O problema de não se ter aula na quarta-feira é que você não pode reclamar da aula de quarta-feira. Essa era uma máxima que Alyssa tinha para si.
Jogada na cama, com nada além do computador e um monte de livros que deveria estudar ao redor, navegava pela internet sentindo o tédio corromper suas células cerebrais. Deveria estar resolvendo a lista de exercícios que o seu professor de física moderna passou, mas a falta de vontade e o calor a impediam de sequer chegar perto da atividade.
Estava no auge do não ter nada para fazer.
Sua família havia viajado, seus amigos estavam namorando e seu cachorro estava dormindo. Navegava pela Netflix com preguiça de fazer qualquer maratona de série ou filme, fora seus livros de faculdade que já lera tudo o que estava em sua estante de livros e a já tinha limpado a casa. Chegou ao ponto de procurar um emprego para se livrar do tédio, mas não tivera sorte.
Olhando para o teto e sem ter nada que lhe distraísse a hiperativa mente, pegou os fones de ouvido e começou a dançar pelo quarto. Não se importava se iria incomodar o vizinho no andar de baixo, não conseguia ficar quieta e achava que a qualquer momento iria surtar.
Dada a pouca resistência física dançar não foi uma medida de longo prazo. Estava cogitando ligar para a sua psicóloga para conversar, se aquele tédio continuasse talvez tivesse uma recaída e realmente tentasse se m***r. Jogada no sofá pegou o celular e resolveu checar o e-mail, talvez seu professor tenha passado um trabalho impossível que ela tenha que se sentar para fazer, mas havia apenas uma mensagem do professor de física moderna lembrando os alunos de resolverem a lista.
- d***a! – Essa seria a deixa para ela tomar vergonha na cara e ir estudar, mas ela resolveu cozinhar. A melhor forma de passar o tempo era fazendo bagunça na cozinha.
Isso a entreteve por algumas horas e quando notou já eram quase oito da noite, no dia seguinte teria aula, não que isso fosse impedi-la de ficar acordada a noite inteira. Olhou para o bolo, a torta, o sorvete e o pastel que havia terminado de fazer. Perdeu a fome.
Depois de limpar a cozinha e guardar a comida, se jogou de novo na cama. Olharam para o computador desligado, os livros jogados, o celular piscando com novas notificações, resolveu tomar banho. Sua pele estava grudenta e suas roupas cheiravam a óleo e desinfetante. Como sempre seu cachorro a acompanhou, ele ia para todo lugar que ela ia, seu fiel amigo e escudeiro.
Tomou um banho demorado. A maior parte do tempo levou lavando os longos cabelos encaracolados, já estavam no ponto de cortar. Tinha a mania de passar o sabão três vezes pelo o próprio corpo, talvez estivesse pegando a obsessão por limpeza da mãe. Enfim ficou uma hora no chuveiro e só saiu de lá porque suas mãos haviam começado a enrugar.
Colocando os pijamas resolvera se jogar na cama novamente, tendo a companhia de seu cachorro para assistir vídeos aleatórios no you tube. Ficou tanto tempo com a atenção presa no computador, que quando desviaram os olhos sua cabeça latejava como se tivesse sido amassada por uma marreta. Estava preste a ir dormir quando um comercial chama sua atenção.
Já vira aquele comercial várias vezes. Era uma empresa que conectava garotas que queriam ser mantidas por homens ricos, com homens ricos. Uma premissa bem interessante para um site de relacionamentos. Tirando o remédio para dor de cabeça do armário, se viu tentada a entrar naquele site, seu sono tinha até ido embora.
Levou quase meia hora apenas para escolher as fotos que colocaria no perfil. Não estava em busca de relacionamentos com ninguém, apenas queria m***r o tédio. Deu like em alguns homens e mulheres que achou interessante e ficou navegando pelo site, para a sua surpresa, alguém que ela não havia dado like começou uma conversa com ela.
O perfil da pessoa apenas tinha uma foto e mesmo assim não dava para ver direito a aparência do homem na foto, as informações eram escassas e a única coisa que parecia ter sido preenchida era o nome. Ethan.
Lembrando disso agora Alyssa não conseguiu conter o pequeno sorrisinho que apareceu no seu rosto. Um gesto que não escapou despercebido pelo homem no volante.
