Nossas vidas estão mudando de pista, você me jogou pra fora da estrada. A espera terminou, eu estou agora tomando o controle. (...) Agora toda vez que me olho achei que tinha te dito, esse mundo não é para você.
O quarto está em chamas enquanto ela arruma o cabelo. Você parece tão bravo, apenas se acalme, você me encontrou.
Eu disse: Por favor, não me faça ir devagar.
Reptilla | The Strokes
Ele respirou forte ao mesmo tempo que passou as mãos nos cabelos, atordoado.
— Droga. — Murmurei, querendo jogar longe aquele maldito aparelho.
— Atende, é a sua chance. — Ele falou me lembrando sobre os seus conselhos, enquanto se sentava na cama, concertando sua postura.
Soltei um sorriso, quase invisível quando vi um voluminho voluptuoso na parte da frente do seu short.
— Hum? — Disse atendendo, indecisa se ficava p**a ou grata por o Luca ter cortado todo aquele clima.
— Prefere as 8 da manha ou 8 da noite? — Luca perguntou e eu percebi que sorria do outro lado da linha.
— Hã? — Tentei me situar, vendo o Will vestir a camisa. Seu corpo... Perdi meu olhar novamente passeando por cada detalhe.
— ... a passagem, amanhã. — So consegui entender o final frase, não consigo mais me concentrar com a presença dele aqui.
— Passagem? — Questionei, coçando a testa confusa, desviando a visão e os pensamentos pecaminosos.
— Sim Samantha, passagem de volta! Estou comprando agora, qual horário você quer? — Ele gritou impaciente do outro lado da linha.
Soltei uma risada amarga enquanto mordi a língua, torcendo que fosse uma piada de mau gosto.
— Tá brincando né?
— Não tenho todo o tempo do mundo. — Disse arrogante.
Afastei o aparelho de mim.
— Filho da p**a! —Soprei e aproximei novamente o celular da da minha boca, tentando ser calma — Luca, não vou voltar!
— Você vai sofrer as consequências amor, seu pai vai ficar tão triste...— Disse sarcástico.
— Quer saber?! Vai se f***r! Vai se f***r você, vai se f***r a sua grana e vai se f***r o nosso namoro. Acabou! — Berrei, me afastando do Will, andando em círculos no quarto afim de me concentrar nas palavras que simplesmente saiam da minha boca sem esforço algum. — Quem você pensa que é seu i****a? O meu dono? Eu não preciso de você pra nada. Entendeu? Para nada! Até o seu trabalho de me fazer gozar eu faço sozinha, sem sua ajuda! Então não fale comigo como se você fosse tudo que eu tenho, por que você não é, eu me basto.
Terminei por fim de cuspir tudo pela ligação, percebendo que eu tinha rodado o ambiente todo e ter parado novamente de frente pro Will, cujo a boca tinha se formado um "o" perfeito e me encarava estatístico.
Pigarreei, notando o silêncio do outro lado do telefone.
— Luca? — O chamei mais calma.
Escutei apenas o "tum tum tum" indicando a chamada finalizada.
Engoli a seco, colocando o celular no móvel do quarto e desviando o olhar de Will.
Toquei nas bochechas, percebendo que estão pegando fogo de vergonha.
— Vou fingir que não escutei a parte especifica do go... — Ele começou a falar, mas se cortou gesticulando com as mãos — Deixa pra lá, eu não ouvi nada. Mandou bem Becker! — Balançou a cabeça positivamente — O plano era apenas dizer que você era autossuficiente, mas você foi além disso.
— Obrigado. — Sussurrei, inquieta colocando as mãos no bolsos da frente do meu short.
— Agora saindo do meu personagem bondoso, — sua boca tinha uma sugestão de sorriso. — Você é uma mentirosa que quebrou a aposta!
— Você também é, seu i****a! — Cruzei os braços na altura dos s***s, empinando meu nariz na altura do seu.
— Não quebrei não. — Rebateu se deitando na cama e eu entendi que aquilo era só uma maneira de fugir do meu olhar raivoso e poder soltar sua risadinha sínica.
Aproximei dele, me metendo no meio das suas pernas em pé ainda com os braços cruzados. Segurei o olhar duro com uma sobrancelha arqueada.
— Você pode enganar a Abby, sua mãe e até a Alice... Menos eu. — Eu falei com audácia. — Acabei de te beijar, esqueceu? — O lembrei.
Eu tinha sentindo o aroma da nicotina e arrisco dizer que foi uns dois ou três cigarros fumados.
Ele mordeu os lábios, enquanto contorceu o nariz se tocando da mentira que tinha soltado.
— Samantha Becker, a garota estranha que toma a iniciativa dos beijos. — Rastejou as palavras dentro da aquela frase com um olhar presunçoso. — Afinal, quem é Alice?
— A garota que você compra sanduíches, em troca de uma f**a. — Dei de ombros, deitando do seu lado, tentando manter uma distância significativa.
Sua presença me dar umas sensações difíceis de controlar.
Ele riu levantando as palmas das mãos até a cabeça, como se tivesse se rendendo.
