Capítulo 9 — A Voz Que Não Podia Ser Ignorada

587 Palavras
Você não pediu permissão. Essa foi a primeira coisa que Claudio percebeu ao entrar na sala de reuniões e encontrar você sentada à mesa principal, não atrás, não ao lado — à frente. Os homens pararam de falar quando ele entrou. Alguns desviaram o olhar. Outros franziram o cenho, desconfortáveis. Aquela não era uma mesa para alguém como você… e justamente por isso funcionava. — O que é isso? — Claudio perguntou, contido. — É o fim de um jogo antigo — você respondeu. — Ou o começo de algo que não precise de sangue para continuar existindo. Alsean observava em silêncio, os braços cruzados. Pela primeira vez, não estava em posição de ataque. Estava… avaliando você. — Vittorio não quer vencer pela força — você continuou. — Ele quer que vocês se destruam sozinhos. Pai contra filho. Nome contra legado. — Isso não é uma negociação — Claudio rebateu. — É uma guerra. — Guerras também terminam em mesas como esta — você respondeu. — Só que geralmente tarde demais. Você espalhou alguns documentos sobre a mesa. — Esses são os contatos que Vittorio usa para se manter intocável. Bancos, intermediários, nomes que não aparecem em público. — respirou fundo. — Ele acredita que eu sou apenas o ponto fraco. Então vamos usar isso. Alsean ergueu as sobrancelhas. — Você quer se expor de novo. — Não — você disse. — Quero falar. O plano era simples. E perigoso. Você seria a ponte. Não como herdeira. Não como vítima. Mas como testemunha viva do que Vittorio tentou apagar. — Ele vai aceitar te encontrar — Alsean disse. — Por ego. — Exatamente — você concordou. Claudio fechou os olhos por um instante. — Se algo acontecer com você… — Já aconteceu — você respondeu. — Agora é a minha vez de decidir o que isso significa. Horas depois, pai e filho ficaram sozinhos. — Você passou por cima de mim — Claudio disse, a voz dura. — Porque você não estava mais vendo — Alsean respondeu. — Você só via culpa. — Tudo o que fiz foi para proteger o que restou da família. — Não — Alsean rebateu. — Foi para se proteger da ideia de ter falhado. O confronto ficou ali, cru, sem gritos. — Ela é mais forte do que nós dois — Alsean continuou. — E você sabe disso. Claudio não respondeu. Porque sabia. O encontro com Vittorio aconteceu em um lugar neutro. Elegante demais para parecer perigoso. Silencioso demais para ser seguro. Ele sorriu ao ver você entrar. — Clara Feretti — disse, saboreando o nome. — Você finalmente escolheu o palco certo. — Eu não vim como Feretti — você respondeu. — Vim como sobrevivente. O sorriso dele vacilou por um segundo. — Você quer paz? — ele perguntou. — Quero fim — você respondeu. — Da mentira. Do jogo. Do controle que você acha que ainda tem. — Você não tem poder nenhum. Você inclinou a cabeça, calma. — Tenho algo melhor. — olhou direto para ele. — A verdade. E a atenção do mundo. O silêncio ficou pesado. Vittorio entendeu naquele instante: não era mais sobre Claudio. Era sobre você. E isso tornava tudo imprevisível. Do lado de fora, Claudio e Alsean aguardavam. — Seja qual for o resultado — Alsean disse — nada volta a ser como antes. Claudio assentiu. — Talvez seja isso que precise acontecer. Lá dentro, você respirou fundo. O último movimento estava em curso. E o desfecho… já podia ser sentido no ar.
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