Capítulo 10 – O Rei da selva.

2167 Palavras
Em Obrehim...   Ácura abriu os olhos devagar, o sol brilhava forte em seu rosto, seu corpo estava pesado e lento, ela tentou se sentar para entender o que havia acontecido.  - Você acordou, eu já estava ficando com medo. – Maliriam Falou para ela, estava acumulando uma pilha de galhos para fazer uma fogueira, as duas estavam em algum lugar da floresta, haviam muito arbustos e árvores ao redor.  - Eu pensei que tinha morrido, o que aconteceu? – Ácura perguntou com uma forte dor de cabeça.  - Quando caímos na água você afundou, eu sei nadar um pouco então eu mergulhei e te puxei para a margem e apertei seu peito para tirar a água do seu pulmão, você colocou a água para fora, mas não acordou, eu não soube o que fazer, então carreguei você para dentro da floresta e nos escondi, fiquei com medo que eles conseguissem atravessar o rio. – O semblante da princesa estava totalmente diferente, seu cabelo que outrora era perfeito estava m*l amarrado em alguns trapos que ela rasgou do seu vestido.  - Fez certo, onde está minha espada? – Ácura perguntou ao sentir falta dela em sua cintura.  - Precisei dela para cortar alguns galhos para fazer uma fogueira, eu estava morrendo de frio. – A princesa exclamou. – A madeira está um pouco molhada, já tem magia o suficiente para secá-las?  Ácura levantou as mãos e retirou a água dos galhos.  - Ótimo. – A princesa falou esfregando os galhos para fazer fogo.  - Você sabe se virar, não é? – Ácura perguntou.  - Meu mestre me ensina muitas coisas, ele é um soldado veterano, sabe de muita coisa, parece mais um sábio do que um guerreiro, eu o vejo mais lendo livros do que com sua espada na mão, mas ninguém duvida da sua habilidade. – A princesa falou. – Consegui. – Ela exclamou fazendo um pequeno tufo de fogo em umas raspas de madeira.  - Se Flames tivesse aqui ele acenderia esse fogo em um instante. – Ácura falou, fazia menos de uma semana que eles haviam se separado, mas para ela pareciam meses.  O som de arbustos se movendo fez a conversa parar, Ácura vagarosamente sacou sua espada da bainha.  - Não acredito que já nos acharam. – A princesa sussurrou.  - Fique atrás de mim. – Disse Ácura, era fácil lutar contra mais de uma pessoa ao mesmo tempo se ela tivesse com energia o suficiente para usar sua magia em poder total, mas naquele momento ela m*l conseguiria erguer um escudo.   Ácura ouviu um rosnado, talvez fosse de algum urso, o que era pior que cinco soldados inimigos, os ursos de Obrehim eram grandes, maiores que o normal por causa da falta de outros grandes predadores e a enorme quantidade de herbívoros na região. O animal saiu do meio do mato a passos lentos, com uma juba majestosa e clara e seus pelos dourados, era um leão, dos grandes.  - Meu deus, como existe um leão aqui? – a princesa perguntou nervosa ao ver o animal exibindo os longos dentes enquanto rosnava ameaçadoramente.  - Um leão. – Ácura falou para si mesma. – Um leão! – Ela exclamou em voz alta.  - É, é claro que é um leão. - A princesa respondeu.   Ácura guardou a espada devagar.  - O que está fazendo? – Maliriam perguntou ainda mais assustada.  Ácura curvou-se um pouco e estendeu a mão para o leão. – Juba?  O leão olhou torto para ela, guardou seus dentes em sua boca e se aproximou para cheirar a mão dela.  - Você é louca? – A Princesa perguntou.  - Calma. – Ácura falou com uma voz lenta e suave. – Sou eu, amigão. – O leão cheirou a mão dela devagar, perto daquela enorme cabeça a mão de Ácura parecia minúscula, pouco maior que o nariz dele. Ele cheirou a mão dela e ronronou suavemente, como ele fazia quando era apenas um filhote. - É mesmo você. – Ela falou passando a mão no rosto dele, ele fechou os olhos enquanto ela o acariciava e então ela o abraçou. – Eu senti sua falta, meu amor. – Ele esfregou o rosto no peito dela para dizer que aquele sentimento era reciproco.  - Eu não estou entendendo nada. – Disse a princesa calmamente para não irritar o leão. Ele olhou para ela com um olhar desconfiado e soltou um rosnado baixo.  - Calma, ela está comigo. – Ácura falou entrando vagarosamente na frente da princesa.  - Então ele é seu? – A princesa perguntou.    - Não, cuidamos dele quando era um filhote, mas não pudemos ficar com ele quando entramos nos caruncis então soltaram ele em uma floresta, eu não sabia que tinha sido aqui. – Ácura respondeu.  - Ele te obedece? – A princesa perguntou.  - Não, faz muito tempo que não o vejo, ele é muito imprevisível pra mim, acho que é um milagre que ele não tenha nos atacado, sei que leões são bem agressivos. – Ácura disse.  - Então acho bom eu não chegar muito perto. – A princesa falou. O fogo pegou forte nos galhos e quase queimou-a enquanto ela prestava atenção no leão. Uma brisa leve passou fazendo Ácura se tremer de frio, havia passado muito tempo embaixo d’água e seu corpo estava congelando. - Vamos nos aquecer um pouco e continuaremos em direção a vila dos anões, Uthean me falou o caminho, chegaremos lá antes do fim do dia. – Ácura avisou a princesa. ...   Ácura caminhava a passos rápido floresta adentro, cortando os galhos do caminho com sua espada, a princesa vinha logo atrás, atenta aos arredores para não ser surpreendida por inimigo algum. Juba caminhava a alguns metros atrás, provavelmente não entendia a situação em que Ácura estava e a seguiu por causa do laço que tinham, deveria ser bem solitário para ele aquela floresta, não era o lugar ideal para um animal como ele que costuma andar em grandes bandos, lhe restava apenas caçar animais herbívoros e fugir dos ursos maiores, Ácura ficou feliz que ele ainda quisesse ficar por perto naquele momento além de um velho amigo ele era uma p******o extra.  - Eu acho que ele está machucado. – A princesa falou olhando para Juba, era difícil ficar descontraída perto de um predador tão grande com movimentos bastante imprevisíveis, mas naquele ponto Juba já não rosnava mais, exibia uma expressão dócil embora seus dentes e suas garras afastassem essa impressão dele.  - Onde? – Ácura perguntou olhando parando e olhando para ele.  - Aqui. – A princesa respondeu chegando perto de Juba devagar e apontando para um corte na parte interna da pata dianteira esquerda dele, ele olhou para ela desconfiado, mas não bravo, ela tinha muita coragem para se aproximar dele daquela maneira.  - É verdade. – Ácura exclamou.  - Eu posso fazer um curativo, mas fica segurando o rosto dele, vou mexer em uma ferida e tenho medo que ele pense que vou machucá-lo. – A princesa falou.  - Está certo. – Ácura falou segurando o focinho dele e o cariciando para ele ficar calmo. Em movimentos rápidos e suaves a princesa limpou o corte e rasgou mais uma parte do seu vestido para estancar o sangramento.  - Você é boa nisso. – Ácura disse.  - Obrigado, meu mestre também me ensinou primeiros socorros. – A princesa falou.  - Ele é mesmo bem sábio.  - Eu te falei. – A princesa disse. – Pronto, terminei.   Ácura soltou o focinho de juba e ele foi cheira o trapo amarrado em sua perna. – Não tire isso. – Ácura falou para ele como se falasse com uma criança. – É pro seu bem. – Ele olhou no rosto dela e ignorou o curativo como se a entendesse. ...   O sol se escondia no horizonte, seus raios de luz atingiam apenas as nuvens acima da mata, pois lá dentro já estava escuro, sapos, grilos e corujas já exibiam seus cantos noturnos e o breu estava ficando cada vez mais próximo.  - Tem certeza que estamos no caminho certo? – A princesa perguntou.  - Tenho, estou seguindo por onde Uthean me instruiu, mas nunca vim aqui antes então tenho que confessar que estou me sentindo meia insegura quanto a esse caminho. – Ácura evitava pensar sobre Uthean, apenas desejava no fundo do seu coração que de alguma maneira ele houvesse conseguido escapar.  - O que eu sei sobre a vila dos anões é que ela fica perto das montanhas, quase na cordilheira das facas, então se a gente conseguir ver as montanhas é porquê estamos perto. – A princesa falou.  - Não tem como ver as montanhas até estar lá, a mata é muito fechada. – Ácura respondeu.  - Quem são vocês? – Perguntou um anão com uma armadura saindo do meio da mata, segurava um machado em uma mão e uma tocha apagada na outra. – Se identifiquem. – Ele falou mais alto quando elas não responderam. Juba que caminhava mais atrás apareceu rugindo ferozmente, um som tão poderoso que chegava a tremer o peito de quem estava perto.  - Calma. – Ácura Gritou tomando a frente. O anão estava tenso a ponto do machado tremer em sua mão quando viu o leão. – Somos de Obrehim, essa é nossa princesa.  - Prazer, Maliriam. – Ela se apresentou.  - Majestadade? – O anão perguntou a olhando de cima abaixo. – O que a senhora faz por aqui? Ainda nessa situação? – A dúvida dele era esperada.  - É uma longa história, ficaríamos satisfeitas em contar tudo em um lugar seguro. – A princesa respondeu com seu tom de voz doce e encantador.    - Claro, claro. – Ele respondeu se engasgando com as palavras. – Estamos bem perto da nossa vila, me sigam. – Ele pediu. – Mas ele não vai poder vir, se pra vocês ele é um animal grande para nós anões ele é uma b***a colossal.  - Tudo bem. – Ácura disse. – Fique por perto, não quero me afastar de você novamente. – Ela falou para Juba, era impressionante como ele a entendia, ele virou as costas e saiu andando para dentro da mata, sua postura era impecável, com seus músculos subindo e descendo a cada passo que dava e com seu focinho erguido dava para entender o porquê ele era conhecido como o rei, não por ser o maior, mas por ser majestoso. ...   Maliriam estava sentada em uma mesa dentro da casa de Uthoriam, pai de Uthean, que também fazia parte do concelho do rei, o que o tornava o homem de maior confiança e influencia naquela vila. A princesa se aquecia em cobertores, já que não haviam roupas do seu tamanho, tomava uma bebida quente pois estava tremendo de frio o dia inteiro já que suas roupas eram muito finas e as temperaturas dentro da floresta eram bem baixas, principalmente à noite, Ácura estava de pé com os braços cruzados atrás da cadeira da princesa.  - Então princesa, o que aconteceu? – Uthoriam perguntou, junto com eles estavam alguns líderes e pessoas com um pouco de influência política naquele lugar, todos ansioso para ouvir a história.  - Estávamos fazendo nossa formação de batalha na linha de frente, na muralha, pensamos que era o único acesso de Kandaram até Obrehim, mas estávamos enganados, haviam um exército deles dentro do reino e cercaram a capital, outra parte do exército atacou a muralha, nossas tropas foram obrigadas a se separar e eu tive que fugir às pressas da zona de combate, mas fomos seguidos no caminho. Uthean, um capitão, quatro cavaleiros e dois soldados faziam minha guarda, mas os outros tiveram que ficar para trás para impedir o avanço inimigo enquanto eu e Ácura fugíamos pelo rio, fomos as únicas que restaram. – A princesa respondeu com um tom de voz baixo e fraco, o cansaço da viagem havia chegado.  - Então meu filho... – Uthoriam pergunto, seus olhos brilharam com lágrimas.  - Não... não sabemos ainda, Uthean é um dos soldados mais fortes que eu conheço, ele pode ter sobrevivido. – Ácura respondeu tentando manter a esperança em si mesma, se recusando a aceitar que seu mestre poderia estar morto nesse momento.  - Rápido, junte vinte homens, sairemos em poucos minutos, vamos atrás do meu filho. – Uthoriam falou para o anão de armadura que observava a reunião na porta da casa e o anão saiu às pressas. – Sei que tiveram um dia duro, mas você pode nos guiar? – Ele perguntou para Ácura.   Seu corpo estava gelado e ela sentia muito frio e cansaço, além de está faminta, ela poderia dizer isso e todos a entenderiam, no entanto, naquele momento suas necessidades não estavam em primeiro plano, ela não se encaixava mais no perfil de garotinha delicada, era um soldado, um soldado forte de um reino orgulhoso e decidiu que agiria como tal. – O comandante Uthean é muito importante para mim, se vão há uma missão para resgatá-lo eu faria questão de participar. Continua...
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR