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O Acordo e a Fuga
Acordei e fui pra escola. Eu amo ir pra escola porque lá eu consigo ver a minha melhor amiga, a Sara. Nós duas juntas é o terror.
Ela é uma morena de cabelo cacheado, com um corpo cheio de curvas. Tem 1,60m, 20 anos e arrasa corações. Mas ela só tem olhos pra um cara de onde mora: o Caio. Só que ele não dá a mínima pra ela. Nem sabe que ela existe. Ela vive escondida pelas sombras, olhando ele quando passa ou tá no bar. Ele é o frente lá no Jacarezinho. Vive com mulher e ela sofrendo pelos cantos. Já falei pra ela esquecer ele. Pelo que parece, ele tem uma fiel, mas vive botando chifre nela. E ela vive brigando com as meninas por causa dele. Minha amiga é meio louquinha, mas eu gosto dela.
Já eu sou a Alice. Pele branca, cabelo preto. Tenho um corpinho de dar inveja: peito médio, b***a grande. Não sou magra, mas também não sou gorda. Tenho 1,55m, 18 anos. Não gosto de ninguém, não quero compromisso. Só quero curtir minha vida e aproveitar as oportunidades.
Moro na Barra. Tenho uma família de renda média. Não somos ricos, mas também não somos pobres. Temos uma condição boa. Minha mãe é advogada, meu pai é juiz. Meu pai me mima muito, me dá tudo que eu quero. Sou filha única, então já sabe: a queridinha de todos.
O sinal do fim da aula bateu.
Sara: Vai ir lá em casa hoje, amiga?
Alice: Vou sim. Primeiro vou pra casa resolver umas coisas. Depois eu vou. Te mando mensagem quando tiver indo lá.
Sara: Tá bom, amiga.
Fui pra casa, tomei um banho, desci pra comer e voltei pro meu quarto pra descansar. Meus pais chegaram em casa e me chamaram pra conversar.
Pai: Alice, nós temos que conversar.
Alice: Fala, pai.
Pai: Você tem um noivo e vai casar.
Alice: Como assim? Eu nem tenho namorado pra isso. E eu não quero me casar.
Pai: Eu tenho um trato com um amigo. Você e o filho dele vão se casar.
Alice: Eu não vou me casar, pai. Você não pode fazer um trato sem me falar. Isso não é justo. Casa você com ele. Eu não vou me casar com um estranho.
Mãe: Alice, não é hora pros seus chiliques. É um trato do seu pai com o amigo dele desde quando você tava na barriga. Você vai casar e acabou. Não adianta fazer seus chiliques.
Alice: Eu não vou.
Mãe: Pois bem. Você tá sem mesada e sem suas regalias até o casamento.
Pai: Filha, não posso voltar atrás. Esse acordo já foi feito. O pai dele é um homem muito perigoso e com pessoas assim não se volta atrás com a palavra.
Alice: Vocês ainda me entregam pra alguém perigoso? Eu odeio vocês! Vocês não podiam decidir minha vida assim! — minha mãe me deu uma bofetada na cara.
Mãe: Não fala assim com seu pai. Ele só fez o melhor pra você. Não seja ingrata. Seu pai te deu tudo. Esse é o problema: ele te mimou muito. Ele deveria ter sido mais duro com você.
Virei as costas e saí dali. Liguei pra minha amiga.
Ligação
Sara: Oi, amiga?
Alice: Amiga, tô indo na sua casa.
Sara: Tá bom, amiga. Você tá chorando?
Alice: Aí eu te conto.
Sara: Tá bom. Tô te esperando.
Fim da ligação
Fui pra casa da minha amiga. Chegando na subida do morro, como o pessoal da Barreira já sabia que eu era amiga da Sara, não falaram nada. Como eu vivo lá, eles já se acostumaram. Peguei um mototáxi e subi pra casa dela. Chegando lá, contei pra ela o que aconteceu. Ela ficou de boca aberta.
Sara: Não acredito que seus pais fizeram isso com você.
Alice: Fizeram e me tiraram tudo até o casamento. Não tem como eu fugir sem dinheiro. E agora, amiga? Me ajuda. Eu não quero me casar com um estranho.
Sara: Amiga, eu não sei como te ajudar. Eu não tenho dinheiro. Tenta arrumar um serviço até você juntar o dinheiro pra ir embora.
Alice: Vou ver se consigo um, mas preciso mesmo é de dinheiro rápido pra ir embora do país antes desse casamento acontecer. Vou pra casa.
Sara: Vamos. Eu vou te levar lá embaixo.
Nós descemos. Quando passamos pelo bar, vimos a paixonite da Sara com uma put@ no colo.
Alice: Amiga, esquece ele. Ele já tem mulher e um monte de put@. Você merece mais.
Sara: Eu sei, amiga... mas eu gosto dele.
Fomos descendo, conversando. Chegando lá embaixo, me despedi da minha amiga e fui pra casa. Encontrei minha mãe na sala.
