Enri Albartelli
Mas um dia cheio, finalmente Assis parou em minha sala, já a nova assistente de Simone, suspeitei que deveria ser louca ou corajosa ao extremo. — Ariadne pega o contrato Martinez na minha sala. — Assentiu pela sexta vez a tarde, continuei a ler sério. —Se você quiser eu posso pegar, Ania? — Olhei para Assis vagamente por cima do ombro, ele esta com saudade de ser assistente da minha advogada? A garota sorriu negando.
Linda, traços finos, apesar do batom rosé nos lábios, são desenhados, perfeitos. Seu sorriso é meigo. — Não tudo bem, Assis, deseja algo? — Ele sorriu todo animado como doce de leite derramando ao pote. — Eu vou com... — Começou a dizer lhe seguindo, continuei a ler. — Talvez seja necessário outro assistente Simone. — Sorriu a minha frente. — Julga que ela não dê conta? Esta a quatros horas, ainda não tenho o que reclamar, os erros são cometidos normalmente no primeiro dia, e até agora nenhum que eu tenha visto.
Lhe olhei rapidamente, esmiuçando um dedo ao outro enquanto fala. — Essas contenções que são citadas servem para? — Perguntei vindo até mim, sentou a meu lado, lendo a claúsula junto a mim deslizei o dedo pela linha. — Sim, irei aproveitar a nova assistente para corrigir estes erros ortográficos, o antigo estágiario, era péssimo em ortográfia. — Lamentei, continuamos a ler, com ela conferindo a escrita desta vez.
— Ah sim, ela é maravilhosa. — Ouvi a sua voz ao chegar a sala, com dois arquivos nas mãos, aproximou-se dando a Simone, olhei o seu corpo discretamente, uma visão desta não seria . — Ariadne quero que você revise este contrato, esta cheio de erros do antigo assistente, incompetente. — Pegou o bloquinho anotando o nome do contrato. — Sim doutora. — Anoitecia ao lado
de fora, fazendo os raios do vidros espelhado desaparecer dentro da minha sala, submergindo a escuridão .
Fiquei algumas horas após a saída de Simone e a sua assistente, agora entendo porque todos correm, fogem, e como a garota é novata, não demorará fazer o mesmo, marcava pouco para as vinte e duas, peguei o meu blazer, arrastei a cadeira até a mesa, sai da sala com as chaves nas mãos. — Boa noite senhor Enri, posso? — Assenti ao guarda que perguntou das luzes do meu andar.
— Sim claro, a essa hora acredito que todos já sairam. — Sorriu ao me ouvir. — O terceiro andar ainda tem gente, hoje o senhor não foi o último. — Ergui as sobrancelhas, Simone até a esta hora? Isaac certamente não esta na cidade, decidir passar por ela. — Boa noite amigão, bom trabalho. — Afirmou ao me ouvir, entrei no elevador, indo diretamente ao terceiro andar, não entendo porque o andar do direito fica aqui, economizaria tempo pra mim, se ficasse no meu andar.
Tempo demais indo e vindo da minha sala pra o andar de Simone, certo que tem arquivos, contratos da empresa, cheguei ao terceiro andar, seguir para a sua sala. — Isac não esta... — Parei ao não lhe ver na sala, e sim a sua assistente, sentada no computador, uma pilha de arquivos enquanto ela lia alto, conferia sozinha. — Fazendo horas extras pra agradar a superior? — Desviou o rosto da tela, ao me ver, levantou em seguida.
— Senhor... senhor Enri Albartelli. — As mãos subiram a camisa desaboatoada, tentou ajeitar os cabelos soltos, continuei parado na porta lhe olhando, pisquei duas vezes ao lhe ver atordaoda. — Nós conhecemos? — Engoliu em seco após fechar a blusa. — Ah? — Negou repetidamente, o que me fez suspeitar que seria mentira, fechei a porta atrás de mim. — Porque me parece que esta mentindo?
Sentou ao me ver caminhar. — Não, o senhor deve conhecer muitas pessoas, mulheres em geral, eu tenho um rosto muito... — Aproximei da mesa, o perfume doce, floral ergui a sobrancelha vendo seus olhos nervosamente oscilar da tela para mim, num processo contínuo. — Já ficamos? — Negou sem me olhar. — Não, senhor, certamente estar me confundindo com alguém. — Disse mais uma vez, segurei o seu queixo pra me olhar.
