Ella Clark
Lyan me chamou na sala dele como se fosse um assunto de vida ou morte que exigisse total urgência, acato sua ordem e vou até sua sala o que eu não esperava era encontrar ele lá, fico estática o olhando perplexa e ele chega a dar um passo para traz ao ver. Ficamos assim nos olhando como se um fosse comer o outro (sem malicia), até que Lyan resolve abrir a boca:
- Ella, esse é Adam meu filho. - Diz revirando os olhos, mas o que revirou mesmo agora foi minha cabeça. Deus, não é possível que eu tenha transado com o filho do meu chefe. Eu vou ter uma parada cardíaca, chamem ambulância. - Adam, essa é Ella minha antiga secretária.
Antiga? Eu fui demitida? Minha vida é um inferno mesmo. Fico mais em choque ainda e acho ou melhor tenho certeza que não consigo disfarçar isso. Parece que meu sangue está sendo drenado:
- Ella, você está pálida, está bem querida? - Confirmo com a cabeça voltando aos meus sentidos e vou cumprimentar Adam que está mais em choque que eu, a essa altura ele já deve ter virado todas as cores do arco-íris.
- Prazer em conhece-lo, Adam. - Digo com a voz um pouco tremula estendendo minha mão. - O prazer é todo meu, Ella. - Diz apertando minha mão um pouco tremulo.
- Bem, para a noticia que vou dar a vocês é melhor que estejam sentados. - Diz Lyan interrompendo o nosso momento "tensão".
Adam e eu nos sentamos lado à lado no mini sofá e esperamos que Lyan continue. - Como os dois já sabem essa empresa precisa se um sucessor.
- Isso eu já estou cansado de saber. - Sussurra Adam creio que mais para si mesmo.
- Continuando... meu filho seria o novo dono disso tudo. - Assim que Lyan fala a palavra "seria" os olhos de Adam brilham em felicidade. - Mas, ele é muito irresponsável. Por isso, 50% da empresa é do meu filho e 50% é de Ella Clark.
O que? Eu ouvi direito meu povo? 50% da Mcloudé minha?
Adam encara o pai com um olhar de dúvida misturado com uma felicidade insana, assim como ele. Como uma pessoa fica feliz em ter que dividir o patrimônio com uma desconhecida? Ninguém, virgula Adam Foster:
- Eu não posso aceitar isso. - Digo.
- Claro que pode, Ella. Você quer salvar a empresa? - Pergunta receoso.
- Sim! - Respondo imediatamente.
- Então aceite. - Diz Lyan que olha para Adam esperando uma interferência dele, mas o mesmo parece estar nadando em uma piscina de chocolate de tanta felicidade, mas aquela ponta de dúvida ainda está estampada em seu olhar.
- Isso significa que teremos que dirigir a empresa juntos? - Diz apontando o desço indicador para mim e depois para ele.
- Exatamente! - Responde Lyan, um pouco eufórico.
- Isso vai dar errado. - Murmura Adam.
- Por que vai dar errado, Adam? - Pergunto o encarando.
- É só uma suspeita, mas tenho a impressão que nós vamos derrubar esse prédio na porrada.
- Diz dando de ombros. - Quando eu começo?
- Amanhã. - Lyan responde, nos entregando os contratos para que assinemos.
Nós assinamos as três folhas e o entregamos, logo após Adam pega seu celular no bolço do terno e começa a digitar freneticamente:
- Ainda nem tomei café, licença que eu já vou indo. Um bom dia a vocês dois. - Diz Adam se retirando da sala me deixando sozinha com Lyan.
- Que ideia foi essa? - Pergunto jogando o cabelo para o lado.
- Eu confio em você, Ella. Acho que pode tomar as rédeas da empresa e colocar Adam nos eixos. - Diz abrindo seu notebook e digitando algo que provavelmente é a senha.
- O que quis dizer com "colocar Adam nos eixos"? - Digo fazendo aspas com os dedos. Ele me olha com preocupação.
- Ella, você definitivamente não conhece Adam, mas também não vou contar-lhe por que é capaz de você rasgar esses papeis agora e nunca mais pisar o pé nessa empresa. - Diz passando o dedo na sobrancelha e seu olhar se enche de desgosto. - Pode tirar o resto do dia de folga, para digerir tudo isso que eu te disse agora. Só te peço que não desista dele, eu já estou começando a perder as esperanças e nem sei por que acho que você pode mudar ele, Adam nunca ligou para essas coisas.
- Okay, eu preciso mesmo de um tempo pra pensar e digerir tudo isso. - Digo assustada com tudo que ele disse em relação a Adam. - Tenha um bom dia Sr. Foster.
- Bom dia.
Saio daquela sala perplexa, apenas pego as minhas coisas e saio do elevador quase correndo. Deixo todas as minhas coisas dentro do meu carro e fico apenas com meu celular e fones de ouvido, coloco "Eminem - No Love" para tocar. Saio do prédio e sinto uma brisa leve bater em meu rosto e meus cabelos começarem a se mexer.
O que será que há de tão r**m em Adam? Eu prometi que não desistiria dele, mesmo sem saber do que se trata, prometi para mim mesma, agora sabe lá Deus o que me espera. Mas eu não posso desistir mesmo que ele seja um Serial Killer torturador. Hello, Ella. Eu acho que estou vendo muitas séries e estou transmitindo-as a minha vida.
Vou até meu lugar preferido no mundo, aquele onde eu penso em todas as minhas decisões, a praia. Assim que chego na areia tiro os sapatos (andar de salto na areia seria mais que ridículo, né). Assim que meus pés entram em contato com a areia sinto uma sensação de liberdade e vou andando em direção a margem do mar, me sento e deixo meus pensamentos vagarem sozinhos enquanto a água do mar enche meus pés de sal e o Sol bate em minha pele, a brisa leve passa levando a areia para o mar, dando a melhor visão que eu poderia ter.
Fiquei pensando na vida e acabei perdendo totalmente a noção do tempo, já é noite e eu estou aqui vendo o mar. Me levanto da areia me limpando e saindo da praia descalça mesmo, fico andando até a empresa ouvindo música.
Pego meu carro no estacionamento e vou a caminho de casa, ainda ouvindo música no celular, quando em certo ponto da estrada percebo uma movimentação estranha e logo sou parada por cinco assaltantes armados. Agora vocês devem estar se perguntando, se ela está de carro por que não acelera em 350km/h e atropela eles? É simples, o vidro das janelas do carro está aberto:
- Saia do carro! - Diz um deles e eu obedeço por que não sou louca.
- Passa o celular, agora! - Diz um homem encapuzado.
- Olha, eu dou dinheiro se quiserem podem ficar com o carro eu parcelo outro em cem vezes, mas meu celular não. - Digo aflita. Onde eu estava com a cabeça quando disse isso? No cu! - Sem gracinhas! Passa o celular ou eu atiro. - Diz um pegando a uma arma. Eu estou definitivamente fodida! Já estava entregando meu celular quando tenho mais uma ideia i****a.
- Posso tirar o chip e o cartão de memória? - Se eu ainda estou viva é por que não é hoje que eu tinha que morrer, mas é hoje o dia de eu levar um tapa de deixar zonza, é exatamente isso um deles me deu um tapa que eu nem sei mais meu nome.
- Já disse para parar com essas gracinhas! Pega o celular dela! - Um diz e outro obedece enquanto outros três vão em direção ao meu carro.
- p**a que pariu, p***a! Meus cartões de crédito! - Digo desesperada enquanto um deles vasculha o carro e outro a minha bolça. c****e!
Eu iria acabar com a raça do que está mexendo na minha bolça e no meu celular se o mesmo que segurava a arma na minha cabeça não me esfolasse literalmente. Ele aperta de tal forma que eu acabo perdendo os sentidos e desmaiando.
Acordo em um quarto super bem decorado de maneira masculina, eu estou vestida com uma camisa social branca de homem. Penso que estou no paraíso até minha garganta começar a doer me fazendo lembrar que nada daquilo foi pesadelo, realmente fui esfolada, mas não até a morte. Vai ver eles tenham me deixado lá e alguma alma caridosa me trouxe para cá, nas agora resta saber o que eu estou fazendo com essa roupa de homem que em mim mais parece um vestido, me fazendo lembrar daquele casaco xadrez que Adam me deu aquele dia. Saio da cama super macia e eu quase não aguento minha cabeça, parece que ao invés dela estou carregando acima do pescoço toneladas de pedra. Vou para o banheiro e quando passo na frente do espelho penso que vou desmaiar de novo com o que vejo, meu pescoço está completamente roxo onde aquele cara apertou, meu rosto contém a marca daquele tapa e o que eu aprendi com isso foi: Se cinco ladrões te assaltarem dê o que eles querem por que você vai ser assaltado de qualquer jeito, ou seja, a única coisa que muda é você ficar toda marcada pela resistência e ainda ficar sem... sem:
- MEU CELULAR! - Grito indo em direção ao chuveiro.
Faço minha higiene matinal e visto outra camisa social (masculina). Saio do quarto adentrando num corredor enorme e logo a minha frente uma escada que desço rapidamente. Chego numa sala enorme com uma TV de PLASMA na parede da porta e ao seu redor, na parede cinza há vários buracos quadrados no mesmo tamanho contendo mínis estatuas nelas. A decoração daqui é linda de mais:
- Acordou? - Stop mundo! Eu conheço essa voz. Eu estou na casa de Adam, com a camisa dele, admirando a parede dele. Deus!
- Adam? - Pergunto ainda não acreditando no que meus ouvidos ouviram.
- Não imagine, é Nick Jones. - Diz irônico. Não, é m*l educado mesmo.
- m*l educado! - Exclamo alto para que ele possa ouvir. Olho para traz e lá está ele com os braços cruzados me encarando friamente.
- Olha aqui, eu te salvei de ser esfolada até a morte te trouxe para a minha casa e ainda estava tentando fazer algo comestível. Então você guarde suas afrontas a mim quando eu realmente te fizer algo! - Diz Irritado, o que está bem claro pelo seu tom de voz e pela forma que me olha.
- Gro... - Ele me corta.
- Para de encher o saco vai! Sou grosso mesmo e estou fodendo para o que você acha de mim. Eu estava fazendo as honras do bom anfitrião mas quer saber, se vire. - Diz voltando para a cozinha.
É, eu realmente irritei ele e pior é que não sei nem o que vou fazer. Que droga! Vou para a cozinha e o encontro jogando raspas de bolacha numa vasilha enorme de chocolate. Giro os calcanhares para o outro lado e quando me viro de volta ele já não está mais lá e sim na sala passando os canais da TV e parando no TELECINE PREMIUM onde está passando um filme de terror que não sei qual é, e só sei que é de terror pela música no começo.
Volto para à sala com uma Rufles e sento ao seu lado, percebo que a camisa dele está aberta deixando à mostra seu tanquinho e peitoral definidos, e que tanquinho meu Deus:
- Vai acabar furando buracos. - Diz Adam com os olhos na TV que agora reconheci o filme como “Dia dos Namorados macabro".
- Que? - Pergunto confusa.
- Você me encarando desse jeito, vai acabar furando buracos. - Diz comendo mais chocolate, só que dessa vez a colher estava muito cheia e ele acaba sujando a camisa. - p***a!
Ele se irrita e tira a camisa jogando a mesma no chão, ô tentação. Pego o controle da TV e vejo as horas, ainda são 3:00am:
- AH! - Grito no susto.
- Tá maluca, mulher? A mulher do filme se assusta e quem grita é você! - Diz começando a rir.
Já que ele vai rir de mim, pego sua colher e de chocolate e começo a comer:
- Ô moça, eu já te dei minha Rufles então pode ir tirando as mãos do meu chocolate. - Diz tirando o chocolate de perto de mim.
- Nossa seu egoísta! - Digo e caio na gargalhada com a cara que ele faz, mas é ai que ele pega um pouco de chocolate e joga em cima da própria camisa dele. - i****a.
- É o que? - Pergunta incrédulo.
- i****a! - Repito.
- Maluca! - Diz jogando o controle da TV quase no meu rosto.
- Vai trabalhar, seu babaca! - Digo me recuperando do susto com o controle e tirando a camisa suja ficando apenas de calcinha e sutiã, quando vejo uma barata no teto. - AH, BARATA! BARATA! - Grito pulando em cima de Adam.
Minha respiração descompassada, nossos olhares se encontram e ficamos nessa posição comprometedora até que...