Agnes se controla pra demonstrar a mais perfeita calma e naturalidade, mas a sua vontade é ir imediatamente para o quarto de Flora e questioná-la para saber o que falou a Cristopher.
Mas ela precisa agir com naturalidade, tenta decifrar Cristopher, embora ele esteja agindo estranho, não pareça chateado.
_Querido, agora irei no quarto de Flora, como prometi irei levar os presentes dela. Comprei muitas coisas lindas, tenho certeza que ela irá amar.
_Tudo bem, querida demore o tempo que precisar.
Agnes pega algumas sacolas e vai em direção ao quarto de Flora, a porta está trancada então ela bate de forma impaciente.
_Querida, é sua titia, trouxe seus presentes.
Flora escuta as batidas e já sabe do que se trata, ela revira os olhos e se recusa a abrir a porta, mas sabe que uma hora terá que abrir pois ela não vai parar até dizer o que quer.
Flora abre a porta e Agnes entra, ela joga as bolsas no chão, fecha a porta e tira novamente sua máscara.
_Olha aqui sua órfã maldita, se você falou alguma coisa ao Cristopher você vai se arrepender de ter nascido.
_Falei sobre o que titia? -disse Flora com ar de deboche.
_Você sabe muito bem fedelha.
_Não titia, eu não falei que você roubou minha herança, não falei que me disse coisas horríveis, não falei que você forjou um laudo falso sobre minha saúde mental, enfim. Não se preocupe eu não disse o monstro que você é.
Agnes se revolta com a "petulância" de Flora ao confrontá-la, e num impulso de irá Agnes a esbofeteia com toda sua força, Flora cai no chão com o impacto da tapa e sente seu rosto arder.
_Nunca mais me confronte sua órfã insignificante e desprezível. Da próxima vez farei pior.
_Já destilou seu veneno, agora me deixe.
_Fique no quarto até amanhã, provavelmente ficará bem marcado a minha mão na sua cara, tchau querida, é sempre bom passar um tempo com você.
Flora fica profundamente chateada com tudo, mas sua raiva maior foi em vê a Agnes perto do Cristopher e saber que ela dormirá com ele.
Flora passa o resto do dia em seu quarto e Anete vai ver se ela quer jantar ou alguma outra coisa.
_Flora? você vai querer...FLORA! o que foi isso no seu rosto? -Perguntou Anette aflita e indo até Flora para socorrê-la.
_Isso cara Anette é o que minha titia realmente faz comigo.
_Ela não pode fazer isso com você, mesmo que você dê motivos.
_Mas, eu não dei motivo nenhum.
_Eu sei que não Flora, quer que eu traga gelo, e o jantar?
_Não precisa, estou sem apetite, e antes de ir, veja se não quer essas coisas que foram trazidas pra mim só por fingimento.
_São muitos presentes e todos caros, eu não posso ficar com tudo isso Flora.
_Você deve querida, sei que você irá gostar muito, então não poderia ter um destino melhor.
_Muito obrigada Flora, nem sei o que dizer. Eu vou deixar você descansar. me chame quando precisar.
A noite passa inquietante, Cristopher fica aflito por não vê Flora na mesa de jantar, e sua aflição aumenta em saber que não pode ir até ela, pois chamaria atenção.
Flora por sua vez resolve tomar os remédios que tinha parado, e acabou apagando e acordando apenas no dia seguinte.
Flora levanta se sentindo melhor, toma um longo banho e resolve ir para o jardim ler um livro enquanto aprecia as flores.Cristopher a vê pela janela e vai com uma certa pressa ao seu encontro.
_Olá, bela jovem! como passou a noite? -disse Cristopher chegando por trás de Flora de surpresa.
_Ela se assusta e se vira, a noite eu apaguei, tomei meus remédios caso contrário não conseguiria dormir.Mas agora meu dia está melhor.
_Fico triste em saber que voltou com os remédios, parecia tão bem, tão cheia de vida, animada.
_Pois é, mas agora tudo piorou.
_Essa piora foi culpa minha eu suponho!? -perguntou Cristopher em tom triste
_Você não é motivo de tristeza ou piora pra mim, não sei o que te faz pensar isso.
_O que aconteceu antes de ontem, deixou tudo ainda mais complicado.
_Realmente, deixou mais complicado , mas não deixou pior.
Agnes se levanta, se sentindo radiante e vitoriosa já que o segredo do seu golpe está seguro. Ela se levanta se espreguiça, pede para a Alexia abrir as persianas e vê Cristopher ao lado de Flora.
_Mas que inferno, o que eles estão fazendo ali de conversa? não posso deixar isso acontecer, não posso permitir que se aproximem. Já sei, irei agir imediatamente.
Agnes já articulou um plano e vai até Cristopher para executa-lo.
_Meu bem, já está de pé? o café da manhã está na mesa vamos.
_Sim, levantei cedo, mas Flora levantou ainda mais cedo e vim cumprimentá-la. Vamos todos tomar café.
_Vá indo querido, Flora e eu iremos em seguida.
Agnes precisa que Cristopher veja ela conversando com Flora a sós para colocar seu plano em ação.
Ela se senta ao lado da sobrinha para destilar mais veneno.
_Viu só, meus 5 dedos já saíram do seu rosto, nem bati tão forte assim. Espero que continue sendo discreta e não abra a boca, agora vamos felizes tomar café da manhã.
Flora termina o café o mais rápido possível e vai para o seu quarto, Agnes por sua vez diz a Cristopher que precisa ter uma conversa séria com ele.
Eles então vão para o escritório.
_Querido, preciso ter uma conversa séria com você.
_O que foi? aconteceu algo?
_Eu conversei com a Flora ontem e hoje ela resolveu me pedir ajuda.
_Ajuda pra que?
_Querido, eu sei o quanto você é gentil e bondoso, Flora até se sentiu confortável em saber que você a recebeu de braços abertos aqui. Mas ela fica sem graça de dizer que não quer ter contato com você o tempo todo.
_Minha presença incomoda?
_Não é bem isso, mas ela é jovem, está na flor da idade. Quer passar mais tempo com pessoas da idade dela e não com você no pé dela, falando sobre "assuntos de velho" foi esse termo que ela usou.
_Mas não conversamos tanto, apenas quando nos esbarramos, o que é inevitável morando na mesma casa.
_Mesmo assim querido, evite ficar falando e puxando assunto, ela se sente desconfortável, vai se dedicar em fazer amigos aqui. Sabe como são os jovens, não gostam de perder tempo.
Cada palavra atinge Cristopher como um soco no estômago, todas as sutis palavras de Flora sobre gostar de estar com ele, sobre ele melhorar seu dia, somem de sua memória e a insegurança fala mais alto. Ele tenta não demonstrar que aquilo o afetou tão profundamente.
_Tudo bem, se é assim, não dirijo a palavra a ela. Sem problemas.
_Sabia que você entenderia querido. Bom vou até a cidade resolver umas coisas. tchauzinho.
_Até mais querida, eu vou organizar umas coisas aqui e sair mais tarde.
Cristopher se afunda em sua poltrona grande e acolchoada, e se cerca de pensamentos deprimentes .
_Eu sabia, que uma garota bonita, jovem e inteligente como ela não iria querer ficar comigo. Eu sou antiquado, piegas, romântico, simples, apesar da fortuna. Nenhuma mulher hoje em dia quer levar uma vida tranquila assim, ela não está errada, só esperava que ela viesse falar comigo pessoalmente sobre isso, mas claro, ela ficou com receio e vergonha. Meu Deus! será que ela me beijou porque se sentiu forçada de certa forma só pelo fato de estar morando aqui. Sentirei nojo de mim mesmo se ela me beijou por se sentir pressionada, coagida. Como não pensei nisso?
Depois de chegar no fundo do poço, Cristopher decide que não irá mais olhar para Flora. Ele vai para o trabalho e passa por Flora como se ela fosse invisível.
Ela se sente desprezada, e ignorada.
Flora vai para o quarto pensativa e triste.