Capítulo 11

694 Palavras
Dominic não olhou para trás quando saiu do café. Se olhasse, voltaria. E ele não voltava atrás de decisões — principalmente depois de ouvir um não. O ar da rua estava frio, mas não o suficiente para apagar o calor que queimava por dentro. A negativa de Arya repetia na cabeça dele, firme, corajosa, necessária. Ela tinha feito o que precisava fazer. Tinha protegido o próprio mundo. Dominic quase respeitava isso. Quase. O carro já o aguardava na esquina. Matteo estava encostado na porta, postura relaxada demais para quem conhecia o humor do chefe. Bastou um olhar para entender. Não tinha sido um encontro fácil. Dominic entrou no banco de trás sem pressa. — Ela recusou? — Matteo arriscou, depois de alguns segundos de silêncio. Dominic soltou um riso baixo, sem humor. — Recusou. Matteo balançou a cabeça. Corajosa, pensou. Ou inconsequente. O carro começou a andar. A cidade passava pelas janelas, indiferente, viva, cheia de pessoas que não faziam ideia de que, naquele exato momento, o destino de uma delas estava sendo reescrito. Dominic apoiou o cotovelo na porta, o olhar perdido. Ela tinha medo dele. E mesmo assim tinha ficado. Tinha perguntado. Tinha enfrentado. Não era submissão. Era força. E aquilo o tinha marcado de um jeito que nenhuma outra mulher conseguira. — Matteo. — Sim. A voz saiu calma. Organizada. Perigosa. — Quero que mantenha alguém acompanhando os passos dela. Matteo assentiu imediatamente. — Distância? — Total. Nada de sustos. Nada de interferência. Nada que a fizesse correr. — Ela não pode saber — Dominic completou. — Nunca. Dominic fechou os olhos por um segundo. Arya era sozinha. Ele sabia. Sem família por perto. Sem rede de proteção. Poucos amigos. Uma rotina pequena, repetida, quase frágil. Era o tipo de vida que o mundo engolia fácil. Mas não ele. Ele não a deixaria ser engolida. O pensamento deveria ser reconfortante. Mas havia algo de sombrio na forma como se encaixava perfeitamente dentro dele. — Quero saber onde ela vai, com quem fala, quem olha para ela por mais de dois segundos — continuou. Matteo respirou fundo. Era sério. Mais do que curiosidade. Era território. — Entendi. Dominic virou o rosto para a janela novamente. A lembrança do “não” não diminuía o desejo. Só tornava tudo mais intenso. Ela tinha escolhido se afastar. Então agora seria a vez dele se aproximar sem que Arya percebesse. Não para forçar. Nunca. Mas para garantir que, quando ela finalmente olhasse ao redor… Ele ainda estivesse ali. Esperando. Naquele mesmo momento, do outro lado da cidade, Arya tentava se convencer de que tinha feito a coisa certa. Repetia isso enquanto limpava a mesa. Enquanto organizava o balcão. Enquanto evitava pensar no jeito que o coração tinha vacilado quando ele foi embora. Você disse não. Era o que pessoas sensatas faziam. Era o que mulheres inteligentes faziam quando um homem poderoso demais se interessava por elas. Então por que doía como se tivesse perdido alguma coisa? Arya respirou fundo, irritada consigo mesma. Não era perda. Era abstinência de adrenalina. Só isso. Dominic Russo era perigo, e o corpo dela ainda estava reagindo ao impacto. Ia passar. Tinha que passar. Quando o turno terminou, Arya saiu do café abraçando o próprio casaco, pronta para enfrentar o caminho até em casa. A rua parecia normal. Tranquila. Segura. Ela não percebeu o carro estacionado do outro lado. Não percebeu o homem que fingia mexer no celular. Não percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, alguém estava garantindo que ela chegasse viva ao apartamento. Dominic receberia a mensagem vinte minutos depois. Chegou. Sozinha. Entrou às 19h42. Ele leu. Depois bloqueou a tela. O peito, finalmente, afrouxou. Seguro. Por hoje, estava. Mas não era suficiente. Porque agora que a tinha encontrado, a ideia de não saber onde Arya estava começava a parecer impossível de suportar. Dominic apoiou a cabeça no banco. Ela tinha pedido espaço. Ele daria. Mas espaço não significava ausência. Significava observar. Esperar. Aprender o ritmo dela. Até que o medo deixasse de ser maior que o que existia entre eles. — Ela vai mudar de ideia — murmurou para si mesmo. Não era arrogância. Era promessa.
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