Capítulo II

3119 Palavras
O som dos passos de sua enfermeira era quase como uma melodia para o garoto de cabelos verdes, igual ao som de sua bengala batendo no canto da parede para o garoto se localizar. Tão acostumado a viver no hospital que o garoto já era capaz de decorar boa parte das coisas que ele precisava saber para se mover. Andando setenta e cinco passos de sua sala ele chegaria no elevador, apertando o quarto botão de cima para baixo ele subiria para um dos andares que ele nunca soube qual era e também não tentava decorar e com mais cinquenta passos para frente e depois trinta passos para a direita ele chegaria no quarto dela.                  Claro, sua enfermeira nem tentava discutir mais com o garoto sardento, ela apenas o acompanhava silenciosamente tentando lhe dar a falsa sensação de liberdade para tomar e andar sozinho pelo hospital, o que realmente não chegava a ser um grande problema considerando que todos o conheciam, afinal, já fazia três anos que Izuku entrava e saia dele, chegava a ser triste que a criança nunca teve uma vida normal ou minimamente normal, mas ele realmente não parecia se importar com isso e para não magoa-lo todos evitavam falar sobre a pergunta.                  Chegando perto da sala, e a mulher já ouvindo som metálico batendo sobre a parede, ela começava a cantarolar de forma baixa e melódica, atraindo o garoto que sempre a visita no mesmo horário quase todos os dias a pelo menos três anos. O som da canção parecia guiar o garoto cego que apalpava a porta e a tateava a procura da maçaneta, chegando a colocar a ponta de sua língua para fora e a cola-la contra seu lábio superior em concentração, finalmente conseguindo achar a maçaneta e a empurra-la para frente fazendo um pequeno rangido.                  -Oh. - Disse a mulher de cabelos cinzas com um sorriso amável em seu rosto -Me pergunto quem está aqui hoje. - Ela disse de forma tão calma que parecia reconfortar Midoriya, que apenas deu uma risadinha infantil e doce. -Será que poderia ser um fantasma? Eu juro que a porta estava fechada! - Ela exclamou balançando as mãos na direção que o garoto caminhava.                  Midoriya não perdia seu sorriso doce e amável e quando chegou perto o suficiente da maca, ao ponto de escutar sua bengala batendo sobre as rodas travadas da mesma ele sentiu um par de mãos o agarrando por baixo de seus braços e o erguendo até a cama, para logo receber um doce cafune que o fez derreter naquelas mãos geladas. Irônico, não?                  -Não sou um fantasma! - Disse o garoto com um sorriso que estava para o lado errado, focado na parede ao lado da mulher. Em um gesto de boa fé e amoroso ela pegou suavemente a bochecha de Midoriya com seu dedo indicador e o inclinou para sua direção. -Oh, Obrigado Senhora Todoroki! - Ele agradeceu antes de se inclinar um pouco para frente.                  -Já falei para me chamar apenas de Rei- Falou a mulher em um tom maternal que Midoriya tanto amava. -Senhora? Eu não sou uma idosa de cabelos brancos e cheias de ruga, rapazinho! - Ela disse, mesmo tendo cabelos brancos, mas isso Midoriya não precisava saber.                  -Oh! Mas quem poderia me garantir que, não é? - Ele brincou enquanto piscava seu olho. -Até onde eu sei você poderia estar me enganando por todo esse tempo. - Ele disse relutante.                  -E eu enganaria uma criança? - Ela disse fazendo beicinho. Ela já estava o engando por três anos, pelo menos sobre a cor de seu cabelo. -Eu não sou uma bruxa que devora criancinhas doces! - Ela disse abrindo a boca para mostrar seus dentes. Foi uma pena que Midoriya nunca pode ver a brincadeira infantil de Rei.                  -Bom...- Disse Midoriya voltando a se sentar e balançando as pernas sobre o ar. -Tenho que concordar eu sou docinho, e já me mordi para comprovar esse ponto! - Ele disse com tanto orgulho saindo de sua voz que a mulher não pode deixar de rir.                  Izuku Midoriya e Rei Todoroki tinham uma estranha relação que surgiu meses depois de Midoriya ser internado.                  Rei Todoroki estava triste em seu quarto após uma visita de seu marido que a internou no hospital ‘permanentemente’ devido a problemas mentais e jamais iria deixa-la ir embora, já que seu casamento era um tanto quanto ilegal. Enquanto ela estivesse presa no hospital ninguém acreditaria nela, afinal, ela estava louca. Midoriya que tinha uma audição melhor que várias pessoas, já que aparentemente sua visão não funcionava, mas seus outros sentidos eram aguçados, ouviu a fofoca de algumas enfermeiras e sendo uma criança petulante de quatro anos começou a vagar pelo hospital, se perdendo obviamente.                  Depois de horas de negociação com uma enfermeira que o encontrou ela consentiu em deixar Midoriya visitar Todoroki, pelo menos uma vez e foi uma relação de amor de mãe e filho desde o primeiro encontro. Rei realmente nunca se importou com a criança, na verdade, ela agia como se fosse a mãe dele, sempre cuidando e o ajeitando, basicamente, ela deveria ser a única pessoa do hospital que não o tratava com pena por ser cego ou por ter uma individualidade quebrada, ela não tinha mais seu filho, Shouto Todoroki, Toya Todoroki, Natsuo Todoroki ou Fuyumi Todoroki, mas pelo menos ela possuía um ‘filho’ no hospital, Izuku Midoriya que fazia questão de visita-la. De contra partida Midoriya tinha um afeto materno e alguém para passar seu dia, já que sua mãe trabalhava bastante para manter tudo em ordem com pagamentos e m*l o visitava com muita frequência, no máximo duas vezes por semana, mas ele já havia acostumado com isso.                  Mesmo quando Midoriya estava livre de exames e indo para a escola ele tirava seu precioso tempo para visitar Rei e seu relacionamento com a mulher foi apenas melhorando ao ponto de ambos ficarem horas conversando, além de Midoriya decorar onde ficava o quarto dela, o que era realmente impressionante para uma criança cega, afinal, ele andava de elevador e passava pelos corredores como se fosse dono do lugar. Tipo, ele nem fazia mais check-in apenas entrava e subia para onde a mulher o esperava quase que diariamente.                  Ambos forneciam o que um e o outro precisava.                  -Eu vou receber alta amanhã. - Disse o garoto um pouco cabisbaixo, até sua voz estava mais baixa.                  -Isso não é uma notícia boa? - Perguntou Rei cutucando a bochecha do garoto que deu uma risadinha.                  -Mas eu não o quero deixar aqui sozinha. - Ele disse fazendo um beicinho e um olhar de cachorrinho. Rei e todas as enfermeiras tinham dúvidas se o garoto conseguia realmente fazer isso de proposito ou não. -Aqui e chato e não tem nada para fazer! Além que na televisão nem tem desenhos! - Ele falou como se desenhos fosse a coisa mais importante do mundo. Era justo, ele tinha seis anos.                  -Eu tenho certeza que sou grandinha o suficiente para encontrar algo para me ocupar. - Ela disse em um tom brincalhão enquanto esticava sua mão para pegar um baralho ao lado de sua cama. -Por exemplo, temos o nosso baralho! - Ela disse abrindo a caixa. -Tenho certeza que uma partida o pode alegrar! - Ela disse começando a embaralhar as cartas.                  Era estranho e minimamente interessante a forma que ambos encontraram de fazer suas coisas cotidianas. A primeira vez que ambos jogaram baralhos algumas enfermeiras e alguns médicos pararam em frente a porta para observar, Midoriya estava ganhando e Rei não estava deixando, Midoriya por algum motivo ou talvez sorte sabia qual carta era qual é claro que todos estavam chocados com isso. Claro que ambos os pacientes haviam feito algumas coisas na carta para que Midoriya pudesse saber qual era qual é Rei sempre falava qual estava jogando, mas mesmo assim era estranho.                  Alguns ainda estavam meio que traumatizado que eles estavam jogando cara-a-cara. Tipo, as figuras tinham nem como Midoriya descobrir qual era qual, mas novamente eles haviam feito alguma coisa com as cartas para o garoto saber como era a discrição de seu personagem. Rei nunca o tratou com deficiência, ela o tratava como se fosse um filho. (Inclusive tinha uma pilha de jogos em uma cadeira do quarto que boa parte era dela ou de Midoriya que trazia para eles jogarem).                  Infelizmente sua jogatina não demorou muito, já que a enfermeira de cabelos rosas finalmente entrou na sala, já sabendo onde encontrar o garoto sardento. Midoriya suspirou e abraçou Rei com força, a mulher o abraçava de volta e era um abraço totalmente diferente das enfermeiras... Tinha um toque maternal que fazia sempre Midoriya derreter. Com uma despedida o garoto voltava para seu quarto para arrumar suas coisas.                  -Bakugou já está lá embaixo. - Disse a enfermeira enquanto via Midoriya pegando as coisas do hospital por engano e colocando dentro de sua mochila. -Que tal usar o banheiro enquanto eu termino de arrumar? - Ela sugeriu. Claro que a enfermeira não iria deixar o garoto fazer tudo sozinho ou diria que ele estava fazendo errado.                  Midoriya acenou e contou silenciosamente o número de passos de onde estava até se virar e contar novamente até o banheiro. Era um ato normal para Midoriya, ele decorava e memorizava o número de passos necessários para chegar a qualquer lugar, uma maneira inteligente de saber para onde ir em um lugar que ele já conhecia. Ao dar descarga ele apenas sal do banheiro a secar suas mãos na camisa e caminhou até a porta para fazer o procedimento de sempre.                  