Mãe: Estava esperando você chegar. Eu tenho a foto do seu futuro marido. Quer ver?
Alice: Não quero ver nada. Tô sendo casada obrigada com um estranho. Não quero ver foto dele.
Mãe: Você se casa assim que completar 19 anos.
Alice: Mas isso é daqui a 4 meses.
Mãe: Eu sei. Já pode começar a se acostumar.
Subi pro meu quarto e chorei tudo o que tinha pra chorar. Como vou arrumar um trabalho e juntar dinheiro rápido em 4 meses pra fugir? Que droga.
Acordei no outro dia, me arrumei e fui entregar currículos, mas não consegui nada. Depois fui lá na minha amiga. Fomos tomar um açaí.
Alice: Eu tenho 4 meses antes do meu aniversário pra arrumar um dinheiro.
Sara: Vai ser tão rápido assim?
Alice: Eu não consegui nada até agora. Vou ver se consigo por aqui.
Dado: Tá procurando emprego?
Alice: Tô. Você sabe de algum?
Sara: Dado, deixa ela quieta! Ela não serve pra essas coisas.
Alice: Deixa ele falar, Sara. Eu aceito qualquer coisa.
Dado: Tem que entregar uma carga no outro morro. Preciso de alguém pra levar. 5 mil só pra levar daqui pro Morro do Alemão. Vai querer?
Alice: Eu aceito. Quando eu tenho que levar?
Dado: Vou ir buscar a mercadoria.
Sara: Você é maluca! Se você for pega, vai ser presa.
Alice: Não vai acontecer nada. Fica calma. Eu vou e volto bem.
Dado: Aqui as coisas. Você só pode entregar na mão do Rodrigão, o chefe de lá. Vou passar no rádio avisando que tô mandando as coisas.
Assim foi. Pedi um Uber e fui até lá. Chegando lá, me barraram.
Segurança: Pra onde você pensa que vai, patricinha?
Alice: Eu vim falar com o Rodrigão. Ele tá me esperando.
Segurança: Deve ser mais uma patricinha que o patrão tá comendo. Deixa a patroa saber disso.
Alice: Eu não tenho nada com seu patrão. Me dá licença.
Peguei um mototáxi e subi. Chegando na boca, me pediram pra esperar. Logo deixaram eu entrar. Tinha um homem forte, alto, com algumas tatuagens nos braços. Moreno, cabelo cortado.
Rodrigo: Você que veio trazer as coisas?
Alice: Tá aqui suas coisas.
Rodrigo: Quem diria... uma patricinha fazendo corre de bandido.
Alice: Eu precisava do dinheiro.
Rodrigo: Tá tudo certo aqui. Toma o dinheiro. Entrega pro Dado.
Alice: Ok. Tô indo.
Desci o morro e peguei um mototáxi que me levou de volta. Estavam lá o Dado e a Sara me esperando.
Alice: Falei que ia voltar.
Sara: Você é maluca.
Alice: Toma, Dado. O dinheiro. Ele mandou te entregar.
Dado: Firmeza. Toma o seu. Qualquer coisa te aciono.
Alice: Beleza.
Passou um mês e eu continuei fazendo entregas às vezes pro Dado. Ainda tava procurando um serviço. Eu já tinha 20 mil. Ainda tenho mais 3 meses pra juntar dinheiro, até que recebo uma mensagem e uma proposta.
Mensagem
Caio: Bom dia, Alice.
Alice: Bom dia. Quem é?
Caio: É o Caio, o frente aqui do morro.
Alice: Ah, oi?
Caio: Fiquei sabendo que você tá querendo uns dinheiro aí. Que anda fazendo umas entregas pro Dado. Eu tenho uma proposta.
Alice: Que proposta?
Caio: Poderia vir aqui no morro pra nós conversarmos?
Alice: Vou sim. Daqui a pouco eu chego aí.
Caio: Tá bom. Eu espero.
Me arrumei e fui pro morro. Chegando lá, fui direto pra boca.
Alice: Você queria falar comigo?
Caio: Sim. Preciso de alguém pra ir na visita íntima do Patrão.
Alice: Visita íntima? Não tô interessada nesse trabalho.
Caio: 50 mil pra você ir lá. É só uma noite. Se ele gostar de você, você vai outras vezes.
Alice: Vou pensar.
Caio: Pensa e me dá a resposta até amanhã.
Alice: Tá bom.
Fui pra casa da minha amiga e contei pra ela.
Sara: Você é maluca! Você ainda é virgem. O Patrão não tem fama de boa pessoa. Você sempre sonhou com algo especial.
Alice: Eu não sei. São 50 mil mais 20 mil que eu tenho guardado. Eu consigo sumir.
Sara: Dorme aqui hoje e você pensa, amiga. Por mim você não aceitava não.
Alice: Tá bom, amiga.
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