dias de compra

904 Palavras
Na tarde seguinte, Elisa se arrumou com cuidado. Vestiu um macacão elegante, simples, mas de bom corte. Colocou um colar delicado, deixou os cachos ruivos soltos, calçou uma sandalinha confortável e conferiu a bolsa antes de sair. Estava bonita sem exagero — segura de si. O carro seguiu rumo à empresa de Elijah. Assim que entrou no prédio, ela se impressionou com o tamanho e a sofisticação do lugar. Mármore, vidro, silêncio organizado. A recepcionista levantou o olhar. — Pois não, posso ajudar? — Sou esposa do Elijah Damario — respondeu com educação. — Gostaria de falar com ele, se possível. A mulher piscou, surpresa. — Esposa…? — sorriu. — Ah! Então é você. Finalmente. Seja bem-vinda. Ligou para o andar superior e, em poucos minutos, autorizou a subida. No andar executivo, a secretária de Elijah a recebeu. — Boa tarde, senhora. Posso ajudar? — Sou esposa do Elijah. Ele está? — Está terminando uma reunião importante na sala ao lado. — respondeu cordialmente. — Se quiser aguardar, pode ficar aqui comigo. — Prefiro aguardar aqui mesmo — Elisa disse, sentando-se. Alguns minutos depois, passos firmes ecoaram no corredor. Elijah apareceu. Quando a viu, parou por um segundo. — Princesa… — disse com um sorriso espontâneo. — Você está linda. Ela se levantou, sorrindo. — Boa tarde, doutor engravatado. Ele se aproximou e deu um beijo carinhoso no rosto dela, sem se importar com quem estava por perto. — Já terminou tudo? — Terminei. Agora sou todo seu — respondeu. Ele entrelaçou os dedos nos dela. — Vem. Vamos para minha sala. Entraram juntos. Assim que a porta se fechou, ele afrouxou a gravata e soltou o ar. — Você não imagina como esse dia foi longo. Ela olhou em volta, curiosa. — Esse é o seu mundo, então… — Parte dele — respondeu. — Mas confesso que prefiro o seu. Ela riu. — Ainda vamos te ver de bota suja de barro. — Estou oficialmente me preparando psicologicamente para isso — brincou. Ele se aproximou da mesa. — Vamos revisar a lista? — disse. — Quero estar pronto para ser um bom auxiliar. Ela se aproximou também, inclinando-se sobre a mesa. — Primeiro aviso: não mando em você como mandam lá fora. — Ainda bem — ele respondeu, sério por um instante. — Aqui você não precisa se encolher. Ela ergueu o olhar, tocada. — Obrigada por isso… inclusive hoje. Por me deixar subir. Por me deixar estar aqui. Ele segurou o rosto dela com cuidado. — Elisa… você não precisa pedir espaço. Você já faz parte de tudo isso. Ela sorriu, com os olhos brilhando. — Então vamos às compras, senhor auxiliar? — Vamos — respondeu ele. — E depois… estrada. Saíram do escritório de mãos dadas. E pela primeira vez, Elisa sentiu que não estava apenas acompanhando alguém — ela estava caminhando ao lado. Eles entraram na loja de artigos rurais, e Elijah olhava tudo com curiosidade genuína, como se aquele universo fosse completamente novo. Ele pegou uma bota resistente, analisou o peso, o material. — Essa aqui é ótima, né? Ela riu. — Ótima pra passear fazendo pose de cowboy — provocou. — Agora, pra trabalho de verdade… Ele arqueou a sobrancelha, fingindo ofensa. — Ei, pode falar. Eu não daria um ótimo cowboy? Ela riu mais alto, se aproximou e deu um beijo rápido nele, ali mesmo entre as prateleiras. — Daria sim… — disse baixo. — Mas essas aqui, ó… Pegou outro par, mais robusto. — São as certas pra curral, lama, parto, madrugada sem dormir. Ele riu, pegando a mão dela. — Então a doutora manda. Foram escolhendo tudo com calma: botas, avental impermeável, calça grossa, blusa protetora para os partos. Em um canto da loja, Elijah parou diante de um estetoscópio roxo. Pegou, girou na mão e sorriu. — Olha… é a sua cara, princesa. Ela arregalou os olhos. — Elijah… esse é meu sonho desde a faculdade. Ele nem pensou duas vezes. — Então pronto. Sonho realizado. Vamos levar. Ela sorriu daquele jeito que misturava alegria e incredulidade, como se ainda não acreditasse que aquilo estava acontecendo. Mais à frente, ela pegou dois jalecos. — Por que dois? — ele perguntou. — Um pra mim… — ela respondeu — e um reserva. Ele tomou um da mão dela. — Nada disso. — disse sério, mas com brilho nos olhos. — Eu preciso de um também. Pra ser auxiliar da doutora mais linda que existe. Ela riu, balançando a cabeça. — Então precisa escolher direito. Ela ajudou, ajeitou no corpo dele, analisando. — Esse ficou perfeito. — Claro — ele respondeu. — Estou em boas mãos. Depois, seguiram para outra loja, especializada em equipamentos cirúrgicos. Elisa caminhava entre as prateleiras quase emocionada, tocando nos materiais com cuidado. — Parece um sonho, sabia? — disse baixo. — Poder ir pra lá fazer o que eu amo… cuidar dos animais. E o melhor… você indo comigo. Elijah sorriu, sincero. — Eu quero fazer parte do seu mundo, princesa. Ela riu, olhando pra ele com carinho. — Quem diria… o empresário Elijah Damario indo pra uma fazenda cuidar de bicho. Ele riu também, se aproximou e falou baixo, só pra ela ouvir: — Por você, Elisa… eu vou. Só por você. Eles ficaram se olhando por alguns segundos. Sem beijo. Sem promessa. Mas com aquele olhar que dizia tudo o que a boca ainda não tinha coragem de confessar.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR