Capítulo 5 - Emma

1458 Palavras
Acordo meia deslocada, logo percebo que não estou em minha casa. Demoro alguns segundo até meu cérebro lembrar tudo que aconteceu na noite passada. Estou na casa da irmã de Bernard, minha cabeça dói bastante, não sou de beber, nem tenho resistência para isso, poucos goles fico tonta. - Bom dia Emma- a irmã de Lynch me comprimenta- Dormiu bem querida. -Bom dia. Dormi sim. Um empregado entra com umas malas. - Bernad mandou suas roupas- ela comunica. Verdade, deixei todas as minhas coisas para trás. Sei que não era muito, mas trabalhei bastante para comprar as coisas da minha casa. Meia-noite e Lua começam a se esfregar em mim. Pelo menos eles vieram junto. - Vamos te esperar para o café- Betina fala antes de sair. Tomo um banho e visto a primeira coisa que encontro na mala. Não sou do tipo que se arruma muito. Nada poderia me preparar para encontar a mãe de Lynch, senhora Donatella Lynch.Ela me avaliou das cabeça aos pés durante toda a refeição, mas não foi m*l educada. Não precisava ser um gênio para saber o que ela estava pensando. Afinal eu era filha da mulher que abandonou e traiu seu filho. Após o desjejum, Betina me chama para a sala de estar, ela tem inúmeras revistas de moda e casamento. Claro vou me casar em breve. É errado desejar a morte de seu futuro marido? - Bernard vai organizar uma festa para o noivado essa semana- ela me comunica- Enquanto isso nos concentramos no casamento. Temos apenas um mês- ela fala animada. Pelo menos alguém estava animado com esse casamento. Betina era muito parecida com o irmão, tinha cabelos negros* e olhos de um tom de ambar incomum que chegavam a brilhar. Aqui entre nós, Lynch era um homem muito bonito, apesar da idade ele tinha um corpo forte e musculoso que mesmo com o terno se conseguia perceber, uma barba por fazer, olhos sedutores e os cabelos grisalhos o deixavam mais atraente. Mas eu preferia estar morta e enterrada antes de admitir isso. - Tem alguma preferência para o vestido de noiva?- Betina continua. - Um vestido de funeral- falo sarcástica. Ela me olha sem jeito. - Desculpa, sei que não é uma ocasião feliz para você, Emma. - Eu que peço desculpa, já me dizeram que o filtro entre o que eu penso e o que eu falo não funciona muito bem. - Meu irmão te trouxe a força para cá? - Não dá pra dizer que foi à força, mas também não dá pra dizer que não foi- ela me olha sem entender nada- Faz anos que não tenho contato com minha família, uma história bem longa e depressiva. Morava sozinha, e Lynch fez meus patrões me colocarem na rua e todo lugar onde conseguia trabalho ele mexia os pauzinhos* para me demitirem- suspiro- Acabei ficando sem dinheiro e sem trabalho, aí acabei aqui. No final era inevitável, se ele me trouxesse para cá arrastada não é como se tivesse alguém que o impediria. - Ele te queria e mais dia menos dia ia te ter- ela fala irritada- Desculpa pelo desgraçado do meu irmão- ela me abraça. - Você não tem por que se desculpar. - Quero ser sua amiga, apesar de tudo Emma quero que se sinta bem ao meu lado- ela fala com um sorriso. Betina parecia ser uma pessoa gentil e amável, não sou do tipo que confia fácil, mas havia gostado dela. Na minha situação não podia negar qualquer aliado, ainda mais fadada ao inferno como estava. - Claro Betina- digo com meu melhor sorriso. Voltamos a olhar coisas sobre o casamento, nossa como isso é trabalhoso, e ter pouco tempo não ajuda nem um pouco. A festa tem que ser grandiosa, pois é o casamento do dom. Serei a primeira dama da máfia parisiense. Se fosse uma piada seria bem sem graça. - Tia... tia... Uma garotinha de cabelos catanhos claros e olhos azuis, entra correndo na sala, ela pula no colo de Betina. A menina deve ter uns seis anos. - A princesinha veio visitar a tia- Betina a enche de beijos- Vem cá que a tia tem alguém para te apresentar- ela senta com a menina do meu lado- Essa aqui é a Emma. - Muito prazer- digo pegando sua mãozinha. - Eu me chamo Mila- diz com o sorriso faltando um dente- Você parece as fadas do meu livro- ela pega meu cabelo- Seu cabelo é tão bonito. - Obrigado, você também é muito bonita- ela fica radiante. - Mila- Betina chama sua atenção- Emma vai ajudar a cuidar de você. Ela vai casar com seu pai. Mila é filha do Bernard. Não sabia que ele tinha uma filha. Na verdade além dele ser o dom e mandar em tudo no submundo de Paris, não sei nada sobre ele. - Você vai ser minha nova mamãe?- ela pergunta em toda sua inocência. Pra ela fazer essa pergunta... sua mãe deve estar morta. Não que não goste de crianças, mas ser mãe dela é muita responsabilidade e também não sei se Bernard ia gostar. - Bem Mila... não serei sua mãe... seu pai...- vejo seus olhos perderem todo o brilho e encherem de água- Claro que vou cuidar de você e vamos ser melhores amigas- falo a primeira coisa que vem na minha cabeça. Betina que observou tudo está com um sorriso de orelha a orelha. - Então princesinha, estávamos escolhendo um vestido bem bonito para a Emma se casar com o papai- Betina fala mostrando uma revista para a pequena. - Tem que ser um vestido de fada bem bonito, pra combinar com a Emma. Não consigo negar meu carinho à um serzinho tão doce. Lynch me colocou nesse casamento obrigada, mas os outros não tem nada haver com minha infeliz união. Passamos horas olhando coisas sobre o casamento. Mostrei para Mila meus gatos e ela adorou, queria levar eles para casa. Aí Betina contou que eles iriam morar com ela quando eu fosse junto e ela ficou toda feliz. Após o almoço Mila foi para casa, a presença dela tinha me distraído de toda essa situação insuportável que fui arrastada. - Obrigado- Betina me tira dos meus pensamentos. - Pelo que está agradecendo? - Pela Mila, ela é uma criança bem carente. Perdeu a mãe quando nem tinha dois anos e Bernard não é um pai presente e amoroso. Mesmo amando a filha, ele acha que dar tudo que o dinheiro pode comprar é a mesma coisa que dar amor. - Ela é só uma criança, não entende toda a loucura que esse casamento envolve. Não tem por que a tratar m*l. - Sinto que você será uma excelente mãe. - Lynch precisa de um herdeiro homem? Esse é um dos motivos por ele querer se casar novamente?- questiono. - Sim- só precisava confirmar- Desde que a Inês... o abandonou, ele teve a reputação muito prejudicada, eles eram prometidos desde criança. E você sabe como esses juramentos são sagrados na nossa máfia. Depois desse episódio, sempre tiveram opositores querendo desbancar meu irmão do cargo de dom. Foram anos bem difíceis para a administração dele, sua primeira esposa só teve Mila. O Conselho começou a exigir um segundo casamento e que ele tivesse filhos homens. - Aí ele juntou o útil à sua vingança- digo sem pensar. - Emma...- Betina me olha com pena. - Tudo bem Betina, já estou acostumada. Passou alguns dias que estou na casa de Betina e Hugo, eles são muito gentis. Mila vem todo o dia me ver, acho que ela será a única coisa boa em morar com Lynch . Meu relacionamento com Donatella tem melhorado, sou bem sociável e carismática quando quero, já basta ter meu futuro marido como inimigo não quero mais ninguem, e ela não é tão r**m quanto esperava. Vim tomar um pouco de ar puro no jardim. Tem tanta coisa do casamento para resolver que chega me deixar sonsa. - Emma- Hugo me chama, ele me olha com uma cara estranha- Eu li seus relatórios médico. Odeio quando me olham assim... com esse olhar de pena. - Entendo... - Desculpa, Bernard é um i****a- fala irritado- Ele não sabe nada disso. Vou conversar com ele... - Não precisa Hugo. Não tem nada que Lynch possa fazer contra mim, que minha própria família já não tenha feito- suspiro- E não é como se ele fosse mudar de ideia. - Verdade- Hugo admite. - Me prometa que não vai contar para ninguém... Não gosto de falar sobre isso, vamos deixar enterrado- peço. Hugo concorda, não queria mais ninguém com pena de mim. Já estava fadada a casar com Lynch. Já tinha aceitado esse fato. Não tinha mais esperanças mesmo.
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