Uma nova vida para Alyssa

2453 Palavras
De dois estranhos que m*l se conheciam a algumas horas atrás, para um aparentemente apaixonado casal que divide as tarefas domésticas a relação entre Ethan e Alyssa deu toda uma guinada nos últimos dias. Parecia uma montanha russa. Dentro de poucas os dois dividiram segredos e confidências que nem seus amigos mais próximos sabiam. Se bem que eles tinham isso em comum, os dois não tinham amigos muito próximos. Tal até por isso tenham se submetido a uma situação tão louca como um contrato de relacionamento. Agora Ethan era um especialista em limpar uma cozinha. Alyssa nunca tinha visto a cozinha de sua casa parecer tão limpa, nem quando a empregada vinha. Ethan também coordenava e supervisionava o trabalho dela, nunca na vida a garota arrumou o próprio quarto e o dos irmãos tantas vezes quanto fez sob a mão do homem perfeccionista. Ao final do dia a garota estava esgota e o homem cheio de energia. - Então limpar a casa é sua terapia? – A garota perguntou vendo o entusiasmo de Ethan em procurar mais coisa para limpar. - O que você quer dizer? – O homem parou encarando o rosto tranquilo e preguiçoso da menina que acariciava um cachorro, languida no sofá e o encarava com profundos olhos avermelhados cheios de significado. - Todo mundo tem um método de terapia particular – Ela começou a explicar detalhadamente – Terapia nada mais é do que um método singular que te permite relaxar ou colocar para fora emoções contidas. Exemplo: Eu uso cozinhar como terapia particular e a sua deve ser limpeza. - Entendo - É claro que o ideal seria você falar com um especialista, mas... – Ela não completou a frase e deixou os pensamentos no ar e deu um sorrisinho maroto e cheio de malicia adolescente – Agora vamos comer! Alyssa correu para cozinha como uma criança corre para uma árvore de natal e começou a mexer nos aparatos culinários. - Vem! – A garota chamou Ethan. - O que vamos fazer? Ainda tem muita comida na geladeira que nos dois não terminaríamos sozinhos nem em um milhão de anos – O homem disse e olhou para a garota com consternação. - Não vou fazer para comermos... bem nós vamos comer, mas a parte mais divertida não é essa – A menina falou com um brilho no olhar Capítulo 1 – Chute da came Muros de pedra n***a circundavam aquela cidade, no alto da noite apenas os ratos podiam ser ouvidos atravessando as ruelas desertas. Aquele era o primeiro dia da semana e por ordem imperial os bordéis deveriam permanecer fechados dando um pequeno respiro para as prostitutas que certamente se cansavam de entreter tantos homens promíscuos e problemáticos. Caminhando por aquela cidade inevitavelmente chegamos a seu coração, que pulsava vermelho como o dito órgão. O palácio imperial. Mas parecia uma cidade na verdade. Proibida para as pessoas comuns e perigosas para seus habitantes e visitantes. Fora de seus portões de madeira maciça reinava o silêncio, no entanto quando atravessarmos os seus grandes arcos vermelhos e caminharmos por seus silenciosos corredores vamos notar que aquele era o lugar mais movimentado da cidade. Atiçando os sentidos e caminhando pelos lugares certos nas horas erradas, descobrimos segredos, intrigas e muitos guardas fazendo patrulhas. Já passava das duas da manhã, e enquanto espiões compartilhavam segredos, amantes trocavam juras de amor, guardas patrulhavam e servos cumpriam ordens indizíveis para seus senhores; no lugar mais seguro e perigoso do palácio em seu coração, o homem que governava sobre todos naquela terra foi expulso de sua cama. Aquele país era um império e dos grandes. Sua imensidão cobria rios, mares, oceanos, planaltos, planícies, bosques, florestas, desertos e montanhas. Havia grandes cidades, pequenas aldeias, portos lotados e animados, uma classe nobre, plebeus, escravos e servidores públicos. E governando acima dessas milhares de pessoas no conforto de seu palácio, tendo o poder de chamar ventos e chuvas a vontade estava o homem que foi lamentavelmente chutado de sua cama. O IMPERADOR. A pessoa que ousou fazer isso com um homem tão poderoso deve querer a morte certamente. Na realidade ela não sabia o que havia feito. A ousada pessoa em questão estava dormindo tranquilamente na cama do dito imperador que não tinha noção alguma ainda do perigo que a espreitava. E do lado da cama observando atentamente a pessoa enrolada nos lençóis de seda, estavam um imperador, um general e um ministro. Esses dois últimos vejam bem, eles não moravam no palácio. No entanto foram; por falta de palavra melhor; arrastados de suas camas no meio da noite por ordem de seu monarca e levados até os aposentos privados do soberano. Deve ser ótimo ser imperador, e poder acordar as pessoas no meio da noite, tirá-las de suas camas e levá-las para qualquer lugar e elas não tem o direito de reclamar ou te xingar; ao menos não na sua cara. Ao general e o ministro só restou então jogar a culpa na pessoa que tirou o monarca da cama e o motivo de estarem naquele local na realidade. Uma garota de cabelos negros, pele branca e péssimos hábitos de sono. -Isso......majestade?! - Quem falou foi o tal ministro, embora ele não fosse um ministro qualquer e sim o mais importante entre eles, o primeiro-ministro; o conselheiro direto do imperador, e um homem que estava tremendo de frio, pois quando o tiraram de casa não lhe deram tempo nem mesmo de calçar os sapatos ou colocar uma roupa que não fosse um pijama. Uma rápida observação para dizer que o general se encontrava na mesma situação, apenas não sofria tanto com o frio. Como um homem acostumado com as adversas situações do campo de batalha o clima era o menos importante para ele naquele momento. Voltando para o imperador, este olhava para si mesmo, em suas vestes reais para dormir e encarava os dois homens de pé ao lado de sua cama; um conceito estranho surgiu em sua mente “festa do pijama”. Ele riu com a ideia, deixando os outros dois confusos. Detalhe, fora a ladra de camas só havia aqueles três ali. Uma situação bem perigosa para uma garota estar diga-se de passagem. -Eu estava prestes a dormir quando um...... bem, eu não sei exatamente o que era – O imperador começou a falar, alisando o rosto liso e jovem como se ali existisse uma barba – Enfim, se abriu e dentro da coisa saiu a garota. Do começo ao fim ela ficou dormindo e parece estar em uma espécie de coma. Como não me parecia um assassino eu não chamei os guardas e dada a estranheza da situação os dois foram convocados aqui. Terminada a explicação, o imperador se sentou tranquilamente em uma mesinha ali perto e se serviu uma xícara de chá, anteriormente preparado por seus servos. Enquanto isso os dois homens ainda parados ao lado da cama analisavam a situação. O silêncio reinava nos aposentos. Nenhum dos homens parecia que iria quebrá-lo, bem nenhum deles sabia o que fazer naquele tipo de situação. A atenção do trio foi retomada para a garota na cama que parecia prestes a acordar, pois o farfalhar dos lençóis de seda enquanto a jovem se movia demonstravam sua inquietação no sono. Em um silêncio tácito os três resolveram esperar a garota acordar, podiam fazer o resto depois. Capítulo 2 – O dragão e Mulan Era lindo e assustador. Ao redor uma escuridão que parecia quase infinita e no meio daquele breu um caminho dourado. Seus olhos doíam de tão cegante que era aquela luz. Em sua mente ela imaginava se aquele não seria a pós vida do qual tanto ouvira falar. No entanto aquele lugar em nada se assemelhava as lendas e contos que ouvira. Algo naquele rio luminoso lhe atraia, assim que passo a passo ela se aproximava e pode ver pequenos seres estranhos com formatos esquisitos e que pareciam estar lhe chamando. -Se eu fosse você não iria para lá não - Uma voz cantarolou em seu ouvido lhe tirando da hipnose que parecia ter entrado. -Ahhhhh – Gritou assustada recuando alguns passos e caindo no que se supôs ser o chão. -Que barulhenta! - Reclamou o estranho ser parecido com uma cobra, mas ele tinha patas e limpava o que parecia ser seus ouvidos com elas. -Uma cobra? - Ela questionou incerta – Uma cobra falante! A coisa olhou para ela em descrença e depois olhou para si mesmo pensado que talvez aquela garota fosse muito i****a. -Da licença! - Exclamou indignado – Onde que eu pareço com uma cobra? Eu não dô a linguinha! Mostrando a língua bifurcada a coisa continuou a protestar indignado por ter sido chamado de cobra. -O que é você? - Ela questionou depois de se acalmar um pouco – E onde nós estamos? Eu estou morta? Muitas perguntas de uma única vez, a coisa parou e encarou a humana tendo certeza de que ela era uma i****a. Afinal apenas uma i****a faria aquele tipo de pergunta depois de quase ter entrado no rio dos espíritos. -Eu sou um dragão. Ouviu bem? Um dragão - O tal dragão falou mostrando a calda – E não você não está morta ao menos ainda. -Como assim ainda?! - A garota gritou atrapalhando o tal dragão. -Dá pra parar de gritar! - Dessa vez quem gritou foi o animal fazendo a jovem se calar de vez - Você ainda não está morta, mas eu não me importo de te jogar no rio e te mandar pro além! -Rio? - Confusa a garota virou sua atenção para a luz dourada. -Não olhe diretamente a menos que queira chegar a tempo do jantar no palácio do deus da morte – O dragão falou