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2160 Palavras
(Se eu fugir) se eu fugir, eu nunca vou saber (O que você quer) e se você for, então eu nunca vou crescer (Eu estou incompleto) me deixe deslizar, me deixe ir (Se você fugir) Eu vou apenas deixar você voar. Prey | The NBHD. — Você disse que não vinha Luca! — Falei estática na porta de embarque. Minha garganta seca impossibilitou que eu falasse mais alguma coisa. — Você acha mesmo que eu iria deixar minha namorada partir sem vir dar um tchau? — Ele perguntou fazendo um bico na boca. Me deixando totalmente desconcertada. — Filha! Se despeça do Luca, você não sabe quando vai ver ele novamente. — Minha mãe me pediu, enxugando as lágrimas no rosto. Até então, apenas ela tinha vindo bater palmas pro meu novo caminho e aproveitar os últimos minutos com a única filha. Minha mãe sempre me apoiou, me dando forças pra seguir meu sonho. Já o meu pai não concordando com nada disso, não me dirigiu a palavra desde de que eu falei da minha decisão e ficou em casa. É pesado demais pra ele ver sua filhinha jogar fora o casamento dos sonhos. Droga. Odeio ver minha mãe chorar e odeio despedidas. — Não foi você que disse que eu não era mais sua namorada? Luca você terminou comigo! — Falei segurando o revirar dos meus olhos, checando que ainda tenho 10 minutos para a liberdade. — Amor, isso foi em momento de raiva. Você sabe que é a melhor namorada do mundo. — O encarei sem muita fé, esse discursinho clichê dele era sempre o mesmo quando fazia alguma merda. Luca era o tipo de cara que não sabia receber um não, ele sempre fazia de tudo para conseguir o que quer. E em cumplicidade com o pai, ele usaria das suas artimanhas mais sujas para me fazer ficar aqui e não partir. Estava chegando a hora de recomeçar. Senti a realidade bater na minha porta, o medo veio ao meu encontro como um carro desgovernado a 200km por hora se chocando contra uma parede. — Sam? — Luca me chamou, vendo o pânico se formar no meu rosto. — Você tem certeza que quer ir? — Ele perguntou já colhendo as malas da minha mão como se soubesse que a minha resposta fosse não. Não dessa vez. — Sim, querido. — Minha mãe respondeu, antes que o meu "sim" saísse da minha boca. Luca emburrou a cara. Me fazendo repensar se realmente eu deveria embarcar. Era tudo que eu não queria que acontecesse. Pensar demais faz com que a gente desista de fazer o que queria, faz com que a gente escolha a opção errada que pensávamos ser a certa, assim deixando de viver aquilo que a gente sempre quis viver. Aprendi isso da pior forma, infelizmente. — Sam, prometa pra mim que me ligará todos os dias meia noite. — Ele pediu com o semblante sério, quase como uma ordem. — Hã? Por que meia noite? — Indaguei o seu pedido um tanto quanto específico. — Por que é seu namorado que está pedindo, qual é problema? — Ele revidou deixando a arrogância gritar, com o olhar periférico vi minha mãe me fitar com uma cara desgostosa, devido a maneira que o meu namorado falava comigo, as vezes. Ela odiava e meu pai amava. Segundo ele homens mandam e mulheres obedecem. Só que eu nasci pra quebrar regras, na verdade, eu sou a própria regra quebrada. — Tá Luca. Preciso ir, me dê um momento com a minha mãe. — O pedi, dando um abraço, ele se desviou e me deu um beijo. Odiava beijar em público. Nosso último beijo. Graças a Deus por isso? Amém. — Mãe. — Falei baixinho, encostando minha cabeça no seu colo enquanto sentia o aroma dos seus cabelos. — Filha. — Ela me disse com ternura. — Sentirei sua falta, muito! Íamos ficar distantes por um tempo, mas nada me impedia de eu vir visita-la em feriados prolongados, eram dois dias de carro de New Jersey até a California, e se as vendas da loja da minha família tivessem boas, uma passagem de avião resolveria rápido. A rotina puxada talvez dificultasse que a gente se visse com tanta frequência, mas eu com certeza me esforçaria sempre que fosse possível. — Eu estou fazendo