Rogério Shimitt ...
Não bebo bebidas alcóolicas nos eventos, pois quero me manter lúcido, grandes negócios são feitos quando os adversários estão alcoolizados. Pra isso tenho o David Brawn, meu assistente pessoal no qual me fornece água quando fico com a boca seca. Vou até uma sala isolada e discretamente sacio a minha sede.
Escolhi como assistente um homem, para evitar assédio por parte das mulheres. No andar da presidência, todos são homens. Abri mão nos outros setores, são em andares diferentes, porque tem certas coisas, que só as mulheres fazem melhor do que nós. Como os designers de jóias. VAI SER NESTE SETOR QUE A MINHA VIDA VAI VIRAR DE CABEÇA PARA BAIXO. Depois eu conto!
Conquistei a minha posição com muito trabalho e dedicação. Não tive uma vida fácil. Cresci com dificuldades financeiras, não conheci a minha mãe, e o homem ao qual eu chamava de pai, nunca se comportou como tal. Não me parecia com ele em nada, devo ter puxado a minha mãe. Na época eu pensava assim.
Sou moreno, hoje tenho um metro e noventa de altura, oitenta quilos bem distribuídos, me exercito na minha academia no mínimo duas horas por dia, acordo bem cedo, para começar o dia bem disposto. Tenho cabelos lisos, negros e cortado no estilo curto, meus olhos são azuis bem intensos.
O Sr. Paul Tobago, que dizia ser o meu pai, tinha , ( morreu na prisão depois que se envolveu em uma briga), pele branca, cabelos loiros bem desbotados, os olhos castanhos amendoados, era totalmente, fisicamente, diferente de mim.
Ele além de ser um alcóolatra, era viciado em jogos de azar e substâncias ilícitas. Quando fiquei mais velho, vi mulheres entrando e saído do nosso apartamento, sem nenhuma moral ou senso de decência, se entregando a um homem sem escrúpulos em troca de alguns trocados ou até mesmo as substâncias proibidas, diziam, que faziam umas viagens inesquecíveis nos braços dele. Eu me sentia enojado. Era nauseante o cheiro daquelas mulheres quando saiam. Era uma mistura de bebida, suor e odor do sexo. Sem contar no linguajar vulgar e chulo de todas elas. Nenhuma delas tinha se quer a perspectiva de se tornar uma mulher de respeito, uma esposa ou até mesmo mãe. A maioria era prostituta e as outras, nem sei dizer direito o que eram. Pra se prestar a um papel desses, não deve ter nenhuma importância.
Por duas vezes, vi sair do apartamento travestis. Quem foi o pacivo ou o ativo, não sei, nem quero saber!
Por isso, que evito bebidas. Bebo em casa, as vezes uma taça de vinho, nem nas minhas transas dou margens para que bebidas alcóolicas entrem no quarto. Também não fumo, por ter tido essas experiências na minha infância e em boa parte da minha adolescência, tomei pavor. A mulher que bebe em excesso e fuma, nem chega perto de mim.
Tive sorte, mesmo não tendo estudado, eu era educado e bem despojado. havia uma vizinha que vendo a minha situação ficava com pena e me dava comida, sem que aquele que se intitulava de meu pai, descobrisse. Para eu comer, tinha que trabalhar, nada vinha de graça. Muitas vezes, limpei quintal, cortei grama, levei cães para passear, engraxei sapatos e fazia pequenos serviços na vizinhança, que me ajudavam, quando ficavam sabendo de como era a minha vida com aquele homem.
O “meu pai” não me deixava ir à escola, sendo assim, dona Dolores além de me alimentar, me dava aulas, por ser professora aposentada, me ensinou muitas coisas. Na matemática, descobri que era muito bom em contas. No Português, na Literatura e na interpretação de textos, aprendi a me expressar, a escrever corretamente, posso dizer que sou bom no que faço. Quando não temos recursos e aparece uma oportunidade de aprender, temos que agarrar com unhas e dentes. Foi o que fiz!
O que ela me ensinava, eu absorvia tudo. Quando não entendia, perguntava até não ter mais dúvidas. Dona Dolores, sempre muito paciente e atenciosa, em momento algum ela ficou irritada ou de m*l humor, muito pelo contrário, sempre me incentivou a estudar e a aprender. Tenho uma dívida de gratidão por essa senhora, que, mesmo que eu viva cem anos, nunca vou conseguir pagar.
Nunca entendi o motivo pelo qual o sr. Paul Tobago me odiava tanto, o porquê dele nunca falar da minha mãe. Onde estava? Se estava viva ou morta? Por que ela foi embora e me deixou para trás com ele? Eu via sangue em seus olhos, a fúria em suas feições, suas mãos se fechavam como se fosse me dar um soco, quando eu o questionava em relação a minha mãe. Nem o nome dela eu sabia.
Apesar de não ter tido carinho dele, nenhuma palavra de afeto, ele nunca me agrediu fisicamente, só verbalmente. Me chamou de vários nomes feios, que eu nem sabia o significado, só depois que cresci que aprendi, mas nunca as usei, nem mesmo em meus momentos de raiva. Mas descobri o motivo pelo qual não existia esta ligação de pai e filho entre nós. Minha liberdade começou quando eu tinha 14 anos.
Chovia muito, parecia que o céu estava vindo abaixo. Relampejava, trovejava e descia muita água do céu. Cada estrondo que ecoava com os trovões, parecia que o prédio ia desmoronar, porque tremia tudo. A impressão que dava era que estávamos no meio de um bombardeio. As janelas pareciam que iam voar com a ventania. Eu estava com muito medo, mas não podia falar nada, o Sr. Paul me chamava de mulherzinha. Mesmo com vontade de chorar, fiquei quieto no meu canto.
A polícia invadiu o nosso apartamento na madrugada e procurava pelo Paul Tobago. Tinha duas acusações contra ele. Acusação de sequestro e homicídio.
“SEQUESTRO!?...” “HOMICÍDIO!?...”
Não entendi no momento o que estava acontecendo. Ele sequestrou quem? Matou quem?
Junto com os policiais havia um senhor de meia idade que me olhava intensamente. Não me senti incomodado com o olhar e nem tive medo, senti um calor no meu coração, como se algo grande e bom fosse acontecer.
Realmente aconteceu!...
Aquele senhor de sessenta anos, cabelos pretos e brancos, de um metro e oitenta e cinco, esbelto, de olhos azuis iguais aos meus, era o meu avô, pai da minha mãe. O senhor Paul Tobago me sequestrou quando eu tinha um ano e meio. Ele era motorista dos meus pais e se apaixonou por minha mãe, fez de tudo para que ela se separasse do meu pai, ou, o aceitasse como amante.
Fiquei sabendo que meus pais se casaram por amor e não por conveniência e fui planejado, aguardado com muito amor e dedicação de ambos. O sr. Paul, por inveja, ciúmes, os matou e me sequestrou, porque me pareço com ela.
Meu nome verdadeiro é Rogério Shimitt e não Tobago, como achei que fosse. Agora sei o motivo pelo qual ele nunca me deixou estudar e também não me deixava ver a minha CERTIDÃO de NASCIMENTO. Ele não trocou o meu nome.
O senhor Albert Bayden é o meu avô. Homem íntegro, correto, atencioso, amoroso e inteligentíssimo. Aos poucos ele foi conquistando a minha confiança e me fazendo ver, que agora eu estava em casa, em família, que as coisas ruins que eu havia passado, eram para serem esquecidas, que a partir daquele momento, outras histórias seriam escritas, sendo que seriam diferentes das anteriores, porque seriam escritas por mim, que dependeria de mim, se seriam felizes ou não.
Meu avô junto com a minha avó, a srª Betina Bayden, continuaram a minha educação em casa, com excelentes tutores; meus avós são bilionários. Quando estava apto para ingressar em uma faculdade, escolhi fazer duas, dinheiro e tempo para isso, eu tinha. Fiz Administração de Empresas e Designer de jóias, pois assumiria a empresa do meu avô, como o CEO.
Meu pai quando se casou com a minha mãe, ele era funcionário da EMPRESA BAYDEN, onde minha mãe trabalhava como secretária do meu avô. Ele se apaixonou por ela sem saber que estava diante da herdeira da empresa, porque ela usava o nome de solteira da minha avó. Minha mãe queria que todos a respeitassem por gostar dela e não por bajulação.
Richard Shimitt era o meu pai. Ele era órfão, foi criado em um orfanato, quando completou a maior idade, ele pediu ao meu avô uma oportunidade de trabalho. Meu avô sabe ver o caráter das pessoas, não só o contratou, mas deu a ele a oportunidade de fazer cursos, para crescer na empresa. E chegou bem perto de ser o CEO da empresa do meu avô. Infelizmente a vida dele foi ceifada antes disso, por um homem invejoso e sem escrúpulos, que por ser rejeitado por minha mãe preferiu destruir uma família inteira, ao invés de seguir a sua vida com outras oportunidades e quase destruiu a minha vida também, tive sorte!
Meus avós permitiram que a minha mãe se casasse com ele, porque viram que eles realmente se amavam e se respeitavam. Meus avós eram contra aos casamentos arranjados. Mas, por minha influência, isso vai mudar em breve, não sei se vai ser bom ou r**m, espero conseguir o que quero em breve!
CONTINUA!...