Começo de tudo

1789 Palavras
1° Capítulo SIENA — Está confortável assim? Após deitada e com a cabeça no braço do sofá, pousei as minhas mãos entrelaçadas na minha barriga e assenti. — Tudo bem, agora feche os olhos. Solto um longo suspiro e os fechei lentamente, tendo minha mente dando um giro viajante captando mais lembranças que no final certamente seria dolorido lembrar. — Respira... _Respirei fundo. — Solte o ar preso querida. _Pediu pacientemente como todas as vezes em que eu estive aqui em sua sala. — Nós semana passada conversamos sobre como você se sentia com a perda dos seus pais, quer continuar me contando sobre isso Siena? _Perguntou a senhorita Morgana. Uma senhora Psicóloga que do nada entrou na minha vida e incentivada por minha vozinha fui obrigada a participar das suas sessões de terapia. Balanço a cabeça de um lado e outro, negando. A minha vontade era ri esganiçada, mas não era por achar graça e sim gargalhar da pobre coitada que eu sou, não estou aqui porque vim tomar um chazinho da tarde com a senhorinha branquela ao meu lado de cabelos prateados e sim por minha vida ter sido e está sendo uma verdadeira droga. — OK! _Ouço um barulho de papel, folhas se abrindo. — Então, me conte como foi o seu primeiro dia de aula. Suspirei profundamente mais uma vez e vaguei a minha mente para o meu primeiro dia de aula. O começo da minha terrível e traumatizante desgraça. SIENA ( 7 anos) Era uma tarde radiante de sol, estava a suar de ansiedade desde que soube que iria começar a estudar — Estudar de verdade, primeira série, é primeira série. — Não tenho conseguido dormir direito, é segunda e o peso do caderno com o estojo com lápis de cor e canetinhas em minha mochila não me deixam mentir eu estou indo realmente e de verdade verdadeira para o colégio. — Vozinha, e se as minhas coleguinhas de turma não gostarem de mim? _Perguntei aflita. Vovó e eu seguíamos a pé de viagem, o vovô até ofereceu o seu cavalo para me trazer a escola, mas minha vozinha foi clara ao dizer que o cavalo era do dono da fazenda onde morávamos nos fundos próximo dos estábulos, ela disse seriamente: "Homem, coloque o cavalo lá e vá escova-lo se os senhores Malfacini lhe pega teremos problemas, deixa que eu levo a nossa neta, o colégio é menos de 15 minutos daqui ." Vovô? Ah o "homem" como dizia vovó era um cabeça dura, mais hoje ele não "pelejou" para me trazer como havia dito semanas atrás que faria. — Minha princesa, não tem como não gostar de você._Ela no meio do caminho se abaixou a minha frente, arrumando a presilha que prendia meus cabelinhos de lado. É cabelinhos, eles são bem pequeninho na altura dos ombros, vovó teve que corta-los depois de uma fatalidade, tudo isso se deve ao grande saco de chiclete que ganhei da senhora Susu a dona feminina da fazenda. Ela ficou boba quando soube que eu com seis anos prestes a completar sete anos vou pro colégio, é ninguém acredita quando eu conto, mas é bom mostrar pro vozinho que a abelhinha dele como ele me chama está ficando grande. —Olha vou-te dar um imenso, sabe daqueles infinitos conselhos e que carregamos para a vida toda? Arregalo os olho olhando nos seus olhos grandes, assim ela agachada fica do meu tamanha, eu quero RI é engraçado ter minha vozinha pequeninha assim do meu tamanho. Boa idea quando eu chegar do colégio vou pedir pra ela andar assim pela varanda da casa e vou implorar com a ajuda da minha Santinha que ela coloque comigo a "Maria esperança" pra dormir, tadinha dela não dormiu nada hoje. — Sei vó, mais me diz uma coisa esse conselho aí é do tamanho do céu? _Ela assenti. Alargo um riso. — Então é um conselho que a minha mamãe e o meu papai enviou. — Isso, e sabe o que eles desejam? — Não, mais eu sou uma boa menina vou seguir direitinho só é dizer. — Primeiro presta atenção em tudo que a professora disser, segundo jamais ir nas mesas das suas coleguinhas puxar assunto espere elas vim até você... — E se elas não vieram nunca, vó? — Nunca, que palavrinha esquisita..., mas vamos lá se elas hoje não vierem até você é sinal que elas estão ansiosas como você, afinal de contas não é só o seu primeiro dia de aula é o primeiro de todos eles. Abro a boca. — Ah, então quer dizer que todos os meus coleguinhas estão com medo da dor de barriga. _Gargalho alto fazendo a minha vó também sorri. — Dor de barriga ? Olho para os lados, escondo a minha boca entre as mãos e vou até o seu ouvido. — É vovó, tem um negócio estranho se torcendo aqui dentro, vontade que é bom de ir ao banheiro, nadinha...eitah. _Me alarmo. — Vozinha e se eu fizer coisa nas calças? _Balanço minhas mãos, trincando os dentes. Vovó chega no meu ouvido. — Isso não vai acontecer e o nome não é dor de barriga é ansiedade. _Ela abraça-me, me apertando e balançando. — Vovó de Deus não faz isso que se for dor de barriga eu faço nas calças. — Me dar um beijo aqui. _Aponta para bochecha. Beijo. — É ansiedade, então eu estou muito