Pré-visualização gratuita cappuccino
Era um dia quente, não é uma boa idéia tomar um capuchino em um dia tão quente. Se não fosse por causa de seu estômago, teria pedido uma coca cola bem gelada; se bem que talvez fosse melhor pedir uma água. É até mais saudável.
A bateria de seu celular havia acabado, enquanto brincava na mesa com um guardanapo, olhava para o garçom, se perguntando se deveria ou não pedir uma água. O pobre rapaz já deveria estar se sentindo incomodado com um olhar tão direto para as suas costas.
Já fazia meia hora que estava esperando, e a pessoa com quem ela deveria se encontrar estava atrasado. Teria aula em uma hora e não poderia chegar atrasada, a menos que quisesse ser reprovada novamente na matéria. Estava no limite de sua sagacidade, também estava com calor, ainda teria de escutar uma aula chata por quase duas horas. Ela queria m***r aquela pessoa. Odiava mais do que qualquer coisa atrasos.
Por fim resolveu que amaldiçoar seu compromisso atrasado, não lhe seria útil. Estava preste a levantar a mão e pedir para o garçom lhe trazer uma água e a conta quando uma sombra pairou sobre ela.
- Senhorita Alyssa? – Levantando o olhar, viu um homem diante de si. Ele ou ao menos a aparência dele, era o tipo dela de beleza masculina ideal. Alto, forte, loiro, olhos azuis, rosto simétrico e barba rala. Totalmente o tipo dela.
- Sim... – Se aquela era a pessoa com quem ia se encontrar, aguentar o calor de lascar e a espera infernal, definitivamente havia valido a pena. Conseguiria até aguentar a aula irritante de física moderna à tarde.
- Sou Ethan Helder, nos falamos ontem – O tom dele era calmo e educado, um pouco frio, com uma pitada de arrogância. Não era boa em avaliar as pessoas, mas cresceu com uma especialista de Marketing empresarial em casa, então uma ou duas coisas ela sabia. Aquele homem diante dela com toda a certeza não era um cavalheiro. – Me desculpe se eu a deixei esperando, estava em uma reunião que durou mais do que o previsto.
- Tudo bem, por favor, sente-se – Falou usando o sorriso educado que usava para todas as pessoas que lhe eram estranhas. Tinha um pouco de fobia social, por isso estava surpresa que ainda não havia saído correndo daquele encontro. Aliás, ter marcado um encontro já esbarrava bastante a sua linha de fundo.
Vendo que a garota não tinha mais nada a falar, o homem puxou a cadeira em frente a ela e tomou assento. Avaliou a menina de cima a baixo. Ela tinha a pele branca meio amorenada, cabelos vermelhos e encaracolados, usava óculos e suas roupas eram largas e casuais, até jogadas ele diria. Parecia que ela estava de pijama. Os olhos dela, ele notou, que eram de um castanho meio avermelhado. Ela parecia uma criança.
- Fico feliz que concordou em me encontrar aqui. Tenha certeza de que não desperdiçou o seu tempo – Um sorriso elegante se desenhou em seus lábios. Ela não prestou atenção nisso. Estava ocupada com a marca de aliança recém tirada do dedo dele. – Sobre o que eu falei ontem, aqui tem o contrato para que você análise e leia. Caso concorde com a minha proposta, mas tenha algo que queira mudar, basta me avisar.
Ela sorriu o mesmo sorriso forçado e educado. Pegando o contrato das mãos dele começou a ler. Os termos eram bons. Era basicamente um emprego de meio período, a carga horária era boa, o salário excelente e os benefícios melhores ainda. Tudo o que tinha que fazer era sentar-se e conversar com ele. Fácil.
- Eu considero a sua proposta muito boa senhor Helder – Uma das coisas que aprendera com a mãe era sempre manter o sorriso, independentemente se você estava conversando com alguém um assunto trivial ou se estivesse perto de esfaquear alguém – Mas tenho que perguntar; Há algum motivo para isso? Minha integridade física em algum momento será violada? Um psicólogo não seria melhor já que o senhor apenas quer alguém para conversar?
Em nenhum momento o homem se abalou com as perguntas da menina. Ele sabia que ela as faria, estava preparado. Seu objetivo era ser direto.
- Sua integridade física em momento algum será violada –Ele sorriu –Está na cláusula dez: Tudo o que fizermos será consensual e caso não seja, a parte culpada deverá ressarcir a parte injuriada. Quanto ao motivo de estar fazendo essa proposta... Sei que isso deve soar louco, mas eu só quero alguém para conversar e não me sinto confortável com um psicólogo que esteja sempre me avaliando.
- Entendo-Alyssa não falou depois disso e apenas fez uma feição contemplativa à proposta era muito boa e ela não tinha razões para não aceitar, além do fato de ser uma loucura – Muito bem! Aonde eu assino?
O homem sorriu quando indicou um canto no final da última folha, mas em vez de assinar a garota releu o contrato. “Ela parece um pouco maluquinha, mas na verdade é bem prudente”, ele gostou dela. Seria uma ótima parceria.
Assinado o contrato Alyssa pegou sua bolsa se preparando para ir embora, quando estava prestes a se despedir o homem falou.
- Eu entro em contato para lhe dizer o horário e o local aonde nos encontraremos. Vou lhe passar a conta aonde o dinheiro estará disponível, pode manejá-la da maneira que quiser. –Seu sorriso nunca deixou seu rosto, mas também nunca alcançou seus olhos – Me diga para onde está indo posso lhe deixar lá.
Ela apenas o encarou e depois de alguns segundos assentiu em concordância, seguindo-o até o carro lhe disse que estava indo para a faculdade. Sem trocarem mais nenhuma palavra o carro disparou, o silencio nunca os deixou durante o caminho.
Enquanto observava o reflexo do homem refletido na janela do carro, Alyssa se lembrou de como foi que acabou naquela situação. Tudo por causa do maldito tédio.
Sim, ela assinou um contrato com um homem desconhecido porque estava com tédio.
Na verdade, tudo começou na quarta-feira.