A sala do conselho estava mais cheia do que o habitual.
Não por número de homens mas pelo peso do que seria decidido ali.
Pergaminhos alinhavam-se sobre a mesa de carvalho. Selos de reinos distantes. Brasões conhecidos. Cada nome ali representava mais do que uma mulher: era uma jogada política.
Ewan entrou sem pressa.
Sentou-se no trono.
— Comecem.
A Primeira Proposta — Lady Moira de Strathclyde
Seumas abriu o primeiro pergaminho.
— Moira, filha do rei Malcolm de Strathclyde. Dezenove invernos. Educada em diplomacia desde a infância. Conhecida por temperamento sereno e—
— Aliança militar imediata? — interrompeu Ewan.
— Sim. Rotas comerciais ao sul e apoio naval.
Ewan assentiu.
— Personalidade?
— Conciliadora. Evita confronto direto.
— Descartada.
O conselho piscou.
— Majestade? — arriscou Duncan.
— Uma rainha que evita confronto direto não sobreviverá ao meu lado. — respondeu Ewan, impassível. — Nem ao reino.
O pergaminho foi fechado.
A Segunda Proposta — Lady Ailsa de Dunvegan
O chanceler pigarreou.
— Ailsa, da Casa Dunvegan. Vinte e dois inverns. Líder respeitada entre seu povo. Cresceu administrando terras costeiras. Conhecida por—
— Ambição. — completou Ewan, antes mesmo de ouvirem o resto.
O chanceler assentiu, surpreso.
— Sim. Muita.
— Ela buscaria governar através de mim. — disse Ewan. — Não ao meu lado.
— Isso não é necessariamente r**m — murmurou alguém.
Ewan inclinou a cabeça.
— É.
Outro pergaminho fechado.
A Terceira Proposta — Princesa Elowen de Caerwyn
O silêncio foi imediato.
Seumas hesitou.
— Elowen… filha de Edric III.
Os olhos de Ewan permaneceram imóveis.
— Uma união encerraria definitivamente as hostilidades. Seria vista como reconciliação histórica.
— Ou como rendição. — respondeu Ewan. — De um lado ou de outro.
— Ela é instruída, discreta, profundamente religiosa—
— Não confio em Caerwyn. — disse Ewan. — E não coloco meu pescoço sob o teto de quem já tentou me destruir.
— Edric está enfraquecido.
— Mas não morto.
O nome foi riscado.
A Quarta Proposta — Lady Isolde de Invermor
Duncan apresentou.
— Isolde não é princesa. Filha de um alto nobre. Vinte e quatro invernos. Viúva. Administra suas próprias terras com eficiência surpreendente.
— Viúva? — perguntou Ewan.
— O marido morreu em uma campanha menor. Ela manteve as terras unidas. Nenhuma revolta. Nenhuma dívida.
Ewan mostrou leve interesse.
— Sem alianças externas.
— Verdade. Mas forte internamente.
Ewan pensou por um momento.
— Possível.
Foi a primeira palavra positiva dita naquela manhã.
A Quinta Proposta — Lady Fiona das Terras do Norte
— Fiona cresceu entre clãs fronteiriços. Monta, caça, luta.
Alguns conselheiros pareceram desconfortáveis.
— Popular entre o povo.
— Popularidade é volátil. — disse Ewan. — E uma rainha vista como guerreira será comparada a mim.
— Isso seria um problema?
— Para o conselho, sim. — respondeu ele friamente.
Mais um pergaminho fechado.
Ewan levantou-se.
— Não escolherei hoje.
O conselho suspirou, misto de frustração e alívio.
— Tragam-me Isolde de Invermor. — ordenou. — E mais duas candidatas que não tentem me suavizar nem me controlar.
Ele fez uma pausa.
— Quem se sentar ao meu lado deve entender que o trono não é refúgio.
Os conselheiros assentiram.
Sozinho, Ewan olhou para os pergaminhos restantes.
Mulheres que nunca conhecera. Destinos traçados por estratégias.
— Uma rainha… — murmurou.
Ele fechou os olhos por um instante.
— Que não espere calor de mim.
E, ainda assim, pela primeira vez, algo diferente pairava no ar.
Não esperança.
Mas possibilidade.