Cumprimentei animadamente Paloma, ignorando o sorrisinho travesso da Sabrina em direção a mim. Não demorou tanto para Vinícius também descer as escadas, parecendo desconfiado e ainda constrangido.
Era tão encantador.
Um homem daquele tamanho envergonhado porque demos uns beijinhos mais quentes? Como resistir!
Ele olhou para mim e desviou o olhar, inflando as bochechas como uma criança de oito anos. Não aguentei e também dei uma risadinha.
— Desculpe não ter falado nada sobre o Vinícius, enfim, ele deve ter explicado, né?! — Paloma sorriu meio sem graça.
— É, explicou. — Encarei Vinícius ao fingir ainda estar brava.
— Que bom — afirmou. — Também quero agradecer o convite — proferiu educadamente, acho que temendo o fato de eu realmente continuar brava.
— Não por isso — respondi, abrindo um sorriso sincero para não deixar dúvidas de que estava tudo bem.
Sabrina foi até ela e deixou um selinho em sua boca.
— Posso ajudar em alguma coisa? — Paloma perguntou, parecendo um pouco deslocada.
— Está tudo organizado já, não se preocupe. Você é nossa convidada — devolvi, fazendo meu papel de anfitriã.
Acredito que por não termos muita i********e, ambas estávamos reticentes. Sempre fomos colegas de trabalho e Paloma era a supervisora. Então precisava ser mais séria e centrada, apesar de eu achar que essas características tinham mais a ver com sua personalidade e não com o cargo que ocupava.
Vinícius caminhou até ela e apertou sua mão.
— Como você está, Paloma? — indagou, cordialmente.
— Estou bem e você, senhor Vinícius? — respondeu, provocando nele uma careta de desaprovação.
— Senhor não, por favor — repreendeu, dando um sorriso de lado. — Só Vinícius e eu estou bem, obrigado.
Paloma concordou com um menear de cabeça.
Enquanto Sabrina parecia eufórica, a personalidade dela era bem mais expansiva em comparação com a da Paloma. Mais séria, talvez os opostos realmente se atraíssem e quem sabe se completassem. Luan chegou um pouco depois, fazendo barulho e exigindo a atenção do Vinícius. Sabrina e eu fomos finalizar alguns ajustes da mesa, ver se a sobremesa estava gelada. Se nada deu errado sem que percebêssemos, até que ela me abordou antes de começarmos a servir os convidados. Paloma e Vinícius estavam sentados no sofá, não tão confortável da sala, com a TV ligada.
— Obrigada por ter me ajudado com esse jantar de despedida, sei que fez pelo Vinícius também. Mas está sendo muito importante pra mim ter você apoiando nosso relacionamento — declarou baixo.
— Que isso, não foi nada — devolvi de imediato. — Somos amigas, é o mínimo que eu poderia fazer.
Sabrina assentiu.
— Prometo não empatar muito seu lance com o Vinícius, pretendemos aproveitar a noite. Então vocês ficarão sozinhos, quer dizer, com o Luan — acrescentou, pensando no assunto. — Mas como ele está dormindo direto na casa da Vanda, por causa das férias escolares... — Deixou no ar, maliciosa.
Eu ri.
— Cala a boca.
O jantar transcorreu tranquilamente.
Paloma contou que estava ansiosa porque em breve viveria em uma cidade diferente, sozinha e tendo novas responsabilidades. Aliás, em todo o momento eu notava o afeto dela pela Sabrina, elas não se desgrudaram.
— Vocês são namoradas? — Luan perguntou curioso.
Eu não comentei nada com ele antes, porque para mim não fazia sentido se meu irmão perceberia.
— Sim. — Sabrina confirmou.
— Então eu tô sobrando! — Estávamos todos empoleirados na sala, Vinícius ao meu lado. Sabrina e Paloma no sofá menor e Luan jogando videogame no chão. — Vou ficar com a tia Vanda e meus amigos, não quero segurar vela. Você vai estar aqui amanhã, Vini? — perguntou interessado, enquanto desligava o videogame.
