Capítulo 48 – Rainha sem Véu

1108 Palavras

Elena Entrei pelo corredor lateral do Aurora com o coração calibrado para guerra e o passo justo de quem escolhe o próprio palco. Cheiro de poeira de cortina, ferro antigo, um fio de sangue recente marcando a coxia — a vaidade de Lorenzo a escorrer em assinatura. O VÉSPERA pintado no fundo do cenário parecia rir em vermelho morto. — Lucerna — sussurrei no rádio. — Parley. Dez minutos. Armas baixas, miras frias. A resposta veio em três cliques, a disciplina da nossa casa. Marcos já se movia no varal. Vincenzo respirava no meu ouvido, distância medida, confiança inteira. Subi dois degraus e parei ao centro do palco, as botas mastigando vidro moído. Toquei a base do meu véu de aço, desprendi-o do grampo e amarrei no punho esquerdo: estandarte branco que não suplica — ordena cessar-fogo. M

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