Capítulo 10

766 Palavras
O silêncio depois da pergunta dele pareceu infinito. Dominic não desviava o olhar. Não piscava. Não respirava mais do que o necessário. Ele apenas esperava. Arya sentia o peso da expectativa pressionando seu peito, tentando empurrá-la para uma decisão que seu corpo quase queria tomar… mas sua mente gritava para impedir. Dizer sim seria fácil. Perigoso, imprudente, irresponsável. Mas fácil. Porque a atração estava ali, viva, pulsando na forma como o coração dela batia rápido demais, na pele quente, na consciência absurda de cada centímetro que os separava. Só que Arya Carter tinha aprendido a sobreviver. E sobreviver significava saber a hora de recuar. Ela engoliu em seco. — Não. A palavra saiu baixa. Mas saiu. Firme o suficiente para não deixar espaço para dúvidas. Os músculos do maxilar de Dominic se contraíram quase imperceptivelmente. Foi um movimento mínimo, mas Arya viu. Sentiu. Registrou. Não era um homem acostumado a ouvir aquilo. Mesmo assim, ele não avançou. — Não? — repetiu, como se estivesse testando o gosto da negativa. Arya reuniu o que restava de coragem. — Eu não quero isso. Não quero você entrando na minha vida desse jeito, decidindo que vai ficar, que vai esperar, que tem algum direito sobre mim. O ar entre eles ficou mais frio. Mais pesado. Dominic passou a língua lentamente pelo lábio inferior, absorvendo cada sílaba como se estivesse arquivando tudo. — Eu não disse que tinha direito. — Age como se tivesse. Aquilo acertou. Ela percebeu pelo jeito como os ombros dele endureceram. Mas, ainda assim, Dominic não levantou a voz. — Eu só sei o que eu quero. Arya balançou a cabeça. — E eu sei o que eu não quero. Outra vez, silêncio. O tipo de silêncio que antecede uma explosão. Mas a explosão não veio. O que veio foi algo pior. Calma. Ele deu um passo para trás. Um único passo. A distância repentina fez o ar voltar aos pulmões dela, mas não trouxe alívio. Trouxe uma estranha sensação de vazio. Dominic a observava como se estivesse recalculando um caminho. Mudando a estratégia. — Tudo bem — disse por fim. Arya franziu a testa. — Tudo bem? Era fácil demais. Rápido demais. Ele assentiu. — Eu ouvi você. Mas não parecia um homem que tinha desistido. Parecia um homem que tinha acabado de aceitar um desafio. Arya cruzou os braços, tentando proteger o próprio corpo daquela influência absurda que ele exercia. — Então para. — Eu vou parar de pressionar você. A resposta veio precisa. Cirúrgica. Ela percebeu a diferença imediatamente. — Isso não é a mesma coisa que ir embora. Um quase sorriso apareceu no canto da boca dele. Perigoso. Bonito. Impossível. — Eu nunca prometi ir embora. O coração dela tropeçou dentro do peito. — Dominic… — Você quer espaço, Arya? — ele continuou, a voz baixa, controlada. — Eu dou espaço. Você quer tempo? Eu dou tempo. Ele inclinou levemente a cabeça. — Mas não me peça para deixar de querer você. A verdade, dita assim, sem floreios, arrancou o chão dela. Porque não havia arrogância. Havia convicção. E isso era muito mais assustador. Arya respirou fundo, tentando não vacilar. — Você está confundindo intensidade com destino. Ele sustentou o olhar. — Talvez você esteja confundindo medo com falta de sentimento. Aquilo queimou. Ela abriu a boca para rebater, mas nada saiu. Porque parte dela temia que ele estivesse certo — e admitir isso seria a rendição que ela não podia permitir. Então Arya fez a única coisa que ainda lhe restava. Endureceu. — Não importa. Minha resposta continua sendo não. Dessa vez, Dominic demorou a reagir. Os olhos desceram por um segundo, como se ele estivesse dando espaço para a própria frustração existir. Quando voltou a encará-la, a tempestade estava contida. Mas viva. — Certo — falou. Nenhuma discussão. Nenhuma insistência. Ele passou por ela devagar, perto o suficiente para que Arya sentisse o calor do corpo dele, o perfume, a força que parecia puxá-la mesmo quando ela lutava contra. Antes de sair, Dominic parou ao lado da porta. — Eu vou respeitar sua resposta. Ela fechou os olhos por um segundo. Alívio. Finalmente. Mas ele terminou: — Mesmo que eu odeie isso. E então foi embora. Arya ficou sozinha. O problema era que a ausência dele não trouxe paz. Trouxe eco. Trouxe a memória da voz, do olhar, da promessa silenciosa de que aquilo não tinha acabado — só tinha mudado de forma. Ela apoiou as mãos na mesa, tentando estabilizar a respiração. Tinha conseguido. Tinha dito não. Então por que parecia que o perigo tinha apenas ficado mais paciente?
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