A conversa deles começou com o típico “oi”, “tudo bem?” e em algum momento se desenrolou para eles firmarem um contrato. Ele ofereceu vinte mil para ela virar sua “assistente”, esse cargo incluía moradia, um carro, auxílio doença, alimentação e seguro desemprego além de aposentadoria. Qualquer maluco aceitaria. As funções da chamada “assistente” eram simples. Acompanhe seu chefe para conversar, beber, comer e às vezes trabalhar.
Alyssa nunca foi uma garota que batia muito bem da cabeça. Seu maior defeito era que ela muitas vezes não tinha noção de perigo e mesmo que tivesse não tinha medo. Com uma personalidade tão irreverente é claro que ela aceitaria a proposta de se encontrar com um homem totalmente desconhecido que lhe oferecera um acordo totalmente absurdo.
- Chegamos – De volta ao carro, a voz melodiosa do homem ao seu lado, tira a garota de suas recordações. Ela vira e encara o belo espécime masculino ao seu lado com uma expressão um pouco aérea, como se estivesse com dificuldades de se situar na realidade. Ethan não consegue deixar de rir da confusão da menina. – Você não tem que ir para a aula?
- Ah, sim! Obrigada pela carona – Alyssa corou um pouco, enquanto tentava se situar de volta na terra. Pegando sua mochila e assentindo em agradecimento ao homem novamente pela carona, saiu do carro de maneira desajeita, quase tropeçando na porta quando saíra. Uma completa desastrada.
Com o rosto queimando de vergonha, a garota saiu correndo para a universidade, esbarrando em algumas pessoas no caminho, mesmo assim sem interromper seus passos. Dentro do carro, o homem via a menina se afastar, ele se sentia um pouco engraçado. Dando partida na Mercedes preta, ele seguiu em direção ao centro da cidade.
Fazia pouco mais de seis meses que Ethan vivia ali. Por causa do trabalho não tinha uma moradia fixa e muito menos um lugar que pudesse chamar de lar. A ironia é que tinha muitas casas, mais do que um homem realmente pudesse precisar.
Era um homem de negócios e apesar de nunca ter desejado ser, era bom no que fazia. Ainda não sabia direito o que o tinha feito entrar naquele site ou fazer aquela proposta absurda a garota, mas algo lhe dizia que seria uma relação interessante.
Apesar do trânsito h******l, conseguiu chegar à empresa em apenas meia hora. Saíra no horário de almoço, logo após sua reunião da manhã, não teve tempo de comer nada. Assim que chegou a seu escritório, no topo do prédio mais alto do centro, ligou para o seu secretário, lhe mandando levar algo para que ele pudesse comer.
Sentado em sua cadeira de couro, atrás de uma mesa de carvalho nobre, Ethan tirou o celular e ficou a reler a conversa da noite anterior, se recordou dos acontecimentos recentes e fez uma nota mental, para mandar seu secretário organizar as coisas depois. Um som de mensagem chamou sua atenção, fazendo com que ele largasse o celular e voltasse para sua jornada de trabalho.
Nesse meio tempo seu secretário entrou e saiu de seu escritório para deixar seu almoço, mas estava tão compenetrado em seus afazeres que não percebeu a presença de outra pessoa em seu recinto. A tarde passou depressa, e antes que pudesse se der conta, era hora de ir para casa.
Ethan apesar de não ter muito que fazer na vida além de trabalhar, era uma pessoa bem equilibrada e regrada. Sua rotina consistia em exercícios matinais, um café da manhã bem equilibrado e um horário fixo de entrada e saída do trabalho, de forma que apenas extrapolava seu horário quando estava estressado ou quando tinha muito trabalho.
Antes de ir embora, não se esqueceu de ligar para o seu secretário e lhe passar uma cópia do contrato que assinou com a garota, deixou claras instruções de que deviam ser preparadas todas as coisas conforme estavam escritas e devia ser feito tudo dentro de três dias. Ethan agradecia todos os dias por seu secretário não ser alguém que faça perguntas, não saberia como explicar a situação para ele, não conseguia explicar para si mesmo.
Chegando a seu estacionamento privado no subsolo, seu celular vibrou com uma mensagem nova. Entrando no carro, tirou o aparelho do bolso e viu que era apenas uma notificação do site de relacionamentos que entrou na noite passada. Pediam-lhe para voltar a navegar, mas estava sem vontade alguma de continuar no site. De repente lhe ocorreu que não pegara o número de telefone da menina, com isso em mente abriu o aplicativo e lhe mandou uma mensagem.
