A madrugada já avançava quando Frederic Pérez empurrou a porta de casa. Ela rangeu alto, quebrando o silêncio pesado do lar. O cheiro de álcool o precedeu, forte, amargo, como se o próprio ar se contaminasse com sua derrota. As lamparinas estavam apagadas, mas a brasa no fogão ainda ardia fraca, lançando uma luz avermelhada pelas paredes. Frederic cambaleou até a mesa, jogando o chapéu num canto e se deixando cair na cadeira. Os olhos cansados e avermelhados revelavam noites sem descanso e o peso de dívidas que pareciam engolir não apenas seu bolso, mas sua alma. De repente, um barulho leve. A porta do quarto rangeu, e Teresa, a mais velha, apareceu com o xale nos ombros. Logo atrás, vinham Clara e Amélie, sonolentas, mas preocupadas. — Papá… o senhor voltou tarde outra vez — diss

