Pré-visualização gratuita Épilogo
Muitos veriam como algo inadmissível um homem como eu — mais velho, experiente, endurecido pela vida — nutrir qualquer sentimento por alguém como Ellen. Jovem demais, doce demais, inocente demais… e, acima de tudo, minha prima. Ainda assim, foi ela quem despertou em mim algo que jamais consegui nomear ou controlar. Um sentimento que nasceu silencioso, quase imperceptível, e que com o tempo se transformou em uma presença constante, sufocante.
Sempre que Ellen estava por perto, algo dentro de mim se desorganizava. Eu perdia o domínio sobre meus próprios pensamentos. Um impulso irracional me tomava — uma necessidade doentia de protegê-la, de vigiá-la, de mantê-la ao meu alcance. Não era apenas cuidado. Era posse. Era desejo. E isso me apavorava tanto quanto me atraía.
Passei noites em claro me torturando com essa consciência. Eu sabia que era errado. Sabia que era perigoso. Ainda assim, quanto mais o tempo avançava e Ellen deixava de ser apenas uma menina para se tornar uma mulher deslumbrante, mais intenso esse sentimento se tornava. O que antes era confusão passou a ser obsessão.
Hoje, consigo me enxergar com clareza — como um predador paciente, seguindo sua presa com passos calculados, esperando o momento certo. Minha mente não encontrava descanso. Eu não conseguia dormir, comer ou trabalhar sem que ela surgisse em meus pensamentos. Precisava saber onde estava, com quem estava, o que fazia. Era como se minha própria existência dependesse disso.
Quando Ellen entrou na universidade, tudo piorou. A distância aparente só alimentou minha loucura. Passei a observá-la com mais atenção, acompanhando seus passos, seus horários, suas rotinas. Odiava ver aqueles garotos ao redor dela — imaturos, tolos — tocando-a, lançando olhares carregados de intenção, como se tivessem algum direito sobre ela. Como se não fosse minha.
Mais de uma vez precisei conter meus impulsos para não quebrar o rosto de cada um deles. Eles não faziam ideia do perigo que corriam apenas por se aproximarem demais daquilo que eu considerava meu.
A morte do pai de Ellen mudou tudo. Sob a justificativa da proteção, ela passou a estar sob meus cuidados. Foi nesse momento que o caminho se tornou mais fácil, mais claro. Faltava pouco para que ela finalmente estivesse por completo ao meu alcance.
Eu não queria assustá-la. Não queria que minha Bela me visse como um monstro. Desejava que confiasse em mim, que se sentisse segura, acolhida. Mas cada dia se tornava mais difícil suportar vê-la tão perto e, ainda assim, tão distante — cercada por garotos que m*l haviam deixado a adolescência para trás.
Muitos questionam minha solidão, meu desinteresse por mulheres da minha idade. O que eles não sabem é que meu coração já havia sido reclamado há muito tempo. A única questão que permanecia era: como trazê-la para mais perto… sem lhe dar a chance de fugir.