Capítulo 2
Acorda com o despertador do celular.
Os primeiros raios de sol já começavam a passar pela janela.
Deslizando para fora da cama, pega uma saia lápis e camiseta social branca.
Olhando para a pilha de roupa suja, deseja que se lave sozinha, só então dando conta que não estava em um conto de fadas.
Depois de se vestir abre a porta do quarto, verificando se estava sozinha. Entra no banheiro escovando os dentes, os olhos nublados de tom chocolate fixos no espelho enquanto listava os lugares que iria naquela manhã.
Após fazer uma trança no cabelo castanho, pega a bolsa e o celular, fuçando a bolsa atrás nem que fosse de uma bala para chupar.
Acaba por achar uma barra de cereal amassada, comendo—a sem pensar duas vezes.
Ao abrir a porta da frente encontra Celly sorrindo, uma senhora n***a de cabelos grisalhos de estatura mediana.
— Oi, Celly. Buongiorno.
— Buongiorno, ragazza.
Celly era a vizinha da frente, tinha como companhia dois gatos e um cachorro.
— Como vai a signora essa manhã?
— Bem. Mas não vim falar de mim. Já arrumou emprego?
Força um sorriso, fechando a porta atrás de si ao sair.
— Ainda não, Celly.
— Então talvez isso aqui seja a solução dos seus problemas — Ela estende com os dedos trêmulos, um pedaço de papel.
— Engenharia Montana — lê.
— Estão precisando de uma mulher inteligente e bonita como você.
Ela ergue o olhar para fitar Celly.
— Como sabe?
— Não importa. Apenas vá, não se atrase. Tome — Celly tira do bolso do vestido cinza alguns euros.
— Celly, no...
— Pegue. Não pode se atrasar — Celly pega a mão de Beatrice, colocando o dinheiro.
Ela vai em direção á rua, olhando o endereço no pedaço de papel.
Talvez ali houvesse esperança.
Cerca de vinte minutos depois desce do táxi, observando a magnífica construção em sua frente.
Com passos tímidos adentra no edifício, caminhando até o balcão da recepção onde havia um homem.
— Buongiorno— diz com os olhos vagando pelo salão com diversos detalhes em tom de ouro.
—Posso ajudá—la?
—Acho que sim — sorri levemente — Vim para a entrevista.
—Nome, por favor.
—Beatrice D'Angelo — Ele digita algo no computador, entregando em seguida um crachá.
—Último andar.
—Grazzi — Ela coloca o crachá, entrando no elevador com outras pessoas.
Torcia mentalmente que conseguisse o emprego, enquanto lentamente o elevador subia.
O elevador para e as portas se abrem, todos do elevador saem, menos ela.
Seu andar era o próximo.
Sai do elevador segundos depois se sentindo azarada, quando uma fila com 15 mulheres entra em seu campo de visão.
Infelizmente era a última.
A secretária ergue o olhar quando senta em uma cadeira, cruzando às pernas.
Havia candidatas muito mais bonitas, bem vestidas e com um vocabulário excelente.
A probabilidade de receber outro não era de 99,9%, restando apenas 1% para se apegar.
Era hora do almoço quando a mulher ruiva ao seu lado é entrevistada.
Uma mulher de cabelo loiro ondulado rente ao queixo sai da sala, parando ao lado da mesa da secretária.
—Matteo já foi almoçar? – pergunta segurando alguns papéis.
—No, signora — Ela entra na sala em frente sem olhar para Beatrice.
—Por que não vai almoçar? — A secretária pergunta, jogando o r**o—de—cavalo vermelho para trás dos ombros.
—Prefiro esperar — Ela dá de ombros, voltando a martelar o teclado do computador com ás unhas pintadas de vermelho.
Algum tempo depois a mulher sai da sala, com um homem alto de ombros largos, vestindo terno preto e falando no celular.
Beatrice o observa entrar no elevador, seus olhos eram da cor do terno, só que brilhantes, focando na mulher ao lado por um breve momento, enquanto ela diz algo e depois voltando a se fixar no vazio.
Se mantém confiante quando as portas do elevador fecham.
Não havia mais ninguém para entrevistar, apenas ela. Só tinha que dar o seu melhor.
Quase duas horas depois a secretária levanta, após almoçar em sua mesa.
Pôde perceber ao se aproximar que havia algumas sardas em seu rosto e que não era muito alta como imaginou naquele terno cinza—claro.
—Não acho que signora Eleonora irá entrevista-la quando voltar — diz a com os braços cruzados sobre o peito.
—Preciso tentar pelo menos.
Neste momento a porta do elevador abre, Eleonora, a mulher de cabelo ondulado, encontra os olhos atentos dela.
—Quem é você? – Eleonora pergunta.
—Beatrice D'Angelo.
—Ela está aqui por causa da entrevista, já avisei que não irá entrevistar mais ninguém — diz a secretária.
— Vou entrevista-la, Christine. Ainda não escolhi quem será a assistente de Matteo, às outras candidatas não pareciam ter cérebro o suficiente — Eleonora vai para sua sala, parando ao lado da porta — Você não vem?
Beatrice levanta passando por ela.
Eleonora deixa a bolsa sob a mesa, sentando em frente á ela, que lhe entrega um currículo.
—Currículo excelente —ressalta após lê—lo — Mas não nasceu aqui.
—Nasci e me criei em Los Angeles, signora – diz torcendo os dedos das mãos sob o colo.
—Sai parlare correttamente l'italiano?
—Sì – diz sorrindo.
—Perfetto — Ela se inclina para frente, observando atentamente Beatrice — Acredito que saiba que a vaga é para assistente de Matteo Montana.
Beatrice lembra do homem de terno preto ao celular.
—E tenho que ressaltar que ele é muito exigente e perfeccionista — continua, revirando os olhos — E extremamente insuportável às vezes. Acho que seria perfeita paro o cargo.
Escuta tudo atentamente sem mover um músculo.
—Pode desistir se quiser.
—No! Por favor — diz saindo de seus pensamentos — Quem nunca acorda de manhã de mau—humor? – sorri levemente.
Eleonora levanta e faz o mesmo, seguindo—a para fora da sala.
—Christine, Matteo já chegou?
—Acabou de chegar, signora — Christine as acompanha com o olhar.
Eleonora bate na porta em frente, abrindo—a.
—Matteo?
Matteo ergue o olhar da pilha de documentos que examina, praticamente fuzilando—a com o olhar.
—Espero que seja importante.
—Vim apresentar sua nova assistente — Ele recosta na cadeira quando Beatrice entra na sala.
—Essa é Beatrice D'Angelo – Por um milésimo de segundo teve a impressão que os olhos de Matteo podia ver sua alma — Só não a espante com os seus gritos e mau humor como fez com as outras onze.
Matteo volta sua atenção para os papéis.
—É só isso, Eleonora? Estou ocupado.
—Sì, Matteo — Sai da sala fechando a porta atrás de si, erguendo um dos cantos da boca num sorriso — Esteja aqui amanhã às sete e meia. Matteo chega cedo. Christine lhe dará amanhã a agenda dele.
— Grazzi – Beatrice abre um largo sorriso, desejando abraça-la —Não irá se arrepender, signora — garante.
—Sei que não. Não costumo errar em relação às pessoas.
Eleonora se afasta entrando em sua sala.
Beatrice olha para Christine, entrando no elevador.