Dante não dormiu naquela noite. O quarto onde morava era pequeno demais para caber o tamanho do próprio orgulho ferido. A lâmpada fraca piscava de vez em quando, e o cheiro de bebida velha impregnava o ambiente como se fosse parte da mobília. Ele caminhava de um lado para o outro, passando a mão pelo rosto suado, repetindo mentalmente a cena na mansão. O braço segurado. A filha gritando. O olhar de desprezo. Ele não suportava aquilo. Não suportava ter sido impedido como se fosse um qualquer. Não suportava a ideia de que Bento agora era o homem que decidia quando ele podia ou não falar com Alice. Na cabeça dele, aquilo era roubo. Roubo de autoridade. Roubo de poder. Roubo de respeito. A dívida que devia já não era apenas financeira. Tornou-se pessoal. Ele pegou o celular antigo, a tela tr