a escolha certa? — Perguntei, sentindo um bolo formar no estômago. É eu fiz a pergunta que eu não queria fazer, pela segunda vez na vida. — É claro meu amor, é seu sonho. Sempre foi! — Ela respondeu convicta me abastecendo de certeza. — Mas e os negócios da família? — Perguntei, me sentindo m*l por deixa-la sozinha na loja de roupas. Era uma loja pequena, que veio da minha vó, passou pra minha mãe e se ela não falisse passaria pra mim. Todas as roupas eram feitas à mão e foi ai que eu me apaixonei pela moda. As coisas não iam bem, meus pais deviam ao banco e o Luca estava me ajudando com algumas contas em casa, o que fazia meu pai idolatra-lo, ocasionando o casamento arranjado com ele. Minha ida pra casa da Abby na California era uma fuga bem feita, um plano bolado a anos. Luca fazia questão de esbanjar a grana do pai dono de concessionária. Eu não aceitava seu dinheiro, mas como meu pai era obcecado por ele, acabava deixando, se justificando que ele podia me dar uma vida melhor. — Eu sempre dou um jeito meu amor! — Minha mãe respondeu com um sorriso amarelo no rosto ainda me agarrando forte. Realmente, minha mãe sempre dava um jeito em tudo. — Agora vá! E não olhe pra trás. — Ela se soltou e enxugando uma gotícula do meu olho e outra no dela. Suspirei fundo e esbocei um "eu te amo pra ela" com os lábios e fui, ela é minha cúmplice nessa fuga em busca da felicidade. Sem olhar pra trás. Atravessei o portal de embarque. Dentro do avião, vi a paisagem lá em baixo se diminuir cada vez mais. Não tem volta, sempre existe uma escolha que muda o percurso da vida e não vou fugir dessa. A última que eu tinha feito 7 anos atrás me fez viver dentro de uma prisão em um relacionamento abusivo fadado ao fracasso. Já foi, já fiz minha nova escolha. O único arrependimento que posso ter é não ter me permitido escolher mais uma vez. Uma alma livre, me permito ser agora. ••• — Você deveria ter dito a hora que ia chegar pra eu poder ir te pegar no aeroporto. — Minha amiga falou enquanto me sufocava em um abraço. — Queria fazer surpresa. — Falei me soltando e olhando pros fios morenos do seu cabelo grudados nas lágrimas que escorriam. — Sem choros Abby, estou aqui e temos muita fofoca pra por em dia. — Sorri, sentindo o gostinho da independência. — Ah como temos! Preciso te mostrar todos os garotos da UC especificamente os amigos do Will da T.I, eles hackeiam até calcinhas. Ri revirando os olhos, enquanto abraçava ela novamente. — Senti sua falta... — Eu também! Com a cabeça encostada no seu ombro, senti um grande baque no peito, especificamente no coração quando assimilei melhor a frase que ela tinha acabado de soltar "amigos do Will". Foi aqui que eu quis cometer um assassinato. — Abby... — Me afastei, fechando forte os olhos e medindo a respiração antes que eu entrasse em um perfeito surto. — Amiga... Era uma surpresa. — Ela disse desprevenida, depois tampando o sorriso desconcertado nos lábios com uma mão. — Droga, sou uma linguaruda. — Eu não planejava te matar quando chegasse aqui, mas vou ter que fazer isso. — Gritei, sentindo o meu sangue pedrar que nem gelo, ouvir que Will estava aqui fez meu pulmão parar de bombear o ar. — E eu realmente estou falando sério Abby! Como foi capaz? — Foi maaaaal Sam!!! — Ela disse mostrando um pouco de desespero, coisa que não me compadeceu.. — m*l? m*l o c*****o Abby, foi péssimo! Você sabe que a gente não se fala há anos, e eu enchi a p***a do seu saco falando dele todos os dias da minha vida sem saber onde ele tinha se metido. Como me escondeu isso? — Eu a perguntei em um tom sério o suficiente fazendo com que o remorso a roesse. — Bem... Já disse, queria fazer surpresa. – Ela respondeu sem jeito. — Okay, você tem toda razão de querer me detestar! As minhas intenções eram boas, eu juro. — levantou as mãos até a cabeça como se rendesse. Bufei. Colhendo as minhas quatro malas da sala. — Onde fica o quarto? — Questionei com a minha cara emburrada, tentando ainda assimilar a notícia impactante que eu tinha recebido. Willian Carter, morando no mesmo apartamento que eu = passagem direta para o inferno. Ainda dava tempo de voltar. Eu esperava chegar aqui e me deparar com qualquer coisa, menos com o Willian. Durante todo esse tempo eu choraminguei pra Abby a falta que eu sentia dele e ela nunca me falou nada. Minha amiga me seguiu até o quarto e o meu silêncio começou a incomoda-la. Ótimo, era essa a intenção mesmo. — Já pedi desculpas Sam! Nem vem, não vou cair no seu joguinho. — Então me explique qual é o seu plano mirabolante para juntar eu e o Willian no mesmo apartamento depois de 7 anos. — Estreitei minha visão pra ela. — A única coisa boa que eu consigo ver aqui é que vou ter a chance comerer um assassinato duplo, primeiro você por ter me escondido isso e depois aquele filho da p**a que sumiu sem dizer pelo menos um adeus. — Uni minhas sobrancelhas, enquanto cruzei os braços esperando uma ótima explicação. — Okay, o lance é o seguinte, ele chegou aqui está com quase dois anos. Tinha sumido pelo mundo depois de uma fase complicada, digamos assim, discursões com os nossos pais e... Você sabe! — Sei o que? — Perguntei vendo que a Abby estava segurando as palavras, contando tudo pela metade, obviamente pra proteger o irmão. — Ah Sam, não se faça de desentendida, ele sempre foi um rebelde sem causa. — Deu de ombros. Revirei os olhos, tendo que concordar, Willian sempre foi um revoltado com a vida. Explodia por qualquer besteira, principalmente quando envolvia a empresa da sua família, ele sempre buscava uma maneira de achar uma válvula de escape pra lidar com as tribulações e ansiedade que ele não aceitava ter. No fundo eu o entendia completamente, era só fruto desses sentimentos ruins que ele não sabia lidar. — Só não entendi o por que de não ter me dito que ele estava aqui esse tempo todo. Enquanto eu esperava pelo menos um sinal de fumaça?!! — Gesticulei com os braços, dizendo o óbvio que eu esperava da minha melhor amiga. — Por que ele me pediu, poxa! — Ela esbravejou. — Pediu que eu não te dissesse onde ele estava, pediu que não falasse dele pra você. Agora o porquê disso, querida, só ele vai poder te explicar. — Disse se sentando em cima de uma mala minha no quarto ao mesmo tempo que descascava seu esmalte preto das unhas. — Ótima amiga você é, em Abby? — Falei deixando uma outra mala cair no meu pé. — Droga! — Quatro malas, Sam? Você vai ter problema com isso. — Minha amiga disse comprimindo uma risada. — Por que? — A encarei, quase soltando faíscas pelos olhos. — Vamos sua chata, descanse! — Ela me abraçou, de novo, tentando quebrar minha ira ao meio. — Eu compro pizza pra gente como um pedidos de desculpas. — Ok! — Falei, recebendo um beijo estalado na bochecha e me acomodando melhor dentro do quarto. Abby sabia que tudo comigo era resolvido na base da comida. Depois de matar a minha fome ela estaria oficialmente perdoada. Como eu tinha comprando uma passagem mais barata, não pude desfrutar de um voo confortável. Fazendo com que eu corresse em direção ao banheiro para um banho relaxante. Preciso viver tudo que ainda não vivi e saber que tenho Will aqui fez meu coração errar todas as batidas, meu melhor amigo de volta, meu Will, ou apenas Will, ou apenas amigos sem o melhor na frente, ou apenas nada. Um desconhecido. Um sentimento amargo surgiu no meu peito imaginando todas as possibilidades de coisas que poderiam acontecer quando, finalmente, a gente se encontrasse. O que seriamos a partir de hoje? Ou melhor, o que nos tornamos desde de que ele sumiu? Bem, terei tempo o suficiente pra descobrir. Sinto que a Abby ainda está aprontando ? Meu amores, sabem que capítulos iniciais são sempre introdutórios não é? Eu como uma boa pessoa ansiosa não tenho muita paciência, mas me dêem uma chance e continue a leitura, prometo não decepcionar. Beijinhoooosss!
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