XV

582 Palavras
A sala do conselho estava mais cheia do que o habitual. Não por número de homens mas pelo peso do que seria decidido ali. Pergaminhos alinhavam-se sobre a mesa de carvalho. Selos de reinos distantes. Brasões conhecidos. Cada nome ali representava mais do que uma mulher: era uma jogada política. Ewan entrou sem pressa. Sentou-se no trono. — Comecem. A Primeira Proposta — Lady Moira de Strathclyde Seumas abriu o primeiro pergaminho. — Moira, filha do rei Malcolm de Strathclyde. Dezenove invernos. Educada em diplomacia desde a infância. Conhecida por temperamento sereno e— — Aliança militar imediata? — interrompeu Ewan. — Sim. Rotas comerciais ao sul e apoio naval. Ewan assentiu. — Personalidade? — Conciliadora. Evita confronto direto. — Descartada. O conselho piscou. — Majestade? — arriscou Duncan. — Uma rainha que evita confronto direto não sobreviverá ao meu lado. — respondeu Ewan, impassível. — Nem ao reino. O pergaminho foi fechado. A Segunda Proposta — Lady Ailsa de Dunvegan O chanceler pigarreou. — Ailsa, da Casa Dunvegan. Vinte e dois inverns. Líder respeitada entre seu povo. Cresceu administrando terras costeiras. Conhecida por— — Ambição. — completou Ewan, antes mesmo de ouvirem o resto. O chanceler assentiu, surpreso. — Sim. Muita. — Ela buscaria governar através de mim. — disse Ewan. — Não ao meu lado. — Isso não é necessariamente r**m — murmurou alguém. Ewan inclinou a cabeça. — É. Outro pergaminho fechado. A Terceira Proposta — Princesa Elowen de Caerwyn O silêncio foi imediato. Seumas hesitou. — Elowen… filha de Edric III. Os olhos de Ewan permaneceram imóveis. — Uma união encerraria definitivamente as hostilidades. Seria vista como reconciliação histórica. — Ou como rendição. — respondeu Ewan. — De um lado ou de outro. — Ela é instruída, discreta, profundamente religiosa— — Não confio em Caerwyn. — disse Ewan. — E não coloco meu pescoço sob o teto de quem já tentou me destruir. — Edric está enfraquecido. — Mas não morto. O nome foi riscado. A Quarta Proposta — Lady Isolde de Invermor Duncan apresentou. — Isolde não é princesa. Filha de um alto nobre. Vinte e quatro invernos. Viúva. Administra suas próprias terras com eficiência surpreendente. — Viúva? — perguntou Ewan. — O marido morreu em uma campanha menor. Ela manteve as terras unidas. Nenhuma revolta. Nenhuma dívida. Ewan mostrou leve interesse. — Sem alianças externas. — Verdade. Mas forte internamente. Ewan pensou por um momento. — Possível. Foi a primeira palavra positiva dita naquela manhã. A Quinta Proposta — Lady Fiona das Terras do Norte — Fiona cresceu entre clãs fronteiriços. Monta, caça, luta. Alguns conselheiros pareceram desconfortáveis. — Popular entre o povo. — Popularidade é volátil. — disse Ewan. — E uma rainha vista como guerreira será comparada a mim. — Isso seria um problema? — Para o conselho, sim. — respondeu ele friamente. Mais um pergaminho fechado. Ewan levantou-se. — Não escolherei hoje. O conselho suspirou, misto de frustração e alívio. — Tragam-me Isolde de Invermor. — ordenou. — E mais duas candidatas que não tentem me suavizar nem me controlar. Ele fez uma pausa. — Quem se sentar ao meu lado deve entender que o trono não é refúgio. Os conselheiros assentiram. Sozinho, Ewan olhou para os pergaminhos restantes. Mulheres que nunca conhecera. Destinos traçados por estratégias. — Uma rainha… — murmurou. Ele fechou os olhos por um instante. — Que não espere calor de mim. E, ainda assim, pela primeira vez, algo diferente pairava no ar. Não esperança. Mas possibilidade.
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