Capítulo 11

1314 Palavras
Clara. Entrei no carro e sai acelerando ele, fiquei por minutos rodando o Rio de Janeiro até perceber que eu já estava dentro do Alemão, e nem precisei de muito para entrar lá, os meninos liberaram assim que viram meu carro, subi o morro e estacionei na frente da casa do Bruno, ali estava agitado, mais que o normal. Desci do carro e vi os olhares sobre mim, umas senhoras sentadas na frente de uma casa conversando para a conversa pra me olhar, sorri para elas que fizeram o mesmo e voltaram a conversar, olhei para a casa do Bruno que estava quieta e fui até o portão que estava aberto, então entrei. Na porta tinham dois meninos armados, um deles me olhou e quando fui passar ele me impediu, vi ele.pegar o rádio e falar algo se afastando de mim, esperei de braço cruzado até que meu telefone começou a tocar, olhei na tela e era minha mãe. - Oi mãe. - Falei sem animo algum. - Cade você Clara, seu pai está aqui te procurando. - Ela disse nervosa. - Aconteceu algo? - Ela demorou a responder e ouvi meu pai gritando no fundo. - Ta liberada para subir. - O menino voltou falando, então assenti pra ele e entrei. - Caio ligou pra ele, disse que vocês terminaram, falou que você o estava traindo com um traficante. - Ela se afastou do meu pai, pois a voz dele ficou mais distante. - Por favor, minha filha, me fala que isso é mentira. - Eu acabei de ir na casa do Caio, e ele estava com outra mulher na cama dele. - Falei evitando contar a verdade sobre o Bruno. - Eu estou resolvendo algumas coisas agora mãe, depois nos falamos. - Clara, vem pra casa. - Ela disse, e seu tom de voz era uma mistura de desespero com choro preso. - Eu preciso esfriar a cabeça mãe, depois eu vou. - Desliguei e guardei o celular, fui andando em passas lentos até o quarto do Bruno, estava tudo quieto, abri a porta e ele estava deitado de olhos fechados. Entrei e encostei a porta de novo, cheguei perto da cama e estava ele e o Pedro, os dois dormindo igual, sorri e coloquei minha bolsa sobre a cômoda, fui até os remédios e olhei vendo se ele estava tomando, tentando fazer menos barulho possível até que o celular dele começou a tocar. Bruno se virou e me viu, ele pegou o celular o atendendo e começou a conversar falando várias gírias pelo telefone, continuei a olhar as coisas e depois fui olhar os curativos, limpei o da perna e refiz e o mesmo com o do braço. - Ta ai faz tempo? - Ele perguntou se sentando na cama. - Não, acabei de chegar. - Ele puxou meu rosto que estava abaixado olhando para o braço dele. - Qual foi Princesa, por que tá com essa cara de choro? - Nos olhamos e ele continuou a segurar meu rosto. - Fala ai, quem eu preciso matar? - Não precisa, só vim ver se tá tudo bem com você. - Sorri e ele retribuiu. - E por que tava chorando, já sei, foi a emoção de me ver lindão dormindo. - Rimos e dei um tapa no peito dele. - Fui falar com o Caio, na verdade eu fui pra terminar com ele, mas quando cheguei la ele tava com outra. - Sorri fraco e continuei. - Eu já desconfiava que ele estava me traindo, mas achei que era coisa da minha cabeça. - Realmente é, chifre. - Ele disse se levantando. - Você pelo menos deu o troco nele, me sinto até melhor agora, achei que eu estava sendo um o****o com o cara, ele parecia ser de boa. - Ele é de boa, pelo menos eu achei. - Lembrei da minha mãe e o que ela me disse, Bruno foi ao banheiro e voltou depois de alguns minutos. - Mudando de assunto, aqui tem alguma associação de moradores? - Tem, quem cuida disso é a Valesca, mas por que? - Ele tirou a roupa ficando só de cueca e voltou para o banheiro deixando a porta aberta, me aproximei para ele poder me ouvir e quando olhei ele já estava sem roupa e de baixo do chuveiro se molhando. - Eu queria começar a fazer algo para as crianças da comunidade, precisava conversar com ela. - Fiquei olhando ele enquanto a água caia pelo seu corpo, fui descendo os olhos e depois voltando até nossos olhos se encontrarem e ele sorriu. - Eu te levo lá, mas eu preciso aprovar, existem algumas regras aqui na favela, e elas não podem ser descumpridas. - Ele disse terminando o banho e puxando a tolha. - Aliás, seu pai vem aqui hoje, é seu pai não é aquele cara que ta se candidatando? - O Doutor? Sim. - Falei seca e me afastei do banheiro, ele veio atrás. - Que horas ele vem? Preciso sair daqui antes que ele chegue. - Ele disse que chegaria aqui umas dez horas. - Olhei no relógio e faltavam cinco minutos. - Ele já deve estar por ai. - Bruno, ele não pode saber que eu to aqui. - Falei entrando em desespero e ele rindo. - Para de rir i****a, me ajuda. - Da a chave do seu carro. - Ele estendeu a mão e entreguei. - Fica aqui, ele vai ficar apenas na quadra pra falar com os moradores. - Certeza? - Perguntei e ele sorrindo se aproximou e passou a mão no meu rosto e encostou nossos lábios. - Tu é maluca Princesa, mas eu to aqui pra te proteger. - Começamos a nos beijar e era tão intenso, eu não me lembro de ter beijado alguém assim antes, não com essa conexão e química, parecia que o mundo todo sumia quando os lábios dele encontrava com os meus. Ele me levou até a parede e continuamos a nos beijar até ouvir um choro fraco, sorri e ele beijou a minha testa se afastando e indo na cama. - Que foi PH, vem com o pai. - Ele pegou o filho no colo que se acalmou na hora. - Qual foi moleque, chorando do nada. - Ele deve estar com fome. - Olhei a mamadeira vazia sobre a cômoda. - Vou preparar pra ele. Peguei a mamadeira e fui na cozinha, preparei pra ele e subi de novo, entrei no quarto e os dois estavam na cama conversando e brincando, entrei no quarto e PH levantou assim que viu a mamadeira e veio até mim me pedindo colo, peguei ele e nos sentamos, ele deitou e pegou a mamadeira se aconchegando nos meus braços. Bruno se levantou e foi vestir uma roupa, continuei a dar a mamadeira pro Pedro até ele terminar e quando olhei ele estava dormindo de novo, arrumei ele na cama. - A mãe dele tá vindo buscar ele, eu preciso ir, tá tudo bem pra você? - Ele se aproximou de mim me dando um selinho e a porta se abriu. - Ainda bem que eu vim correndo. - Ela disse e me afastei dando espaço pra ela. - Não quero meu filho com qualquer uma Bruno. - Ele dormiu no colo da qualquer uma acredita? - Falei e ela olhou para mim surpresa e depois para o Bruno. - Você deixou? - Ela perguntou e ele ignorou, pegou as coisas dele na gaveta e ela pegou o Ph na cama. - Odeio você Bruno. Ela saiu batendo o pé e eu fiquei olhando, comecei a rir e o Bruno fez o mesmo, ele passou pela porta e deu alguns passos e depois parou. - Não sai daqui, vou pedir para guardarem seu carro, assim que ele for embora venho te buscar e vamos lá falar com a Valesca.
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