POV Alysson G.
Chegar em casa, fez minha mente dar um nó, só consigo sentir que estou prestes a me afogar num mar denso e sem chance de ser resgatada. Sempre pensei que talvez tudo que acontece em minha vida, fosse por um motivo, tinha que ter, não era possível que não tivesse. Era sob meu olhar que as coisas aconteciam, tipo o filme O doador de memórias, mas aqui, era eu quem estava vendo tudo passar diante dos meus olhos, mas ainda assim, não tinha controle de absolutamente nada, nem mesmo de minha própria vida.
Apesar de me sentir na necessidade de estar no controle, já perdi o controle há muito tempo, o que me faz pensar, se de fato um dia o tive.
Agora, enquanto a água fria do chuveiro escorre pelo meu corpo, me pego segurando minha barriga, meu Deus, como vou fazer?
Como eu poderei ter essas crianças nas circunstâncias em que minha vida se encontra?
E acima de tudo, como, como meu Deus, eles vieram parar aqui?
Nenhuma resposta.
Pensando bem, agora faz sentido minha menstruação não ter descido, mesmo tendo tomado tanto chá que sempre me ajudou a fazer descer, pera, p**a merda, e se isso prejudicou os bebês? E se eles estiverem com risco de má formação por ter tomado a merda dos chás para menstruar? E se eu abortar por isso? Merda, merda, merda.
Deus perdoa ai, tomei pela ignorância, eu não sabia.
Não é assim que os mais velhos falam? Que o senhor perdoa pela inocência?
Respira Alysson, não esquece de respirar, p***a.
Ouço minha mãe me chamar, me fazendo sair do meu devaneio.
— Aly, vou no mercadinho. – Gritou ela.
— Viu. – Respondi.
— Quer alguma coisa? Fala logo. – Perguntou ela.
— Não, tô de boa. – Falei, já pensando que de agora em diante, terei que precisar para mim mesmo o menos possível deles.
— Quando o seu pai chegar, diz que peguei o negócio, e estou no mercadinho. – Recomendou.
— Ele já sabe o que é né? – Perguntei.
— hurum. – Ruiu como resposta.
— Beleza! – Foi minha resposta.
Não consegui almoçar nesse dia, tudo que conseguia pensar era em como iria contar isso para eles. A ansiedade estava me matando, eu sei que teria que contar, mas com essa situação de minha mãe, não consigo deixar de pensar no que pode acontecer com ela, e se ela passar m*l? E se com isso ela tiver um ataque do coração? Ela tinha insuficiência cardíaca antes de tudo, e ela pode morrer por minha causa.
Seria o suficiente para justificar o meu pai me matar, por que sim, com certeza ele vai surtar quando souber, ele vai querer saber quem é o pai, e de formal alguma vai acreditar que eu não transei com ninguém, p**a que pariu quem acreditaria?
Meu Deus, e se ele me por para fora de casa?
Não, Alysson, você está surtando, respira, lembra-se de respirar.
Conforme o dia foi se passando, fui refletindo minhas opções, se eu deixasse para o dia seguinte, seria sábado, meu irmão estaria aqui com sua esposa, já que ele é segurança de banco e mora em outra cidade, mas acredito que seria pior, porque de forma alguma, sob essas circunstâncias ele acreditaria em mim, nem tão pouco me defenderia com nosso pai, não pude deixar de pensar que se meu irmão do meio estivesse aqui, mesmo querendo saber quem é o pai, ele não me crucificaria, o que é engraçado, por ele e eu tivemos os nossos desentendimentos por um tempo atrás, e ele é bem mais fechado que meu irmão caçula e eu, ele tem a história dele, mas ainda assim, sei que ele mesmo não acreditando que não me deitei com ninguém, ele ainda ficaria ao meu lado.
Mas cá estou eu, sozinha, e tenho certeza que é melhor não atender essa opção de esperar para amanhã, vou falar com eles hoje a noite durante o jantar, vou falar e tentar explicar, se é que é possível explicar isso.
Pronto, este decidido, falarei no jantar. Meu Deus me ajuda.