— Acho que sim. — Ele confirmou.
— Beleza, então a gente se vê e cuida da minha irmã!
— Fechado. — Vinícius respondeu, fazendo o toquinho de mãos que eles costumavam trocar.
Luan deu um beijo na bochecha da Sabrina, outro na minha e acenou tímido para a Paloma antes de ir embora.
— Seu irmão é uma graça. — Ouvi da Paloma. — Ele parece ser bem carinhoso.
— Só quando quer — afirmei, porque era verdade. — Mas sim, no geral Luan é um ótimo garoto.
Ela meneou a cabeça, assentindo.
— Obrigada pelo jantar, estava tudo maravilhoso — agradeceu, indicando que iria embora. — Preciso colocar algumas coisas em ordem ainda, então acho que já vou indo.
— Espero que faça uma boa viagem — desejei, me levantando.
— Obrigada.
Vinícius também se despediu, Sabrina pegou uma mochila e deu tchau.
— Se cuidem. — Ela olhou sugestivamente para nós dois e ambas se foram, deixando-nos a sós.
— Acho que é melhor eu ir também — comentou, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans.
— Como assim? Você fica!
— Mas eu não quero incomodar.
Revirei os olhos.
— Não vai incomodar, o Luan está dormindo na casa da Vanda porque quer passar mais tempo com os amigos — avisei, tentando soar convincente.
— Tudo bem — concordou vencido. — Eu vim direto pra cá do aeroporto, agora está batendo um cansaço.
— Quer tomar um banho? — propus preocupada com ele.
— Sim, por favor — confirmou, parecendo ainda não estar tão à vontade a sós comigo.
— Alguma coisa está te incomodando? — perguntei, com meu sinal de alerta ativado.
— Não exatamente — coçou a nuca — Quer dizer, talvez. Eu queria pedir desculpas por ter perdido o controle mais cedo com você no quarto. Não pretendia te agarrar daquele jeito.
— Na verdade foi eu quem te agarrou — argumentei, só para deixar claro.
— Mas, bom, eu correspondi facilmente — rebateu, olhando nos meus olhos.
— Tem algum problema? É errado? — perguntei, já entrando na defensiva.
Porque foi meio que igual a quando Vinícius me beijou pela primeira vez e depois voltou atrás.
— Não, claro que não — negou veementemente. — Só não quero que fique desconfortável perto de mim. Ou que, não sei, pense que estou me aproveitando de você. Algo assim — desviou o olhar, movimentando os ombros.
— Vinícius eu também quis, você não fez nada demais — garanti, chegando mais perto. — Não tem porque ficar estranho ou constrangido sempre que a gente se beijar desse jeito. Você ainda tem alguma ressalva em relação a nós? — Aproveitei para saber.
— Não! — exclamou de pronto. — Acho que deixei claro o que eu quero. Você como minha namorada — frisou, parando de frente para mim. — Agora está tudo mais perto de se resolver na minha vida. Pelo menos em partes e mesmo que não estivesse, percebi que não ia conseguir ficar longe de você.
— Quer dizer então que estamos namorando? — perguntei para entender nossa situação.
— Só se você quiser. — Se adiantou. — Eu queria esperar as coisas se ajeitarem completamente para assumir um relacionamento. Não pretendia te envolver na minha bagunça, mas não quero mais adiar a felicidade. Eu gosto de você e não quero correr o risco de te perder. Só preciso que tenha paciência comigo, porque até eu conseguir resolver a questão das livrarias. Não vou poder estar todo o tempo presente aqui — completou, me fazendo respirar aliviada.
— Eu entendo, Vinícius. — Abri um sorriso, envolvendo seu pescoço. — Quero estar com você, mas podemos ir levando até que tudo esteja resolvido. Também tenho coisas a fazer agora que saiu a indenização, preciso encontrar uma casa ou um terreno. Só não precisa se preocupar comigo, eu sei me virar.
