Amélie entrou pela porta da frente carregando duas sacolas pequenas alguns doces que as irmãs insistiram em mandar para Henrique. Ela vinha sorrindo, ainda leve do tempo que passou com elas, mas o sorriso desapareceu no mesmo instante em que viu o marido parado no saguão. Henrique estava de pé ao lado da escada, as mãos nos bolsos da calça, o ombro rígido demais, o olhar preso em algum ponto indefinido. Não era uma postura comum nele. Ele parecia… armado. Como se algo dentro dele estivesse à beira de transbordar. — Henrique? — ela chamou, dando dois passos para mais perto. — Aconteceu alguma coisa? Ele ergueu os olhos e, ao vê-la, tentou relaxar o maxilar. Tentou. Mas não conseguiu completamente. — Nada, meu amor. — A voz dele saiu baixa, controlada demais para ser natural. — Só… um di

