Capítulo 3 - Lorenzo

1637 Palavras
A viagem em si está sendo bastante tranquila, mas aquela sensação de que algo novo virá preenche todo o meu peito, tento me distrair olhando a paisagem e ouvindo música. Fico pensando em como vou fazer para arrumar um emprego no Rio de Janeiro, pelo o que meu primo falou é bastante difícil, pelo menos por agora. Meu primo se chama Guilherme, ele é jornalista de moda de uma revista até que famosa, fomos criados juntos até que meus tios decidiram ir para o Rio de Janeiro, o motivo eu não sei totalmente e é provável que seja por conta de a cidade ser maior e ter bem mais comércios. A chuva batia com força na janela, estava quase dormindo quando meu celular vibra.   " Guilherme:  Primo, já estou aqui te esperando na rodoviária, sai mais cedo só para te buscar delícia."   – Que i****a – sussurro bloqueando a tela do telefone. Em alguns minutos chego na rodoviária, o som alto de um bar do lado da rodoviária quase me deixou s***o assim que desci do ônibus, ok, estou exagerando um pouco, mas está bem alto. Fiquei procurando ao redor o Guilherme, até que consigo achá-lo e vou em sua direção.  – Guilherme – digo o abraçando, que saudade que eu estava dele. – Delícia – sorriu e apertou minha b***a. – Quanto tempo, meu bem. – Para de fazer essas merdas em público – digo e ele gargalha –Vejo que morar aqui está te fazendo bem.  – Sério? Acho que não percebi – disse exibindo seu corpo – Vem, vamos direto para casa, aqui nesse horário não é muito bom para ficar.   Saímos de lá e fomos direto pro seu carro, o trânsito estava um pouco parado, primeira coisa que estranhei. Não sou do interior, mas também onde moro não é uma cidade tão grande assim, durante o trajeto fomos conversando sobre várias coisas que ele fez nesses últimos 15 anos.  – E a Marcy? Como ela está? – perguntou. – Terminamos a um tempo – disse dando os ombros – Ela disse que não queria mais e eu não iria forçar.  – Acho que entendo, mas foi uma decisão madura a sua – suspirou e me olhou – O que acha que ir na praia depois de amanhã?! Sábado e é minha folga, posso até chamar a minha colega de trabalho.  – Pode ser – disse – então é aqui que você mora?! – Sim - entrou no estacionamento do prédio – Apesar de ser perto do centro, é bem calmo aqui. Subimos em seu apartamento, ele me mostrou o quarto que irei ficar: pequeno, mas confortável, arrumei minhas coisas e meu estômago deu final de vida. Quando acabei fui até a cozinha para comer algo, abri a geladeira e vi a melhor coisa do mundo: Pizza de Pepperoni. Mal me sentei no sofá e liguei a TV, Guilherme aparece tirando a total química que minha pizza e eu estávamos.   – Lorenzo, a tia pediu para você ligar e parece que vai te dar uma bronca – atravessou o corredor, mas logo voltou – Ah! E a Louise confirmou. – Louise? Confirmou? – disse pegando meu celular e me assusto em ver 15 ligações da minha mãe.  – Minha amiga, Praia, Sábado, lembra? – revirou os olhos. – Vou estar um pouco ocupado, mas qualquer coisa, só ir no meu quarto. Guilherme saiu e liguei pra minha mãe, que se pudesse, me batia pelo telefone. Foram 30 minutos de pura bronca e drama, falando que não liguei porquê não a amava, que não ligava pra ela, mas finalmente consegui acalmar o coração da Dona Francesca, que no fim da ligação pediu desculpas e que eu ligasse para ela todo dia já que estava longe... Preocupada demais e ainda sim é um doce de mulher. Desligo a TV e vou dormir, amanhã será um dia cheio. – Bom, entregar currículos o dia todo, ai vou eu – tentei ser otimista. *   É sábado e até agora não fui chamado nem para uma entrevista. Ok, foi apenas um dia de entrega e sei que demora, mas todos os lugares que pude ir, o anuncio terminava com "Urgente Contratação", pelo visto não estou tendo sorte. Na verdade, para não dizer que não consegui nada, fiz um teste numa loja de roupa assim que cheguei para entregar o currículo. Já que a gerente falou que era bonito o bastante para chamar atenção de clientes, estava tudo bem até que uma cliente escorregou e na hora que fui segurá-la, gritou que eu era um t****o. A xinguei internamente, pô, eu tento ajudar para ela não cair igual m***a no chão e a filha da mãe me acusa de t****o, sorte que tinha câmeras e a cara dela de raiva era bastante engraçada, mas infelizmente tive que sair do teste, a gerente disse que fez o que fez para não se repetir e ainda soltou a famosa frase "O cliente têm sempre razão". Tento relaxar e não pensar muito nisso, pois hoje irei à praia. Tomo um banho rápido, coloco umas coisas na mochila e grito pelo Guilherme.   – O que você quer?! Acha mesmo que sairá vivo me chamando esse horário em pleno sábado? – chegou na sala e arregalou os olhos – c*****o, a praia, já volto – e sai correndo para o banheiro. Em 20 minutos ele chega na sala e está no celular. – Ok – desliga o celular – A Lou já está nos esperando no posto 9.   Saímos de lá as pressas, o sol já estava castigando e não era nem 14:00. Chegamos rápido, enquanto Guilherme falava com o cara do estacionamento, aquela sensação que senti no ônibus voltou. – Como não sei o que é, vou acreditar que deve ser fome – falei. – "Tá" falando sozinho? – Guilherme riu, o ignorei.   Caminhamos até o posto 9 e do nada Guilherme sai correndo e coloca um garoto de aparentemente 9 anos no ombro e começa a girar, uma mulher gritava para o Guilherme parar com aquilo enquanto o minin ria. Assim que cheguei perto, estava pronto para gritar com esse filho da mãe até que vi o rosto da mulher que estava gritando a um minuto atrás e agora ria. Seu sorriso é tão bonito e sua boca era fina, mas bem desenhada e rosada, seu corpo era um pouco magro, mas não totalmente e tinha curvas perfeitas e o maiô combinava perfeitamente com ela. Fiquei admirando até que Guilherme praticamente me sacudir.   – p***a Lorenzo, "tá" em que mundo?! – olhei para ele ainda aéreo – Deixa de ser m*l educado, essa é a minha amiga Louise, Louise esse é o meu primo Lorenzo.  – Prazer – Ela tirou os óculos escuros e agora podia ver a cor de seus olhos – Gui falou muito de você.  – Prazer – só isso que consegui falar. – E esse galã aqui é o Erick – Falou enquanto botava o menino no chão – Filho da Lou.  – E ai Minin – Disse sem jeito, não levo muito jeito com crianças.   – Minin? – sorriu e me deu um aperto de mão – Vamos entrar no mar? Você, tio Gui e eu. – Precisa perguntar a sua mãe antes – Não posso chegar e já aceitar assim, sou um estranho para eles por enquanto. – Posso mãe? – Com cuidado, por favor – Deu um beijo em seu rosto – Só passa o protetor novamente e Guilherme tome conta dele.  – Lou, por favor, pare de desconfiar de mim – Fez pose e sorriu –Tá comigo, tá com Deus. – Por favor tome conta dos dois – sussurrou e piscou para mim. – Os dois juntos são terríveis e você parece ser sensato. – Claro. – Minha voz falhou um pouco, é muita pressão. Sou um pouco menos irresponsável que Guilherme, mas como ela acha que sou sensato, tenho que tentar ser. Depois que ela passou o protetor nele, entramos na água que está fria, tinha me esquecido do quão bom é estar no mar. Brincamos na água por uns minutos e decidimos sair, sentei perto da Louise enquanto Guilherme e Erick comiam sanduíche.  – Viu?! Eu disse: duas crianças – ela riu. – Concordo – sorri – Então você trabalha com meu primo?! Como é aguentá-lo? – Guilherme é legal e bem tranquilo. Bom, quando está de bom humor. –E quando não está?  – Acho que nem Deus – rimos – Guilherme no trabalho é bem diferente, ele sabe separar a vida pessoal e profissional, e você? Veio para o Rio para m***r a saudade? – Só vim uma vez para o Rio e era bem novo, foi para visitar a casa nova do Gui e dos tios. Na verdade, vim mesmo arrumar emprego, sabe?! Novos horizontes. – O que fazia em Minas? –A olhei meio confuso, mas logo me lembrei que o Guilherme é um boca grande e não perde a oportunidade de falar sobre qualquer coisa. – Eu ajudava meus pais na nossa loja de queijo e massas. – Sério? – Sim, antes era apenas massas, meus avós eram italianos, aí veio a ideia de fabricar queijo também. Inclusive, tem planos para criar a parte de vinhos. – Eles fazem aquele queijo que tem uns pontinhos verde? – Provavelmente ela fala do gorgonzola, afirmei com a cabeça e ela fez cara de nojo.  –  Que isso menina, é bom, precisa provar. Depois da primeira mordida, não vai querer saber de outra coisa. Ficamos conversando por um tempo e nos conhecendo um pouco melhor, ela é bastante divertida e adorável e estranhamente não me canso de sua companhia. Em meu peito permanece aquela sensação e estou começando a achar que tudo indica que é por causa dessa mulher.
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