— Está vendo, eu quero estar presente na sua vida. Mas não sei se vou conseguir, pelo menos não como antes. Vamos ter que namorar à distância por um tempo e eu vou morrer de saudades — alegou, pousando as mãos em minha cintura.
Contudo, mantendo uma certa distância de mim.
— Tudo vai se ajeitar — deitei em seu peito. — Mas, sabe, confesso que gostaria de passar as festas de final de ano com você.
Vinícius inverteu a posição e me envolveu em seus braços.
Apoiando o queixo no meu ombro.
— Podemos fazer isso, ainda falta um pouco mais de um mês — refletiu, beijando minha cabeça. — Pode não ser aqui. Você e o Luan poderiam viajar comigo e passar alguns dias no Ceará. O que você acha?
— Viajar? — indaguei surpresa.
— Sim, você não quer? Sei que está trabalhando já, mas não teria como tirar alguns dias de recesso? — questionou, me fazendo refletir sobre a ideia. — Você merece descansar um pouco.
— Nunca viajei de avião — contei temerosa.
Ele riu.
— É mais seguro do que andar de carro.
— Ahan — desdenhei incrédula.
— Quero ficar um tempo com você longe de problemas — começou, ganhando minha atenção — Vou tentar não trabalhar tanto se viajar comigo. Eu deixei a Sabrina e o Arthur cuidando da livraria daqui e a Paloma me dando uma força com o meu primo, então posso ser todo seu.
— Olha que se me prometer, eu vou cobrar, hein!
Ele suspirou.
— Minha vida está toda enrolada, você tem certeza que quer ficar comigo, Mari? — perguntou, como se não fizesse sentido.
— Vinícius, você é maravilhoso. Por que eu não iria querer? Já deixei claro que gosto de você. Tudo bem ter problemas, eu tinha vários e ainda tenho. — Toquei seu rosto. — Pode relaxar, não precisa se preocupar com tudo. Você está parecendo eu!
Ele deu risada.
— Tem razão — concordou, tornando a encostar a testa na minha. — É que não quero falhar com você outra vez. Ao mesmo tempo, também não quero que saia da minha vida.
— Eu não vou sair — afirmei em definitivo, vislumbrando Vinícius se inclinar para mim e voltar a me beijar.
— Como me encantou desse jeito? — perguntou hipoteticamente. — Só consegui pensar em você quando estive longe. Quase morri de saudade quando ficamos sem nos ver. O tempo que passamos juntos antes da nossa discussão foi muito importante pra mim. Fico feliz e aliviado de ter conseguido que me perdoasse — concluiu, soltando um suspiro baixo.
— Sinto o mesmo — confessei, intercalando com selinhos em seus lábios. — Acho melhor você ir tomar banho agora, se não quiser que eu volte a te agarrar exatamente como fiz no quarto.
Vinícius mordeu o lábio, olhando para a minha boca.
— Se ficar me provocando qualquer dia eu vou acabar cedendo — ameaçou, como se eu não desejasse exatamente que isso acontecesse.
— Tomara! — pirracei, ele riu. — Vem.
Vinícius seguiu atrás de mim, entreguei a ele uma toalha limpa e uma camiseta do meu pai. Talvez uma das últimas que sobraram comigo, pois o restante eu doei.
— Obrigado.
— Vou tomar banho no outro banheiro. Você pode dormir no quarto do Luan, o que virou da Sabrina por enquanto. Queria que dormisse comigo, mas a minha cama é pequena e não sei se vai caber nós dois — expliquei, ele riu de leve.
— Posso dormir no sofá, não tem problema — avisou, acariciando minha bochecha.
— Não, você vai acordar todo dolorido — alertei. — Dessa vez dorme na cama do Luan.
— Tudo bem, você manda. — Tornou a repetir.
— Se ficar dizendo isso vou acabar acreditando — brinquei, deixando um selinho em seus lábios.