Ethan – “Me passe seu número de telefone. Vou desinstalar o aplicativo”
Esperou alguns segundos e a tela brilhou com uma nova mensagem chegando
Alyssa – “5561974816777”
Nada, além disso.
Ethan – “Estou saindo do trabalho. Onde você está?”
Ele não fazia idéia do que o levara a continuar escrevendo. Estava sentindo aquela mesma solidão da noite anterior. Queria conversar, não sabia o quê, mas queria conversar com alguém.
Alyssa – “Estou saindo da faculdade”
Ela economizava palavras como se fosse ouro; ele pensou bufando. Já lhe estava claro que esta relação se basearia nele falando e nela ouvindo. Não parecia ser r**m.
Ethan – “Vamos jantar. Estou perto da sua faculdade. Conheço um ótimo restaurante. Eu pago”
Ele mentiu, e deu partida no carro saindo da garagem.
No outro lado, parada em frente aos portões da escola, Alyssa ficava a encarar o celular. Perguntava-se se deveria ou não aceitar. Sua família ainda estava viajando e sua mãe era meio neurótica a respeito de relações com desconhecidos, em suma fora criada em um ambiente restrito e super protetor.
Alyssa – “Topo”
Concordou. Um de seus princípios de vida era: “Se está na chuva é pra se molhar”; já havia concordado com uma proposta absurda e bem remunerada, era melhor fazer jus ao que receberia, se o pior acontecesse seria mais uma lição de vida. No final ela fazia jus ao apelido de menina maluquinha que seus amigos lhe deram.
Não precisou esperar muito tempo, logo viu uma Mercedes preta se aproximando do mesmo lugar que havia desembarcado mais cedo. Sem pensar muito entrou no carro e pôs o cinto de segurança.
- Como foi à aula? – Ethan perguntou de alguma forma sentiu que não conseguiria ficar no mesmo silêncio de mais cedo.
- Boa – Alyssa respondeu e depois de pensar por um tempo acrescentou-Como foi o trabalho? Fez algo de interessante?
Ao ouvir a pergunta Ethan sorriu. Esquecera qual fora a última vez que alguém lhe fizera essa pergunta, provavelmente deve ter sido há muito tempo. Sentiu-se animado, provavelmente não fora uma má idéia contratar alguém para ser seu ouvinte.
- Bem... – Pensou no que responder, mas dado que tinham um acordo de confidencialidade apenas colocou para fora tudo o que tinha guardado no peito e não tinha com quem compartilhar – Eu trabalho em uma empresa de energia, o atual foco da nossa empresa agora é a energia sustentável. Estou desenvolvendo um projeto de campos de captação solar, mas acabou entrando em choque com os segmentos da empresa que trabalham com energia nuclear. Minha empresa também trabalha com extração e refinamento de petróleo tem acordos empresariais no oriente médio que entram em choque com o novo segmento sustentável no qual estou trabalhando.
- Isso parece sério, a energia sustentável é o futuro – Foi um comentário descuidado, era obvio para Ethan que a menina não pensou muito antes de falar, mas de alguma maneira o surpreendeu que ela tivesse dito alguma coisa.
- Não é tão sério assim – Sorriu –Eu apenas preciso conduzir a situação com calma e paciência, não é como se a minha empresa fosse a única a trabalhar com mais de uma forma de energia. Se eu conseguir fazer bem, será apenas uma questão de renegociar alguns contratos e convencer os acionistas. Se eu tiver que desistir de algum segmento, será o de energia nuclear; desde Chernobyl os ambientalistas têm criticado fortemente o uso dos materiais radioativos na produção de energia. Fazer isso pode até melhorar nossa imagem.
- Tenho aula de física nuclear, talvez não seja uma boa idéia desistir dela – Alyssa não estava prestando atenção, apenas não queria deixar a conversa entrar em um ponto morto-Com a tecnologia apropriada, a energia nuclear pode ser até mais sustentável e rentável que a energia solar. Se for para desistir de alguma, o ideal seria o petróleo, que é um produto limitado, apesar das perdas serem muito grandes. Em resumo de um ponto de vista econômico, você não deveria desistir de nenhuma das alternativas, se o seu ponto é apenas melhorar a imagem da empresa para algo ecologicamente correto, você pode apenas investir no Marketing de consciência ambiental, tratando o lixo produzido pela sua empresa de forma correta e meios de produções menos agressivos ao meio ambiente.