Desci os olhos ao seu crachá, um dos botões fora m*l fechado. — Ania Guerra, estagiária de direito — Sorriu fraco ao me ouvir. — Sim senhor. — Olhei em seus olhos novamente, negros, intensos e cansados. — O que faz aqui a esta hora? — Umedeceu os lábios, para responder, me fazendo desejar a partilha da sua boca, o sabor dos seus lábios. — Quero terminar este contrato hoje ainda. — Andei em direção ao seu lado da mesa.
Vi o contrato na tela, o cursor batendo na palavra capital, seu perfume doce misturado ao seu suor, ainda assim não era r**m. — Mas este contrato ainda é pra semana que vem. — Olhou-me com olhos oblíquos, abriu a boca indecisa, por fim sorriu, seus olhos doces, femininos, me seduziram dando a sensação de que mergulharia neles algum dia. Até virar a cabeça novamente para a tela, sorrindo. — Não tenho o que fazer em casa agora, se for pra casa irei... — Engoli em seco com as suas palavras.
— Podemos sair juntos, aproveitar a noite. — Virou-se me olhando mais uma vez. — Senhor Enri, o senhor com uma estagiária não faria bem a sua imagem. — Sorri eu, desta vez, um fora de uma estagiária? — Além disso estou num período importante na empresa, a minha superior me pediu para alterar conforme a sua orientação, ela precisa disto para me avaliar como estou. — Assenti vendo que tem razão.
Apesar de mostrar ser algo da sua área a medida que escrevia corrigindo as palavras. — Tudo bem, por que eu tenho a sensação de que lhe conheço? — Passou a mão no cabelo, creio que por hábito, mas estando preso novamente, parou. — São muitas pessoas que o senhor ver no dia-a-dia, e o meu rosto é comum. — Definitivamente não é, mas não insistir, peguei o meu casaco em seguida. Não insisto com mulheres, além de novatas quererem usar alguma aproximação para mostrar-se superior as demais.
— Boa noite! — Fechei a porta ao sair, cheguei ao estacionamento vendo apenas um carro vermelho, franzi o cenho ao olha-lo, caminhei para o meu, no caminho Elton ligou. — Fala miseravão tá onde? — Sorri com o nome que me chamou. — O que? — Perguntei rindo. — Miserê, lascador é assim que o pessoal da construção fala. — Ri ainda mais alto. — Já disse pra parar de andar com essas pessoas.
— Elton você viu a minha bolsa? — A voz de mulher veio ao fundo. — Novidade? Carne nova Elton? Pensei que ia se casar com a arquiteta? — Parece que estava falando sozinho, eles falavam ao fundo — Nada, é ela mesmo, estamos indo ao cinema, a bebê dela não voltou pra casa. — Lamentei, parece que a loira tem uma filha. — Se já chegou a este nível aí amigão, se prepara que pra sair vai dá problema.
A mulher cochichava ao lado algo do tipo, vinha vozes ao telefone. — Vai nada, a gente é parceiro, tá na empresa? — Olhei pra a rodovia o destino era casa, cama, banho, não sei se nesta ordem, mas sim chegaria em casa e faria tudo isto. — Acabei de sair, o que houve? Nem pense em mim chamar pra cinema não vou segurar vela.
— Não mesmo, apesar que me deve umas boas seguradas, mas sabe da assistente da Simone? — Carros passaram buzinando parecia haver um engarrafamento a frente. — Sim, uma baixinha a Simone parece ter amado seu novo brinquedo, até bonitinha. — Riram ao fundo, notei que a sua namorada estava escutando desde os cochichos. — Ela vai se ferrar desta vez. — A mulher comentou alto, me fazendo erguer a sobrancelha. — Sabe se ela esta na empresa ainda? Estamos ligando só dá caixa, a Indi esta preocupada.
— Ah sim, esta, pelo visto não vai sair tão cedo. — Lamentaram ao fundo. — Vou passar por lá, Elton, se deixar ela vai dormir. — A mulher falou alto.
— Indinara a gente esta indo pra o cinema, é contra mão, ir a empresa a essa hora. — Como se eu não existisse mais na chamada ele responde, de compromisso e tudo pra o cinema, me fez ri.
— Cara, ela vai ficar lá, vai voltar sabe se lá Deus que horas? — A voz da mulher veio preocupada. — Quando voltarmos, a gente passa lá, então, já resevei os ingressos, se formos pra outra via agora... — Suspirei fundo ouvindo as suas explicações pra ela, que não queria nem saber. — ... espera Indinara, Enri cara tá longe da empresa? — Olhei para o celular vendo que me darei muito m*l nisto. — Quilometros.
— Eu posso falar com ele pra ir, Indi. — A discurssão voltou. — Tá e o que ele vai fazer? Comer a minha amiga, Elton? Se toca, ela nem deve ter comido nada ainda, aquela bruxa...— Abri os olhos notando a confusão, a voz da mulher parecia irritada. — Ele pode falar com ela, ligar pra você, estamos indo pra o cinema, a dias que estamos marcando isto....
— Então tá, ver com ele, mas nem pense em tocar nela. — Revirei os olhos, quando me tornei um estuprador de mulheres,este tipo maniaco? — Enri tem como voltar lá, e falar com ela pra ligar pra que possa deixar Indinara despreocupada? — Umedeci meus lábios, se fosse pela primeira vez que fosse comer a loira, até tinha explicação, mas já esta no couro a dias. — p***a cara, tô exausto.
— Por favor Enri, quebra este galho. — Não pediu, suplicou, me fazendo amolecer. — Me deve uma Elton — Sorriu ao fundo. — Ele vai? — Não veio resposta, fiz a curva vendo um engarrafamento a frente, ir e voltar acredito que acabou, segui novamente pra a empresa, não tem telefone nesta p***a? Parei na porta, sem entrar no estacionamento. — Senhor Enri esqueceu algo? — Neguei saindo do carro.
— A moça ainda esta no terceiro andar? — Assentiu, corri pela recepção parada, vazia, sem telefones tocando, sem saltos, vozes, barulhos, subi até o terceiro andar, ao parar lhe vi de pé no meio do salão com a pasta nas mãos lendo para si mesma em voz alta. — Bonitinho o seu amor pela advocacia, mas isso não precisa ocupar meu tempo. — Virou-se ao me ouvir. — Ah? — Indagou.
Peguei o meu celular liguei para Elton, em dois toques fora atendida. — Enri? — Passei para a mulher de cabelos presos, blusa meio aberta. — A Indinara? Porque esta...ah deve estar descarregado, cinema? Morrer aqui como assim louca? — Saiu andando numa calça social azul, salto preto, entrou na sala, lhe segui, meu celular esta com ela. — Não, só estou lendo um contrato, não deveria? Como não?
Parei lhe vendo olhando o seu celular nas mãos, tela apagada, deixou suspirando. — Estou indo, já terminei, não te esperarei neste caso, se divirta, obrigado Elton. — Desligou a minha frente, virou-se me olhando pegando a bolsa vestindo o blazer também azul. — Obrigado senhor Enri. — Sorriu ao dizer, caminhou me entregando o celular, estando na porta apenas lhe olhei, continuou a dar-me o aparelho. — Senhor Enri.
Olhei em seus olhos nefastos, aproximei meu corpo ao seu num gesto incosciente, senti o calor do seu rosto, a sua respiração lenta, não era estranho pra mim o percurso até a sua boca, chupei o seu lábio inferior, olhando em seus olhos, amassiei minha mão em sua coxa aprofundando o beijo quente, molhado. — Senhor .. Enri? — Continuei o meu beijo, até se afastar de mim. — O que esta fazendo? — Perguntou-me, cocei a cabeça, sem entender, apenas queria mais. — Deveria me dizer que era amiga da arquiteta, Ania Guerra.
Lamentou a minha frente. — Nós não ficamos, Senhor, foi apenas um erro. — Se explicou a mim que caminhei em sua direção, sedento, beijei a sua boca mais uma vez, me deliciei em seus lábios, até encontrar em sua lingua, usufruir dela como minha morada, apertei-lhe e envolvi com o meu braço lhe trazendo pra mim tendo certeza que é um erro bem peculiar.
Ofegou em minha boca, sem fôlego, mordeu o lábio inferior com a cabeça apoiada a minha. — Se... — Neguei, louco pra continuar, atropelei seu anseio, e mais uma vez tive mais da sua boca para mim, apenas me empurrou saiu corredo parando o beijo de vez, eu ofeguei em desejo, em calor, lhe vi entrar no elevador com pressa, as veias em meus braços pareciam querer explodir.