Capítulo 13

2011 Palavras
Noah me encarou por um segundo que pareceu longo demais, os olhos escuros acompanhando cada detalhe do meu rosto. Ele então soltou um suspiro leve. — Não hoje — respondeu, com aquele sorriso discreto. — Vai com a Kira. Se diverte um pouco. — Tem certeza? — perguntei, inclinando a cabeça. — Absoluta. — Ele tocou meu quadril de leve, firme o bastante para me aquecer. — Eu vou ficar aqui, observando. Coloquei a mão no pescoço, e o puxei para mim colando nossos lábios. Noah soltou um gemido rouco contra minha boca, abafado, quente, que vibrou direto no meu peito. Sua mão subiu imediatamente para a minha nuca, os dedos se enroscando no meu cabelo enquanto ele me puxava ainda mais perto, como se precisasse daquilo. O bar inteiro sumiu. A música ficou distante. Era só ele. O beijo não era lento Não era suave Era faminto Descarado Senti a respiração dele acelerar, o peito encostado no meu, a mão firme no meu quadril. Quando ele aprofundou o beijo, mais urgente, quase perdi o equilíbrio, ele me virou para me apoiar no balcão do bar. Ele se afastou só o suficiente para morder meu lábio inferior, respirando fundo, a testa encostada na minha. — Você vai me matar desse jeito — murmurou, a voz grave e baixa, ainda presa no desejo. Minhas pernas tremeram. — Eu só te dei um beijo — provoquei, tentando soar inocente, mas falhando miseravelmente pela falta de ar. — Só um beijo? — perguntou encostando a boca no meu queixo — Se você não quer que eu te leve daqui direto para casa para eu comer você, eu aconselho a você ir dançar com a sua amiga. A ameaça velada, tão quente quanto deliciosa percorreu meu corpo. Antes que eu respondesse, ele deslizou os lábios pelo meu pescoço, num beijo lento que me derreteu ali mesmo, espremida entre ele e o balcão. Soltei um suspiro involuntário e o empurrei de leve, porque se não o fizesse, eu realmente não sairia dali. — De jeito nenhum — protestei, ainda ofegante. — A gente acabou de chegar. Vi o sorriso perigoso nascer no canto dos lábios dele. Então saí dali antes que minha sanidade desistisse completamente. ……….. Eu estava quente e ofegante depois de dançar com a Kira, o corpo elétrico de música e adrenalina. Quando virei de volta em direção ao Noah, um calor diferente subiu em mim. Queimando, ódio e ciúmes. Uma mulher quase da idade do Noah está ao lado dele, tocando com i********e no braço dele. A mulher sorria pra ele, inclinada demais, falando perto demais. E Noah, não estava retribuindo, mas também não tinha se afastado ainda. Ele parecia meio distraído, mais entediado do que qualquer outra coisa. Marchei até onde Noah está, e parei no lado contrário da mulher que desviou o olhar de cobiça para mim. — Atrapalho? — perguntei olhando diretamente para os olhos dela. Ela me olhou de baixo pra cima, desconfiada, se perguntando que eu era. — Você é...? — perguntou, pousando a mão no braço do Noah de novo. Ele tentou tirar o braço discretamente, tentando não parecer grosseiro. — Eu te digo depois que você tirar a patinha suja do braço dele — sorri doce, quase inocente. Ela arqueou a sobrancelha, impaciente. — Você é algum tipo de irmãzinha psicopata dele? Antes que eu respondesse, Noah afastou a mão dela de vez e segurou a minha, escondendo um sorriso, sem olhar para mim. — Não — falei, abrindo um sorriso irônico. — Sou o tipo de namorada psicopata. Noah apertou minha mão, com um brilho divertido, quase orgulhoso. A mulher piscou surpresa. — Namorada? — repetiu, num tom que oscilava entre indignação e descrença. — Eu não sabia. Inclinei a cabeça, mantendo o sorriso firme. — E você costuma tocar no braço de todo homem que não conhece? — perguntei, erguendo uma sobrancelha. Ela abriu a boca, mas nada saiu. Bufou logo em seguida, incomodada com a minha ousadia. — Você não é muito jovem para... isso? — perguntou, dando um sorriso irritante. — Eu acho que você está mentindo. — Acha? — minha voz ficou gélida, calma demais. — Acho que você é algum tipo de menininha querendo atenção de adultos. Eu nem acreditei no que ouvi. Soltei uma risada curta, incrédula, sem humor nenhum. — Então você prefere que eu te tire daqui puxando pelos cabelos? — perguntei, sem levantar a voz. Minha paciência já extrapolou faz tempo. Ela empalideceu, só um pouco. Noah, percebendo exatamente onde aquilo estava indo, e me conhecendo bem demais, puxou minha mão para mais perto do corpo dele e deslizou a outra mão pela minha cintura, me segurando no lugar. — Eu só deixei ela lidar com você porque eu adoro ver ela com ciúmes — disse ele para a mulher, sem desviar os olhos. — Mas a paciência dela tem limites. — Então não é mentira? — ela perguntou, a voz repentinamente doce, fazendo um biquinho ridículo. — Não acha ela muito jovem? Talvez você queira alguém da sua altura. Dei um passo à frente, pronta para acabar com aquilo ali mesmo, mas as mãos do Noah na minha cintura me seguraram firmemente colado no seu corpo. Assustada, a mulher sai correndo aos tropeços. — Vamos pra casa? — Noah perguntou falando no meu ouvido — Eu preciso de você urgente. Esfregou o p*u duro na minha b***a, o salto me deixou na mesma altura dele. — Vamos! — puxei a mão dele para a saída. …………. — Vamos, Kira! — eu a puxei com cuidado. Ela dormiu no carro e agora m*l conseguia ficar de pé, tropeçando no próprio peso. — Vou colocar ela na cama e já volto. Assim que pisei na sala escura, ouvi o som apressado de passos no corredor. — Kira? — a voz da mãe dela cortou o ar. Ela franziu o rosto ao me ver. — Ayla? — Boa noite, senhora Petrov — cumprimentei, mantendo a voz firme, enquanto segurava a Kira que praticamente desabava em mim. — Ela passou um pouquinho da conta. — Um pouquinho? — a mulher repetiu, indignada. — Onde você estava para impedir ela de beber? Respirei fundo, mantendo o queixo erguido. — Senhora Petrov, vamos com calma. Ela chegou mais cedo do que o combinado. — Foi por influência sua — ela disparou, a voz carregada de acusação. — Ela não é de beber. Kira murmurou algo, a cabeça pesada apoiada no meu ombro. — Mãe, para… — ela balbuciou, ainda grogue. — A Ayla não bebe bebida alcoólica. A mãe virou para ela, surpresa, o rosto se desfazendo em preocupação. — Mas, minha filha… você não tem idade para beber. — Eu precisava fugir um pouquinho daqui… — Kira sussurrou, a voz embargada. — Vocês estão me obrigando a fazer o que eu não quero… Senti meu peito apertar. A culpa subiu quente. Fechei os olhos. Como eu pude esquecer? Como deixei isso acontecer? Que tipo de amiga eu estava sendo? — É para o seu bem, filha… — a mãe disse, mais suave. Mas quando desviou o olhar para mim, endureceu de novo. — Essa não é uma boa hora para conversarmos. Vamos subir, você precisa descansar. Ela segurou a Kira com firmeza para evitar que caísse e começou a guiá-la escada acima. Parou no meio do caminho, ainda apoiando a filha. — Obrigada, Ayla. Eu apenas assenti com um movimento curto de cabeça, respirei fundo… e me virei em direção à porta para ir embora. — Tudo bem? — Noah perguntou depois de alguns minutos no carro, quebrando o silêncio. — Você está calada. — Preocupada. — respondi baixinho. — E eu nem posso me meter. Olhei pela janela. Com a raiva queimando na minha pele. Se eu pudesse resolver aquilo por ela, eu resolveria. Mas não posso. É um problema de família, complicado. E a Kira foi muito clara quando pediu para eu não