Aquela foi nova. Ele sabia que ela era estudante de física, foi por isso que ele a chamou em detrimento de todas aquelas bonecas Barbie. Em sua mente deveria ser mais fácil conversar, mas não esperava que ela tivesse algum conhecimento de administração empresarial. O que ela falou não era profundo ou uma novidade para ele, mas era bastante surpreendente dado que ele achava que ela era uma leiga.
Na realidade Alyssa falou com base apenas no que ela estudava para a aula e no que sabia sobre o emprego de sua mãe. A matriarca de sua casa trabalhava em uma empresa de tecnologia e um dos segmentos era energia sustentável. Foi apenas uma análise superficial, estava com preguiça de falar e, seu objetivo ali era ouvir. Emprego perfeito para ela.
- É verdade –Ethan soltou uma pequena risadinha –Minha empresa tem pesquisado a respeito disso também. Tenho até cogitado a possibilidade de voltar para a faculdade para fazer um segundo doutorado, mas o tempo, infelizmente, para mim é escasso. Deixo as novas descobertas para vocês jovens e me contento em lucrar com isso.
Alyssa não respondeu, ele não esperava que ela respondesse. Em sua visão Ethan já percebera que a garota ao lado dele não gostava de falar, mas também notara que apesar de ela parecer desatenta, cada palavra que saia de sua boca era gravada. Ela estava lhe ouvindo.
- Esse restaurante que vamos é um lugar muito simples – Falou – Ele pertence a um velho conhecido meu. Espero que não tenha alergia a sushi.
De novo Alyssa não respondeu, mas ele pode ver os olhos dela brilhando de antecipação. Ela devia gostar.
Ele dirigiu até uma pequena estrada de terra batida, cercada dos dois lados por árvores e delimitada por flores silvestres. No final da estrada podia-se ver uma rotatória com uma fonte de mármore no centro e ao fundo um prédio de arquitetura japonesa se erguia. A fonte, as estradas, e o prédio faziam um contraste quase surrealista entre si. O dono do restaurante definitivamente tinha um gosto harmônico de decoração duvidoso.
- Ele é meio excêntrico. Lá dentro é quase a mesma coisa– Ethan falou quando observou que ela, como todos os que vinham, tentava entender os estranhos conjuntos que aquele lugar formava.
Alyssa tentou imaginar como alguém conseguiria mesclar conceitos tão diferentes entre si e não ir à falência. No entanto nada do que a pobre garota pudesse imaginar, conseguia se comparar a imagem de uma distopia de designe que apareceu diante de seus olhos.
Na parte interna do restaurante colunas gregas de mármore se erguiam entre as portas de correr feitas de papel com imagens de pinturas barrocas misturadas aos grandes trabalhos de Van Gogh, como noite estrelada e girassóis. O chão parecia ter sido pintado por hipster muito chapado, era um estilo psicodélico que remontava os anos 70. A parte r**m era que aquele era apenas o corredor. A cabeça de Alyssa estava girando e doendo. Era muita informação em um único lugar.
Ethan prestava atenção a cada expressão da garota. Ela era bem sincera, um livro aberto. Talvez fosse por causa da idade que ela ainda não conseguia esconder bem as emoções, mas ele gostava disso, sentia que podia ser o quão aberto quisesse e mesmo que não recebesse uma resposta verbal, teria uma silenciosa.
Um garçom vestido a inglesa se apresentou a eles e os conduziu até uma sala privativa no terceiro andar. O lugar por mais esdrúxulo que fosse ainda era um local que gritava luxo, isso chocaria até as pessoas que já estavam acostumadas com dinheiro. No entanto a garota ao seu lado não parecia impressionada, ao menos não pelo valor das coisas. Quando entraram na sala de jantar, outra surpresa.
Alyssa não conhecia o dono do restaurante, mas tinha certeza de que aquele homem não podia ser normal. A sala em que estavam era clara, com uma mesa baixa no centro e almofadas ao redor da mesa para os convidados se sentarem. Até aí a sala seria uma típica sala de jantar japonesa, se não fosse à floresta amazônica que se erguia nas paredes e as flores exageradamente grandes que decoravam os vasos no local.
