Pré-visualização gratuita o acordo
Ela descobriu que ia se casar da pior forma possível:
sentada à mesa, com o café esfriando, enquanto dois homens decidiam o futuro dela como se falassem de gado.
— Está decidido — disse o pai dela, seco. — O casamento acontece em três semanas.
Ela levantou o rosto devagar.
— O quê?
Ninguém respondeu de imediato. O silêncio pesou mais que qualquer grito.
Então o pai continuou:
— É um contrato. Entre a nossa família e a família Damário.
O nome caiu como uma sentença.
Ela conhecia os Damário. Todo mundo conhecia.
Ricos. Frios. Intocáveis.
E o herdeiro… conhecido não pelo charme, mas pela fama de ser difícil de olhar e impossível de amar.
— Eu não vou casar com um estranho — ela disse, a voz firme, apesar das mãos trêmulas.
O pai riu sem humor.
— Você não está em posição de escolher.
— Isso é venda — ela retrucou. — Não casamento.
O pai se inclinou sobre a mesa.
— Isso é sobrevivência. Eles pagam nossas dívidas. Garantem segurança. E você garante o acordo.
Ela sentiu o estômago revirar.
— E o que ele ganha? — perguntou.
— Uma esposa. Um nome limpo. Aparência de família perfeita.
Ela entendeu naquele instante:
não era desejada.
Era necessária.
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Enquanto isso, na casa Damário…
— Não — ele disse, sem levantar os olhos dos papéis. — Eu não vou casar.
O pai dele fechou a pasta com força.
— Você vai.
— Eu não pedi isso.
— Você precisa disso.
Ele respirou fundo. Já estava acostumado a ouvir que precisava de tudo: dinheiro, poder, alianças… menos amor.
— Ela sabe quem eu sou? — perguntou, finalmente.
— Sabe o suficiente.
Ele riu, amargo.
— Então ela vai me odiar.
— Ótimo — respondeu o pai. — Ódio também mantém um casamento em pé.
O primeiro encontro
Eles se viram pela primeira vez em uma sala luxuosa, fria demais para parecer humana.
Ela entrou de cabeça erguida, mesmo com o medo queimando no peito.
Ele se levantou, alto, sério, o rosto marcado por uma rigidez que não combinava com ternura nenhuma.
Os olhos deles se encontraram por um segundo.
Foi o suficiente.
Nenhum sorriso.
Nenhuma gentileza.
— Então é você — ela disse.
— Então é você — ele respondeu.
E ali, sem amor, sem promessa e sem escolha,
o casamento já tinha começado.