interferir. O máximo que eu posso fazer é estar ali. Apoiar. E se passar um certo limite, eu não tenho medo de me opor. A mão do Noah pousou quente na minha coxa, firme e gentil ao mesmo tempo. — É algo que eu possa ajudar? — ele perguntou, sincero. — Infelizmente, não — suspirei. Ele franziu um pouco a testa, desviando o olhar da estrada vazia só para me encarar por um segundo, antes de voltar a dirigir. — Então por que não me conta? — A voz baixa é uma preocupação evidente. — Não posso contar. — encerrei o assunto. ……. Quando chegamos, fomos direto para a cozinha preparar alguma coisa para comer. Enquanto eu mordia meu sanduíche, Noah parecia inquieto, encarando o celular. — Aconteceu algo? — perguntei quando terminei de mastigar o sanduíche. Ele respirou fundo e coçou a cabeça, claramente nervoso. — A Shirley mandou mensagem mais cedo. — Comentou — E eu só vi agora — disse, me encarando com cuidado. Não deixei transparecer nada. Nem um músculo mexeu. Não me importo. — Por que você está nervoso? — questionei antes de morder mais um pedaço do sanduíche. — Ela chamou a gente para almoçar amanhã com os nossos amigos em comum — respondeu. Parei o sanduíche no ar. A resposta veio automática. — Não. Noah franziu o cenho. — Ayla…— começou. — Não. — interrompi, baixando o sanduíche na mesa para encarar. — A resposta é não. — É só um almoço de amigos. Vocês são irmãs. — a voz começando a ganhar firmeza. Ri curto. Sem humor nenhum. — Ela é apenas uma mulher que tem os mesmos pais que eu. Isso não faz dela minha irmã. Noah se ajeitou na cadeira, me encarando com seriedade. — Você fala como se ela fosse um monstro. A Shirley sempre tenta se aproximar. — falou — Você dá a entender que ela te fez alguma coisa, mas nunca fala o que ela fez de tão r**m. Olhei pra ele devagar, sentindo minha paciência estourar por dentro. — Tentar se aproximar? — perguntei, a voz baixa, fria. — É assim que você chama o que ela faz? — Ayla, você nem tenta. Qualquer coisa que envolva ela, você já vira as costas — retrucou. — Porque eu sei quem ela é. Você não — devolvi. Ele soltou um suspiro pesado. — Eu conheço a Shirley há anos. Você não está exagerando? — perguntou me destruindo por dentro. — Esses seus ciúmes de seu pai dar a preferência a Shirley está destruindo o seu relacionamento com ele aos poucos. A palavra bateu em mim como tapa. Inclinei o corpo para frente, abaixando a cabeça e negando devagar descrente. — Eu nunca imaginei que você fosse ficar ao lado dela, sem realmente entender o meu lado. — falei decepcionada — O meu trauma se transformou em “Ciúmes mesquinho". — Dei aspas com as mãos. — Eu não disse isso. — se levantou para se aproximar, eu sai do banco para me afastar dele — Disse, não com essas palavras, mas disse. — não vou deixar as lágrimas caírem. — Ayla, eu só tô tentando entender. — falou baixo. Meu sorriso foi amargo. — Você está sempre ao lado dela, eu entendo, vocês são amigos, antes mesmo de eu nascer. — Comecei antes de voltar a sentar — Todo mundo sempre fica ao lado dela. — Ayla. — a voz dele preocupado. — Ninguém me pergunta o que ela faz quando ninguém está olhando. — Storm surge não sei de ontem e senta ao lado da minha cadeira me encarando. Noah ficou em silêncio por um momento. — Eu não estou ao lado de ninguém. — Olhei para ele como se ele tivesse chifre na cabeça. Ele revirou os olhos. — Só acho que você poderia dar uma chance. — Você acha que eu nunca dei chances para ela? — perguntei cansada. Está sendo uma longa noite, eu não imaginava que ia terminar assim. — Poderia dar mais uma chance. Começando indo ao almoço. Imagino que amanhã vai ser um inferno.
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