Meus olhos foram parar nos dele novamente. p***a, Will tão diferente mas ao mesmo tempo tão igual. É possível?
— É Lise e você traiu seu namorado Samantha, isso é muito feio. — Falou zombeteiro apontando um dedo pra mim, lancei outro dedo pra ele, o do meio.
E foi naquele momento que eu quis me explodir.
— Não é traição quando acontece alguns minutos antes do término oficial. — Afastei o olhar, encarando o teto, agora sou eu que não quero que ele veja meu sorriso sínico.
Prendi a risada, tentando me confortar com aquela desculpa esfarrapada, em vão. Eu tinha traído meu namorado com o Will e com certeza ele está se achando a última coca-cola do deserto devido a isso.
Ele se apoiou em um cotovelo enquanto inclinou o corpo em minha direção, ficando novamente com a boca próxima da minha, intensificando o seu olhar dourado. Logo meu sorrisinho desapareceu, pisquei algumas vezes tentando me recompor.
— Essa é a vigésima vez que vocês terminam oficialmente...? — Fez uma pequena pausa e a sua frase ficou entre uma afirmativa e um pergunta, depois continuou — Como sempre eu te ajudando a aquecer os seus amores frios Samantha, algumas coisas nunca mudam. — Disse ácido, mas mesmo assim soando convencido.
O seu perfume inebriante me deixava fora de sí. Encarando seus lábios carnudos, tive que fazer uma força surreal para não beija-lo novamente e graças a Deus por isso, por que segundos depois a porta do quarto se abriu e nossos olhos correram até ela, antes que eu pudesse formular uma resposta à altura daquela alfineta sobre amores frios.
— Sam você viu o Tom... Ah, você está ai?! — Abby perguntou, analisando aquela cena do Will sem camisa praticamente deitado sobre meu corpo apenas de shorts e sutiã em cima da cama.
Nos levantamos rapidamente, fingindo que aquilo era uma coisa super normal de se acontecer.
— Ai está ele. — Apontei com as duas mãos, sorrindo altamente dissimulada.
— Uhum... — Ela disse, analisando a postura destreinada do irmão, e a cara fingida dele entregou que estava prestes a cometer um crime — Tem uma garota lá na sala, Will, está atrás de você. — Falou desconfiada, dando passagem pra ele cruzar a porta e depois me encarou balançando a cabeça negativamente.
Dei uma leve tossida, enquanto me deitei cobrindo o meu corpo com os lençóis, me virando pro lado que ela não conseguia ver a culpa estampada em mim, na tentativa de fugir do seu interrogatório policial.
— Pode apagar a luz Abby? Já vou dormir. — Perguntei descarada, enquanto bocejava, afim de expulsa-la do quarto.
— Sam, o que foi aquilo? — Perguntou se aproximando e senti a cama se fundar atrás das minhas costas.
— Hã? — Me fiz totalmente de alienada.
— Não se faça de desentendida. Você não namora, mocinha? — Me virei de frente, me apoiando com os dois cotovelos, pendi a cabeça pro lado pra lhe olhar melhor.
— Quem disse que eu trai meu namorado? Não é namorado se for ex. — Dei de ombros.
— Meu Deus! Então você traiu o Luca com o Will? — Ela perguntou com a boca aberta de espanto, e eu soube que Abby estava calculando alguma frase de verdades pesadas pra me jogar na cara.
— Não, não foi isso que eu disse! Eu terminei com ele e não traí ninguém. — Me defendi mordendo os lábios, o gosto do Will estava ali ainda e tinha sido um p**a de um beijo. Suspirei. — E o Luca, ele é um i****a. Ameaçou de tirar todo o dinheiro da minha família. — Baixei a cabeça, deixando a tristeza sair.
— Sam, espero mesmo que você tenha terminado, por que sinceramente já ouvi isso sair da sua boca zilhões de vezes. — Falou, já esperava a Abby realmente tinha calculado verdades pesadas pra me dizer. Pisquei nervosa, tentando segurar um sorriso amarelo. — Viva a liberdade! — Ela sorriu genuinamente, pra quebrar o clima. — Mas não vá viver essa liberdade com o Will, pelo amor do santo das calcinhas molhadas, Sam! O que se passou na sua cabeça? — Seu sorriso sumiu e o meu também.
— Abby, não aconteceu nada. — Menti, menti feio, menti e só um cego não veria a minha mentira nesse momento.
— Aham — Ela disse descrente, me analisando como se eu estivesse em um julgamento. — Vai lá na sala e vai entender o que estou tentando te livrar.
Droga.
— Deixe-me adivinhar. — Levei um dedo até os lábios e semicerrei os olhos, fingindo pensar. — Alice é o nome dela, deve praticar esportes, tem o corpo esbelto, uma xerox da Barbie... Falta alguma coisa?
Esperei a confirmação da Abby em troca recebi uma risada dela enquanto balançava sua cabeça para os lados, acompanhado de um:
— Boa noite Sam! Amanha saiu as 8h. Não se atrase se quiser uma carona até a faculdade.
