Capítulo 15

2006 Palavras
— Acho que não dá para ficar perto de você sem querer te beijar — avisou, deixando vários selinhos nos meus lábios. — Por que demorou tanto então? — argumentei, mesmo conhecendo seus reais motivos. Eu só queria provocar mesmo. — Você acha que foi fácil? — perguntou, surpreso. — Mari, eu quis te beijar tantas vezes que perdi até às contas. Você ainda ficou me provocando no dia que jantamos juntos. — Abri um sorriso, lembrando do efeito que o vinho causou em mim. Aflorando minha atração pelo Vinícius, além de me deixar completamente desinibida. — Pensei que era imune ao meu charme na ocasião, te provoquei e você demorou para me dar uma moral — objetei, me divertindo. — Nunca fui imune, não percebeu quando eu disse o que me afetava lá no começo? — devolveu, entrando no clima. — Você não sai da minha cabeça, desde que fez o favor de cair no meu colo, literalmente. Duas vezes. Dei risada. — Ouvi você falando ao Luan que se gostasse de mim, teria de me dizer pessoalmente — informei, assumindo que ouvi a conversa. — Depois falou que éramos apenas amigos. — Eu não queria te assustar e também tive receio de estragar tudo. Queria confessar meus sentimentos somente quando soubesse toda a verdade sobre mim — apontou — Aliás, a sobremesa que eu comprei pra você no dia em que jantamos juntos estragou. Porque eu perdi o gosto de comer sozinho. — Eu adoraria remarcar para quando estiver livre — insinuei, esperando que dessa vez o encontro terminasse com nós dois de preferência na cama. — Dessa vez na minha casa de verdade? — gracejou com um sorrisinho sapeca. Concordei com a cabeça. — Ops! — Ouvi a voz da Sabrina, em seguida seus passos retornando de onde ela veio. Vinícius riu outra vez. — Acho melhor você ir se trocar. — Coçou a nuca, parecendo ligeiramente constrangido. — Vem comigo? — Chamei, tentando não demonstrar minhas segundas intenções. — Não é melhor eu esperar aqui embaixo? — desconversou com timidez. — Vou me trocar rapidinho no banheiro — garanti, com toda a inocência que me cabia. Vinícius coçou o queixo. — Certo, você manda e eu apenas obedeço — brincou divertido. Subimos as escadas de mãos dadas. Como eu já tinha separado o que usaria — um vestido salmão — apenas peguei a peça e me enfiei no banheiro. Meu quarto era pequeno, mas confortável para mim, havia uma estante de livros modesta ao lado da minha cama, uma escrivaninha, o guarda-roupa e um tapete felpudo lilás no chão, junto com um puff de leitura em um tom de roxo escuro, parecido com o que tinha na livraria. Só menos chique e macio. — Como estão as coisas? — perguntei, com a voz abafada devido a porta do banheiro trancada. — Indo, a reunião com o advogado foi produtiva. Se tudo der certo, vou conseguir revogar a procuração do meu primo e provar que ele está desviando dinheiro do lucro da livraria — explicou e ouvi um rangido sutil da minha cama. Ele provavelmente estava sentando. — Fico feliz em saber — falei, saindo do banheiro — E como está sua mãe com tudo isso? — Bom — hesitou, se ajeitando na cama com todo seu tamanho — Ela se sente culpada por não ter impedido, infelizmente não estive presente quando minha mãe precisou. Então meio que a culpa é minha por ela ter tido que lidar com o luto sozinha a ponto de se sentir sobrecarregada — refletiu, com um olhar pesaroso. — Sinto muito — respondi, me aproximando dele na cama. — Deve ter sido difícil para ela perder o esposo. — Foi, talvez se eu estivesse mais presente ou tivesse sido mais responsável... — Você também passou pelo luto, não pode se cobrar tanto — aleguei, rodeando seu pescoço com os braços. Vinícius segurou minha cintura com ambas as mãos, tombando a cabeça no meu peito. Aproveitei para afagar seus cabelos. — Você aguentou sozinha e conseguiu ser forte pelo seu irmão — respondeu, pegando-me de surpresa por ele ter tocado no assunto que eu ensaiava mencionar — Desculpe, o Luan me contou tudo. — Eu sei e quero te agradecer por ter nos ajudado, mesmo quando já tem tantos problemas nas suas mãos — esbocei um sorriso de gratidão. — Também sei que foi você quem mexeu os pauzinhos para finalmente eu receber a indenização da fábrica. Deu certo, aliás, eu queria te contar em um momento oportuno. Mas te beijar parecia mais urgente — assinalei, arrancando um sorriso aliviado do Vinícius. — Pensei que fosse ficar chateada por eu ter me envolvido, pedi ao Luan que não te contasse nada — explicou, mordendo o lábio em um gesto hesitante. — Jamais ficaria chateada por isso, você precisa me dar o benefício da dúvida. — Fiz uma careta. Vinícius intensificou o aperto em minha cintura. — Eu só quero o melhor pra vocês — declarou, sua voz soando mais baixa que o normal. — Farei o que estiver ao meu alcance para vê-los bem. — Você não existe — respondi, derretida. — Obrigada por tudo e me desculpe se eu fui muito cabeça dura quando descobri a verdade sobre você. — Tudo bem, eu tenho minha parcela de culpa — rebateu, humilde. — Não quero mais te afastar de mim — acrescentei, suspirando. — Porque eu gosto de você, Vinícius. — Também gosto de você, Mari — afirmou. — Gosto muito. Não consegui evitar o sorriso que brotou nos meus lábios e a sensação de calor que invadiu meu peito. Vinícius me puxou abruptamente e eu caí sentada de lado em seu colo. Ele envolveu minha cintura, prendendo meus cabelos entre os dedos quando subiu uma das mãos para a minha nuca. — Senti saudades — sussurrei, sem me importar em parecer piegas. — Eu também senti — retribuiu, aproximando seus lábios dos meus. O beijo dessa vez começou de um jeito mais urgente. Demonstrando que ambos já sabíamos o que estávamos fazendo e o quanto desejávamos um ao outro. Eu o queria e Vinícius me queria. Me movimentei com agilidade, meu vestido não era tão longo e acabou subindo um pouco, expondo minhas coxas quando fiquei de frente para ele. Com as pernas uma em cada lado de seu corpo. Vinícius soltou um ofego baixo quando voltei a beijá-lo nessa posição. O som fez os pelos da minha nuca arrepiarem, aproveitei para embrenhar meus dedos em seus cabelos. Vinícius correspondeu suspirando nos meus lábios, enquanto suas mãos percorriam gentilmente minhas costas. Até pararem estrategicamente no meu quadril, como se ele estivesse com medo de me tocar em outros lugares. Fiz um movimento em seu colo apenas para me ajeitar, porque não queria escorregar e cair de b***a no chão. Contudo, talvez com o gesto eu tenha ascendido algo nele sem querer, pois Vinícius soltou um gemido baixo rente a minha boca. O som rouco e profundo me desestabilizou totalmente. Enviando uma carga elétrica pela minha espinha, principalmente quando suas mãos foram parar nas minhas coxas desnudas. Onde ele apertou sem modéstia, antes de voltar a me beijar. Talvez eu também tenha soltado um gemido ao sentir Vinícius me puxando para si. Como se quisesse diminuir ainda mais a distância existente entre nossos corpos. Senti algo rígido embaixo de mim e ao constatar o que era, perdi o restinho de autocontrole que ainda me restava. Eu só sentia o Vinícius, só queria ele. — Mari — sussurrou sofregamente — Acho melhor pararmos por aqui, já está ficando meio complicado pra mim. — Pra mim também — assumi um pouco ofegante. Deslizei as mãos pelo rosto do Vinícius, sentindo sua barba por fazer pinicar a minha pele. Olhei bem dentro de seus olhos e ele devolveu colando sua testa à minha. Respirando fundo, Vinícius fechou os olhos por alguns instantes. Ele afrouxou o aperto em torno de mim, enquanto aparentemente procurava se acalmar. Assim como eu. — Vou precisar de um coração mais forte quando você aceitar ser minha namorada — gracejou, voltando a olhar nos meus olhos. Suas