- Isso... – Alyssa não sabia o que dizer. Ela esperava muita coisa do local ao qual seria levada, mas nada como aquilo. Naquele momento a sua visão de mundo deu um giro de trezentos e sessenta graus.
- A comida daqui é muito boa – Ethan falou notando que talvez aquele local fosse um pouco demais para ela processar – Essa é a sala mais comum daqui.
A garota não conseguia imaginar qual seria a sala mais esdrúxula. Ethan apontou o lugar na ponta da mesa para ela e se sentou na outra ponta. Alyssa caminhou um pouco aérea pela até seu lugar, aparentemente ainda perdida em seus pensamentos, quase embolou com os pés ao sentar-se, mas ao menos não caiu em cima da mesa.
Ethan queria perguntar o que ela ia pedir, mas vendo que a menina estava em um espaço totalmente diferente do dele resolveu fazer os pedidos por conta própria. Pegou o tablet que tinha em cima da mesa e pediu uma rodada das assinaturas do chef junto com um chá para si e um refrigerante para a menina.
Antes que Alyssa pudesse voltar para a terra à comida havia chegado. O homem na sala ficou o tempo inteiro a encarar a garota, em silêncio. Os cabelos dela pareciam labaredas de fogo que emolduravam a face dourada, por trás dos óculos de armações negras um par de olhos que brilhavam como estrelas, pareciam contemplar o universo e guardar seus segredos, os lábios carnudos e vermelhos lhe pareciam especialmente brilhante e as bochechas carnudas faziam com que seus dedos coçassem com uma vontade quase insuportável de beliscá-las
Ethan não sabia por que prestava especial atenção aos detalhes do rosto da menina, mas ela lhe parecia muito bonita. Alyssa não era uma modelo de passarela, ela estava muito acima do peso para isso; no entanto ela tinha um charme próprio. O ar meio infantil que emanava, a quietude, e os olhos brilhantes que escondiam a inteligência e a curiosidade por trás de uma postura desinteressada pelo mundo. Ela não fazia noção da própria beleza, estava sempre aérea e parecia não se importar com nada sobre a vida.
Notando que ficara muito tempo encarando a garota, o homem tossira levemente atraindo para si a atenção da outra parte. Apontando para comida, fez um sinal de que deveriam aproveitar. Não precisaram troar meias palavras, começaram a comer em silêncio.
O jantar transcorreu sem problemas a comida eram realmente boa, os dois não falaram apenas aproveitando a companhia um do outro. Para Ethan que passara anos participando de jantares barulhentos ou comendo sozinho em seu apartamento aquela era uma situação um tanto quanto nova. Para Alyssa que costumava jantar sozinha e tinha o hábito de comer em silencio quando acompanhada de uma ou mais pessoas o ambiente era normal.
Quando terminaram o chef lhes mandou uma sobremesa de chá verde com chocolate como ordem do dono do restaurante, agradecendo por estarem ali. Aquela era a sobremesa favorita de Ethan ao passo que Alyssa apenas comeu um pouco, o gosto era muito forte e meio amargo, ela odiava coisas amargas.
- Você gosta de chá verde? – A garota perguntou quebrando o silêncio enquanto observava o homem degustar a sobremesa.
- Na verdade eu não gosto de chá – Respondeu sorrindo –Mas eu gosto particularmente dessa sobremesa. Ela me lembra um lugar calmo e tranquilo, livre de preocupações onde eu estou sozinho, mas o sentimento de solidão não está presente.
Alyssa o observou. Aquele homem tinha tudo e mesmo assim não conseguia esconder a aura de infelicidade que pairava sobre ele. De alguma forma ela se identificava com ele. Os dois eram iguais e diferentes pensou. Ela também se sentia solitária, mas não por está sozinha.
- Por vezes é melhor está sozinho – A garota falou, encarando-o com os olhos brilhantes que pareciam rubis-Evita a decepção.
Ela não estava errada, mas de alguma forma ele sentiu a necessidade de contrariá-la.
- Sozinho você não tem ninguém para conversar, acho que a decepção é um risco a se levar em conta – Falou sorrindo e viu o olhar dela ficar frio.
- O risco não compensa, as perdas costumam ser muito grandes-Ela falou baixando o olhar e dando por encerrada aquela conversa.
Ethan claramente entendeu o que o gesto dela quis dizer. Ele não continuou falando e apenas continuou comendo seu doce.