Depois saiu do quarto, me deixando sozinha com as minhas dúvidas sobre a garota que o Will anda pegando e que se contenta com sanduíches em troca de uma transa. Acho que vou ter descartar a hipótese de ser uma xerox da Barbie, Barbie não come e pelo que deduzi eles andam comendo sanduíches umas três vezes por dia.
Um grunhido vindo da sala me tirou toda a atenção dos meus pensamentos.
O que posso confirmar pra mim mesma é que a curiosidade matou o gato e está prestes a me matar também nesse momento.
No corredor escuro que dava em direção a sala, caminhei e paralisei totalmente ao avistar Will sentando no sofá, mas não era só isso, era Will sentado no sofá com uma garota no seu colo pendurada em sua boca.
Meus lábios se abriram involuntariamente e minhas sobrancelhas bateram no teto.
A garota tirou a blusa na cor pink, deixando os s***s à mostra bem na cara dele, sim! O filho começou a escorregar a boca pelo colo dela. Ela tinha cabelos loiros, compridos grudados no suor das costas e a sua cintura extremamente fina me confirmaram que a minha teoria estava certa. Era uma xerox da Barbie.
Impossível.
Já Will, continua com o mesmo gosto para mulheres plastificadas e pior, continua o mesmo devasso, sem vergonha e pervertido de sempre. Fazendo aquilo na p***a da sala. Que merda se passa na cabeça dele?
A boca dele subiu até a dela novamente, o que me prendeu a atenção por longos segundos.
Me tremi quando suas orbes dourados se abriram em direção a mim mais rápido que a velocidade de um raio, ele sentiu minha presença, me fazendo engolir a seco à espera da sua reação, ou a falta dela.
Will continuou beijando a garota e afirmo que até mais selvagem do que estava fazendo antes de me notar. Só pra me provocar. Mesmo concentrando no beijo dela, os seus olhos ainda estavam presos nos meus. No meio daquilo vi sua boca quase se curvar em um sorriso m*****o, como se ele dissesse: eu sei que queria estar no lugar dela.
Talvez.
Contudo, ele não precisa saber disso.
Apenas por que ele me atiçou no quarto e por que estou carente depois de ter terminado pela milésima vez na vida meu namoro fodido com o Luca. Willian era o tipo de amigo que sabia muito bem consolar corações quebrados, o meu já está calissado, mas mesmo assim eu queria se reconfortada.
Tentei manter a postura firme afim de mostrar que aquilo tudo era uma idiotice, antes que eu pudesse fazer o caminho de volta até as minhas cobertas e suplicar aos céus pra esquecer aquela cena.
Aquela maldita cena que me deixaria acordada a noite toda.
••••
— Sam! Acorda, já são 8:10. — Abby me sacolejava no pé da cama.
Me esforcei para abrir os olhos e quando finalmente consegui, me deparei com a cara emburrada da minha amiga.
— Jesus. — Murmurei.
— Você vai encontrar com ele se não se levantar e se arrumar, estou atrasada. Vamos! — Ela me sacolejou novamente tocando seus dedos finos no meu ombro me fazendo lembrar só agora que ela tinha me prometido uma carona as 8h em ponto. — Ah não ser que queria ir com o Will.
— Deus me livre. — Bufei.
— Só para checar, estou aqui. — Ele disse enfiado dentro do meu guarda-roupa, isso mesmo, Willian de manha dentro do meu quarto, com a absoluta certeza era algo que eu não queria ver.
A cena de ontem estava mais viva do que nunca na minha cabeça.
— Que merda está fazendo mexendo no meu armário Carter? — Virei minha cabeça, ainda deitada na cama o fuzilando com uma cara de mau humor.
— Bom dia também Becker, não dormiu bem?
Não. Olhei pro rádio relógio e vi marcar 8h12min e me dei conta que eu tinha dormido apenas três horas de sono, o que é uma bela bosta para se manter em pé o dia todo.
Revirei os olhos e me cobri com a coberta, querendo fugir pra algum lugar paralelo do universo.
— Você tomou todo o meu espaço do guarda-roupa. — Will reclamou depois do meu silêncio me fazendo lembrar, infelizmente, que divido esse quarto com ele.
— Carter. Sai do quarto. — Me levantei da cama pedindo, tentando ser paciente, apenas tentando.
Eu vi os olhos dele correr até a minha b***a dentro da camisa grande que eu estava usando, não tão grande, pois ainda dava pra ver a polpa da minha carne.
— Te espero no carro lá fora, não demore. — Ele disse segurando o olhar na minha b***a, até eu estalar os dedos para que ele me olhasse nos olhos, esboçando um pequeno sorriso dissimulado.
Entrei no banheiro e quando fui escovar os dentes me deparei com um post-it amarelo colado no espelho.
— Filho da p**a. — Soprei pra mim mesma.
Balancei a cabeça e me preparei para o dia que se dividiria em estudar, trabalhar e evitar sentir desejos incontroláveis pelo Willian Carter.
Próximo capítulo finalmente vem nosso badboy narrando galera. Conselho da autora: Se prepareeem. ?