ansiedadezinha. Minha vó se levanta pegando em minha mão. — Não, você está muito ansiosa. Sorrio, porque eu aprendi mais uma palavra e na escola eu aprenderei muito mais. — Vó eu tô vendo... É o portão da escola, gente olha aquilo é um monte de criancinha como eu que quer aprender. _Meus olhinhos curiosos percorreu por toda aquela fila gigante de meninas da minha idade e de vários tamanhos. Fico feliz que eu não seja a única ananzinha de seis anos. — É aqui que eu me despeço de você, minha neta. Olho para trás. — Vó eu vou sentir saudade da senhora e do vovô, das ovelhinhas das cabrinhas, dos cavalos castanho, preto e do branco..., mas eu sei que só é algumas horinhas longe. _A abraço. — Preste atenção na professora e nada de ir para as mesinhas das coleguinhas, lembrasse, todos estão no mesmo barco... — Essa escola é um barco? _Coço a testa, sem entender. — Não, quando eu digo que estão no mesmo barco é porque todas vieram por um único propósito... Propósito, o que pode ser um propósito bom... qual seria Siena? — Estudar e aprender. Vovó sorri toda contente. — Agora vá eu estarei aqui quando os portões abrirem. _ Me entregou a lancheira. — Eu posso dividir com minhas coleguinhas, quer dizer, se eu fizer coleguinhas, o que será difícil porque ficarei como a "Maria Esperança" parada. — Divida, mas fique ciente, nem todas fará o mesmo, então nada de ficar triste se algum dia acontecer. Assenti. — Vovó bondade não se espera nada em troca. Tchau. _A dou as costas, mais me viro depressa e corro até ela. — Vovó benze-me. _Estou eufórica. — Nome do pai, do filho e do espírito santo. Amém. — Vovó, eu não estarei sozinha._Tiro a medalha de dentro da camiseta do colégio mostrando o colar que ganhei dela e ela riu parecia meia emocionadinha. — Tchau. Saio correndo entrando na fila, adentrando no parque do colégio. Mostrei o papel que vovó me mandou mostrar para uma mulher e ela logo botou-me numa fila, quer dizer no começo da fila bem no começo. Do nada olhei para trás e vi um montão de alunos, tinha meninos de um lado e meninas do outro. Uma música começou a tocar de repente. Das escadas a minha frente descia um monte de gente grande, vi que uma delas ficou do meu lado nas primeiras filas. — É uma professora. _Falei baixinho, admirada. Ela era tão bonita, espero que a minha professora seja assim. — Ouviram do Ipiranga... Contudo, virei para frente, erguendo os olhos para cima, assustada ao ouvir a voz grossa. O seu olhar abaixou-se para mim e ele sorriu, mesmo sem querer retribuí, segurando com as duas mãos a minha lancheira. "Nunca ignore os outros, é feio" Palavras da minha vozinha e eu sempre seguia tudo ao pé da letra, afinal vovó era grande e bondosa, sou pequenininha e se o meu sonho é ser como ela, o normal a fazer-se era concretizar os seus mandamentos. Ele era um estranho, mas sorriu para mim…então, eu sorri para o desconhecido porque eu não iria ignorar ele que é feio. Minutos depois da música o homem pegou em minha mão e na mão do menino na fila ao lado e subimos, eu tentei soltar a mão da dele mais nada consegui. Na sala de aula ele soltou-me e aos poucos os alunos sentavam em seus assentos e eu fiz também, descobrindo quando tirei o caderno da bolsa que aquele homem estranho não era mais tão estranho assim. " Ele seria o meu professor" Minha cabeça latejante não me deixa continuar sentada naquela cadeira a frente de todos, contudo abro os olhos e sento-me no sofá enfiando os dedos entre os cabelos, enlouquecida para arrancá-los em um único puxão violento. — Tudo bem, Siena? _A voz cautelosa faz com que eu erga o rosto e a olhe, mentindo sadicamente ao assentir como todas as vezes que os pensamentos, lembranças me levam para aquele ser maldito. Desvio os olhos para o relógio analógico no alto da parede e solto um suspiro contido, agradecendo interiormente por está no meu horário, por minha sessão ter finalmente acabado. No centro, diante dos meus olhos e ao alcance das minhas mãos pego a minha bolsa de caveira, recolhendo de dentro um grampo que eu possa visivelmente prender meus cabelos pretos com as pontas vermelhas sangue que por algum motivo estavam completamente molhados de suor. — Já pensou em diminuir um pouco a quantidade de roupas que usa? _A fito impassível. — Ou sei lá talvez mudar o tom escuro, vi numa pesquisa que roupas pretas são um caos de calor... A corto, não gostando nada da sua invasão e audácia. — Daqui a pouco me pede para arrancar os 7 piercings visíveis em meu rosto. _Talvez tenha sido um pouco ríspida no modo de falar. — Não, fico a imaginar o que você esconde embaixo desses panos que não queira que ninguém veja. Abaixei a cabeça sorrindo do seu olhar curioso e levanto-me. — A verdade, é que é um mistério e nunca ninguém saberá... Até mais, senhora Morgana. _A dou as costas, soprando um ar de alívio por saber que só verei ela semana que vem novamente.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR