A sala de leitura estava silenciosa, iluminada apenas pela luz dourada do fim da tarde que entrava pelas grandes janelas. Nora fechou a porta atrás de si, observando Henrique apoiado contra a estante, os braços cruzados, o semblante tenso. Ele raramente demonstrava fraqueza, mas naquela tarde estava claro que algo o consumia. — Você está evitando olhar nos olhos dela de novo — Nora começou, cruzando os braços também. — Isso vai machucar Amélie mais do que a verdade. Henrique fechou os olhos por um instante, respirando fundo, como alguém que carrega um peso enorme no peito. — Eu sei — respondeu baixo. — Mas… não é simples, Nora. Ela se aproximou alguns passos. — Henrique… ela é sua esposa. Ela confia em você. E ela é forte, muito mais forte do que imagina. Você devia saber disso melho

