Na tarde seguinte, Elisa se arrumou com cuidado.
Vestiu um macacão elegante, simples, mas de bom corte. Colocou um colar delicado, deixou os cachos ruivos soltos, calçou uma sandalinha confortável e conferiu a bolsa antes de sair. Estava bonita sem exagero — segura de si.
O carro seguiu rumo à empresa de Elijah.
Assim que entrou no prédio, ela se impressionou com o tamanho e a sofisticação do lugar. Mármore, vidro, silêncio organizado.
A recepcionista levantou o olhar.
— Pois não, posso ajudar?
— Sou esposa do Elijah Damario — respondeu com educação. — Gostaria de falar com ele, se possível.
A mulher piscou, surpresa.
— Esposa…? — sorriu. — Ah! Então é você. Finalmente. Seja bem-vinda.
Ligou para o andar superior e, em poucos minutos, autorizou a subida.
No andar executivo, a secretária de Elijah a recebeu.
— Boa tarde, senhora. Posso ajudar?
— Sou esposa do Elijah. Ele está?
— Está terminando uma reunião importante na sala ao lado. — respondeu cordialmente. — Se quiser aguardar, pode ficar aqui comigo.
— Prefiro aguardar aqui mesmo — Elisa disse, sentando-se.
Alguns minutos depois, passos firmes ecoaram no corredor.
Elijah apareceu.
Quando a viu, parou por um segundo.
— Princesa… — disse com um sorriso espontâneo. — Você está linda.
Ela se levantou, sorrindo.
— Boa tarde, doutor engravatado.
Ele se aproximou e deu um beijo carinhoso no rosto dela, sem se importar com quem estava por perto.
— Já terminou tudo?
— Terminei. Agora sou todo seu — respondeu.
Ele entrelaçou os dedos nos dela.
— Vem. Vamos para minha sala.
Entraram juntos. Assim que a porta se fechou, ele afrouxou a gravata e soltou o ar.
— Você não imagina como esse dia foi longo.
Ela olhou em volta, curiosa.
— Esse é o seu mundo, então…
— Parte dele — respondeu. — Mas confesso que prefiro o seu.
Ela riu.
— Ainda vamos te ver de bota suja de barro.
— Estou oficialmente me preparando psicologicamente para isso — brincou.
Ele se aproximou da mesa.
— Vamos revisar a lista? — disse. — Quero estar pronto para ser um bom auxiliar.
Ela se aproximou também, inclinando-se sobre a mesa.
— Primeiro aviso: não mando em você como mandam lá fora.
— Ainda bem — ele respondeu, sério por um instante. — Aqui você não precisa se encolher.
Ela ergueu o olhar, tocada.
— Obrigada por isso… inclusive hoje. Por me deixar subir. Por me deixar estar aqui.
Ele segurou o rosto dela com cuidado.
— Elisa… você não precisa pedir espaço. Você já faz parte de tudo isso.
Ela sorriu, com os olhos brilhando.
— Então vamos às compras, senhor auxiliar?
— Vamos — respondeu ele. — E depois… estrada.
Saíram do escritório de mãos dadas.
E pela primeira vez, Elisa sentiu que não estava apenas acompanhando alguém —
ela estava caminhando ao lado.
Eles entraram na loja de artigos rurais, e Elijah olhava tudo com curiosidade genuína, como se aquele universo fosse completamente novo.
Ele pegou uma bota resistente, analisou o peso, o material.
— Essa aqui é ótima, né?
Ela riu.
— Ótima pra passear fazendo pose de cowboy — provocou. — Agora, pra trabalho de verdade…
Ele arqueou a sobrancelha, fingindo ofensa.
— Ei, pode falar. Eu não daria um ótimo cowboy?
Ela riu mais alto, se aproximou e deu um beijo rápido nele, ali mesmo entre as prateleiras.
— Daria sim… — disse baixo. — Mas essas aqui, ó…
Pegou outro par, mais robusto.
— São as certas pra curral, lama, parto, madrugada sem dormir.
Ele riu, pegando a mão dela.
— Então a doutora manda.
Foram escolhendo tudo com calma:
botas, avental impermeável, calça grossa, blusa protetora para os partos.
Em um canto da loja, Elijah parou diante de um estetoscópio roxo.
Pegou, girou na mão e sorriu.
— Olha… é a sua cara, princesa.
Ela arregalou os olhos.
— Elijah… esse é meu sonho desde a faculdade.
Ele nem pensou duas vezes.
— Então pronto. Sonho realizado. Vamos levar.
Ela sorriu daquele jeito que misturava alegria e incredulidade, como se ainda não acreditasse que aquilo estava acontecendo.
Mais à frente, ela pegou dois jalecos.
— Por que dois? — ele perguntou.
— Um pra mim… — ela respondeu — e um reserva.
Ele tomou um da mão dela.
— Nada disso. — disse sério, mas com brilho nos olhos. — Eu preciso de um também. Pra ser auxiliar da doutora mais linda que existe.
Ela riu, balançando a cabeça.
— Então precisa escolher direito.
Ela ajudou, ajeitou no corpo dele, analisando.
— Esse ficou perfeito.
— Claro — ele respondeu. — Estou em boas mãos.
Depois, seguiram para outra loja, especializada em equipamentos cirúrgicos. Elisa caminhava entre as prateleiras quase emocionada, tocando nos materiais com cuidado.
— Parece um sonho, sabia? — disse baixo. — Poder ir pra lá fazer o que eu amo… cuidar dos animais. E o melhor… você indo comigo.
Elijah sorriu, sincero.
— Eu quero fazer parte do seu mundo, princesa.
Ela riu, olhando pra ele com carinho.
— Quem diria… o empresário Elijah Damario indo pra uma fazenda cuidar de bicho.
Ele riu também, se aproximou e falou baixo, só pra ela ouvir:
— Por você, Elisa… eu vou. Só por você.
Eles ficaram se olhando por alguns segundos.
Sem beijo.
Sem promessa.
Mas com aquele olhar que dizia tudo o que a boca ainda não tinha coragem de confessar.