Rachaduras

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CAPÍTULO 32 — RACHADURAS Dante saiu da mansão batendo o portão com força, não porque quisesse fazer cena, mas porque não sabia sair de outro jeito. O carro velho que ele dirigia estava estacionado torto na lateral da rua. Não havia motorista. Não havia postura imponente. Havia um homem magro demais para a própria idade, com os olhos fundos de noites m*l dormidas e álcool acumulado nas veias. Ele entrou no veículo com movimentos bruscos, as mãos ainda tremendo — não de medo, mas de humilhação. A filha havia gritado com ele. O genro — ou o que quer que Bento fosse — havia segurado seu braço como se ele fosse um qualquer. Como se não fosse o pai dela. Ele bateu as mãos no volante antes de ligar o carro. Pagar aquela dívida? Nunca. Ele não aceitava pagar nada a Bento. Não aceitava ser pres

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