Troca de coleira. Checagem das coisas em sua mochila. Pulseira de identificação e sua bengala branca. Hiyumi (nome da enfermeira) fez questão de acompanhar Midoriya que batia quase por instinto no chão com sua bengala até chegar no elevador e depois no térreo.                  -Céus! - Choramingou o garoto -Você faz muito barulho, Deku! - Midoriya corou com a declaração e teve a ousadia de desviar seu olhar, mesmo sendo cego! Um péssimo habito que Bakugou adoraria descobrir de quem ele pegou, afinal, ele não podia ver.                  Midoriya apenas caminhou silenciosamente até Bakugou que era um ano mais velho que ele. Pelo horário o esverdeado chutou que Bakugou acabava de sair da escola e pelo cheiro de nitroglicerina o garoto possivelmente estava atrasado e veio usando sua individualidade.                  -Aqui. - Rosnou o loiro agarrando o pulso de Midoriya e o colocando sobre seu braço. Midoriya o agarrou como se fosse uma tabua de salvação e ambos saíram caminhando para fora do hospital.                  Fora do lugar Midoriya apenas dobrou sua bengala e caminhou cegamente ao lado de Bakugou, que ele confiava 100% para leva-lo para o caminho certo. Mas quando sua contagem começou a não bater o esverdeado apenas apertava o forro grosso da blusa do maior.                  -Onde estamos? - Midoriya perguntou um pouco assustado. Meses atrás Midoriya andou com alguns ‘colegas’ que acharam que seria engraçado deixar ele sozinho no meio da cidade, desde então o garoto tinha um pouco de trauma de ficar andando sozinho.                  -p***a! - Latiu o loiro enquanto tentava não ficar irritado. -Você não deixa de ser um nerd mesmo em... Estamos apenas pegando um outro caminho, eu queria ver o mar.- Ele disse inocentemente antes da culpa instalar em sua cabeça. -M-m***a! Desculpe, eu não quis dizer isso! -                  -Está tudo bem. - Disse Midoriya apontando sua língua para Kacchan. -Eu gosto do cheiro do mar. É salgado, aliás, não prove a água! - Bakugou lançou um olhar confuso para Midoriya que muitas vezes era puxado contra seu corpo para evitar bater em alguém ou em alguma coisa.                  -Quando você teve a chance de provar água do mar, p***a? - Ele exclamou. Ele não levou Deku para a praia uma única vez. Midoriya pareceu um pouco constrangido com a pergunta.                  -Rei disse que o mar era bonito e grande... E eu decidi ver por conta própria e acabei por cair na água e engoli. - Ele disse se culpando pelo incidente. -O gosto e salgado. - Ele sussurrou como se fosse um segredo. Era obvio que era salgado!                  -Vou ter que ter uma conversa com essa tal de Rei! - Sibilou o loiro ao atravessar a rua com o garoto que parecia atordoado pelo novo caminho. -Ela apenas te ensina e fala sobre lugares que você não deveria ir sozinho! - Além de Bakugou achar ofensivo falar de algo que Midoriya jamais poderia ver.                  -Mas eu gosto. - Ele admitiu. -Eu posso imaginar como é.- Midoriya deu uma risadinha antes de começar a descrever. -Eu imagino a areia amarelada, da cor do sol, junto de pequenas ondas batendo contra a praia, elas azuis e limpas com pequenas espumas brancas.... Realmente deve ser linda. - Ele disse esticando sua mão para cima como se fosse ter um balão de pensamento acima de sua cabeça. -Eu realmente tenho inveja de você, Kacchan! Você pode ver tudo! -                  -Quase tudo! Sou obrigado a ser babá de um garoto cego e não posso ficar passeando! - Claro que era uma mentira. Ele fazia isso por que gostava de Midoriya e se importava o suficiente com ele para protege-lo e guia-lo. -Mas acho que nossa visita a praia vai ficar para outro dia! - Disse Bakugou rapidamente desviando do caminho ao ver o entulho de lixo acumulado a praia. Ele não estragaria a imagem e o cheiro de uma praia ideal da cabeça de Midoriya.                  -Que?! Por que?!- Choramingou o garoto enquanto mantinha seu olhar para frente, as vezes o desviando para cima, mas nunca focando em algo.                  -Eu lembrei que a minha mãe que falar conosco. - Ele mentiu descadaramente e logo voltou para a caminho para sua casa. Midoriya voltou fazendo beicinho e resmungando de como Kacchan era mau com ele.                  Uma vez dentro da casa de Kacchan o garoto finalmente soltou o loiro que após entrar fechava a porta e permanecia em silêncio, o que fez Midoriya começar a se desesperar e girar a esticar suas mãos para todas as direções.                  -Kacchan?!- Falou o garoto com uma voz chorosa. Ele não poderia estar sendo abandonado aqui? Ele nem tinha certeza se era a casa da tia.                  -Estou aqui Deku. - Ele disse se aproximando para Midoriya poder senti-lo. -Meu Deus! Quanto drama! - Rosnou o garoto que andava até a cozinha. -Dez passos para frente e tem a escada. Cuidado. - Ele falou.                  Bakugou nunca iria confessar para seus pais ou para a tia Inko, mas ele decorou quase toda a distância de sua casa em passos para ajudar o garoto a se mover melhor, mesmo aquela merdinha sendo um ingrato para um c*****o por isso.                  -Onze passos! - Disse o garoto ao chutar o degrau das escadas. Bakugou lhe falou, não falou? -Você tem que ser especifico! - Latiu o garoto em um tom de brincadeira. -Dez passos do tamanho de Katsuki Bakugou! - Ele tentou imitar a voz de seu amigo, mas falhou drasticamente. -Seus pés são maiores que o meu! -                  -p***a, Deku! - O garoto suspirou, ele estava cogitando se falia a pena ou não discutir sobre isso... Novamente. -Eu não falo assim, c*****o! - Ele disse enquanto Midoriya entrava pela cozinha igual um robô.                  Um habito ou talvez por necessidade o garoto sempre andava em linhas retas em Horizontal ou Vertical, jamais na diagonal ou em curva, principalmente quando estava sem sua bengala. Já que uma curva poderia atrapalha-lo e fazer ele se perder. Ao se aproximar da ilha ele se sentou sobre o banquinho com um pouco de dificuldades e sorrio para o lado oposto de onde Bakugou estava. O loiro não iria mencionar isso.                  -Aqui. - Falou o garoto jogando um sanduiche de pasta de amendoim e geleia para o garoto. -Não sei como você vive com comida hospital... Aquela m***a parece m***a de cavalo! - Ele falou sem se importar em estragar o apetite do garoto.                  -.... Justo. - Midoriya não podia negar isso e logo tateou a procura de seu sanduiche.                  Talvez por pena ou por gostar de seu amigo Bakugou caminhou até o lado de Midoriya e apenas girou seu banquinho para ficar em frente ao garoto loiro que agarrou o sanduiche e esticou para o garoto, o mandando abrir a boca. Midoriya comeu feliz enquanto Bakugou fazia questão de alimenta-lo e novamente era algo que ele negaria para o resto de sua vida e só fazia quanto tinha certeza que estava sozinho em casa. Ele realmente não queria ser atazanado pela bruxa velha.                  -Eu vou buscar o seu dever de casa, você fica aqui! - Ordenou o loiro ao pular do banquinho e andar até a escada, subindo degrau por degrau.                  Ao entrar em seu quarto a primeira coisa que Bakugou via era um presente de Midoriya. Uma estatueta de um herói que ele particularmente nem sabia de quem era e Midoriya também não tinha noção alguma. Um vendedor passou a perna no garoto cego dizendo que era um All Might edição limitada e Midoriya comprou para presentear o loiro que apenas fingiu ser um All Might... Afinal, como dizer para um garoto cego que ele foi roubado? Além de que Bakugou realmente gostava daquela coisinha e nunca iria joga-lo fora ou esconder, afinal era um presente de Izuku.                  Agarrando sua mochila ele pegou as folhas de atividades e certificou que tudo estava lá antes de pegar suas coisas e descer a escadas rumo a cozinha onde Deku não estava e por alguma razão Bakugou apenas respirou fundo e começou a caminhar pela casa a procura de um garoto de cabelos verdes provavelmente perdido. Ele só o encontrou lutando para subir, digo, tropeçando no encosto do sofá e caindo sobre ele, dando um soquinho sobre o ar em comemoração ao conseguir se sentar sozinho.                  -Tudo como eu planejei- Disse o garoto. Obvio que não estava em seus planos em tomar com o sofá e cair para frente dele, acabando por ficar deitado, mas por vias das dúvidas virou seu plano. A medição de Bakugou realmente estava errada e Midoriya teria que contar por contra própria futuramente.                  -p***a! Eu mandei você ficar na cozinha! - Choramingou o loiro que apenas caminhou até Midoriya antes de se sentar ao lado dele, fazendo questão de se jogar com força no sofá para Izuku saber exatamente onde ele estava. -Vai querer ajuda para fazer as atividades?!-                  -A Rei gosta de me ajudar. - Disse Midoriya com um sorriso agradável. -Isso não a deixa entendido. - Bakugou sentiu uma pontada de ciúmes, mas mesmo assim ignorou e agradeceu pelo garoto não poder ver sua cara agora.                  -Tanto faz.- O garoto deu de ombros enquanto entregava a pilha de papeis para o esverdeado.
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