Capítulo 6 – “Caçada na Chuva”

1442 Palavras
A chuva não dava trégua, caindo em cascata grossa e implacável sobre o para-brisa do SUV blindado. Woo-Jin dirigia com os faróis apagados, navegando pelas ruas escuras da zona industrial como se cada curva fosse parte do seu corpo. O motor ronronava baixo, abafado pelo tamborilar incessante da água no teto metálico. Dentro do carro, o ar estava saturado: cheiro metálico de sangue fresco vindo do ombro de Min-Joon, pólvora residual grudada nas roupas, suor de adrenalina e o perfume doce e quente de Valentina — baunilha misturada a algo selvagem, como terra molhada depois de uma tempestade. Min-Joon, jogado no banco de trás, pressionava o ferimento com um pano improvisado que já estava encharcado de vermelho escuro. Ele respirava curto e entrecortado, mas mantinha o humor ácido para não deixar o pânico tomar conta. — Se eu desmaiar aqui atrás, não me deixem morrer sem ver vocês dois finalmente transando — resmungou ele, voz rouca. — Seria uma pena perder o show depois de tanto suspense. Vocês estão me matando mais que essa bala. Valentina virou-se no banco da frente, olhos castanhos faiscando com uma mistura perigosa de preocupação genuína e provocação habitual. — Cala essa boca e aguenta firme, Min-Joon. Se você morrer agora, quem vai me ajudar a zoar seu irmão depois? Eu preciso de plateia pra quando eu fizer ele implorar. Woo-Jin não riu. Seus olhos estavam fixos na estrada, mas a mente dele era um furacão: a foto de Valentina dormindo no quarto de hóspedes, tirada de dentro da mansão; o vazamento preciso da localização do armazém; o traidor que comia à mesa da família, que via os irmãos crescerem, que sabia das fraquezas de todos. A traição cortava mais fundo que qualquer ferimento físico. Ele apertou o volante até os nós dos dedos ficarem brancos, tatuagens esticando na pele. Valentina percebeu a tensão nos ombros dele. Estendeu a mão e tocou de leve o braço tatuado, unhas vermelhas roçando a pele. — Ei… relaxa o maxilar antes que quebre. Vamos pegar o traidor. Juntos. Ele olhou de relance para ela, olhos negros penetrantes refletindo as luzes dos postes. — Ninguém toca no que é meu — murmurou, voz baixa e grave. — Nem pra filmar. Nem pra ameaçar. Nem pra respirar perto demais. Ela sorriu de lado, inclinando o corpo na direção dele, o cheiro dela invadindo o espaço confinado. — Sua mulher? Ainda não assinei nada, coreano. Mas se você continuar falando assim… possessivo, frio, calculista… talvez eu assine só pra ver você tentando me controlar na cama. Min-Joon gemeu de dor, mas também de impaciência. — Pelo amor de Deus, parem de flertar no meio da missão. Eu tô sangrando aqui e vocês ainda discutem quem manda na f**a. Foquem no traidor antes que eu desmaie de vez. Woo-Jin bufou, quase um riso abafado. — O armazém tá a dois quilômetros. Dois carros inimigos. Armas pesadas. Eles esperam reforços, mas não esperam a gente tão rápido. Plano simples: eu entro pela frente. Min-Joon, lateral esquerda, mesmo ferido. Valentina, atrás de mim. Não discute. Ela ergueu uma sobrancelha, provocante. — Atrás de você? Gosto da ideia… posso admirar a vista enquanto cubro sua b***a tatuada. E se eu quiser ir na frente? Ele apertou a coxa dela por cima da legging molhada, dedos possessivos. — Você vai atrás porque eu mando. E porque eu gosto de sentir você colada em mim, mesmo no meio do inferno. Valentina sentiu um arrepio subir pela espinha, o calor entre as pernas traindo a adrenalina. — Cuidado com as promessas, Dragão. Se algo der errado com você… eu mato todos eles e te arrasto de volta pra cumprir cada uma delas. Não morre. Eu ainda quero você inteiro dentro de mim, devagar no começo, depois forte até eu gritar seu nome e esquecer meu próprio. Ele apertou mais a coxa, polegar roçando a costura interna. — Prometo. O armazém surgiu: estrutura decadente de concreto cinza rachado, janelas quebradas como olhos vazios, portas de metal enferrujadas balançando com o vento forte. Woo-Jin estacionou a distância segura, desligou o motor. Silêncio absoluto, só a chuva. Eles saíram, encharcados em segundos. Woo-Jin abriu a porta lateral com chute silencioso. Interior fedia a mofo, óleo velho e medo recente. Vozes ecoavam: japonês misturado a risadas nervosas e ordens baixas. Dois sentinelas no corredor. Woo-Jin sinalizou para Valentina ficar abaixada atrás de caixas velhas. Avançou como sombra viva, derrubou o primeiro com golpe preciso no pescoço, silenciador abafando o tiro no segundo. Corpo caiu sem barulho. Min-Joon sinalizou da lateral: perímetro limpo. Valentina colou nas costas de Woo-Jin, o calor do corpo dele contra o dela mesmo na chuva fria. Respirava pesado, peito subindo e descendo contra as costas dele. — Adoro quando você manda — sussurrou ela no ouvido dele. — Mas prefiro quando você me manda deitar na cama e me fode até eu não conseguir andar. — Depois — grunhiu ele, voz rouca. — Agora atira e fica viva. Avançaram ao salão principal. Quatro homens: três Yakuza com cobras vermelhas tatuadas e Ramon, o traidor mexicano, encostado numa pilha de caixas, fumando um cigarro como se nada pudesse acontecer. Ramon viu primeiro, sorriso c***l e confiante. — Valentina… trouxe o coreano como cachorrinho de guarda? Ela sentiu o demônio acordar de vez. Avançou sem hesitar, ignorando as armas apontadas. Ramon ergueu a pistola, mas ela chutou o pulso com força, quebrou o osso com giro violento, pegou a arma no ar e atirou no joelho dele. Ramon caiu gritando, cigarro voando, sangue espirrando no chão molhado. Tiroteio explodiu. Woo-Jin puxou Valentina para trás de caixas, atirando de volta com precisão mortal. Balas ricocheteavam no concreto, faíscas voando na escuridão. Min-Joon entrou pela lateral, acertando um no peito com tiro limpo. Valentina rastejou até Ramon, ajoelhou no peito dele, pistola pressionada na testa suada e suja. — Quem mais? — perguntou, voz fria como gelo. Ramon cuspiu sangue, olhos arregalados de dor e medo. — Um dos seus seguranças… e alguém da família Kang. Não sei o nome exato. Mas eles querem o Dragão morto… e você como troféu pra vender pros j*******s. Ela apertou o gatilho sem hesitar. O tiro ecoou alto no armazém vazio. Ramon parou de se mexer. Woo-Jin surgiu ao lado dela, ofegante, pistola ainda quente na mão. — Acabou? Ela se levantou, mãos tremendo de adrenalina e raiva, sangue salpicado na legging e no top. — Por enquanto. Eles saíram correndo do armazém enquanto sirenes distantes começavam a soar. No SUV, Min-Joon dirigia agora, Woo-Jin no banco do passageiro, Valentina no de trás. O silêncio era pesado, quebrado só pela chuva. Woo-Jin virou-se para trás, olhando para ela. — Você matou sem hesitar. Sem piscar. Ela encontrou o olhar dele, olhos ainda escuros do demônio interno. — Ele ameaçou o que é meu. As palavras pairaram no ar como fumaça. Woo-Jin sentiu algo se apertar no peito — não era só t***o. Era reconhecimento. Respeito profundo. Ele estendeu a mão para trás, entre os bancos. Valentina entrelaçou os dedos nos dele, apertando forte, unhas cravando de leve na pele tatuada. — Quando chegarmos em casa… — murmurou ele, voz rouca — …a gente termina o que começou no escritório. Sem interrupções dessa vez. Ela sorriu devagar, demoníaca e sexy ao mesmo tempo. — E dessa vez… eu quero você inteiro dentro de mim. Quero sentir cada tatuagem roçando na minha pele, cada centímetro me abrindo, enquanto você me fode até eu gritar seu nome e esquecer que existia vida antes de você. Min-Joon resmungou do volante, voz fraca mas divertida. — Pelo amor de Deus… comprem um quarto. Ou pelo menos esperem eu sair do carro. Woo-Jin não soltou a mão dela. A caçada tinha acabado por aquela noite. Mas a verdadeira guerra — interna, sangrenta, cheia de traições e segredos — estava só começando. E o desejo entre eles? Esse fogo não apagava. Só crescia mais forte, mais perigoso, mais inevitável. ,🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹 Gente… que adrenalina nesse capítulo! Valentina soltando o demônio dela e Woo-Jin ficando cada vez mais possessivo no meio do caos e da chuva… meu coração tá acelerado aqui escrevendo! 💥 E vocês, o que acharam? Acham que o traidor da família Kang é alguém super próximo ou vai ser uma surpresa que vai doer? Me contem nos comentários suas teorias mais loucas (sem spoilers, hein!), curtam bastante, votem e compartilhem com aquela amiga que ama um casal que briga, sangra e queima junto. Quanto mais gente sofrer com esses dois, melhor! 😏 Amanhã tem mais tensão, ciúmes e talvez um quase que vai deixar todo mundo louco de vontade. Beijos da Leiliane 😘🔥
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