olhando as unhas. A humana ficou tão assustada que rapidamente desviou a atenção do rio. -Como eu vim parar aqui? - Questionou o pequeno ser que agora parecia ser a única fonte de resposta para as suas dúvidas. -Vamos por partes – Falou o dragão - Primeiro as apresentações; prazer meu nome é Hong Long. Serei o seu espírito guardião e melhor amigo que irá te guiar na sua jornada. Não, você não está morta e estamos na passagem do rio espiritual. Uma espécie de limbo. Muitas informações e pouco tempo para serem absorvidas. Jornada? Guardião? Limbo? Mas que infernos! Essas coisas deveriam significar alguma coisa para ela? Vendo a garota humana na sua frente ficando mais confusa e agitada o dragão suspirou em seu coração. Era sempre assim. -O seu pedido – Falou vendo a garota se acalmar e começar a prestar atenção nas palavras dele – O seu pedido de ano novo. Como se atingida por um raio ela finalmente se lembrou. “Era ano novo e como órfã ela não tinha uma família para qual voltar no feriado e também não tinha amigos íntimos o suficiente para lhe fazer companhia ou mesmo um namorado. Em resumo ela estava sozinha. Enquanto observava a cidade pintada de vermelho para comemorar mais uma passagem de ano, sozinha em casa ela comia uma tigela de macarrão instantâneo. Quando deu meia noite ela apenas tinha um desejo; “Se eu conseguir salvar o mundo, não a deixe passar mais um ano novo sozinha” Depois disso ela foi dormir.” -Espera! - Ela falou para o dragão - Eu apenas pedi para não passar o próximo ano novo sozinha! Como isso se tornou uma jornada na qual eu precise de um dragão para me guiar? -Você disse claramente – Hong Limpou a garganta para continuar - “Se eu (no caso você) Conseguir salvar o mundo, não me (no caso você) deixe passar o ano novo sozinha”. Seu pedido foi atendido! - O dragão falou com animação flutuando na frente da garota - Você salva o mundo e não precisa passar o ano novo sozinha nunca mais. Olha que maravilha! A cabeça dela começou a girar, mas que d***a de pedido foi esse! Se ela soubesse que seria atendida deveria ter pedido um namorado. -Eu não quis dizer salvar o mundo literalmente – Ela falou por entre os dentes. -Eu sei – Hong falou levemente – Com esse seu corpo desossado NUNCA que você conseguiria salvar o mundo. Você apenas precisa ajudar uns caras. -Eu quero voltar para casa! - Ela gritou novamente. -Fora de cogitação - Hong respondeu fazendo um “x” com as garras – Um pedido atendido não pode ser desfeito. É tipo um contrato. Ou você cumpriu ou você morre, se escolher a segunda opção é só entrar no rio dourado. -Mas que regra mais i****a é essa? - Questionou pegando o dragão pela nuca – Isso não faz o menor sentido! -Não precisa fazer sentido! - Devolveu o dragão tentando se soltar - É assim que as coisas são. E olha eu não recomendo ficar aqui por muito tempo não. O limbo é um lugar assustador, se ficar aqui mais tempo logo você será afetada pelo rio. No melhor dos casos será apenas a morte certa, no pior você ficará vagando pela escuridão infinita. Carrancuda a garota encarou Hong com descrença na história. Aquilo era absurdo demais, se bem que toda aquela situação era absurda. Parecia até que ela estava sonhando...... É isso ela estava sonhando! Apenas não. -Isso não é um sonho docinho – Falou o dragão ainda preso pela nuca, lendo a expressão de tola esperança da garota. Ela não ligou. Soltou o dragão de qualquer jeito e fechou os olhos, implorando para acordar. Vendo que isso não deu certo, começou a se estapear e beliscar. Depois de uns cinco minutos fazendo isso soltou um suspiro resignado, sentou-se no chão e começou a chorar como uma criança perdida dos pais. -Ei! - Chamou a pequena criatura vendo a menina soluçar - Não é necessário esse drama todo. Que tal isso? Você se levanta, nós dois saímos daqui e no caminho eu explico tudo para você. Ainda soluçando e não vendo muitas opções a garota apenas concordou resignada. -Como saímos daqui? - Perguntou enxugando as lágrimas com a manga da blusa. -Segue o fluxo do rio – O dragão apontou na direção que o rio dourado corria – Aproposito, qual é o seu nome docinho de coco? -Mulan – A garota respondeu ainda fugando e seguindo na direção que foi apontada, com a pequena criatura montada em seu ombro. -Bem Mulan, vai ser uma longa jornada – Falou com uma espécie de sorriso – Vamos nos dar bem. A dupla seguiu o fluxo do rio enquanto o dragão paroleava interminavelmente sobre regras, missões, pedidos e contratos. Em algum ponto do caminho tudo ficou escuro novamente e depois brilhante. Mulan perdeu a consciência.
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