pergunta. Arya sentiu a armadilha no tom calmo. — Eu não entro no carro de estranhos. Um brilho diferente apareceu no olhar dele. Interesse. — Eu não sou estranho, Arya. Ela quase riu. — Eu m*l sei seu nome. Por um instante, o silêncio caiu entre eles. Então Dominic respondeu: — Dominic. Como se isso bastasse. Como se o nome dele resolvesse o abismo inteiro. E talvez resolvesse. Porque Arya viu o reconhecimento passar no rosto das pessoas ao redor outra vez. Viu o cuidado, o respeito, o medo. Dominic Russo não era um desconhecido. Ele era um homem que deixava marcas antes mesmo de tocar. — Eu prefiro ficar por aqui — ela disse, reunindo o que restava de coragem. Ele a observou por longos segundos. Medindo. Pensando. Então assentiu. — Tudo bem. Aquilo a pegou desprevenida. Sem insistência. Sem pressão. Mas havia algo na forma como ele aceitava que parecia temporário. Como se fosse apenas por enquanto. Dominic colocou as mãos nos bolsos. A voz saiu mais baixa. Mais íntima. — Eu só queria ter certeza de que você não ia fugir de mim. O coração dela apertou. — Eu pensei em fugir. Um canto da boca dele ergueu. — Eu sei. E ali estava de novo. Aquela sensação sufocante de que ele sempre saberia. — E agora? — Dominic perguntou. Arya engoliu em seco. Ela não tinha resposta. Porque fugir ainda parecia inteligente. Mas ficar… estava se tornando impossível de evitar.
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