Capítulo 10

1098 Palavras
Clara. Fui até o banheiro no fundo da quadra, tinham pessoas falando ali, olhei para o lado e eram dois homens, entrei no banheiro e me olhei no espelho e ele apareceu atrás de mim. — Eu não sabia que você participava desses eventos. — Voltei a lavar a mão. — Não participo, fui obrigada. — Terminei e sequei a mão com o papel e joguei ele no lixo, me virei pra ele que se aproximou e sorriu. — Você tinha que estar descansando. — Eu tava, ai me avisaram que você estava aqui. — Bruno passou a mão no meu rosto e encostou nossos lábios. — Você leva jeito, to impressionado. — Você acha? — Perguntei sorrindo e ouvi a porta abrir e foi tudo rápido, olhei e era minha mãe, bati no braço machucado dele. — Nossa, você tem que tomar cuidado, olha essa ferida. — p***a, ta maluca? — Ele falou e eu virei o braço dele. — Olha mãe, esse ponto parece ter sido feito recentemente, vai inflamar se ele ficar andando assim, não acha? — Minha mãe olhou pra gente sem entender nada. — Qual foi? Do nada? — Ele falou sem entender. — É bom fazer um curativo, se tiver algo por aqui posso fazer. — Mamãe falou e me afastei dele dando passos para trás. — Vou ver se encontro alguma farmácia por aqui. — Sorri e sai do banheiro, os dois ficaram me olhando e respirei aliviada quando sai do banheiro. Fui andando desviando das pessoas, vi um grupo de crianças dançando em um canto e fui até elas, fiquei observando eles dançarem e fui até a caixa de som, coloquei um funk leve e sem palavrões, então comecei a dançar com as crianças. Ensinei alguns passos a elas e depois as deixei se divertindo, minha mãe já tinha voltado do banheiro e estava conversando com o Bruno, olhei para ele e ele me olhou, ficamos nos encarando até ele sorrir pra mim e eu retribui. Quando percebi que já estava ficando escuro, os brinquedos já tinham sido levados e as barracas de comida também, minha mãe se aproximou de mim, e eu estava com as crianças que ainda não foram embora, prometi a eles que voltaria de novo com todas as coisas e brincadeiras de novo. — Vamos, meu amor? — Minha mãe disse e eu me levantei. — A gente podia fazer isso sempre né. — Falei e ela me abraçou. — Olha pra eles, mãe a gente pode tentar mudar a história de pelo menos metade dessas crianças. — Você sabe que isso não depende de mim, e sim do seu pai. — Ela sorriu e começamos a andar pro carro. — Mas é linda a sua iniciativa, meu amor. — Vou falar com ele. — Fomos para o carro e depois para casa, chegamos e meu pai ainda não tinha chegado. Fui para o quarto, tomei banho e coloquei a roupa pra dormir, desci pra sala de jantar e me sentei com minha mãe, a mesa ja estava posta, começamos a jantar e não demorou muito meu pai chegou, ele se sentou com a gente e minha mãe foi contando tudo o que aconteceu, como foi e me mantive em silêncio. — O que achou Clara? — Ele perguntou e voltei meu olhar pra ele. — Gostei, acho que podíamos fazer isso sempre pra eles, as crianças precisam disso. — Ele limpou a boca e sorriu. — Pai, eu posso dar aula de dança pra eles, a dança pode tirar eles da favela, do tráfico. — Não, Clara, a gente não pode. — Olhei pra minha mãe sem entender e ela abaixou o olhar, então voltei a olhar para ele. — Eles precisam estar ali, eu preciso de pessoas como eles, pobres e sem futuro, qualquer bala que eu der, eles vão aceitar e ainda votar em mim, então não posso tentar ensinar eles a ter uma vida boa. — Ta falando sério? — Limpei a boca e afastei meu prato. — Já temos tudo pai, você e a mamãe não precisam de mais nada. — Lute como um Socialista filha e acabe como eles. — Ele sorriu e voltou a comer. — Alias, mudei de ideia, você não precisa mais ir. Me levantei e peguei meu celular, sai dali pisando forte e com raiva, como pode meu pai ser assim, eu não sei se estou decepcionada ou com raiva, mas tudo bem, se ele não quer fazer, eu mesma faço. Subi pro meu quarto e comecei a pesquisar algumas ONGs no Rio de Janeiro que precisavam de ajuda, todas precisavam, mas nenhuma queria entrar no Alemão, então mudei minha pesquisa, comecei a pesquisar como criar uma ONG. Passei a noite toda pesquisando e procurando contatos, Rafa estava me ajudando lá na casa dela, diferente do meu pai, os dela apoiaram tudo, se ele quer ser um político babaca, então ele vai ganhar uma filha pior que ele, a única diferença, é que eu vou quebrar todas as regras dele. ... No dia seguinte. Já estava de pé, falei com o Caio, mas ele está sumido, então decidi ir na casa dele hoje, peguei minha bolsa e as chaves do carro e sai depois que meus pais saíram de casa pra trabalhar, entrei no meu carro e acelerei, os seguranças vieram atrás e pra mim tudo bem. Cheguei no Apartamento do Caio e como tenho acesso livre entrei, fui para o elevador e subi para o décimo primeiro andar, fiquei ali esperando até que se abriu e fui até a porta dele, toquei a campainha e esperei, até a porta se abrir e uma mulher enrolada na toalha me recebeu rindo. — Bom dia, no que posso ajudar? — Olhei ela de cima a baixo e respirei fundo. — Cade o Caio? — Nem esperei ela responder e entrei, ela fechou a porta vindo atrás de mim. — Você não pode entrar assim. — Ela disse então entrei no quarto dele e ele estava se trocando, cruzei os braços. — Ela entrou, não tive tempo de... — Cala a boca. — Falei e voltei a olhar pro Caio que estava me olhando. — É por isso que você não me atendia. — Clara. — Ele falou e eu dei as costas e sai andando com pressa, ele correu atrás de mim e me segurou. — Deixa eu me explicar. — Não tem o que explicar, me solta e me esquece. — Tirei a mão dele de mim e sai da casa dele sem falar mais nada.
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