pupilas, antes dilatadas, voltavam ao normal pouco a pouco e seu sorriso radiante fez meu peito doer. — Namorada? — repeti, entrando em choque. — Você pretende continuar me enrolando depois de tudo o que passamos para ficarmos juntos? — provocou, erguendo uma sobrancelha escura sedutoramente. — Se continuar me olhando desse jeito eu vou voltar a te agarrar — ameacei, para ver se brincando aquela quentura toda no meu corpo diminuia. Não diminuiu. — Você me deixa louco — declarou, mordendo o lábio. — Não estava preparado para isso. Preciso de mais autocontrole pra poder ficar perto de você. — Não quero que tenha mais autocontrole, Vinícius. Na verdade, prefiro que tenha menos — disparei confiante — Quero te sentir, te tocar... Quero que faça o mesmo comigo. — Mari, eu não sou de ferro — respondeu, envergonhado. — Não vou conseguir ficar com você desse jeito sem desejar ultrapassar alguns limites. Já foi muito difícil ficar do seu lado todo esse tempo fingindo que era indiferente. — Vinícius. — Chamei seu nome, espalmando seu rosto entre minhas mãos. — Qual parte do: não quero que tenha limites comigo. Você não entendeu? Ele fechou os olhos, como se absorvesse aquelas palavras. — Você vai me matar — soltou, pegando uma das minhas mãos e colocando sobre seu coração. — Sente? Eu só tenho vinte e quatro, um infarto nessa idade é fatal. Soltei uma gargalhada, mas sentir o seu coração batendo acelerado na minha palma me deixou totalmente rendida. — Como pode fazer piada quando estou abrindo meu coração? — Dei um soquinho fraco em seu peito rígido com a mão livre, só para disfarçar o formigamento que senti em todo meu corpo. Meu coração parecia um cavalo de corrida a essa altura do campeonato. — Se eu não levar na brincadeira o que me disse agora pouco, vou acabar te jogando na cama e sabe se lá o que pode acontecer — avisou, seu tom soando como um alerta. Senti outro arrepio na espinha e borboletas começaram a dançar ragatanga no meu estômago. — Eu quero fazer muitas coisas com você, mas te matar não é uma delas — respondi, esperando que ele captasse a informação. — E se quiser me jogar na cama também, não farei objeção. Vinícius mordeu o lábio inferior outra vez, fechando os olhos no processo. Sua respiração parecia meio irregular, em seguida ele deu dois tapinhas no meu quadril. Em um gesto mudo para eu me levantar. — Mari, sai desse quarto, por favor — pediu, seu tom soando urgente e apreensivo. Até me sobressaltei. — Você não está colaborando comigo. — Ah, é isso? Que susto! — exclamei alarmada, colocando a mão no coração. Comecei a ouvir vozes na sala, indicando que Paloma já tinha chegado e entendi que precisava me controlar. Infelizmente, não poderia arrancar a roupa do Vinícius agora mesmo como eu gostaria de fazer. — É — confirmou com os olhos estreitos. — Acho melhor deixarmos a conversa pra depois, né? — informei, indicando a porta. — Vamos? Ele riu. Foi uma risada meio sarcástica e saiu completamente rouca. — Preciso de um tempo sozinho para organizar os pensamentos — argumentou, desviando os olhos de mim. Ele parecia ter mergulhado num grau de constrangimento gigantesco, então coçou a nuca. Minha ficha caiu, fazendo meu rosto esquentar. Não ousei olhar para o colo do Vinícius, onde, aliás, eu estava sentada há apenas alguns segundos. Mesmo assim ele pegou um dos meus travesseiros e colocou ali. Eu não era nenhuma puritana, mas também não era assim tão desconstruída. Fiquei cada vez mais envergonhada com a minha descarga de ousadia anterior, sem saber o que dizer. — Então... é... hã... te encontro lá embaixo, tá? — Corri porta afora, pensando que Vinícius despertava um lado meu que estava bastante adormecido nas profundezas, somente esperando emergir à superfície. Mas quem poderia me julgar?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR