capítulo 08

929 Palavras
— Gente, eu… – Minha voz morrer, antes que conseguisse continuar. — Ai meu Deus, fala logo Aly, aconteceu alguma coisa não foi? Depois do exame você ficou estranha, diga logo, deu alguma alteração no exame? – Inquiriu minha mãe, já com preocupação evidente. — Você fez exame hoje também foi? Não era só você, Maria? – Perguntou o meu pai, querendo uma resposta da minha mãe. — É, eu aproveitei e mandei ela fazer logo… – Minha mãe foi interrompida, antes de terminar a sua explicação. — EU TÕ GRÁVIDA. – Gritei praticamente, sem me dar conta, com a cabeça baixa, o nó na minha garganta me impedindo de conseguir falar. Ao olhar para cima, os meus pais encaravam-me como se tivesse surgido uma segunda cabeça no meu pescoço. Depois de alguns segundos num silêncio ensurdecedor, foi minha mãe que disse: — Isso é brincadeira que se faça? Eu já estava achando que tinha acontecido alguma coisa de verdade, o para aqui, estou tremendo. – Disse mostrando as mãos. — Quer matar a sua mãe, filha, não sabe que ela é cardíaca? – Falou, fazendo piada com algo que a minha mãe sempre diz quando fazemos algo que ela não gosta, alegando que a gente vai matar ela do coração por ser cardíaca. Eu tento respirar, gritando em minha mente que esse era o estágio inicial, o susto e raiva e desgosto, até mesmo a irá era natural, mas iria passar, tentei me convencer disso, enquanto dizia: — Não é brincadeira, eu não sei como aconteceu, eu juro, eu não sei, foi um susto, quando cheguei lá e o médico disse que eu estava esperando dois bebês, mas eu não estive com ninguém, pai eu juro, por favor, por tudo que mais sagrado, acredita em mim, eu juro... – Implorei, e logo fui engolida pelo choro preso na garganta. Nem me lembro da última vez em que chorei, mas agora, nesse momento, parece que nesse momento, anos de reprimidas, resolveram emergir. — O que quer dizer, Aly? Quer dizer que tá grávida de verdade? Quer dizer que vai ter um filho, feito sem o casamento? – Perguntou o meu pai. O seu olhar perdido, só me dizia que ele estava em luta para acreditar. — Pai… – Fui interrompida antes que eu pudesse terminar a minha explicação — Pai é o cassete, você parou de congregar por isso, não foi? – Perguntou meu pai. — Claro que não, pai. – Falei em meio ao choro. — Não foi o que rapaz, tá achando que sou i****a? Está vendo Maria? Eu te disse que ela tinha alguma coisa, como uma pessoa se batiza e deixa de ir para igreja? Você colocou homem dentro da minha casa, Alysson? Fale a verdade. – Ordenou o meu pai. — Pelo amor de Deus, pai, eu não fiz nada disso. Eu. Não. Sei. Como. ACONTECEU. – Falei pausadamente pelos soluços e raiva diante das acusações. — Não sabe como aconteceu? Não sabe como se faz filho, Alysson? - O rosto do meu pai era uma completa escuridão. — Você é uma vagabunda promiscua. Eu criei uma serpente, e agora ela está dando o bote. – Disse ele. Eu não consegui dizer nada, não conseguia, todo o meu corpo parecia estático, então ele continuou. — Enviada do m*l para perdição da minha casa, é o que você é... Mas aqui você não fica. – Disse vindo na minha direção. E antes que eu pudesse me dar conta, algo grande pousou no meu rosto, fazendo a minha cabeça colidir com a quina da parede. — Magnos! – Minha mãe gritou, finalmente saindo do transe em que estava desde que ouviu a minha notícia. Coloquei a mão na cabeça para ver algo quente que descia pelo meu rosto, p**a merda, eu quebrei a cabeça. Ele quebrou a minha cabeça. Antes que tivesse tempo de me recuperar do baque, outro tapa veio até o meu rosto, do mesmo lado do primeiro, a minha cabeça já estava querendo colapsar diante a tontura do primeiro baque. E então, vieram os gritos e súplicas da minha mãe para que o meu pai parasse, mas ele não a ouviu, enquanto gritava “Você vai padecer sozinha com essa b***a na sua barriga, aqui não vai colocar a semente do m*l”, a minha cabeça rodava, mas ainda o ouvia falar, lutando para manter os meus olhos abertos. E ele continuou gritar a todo pulmões. — Pedra de tropeço, gerada em minha casa, aqui não. – Gritou, me arrastando corredor a fora, para porta da rua. — Morra com as suas escolhas, por aqui não cabe você, a palavra é clara, pela "palavra se expurga a iniquidade", e você não deu ouvidos a palavra, você é o m*l que habitava a minha casa. Fora! – Disse, me jogando no meio da rua. Toda a vizinhança, essa altura já estavam nas suas portas, vendo e ouvindo atentamente o que meu pai dizia, sobre a sua filha “inteligente”, “arrogante” e agora “promíscua e semente do m*l”. Ele jogou-me no meio da rua, o que fez com que ouvisse um estalo de osso quebrando, e pude sentir que pelo menos três dedos da minha mão direita havia se quebrado, os meus joelhos pareciam estar em brasas pelos cortes que se abriram devido os cacos jogados na rua pela reforma na casa do vizinho ao lado. Em meio à dor gritante do meu corpo, ainda consegui ouvir a minha amiga, gritando pelo meu nome, e então, desmaiei.
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