Fui tomar banho, pensando nos agarros que dei no Vinícius. Meu último namorado foi na época da faculdade, terminamos quando meu pai faleceu. Eu não via motivos para continuar um relacionamento que nem levava a sério naquela época. Era somente um passatempo. Agora parecia tudo diferente, o meu sentimento pelo Vinícius era único e eu queria ver até onde ele me levaria. Estava um pouco enferrujada, o lance que tive com o carinha da livraria nem contou. Foram apenas uns beijinhos atrás da loja, já com Vinícius tudo poderia evoluir levando em conta a eletricidade entre nós um pouco mais cedo. Na verdade, eu torcia para evoluir muito em breve. Se não hoje, por que não? Eu já disse que gostaria de sair do zero a zero com Vinícius desde o nosso jantar fracassado. Em que eu acabei sozinha e magoada, quando pretendia terminar a noite enrolada embaixo dos lençóis com ele.
Sai do banho e fui procurar pelo Vinícius, o encontrei sentado na cama, mexendo no celular.
Aproximei-me com calma, tentando não demonstrar minha curiosidade.
— Não molhou o cabelo hoje? — gracejei, mexendo em seus fios.
— Não. — Vinícius bocejou. — Ouvi seu conselho.
Acabei rindo.
— Dorme, você deve estar cansado. — Ele concordou.
Vinícius segurou minha cintura. Levantando em seguida para olhar nos meus olhos.
— Se eu te pedir pra sonhar comigo, vou soar muito brega?
— Depende, se eu pedir o mesmo, provavelmente não — apontei, passando a mão em sua camiseta.
Soltei um suspiro, aquela peça me trazia lembranças. Entretanto, não me senti triste ao vê-la no Vinícius, achei que foi uma homenagem. Meu pai gostaria de conhecê-lo, tinha certeza disso.
Eu o abracei, ele tombou a cabeça na minha.
— Não quero soar repetitivo ou meloso demais, só que também não consigo fingir não estar completamente apaixonado por você, Mari — declarou, causando a costumeira sensação de estar caindo em um precipício e gostar disso.
— Se continuar dizendo essas coisas eu vou começar a bancar aquelas namoradas grudentas — aleguei, aconchegando-me em seu peito.
Ele deixou um beijo sutil nos meus lábios, em seguida na minha testa.
— Boa noite, minha linda — desejou, me abraçando apertado. — Se quiser posso te levar à minha casa amanhã.
— Eu vou adorar!
— Então vai descansar. — Ele girou meu corpo, como se fosse me expulsar do quarto. — Ficar sozinho com você assim é muito perigoso.
Eu ri.
— Ainda te pego na curva, Vinícius — ameacei.
— Estou ansioso por isso — provocou, entrando no meu jogo.
(...)
Era madrugada já, a casa estava mergulhada no silêncio e na escuridão. Abri os olhos, tentando me acostumar com a falta de luz. Senti o vazio já conhecido por mim e levantei sabendo que não encontraria Luan. Eu não queria dizer que sentia falta dele em casa, porque meu irmão precisava de distrações. Na casa da Vanda ele brincava com outras crianças, esquecia os problemas.
Caminhei na ponta do pé, lembrando que tinha um outro hóspede tão perfeito quanto meu irmão. A porta estava entreaberta, a luz advinda da lua iluminava parcialmente sua cama. Vinícius dormia como um bebê, de barriga para cima, então deitei com cuidado ao seu lado para não acordá-lo.
Como a cama também era pequena, não tinha muito espaço para mim. Portanto, me enrosquei em seu corpo para não cair. Pensei até que tinha acordado, quando ele se remexeu e segurou minha cintura. Acabei suspirando de satisfação ao sentir o calor do seu corpo junto ao meu.
Aproveitei para me ajeitar com as costas em seu peito e senti sua respiração na minha nuca, me arrepiando. Minha única ressalva era o botão da calça jeans cutucando minhas costas, eu preferia que fosse outra coisa...
Ele bem que poderia ficar só de cueca, pensei com meus botões.
— Mariane — sussurrou ali, mas sua voz soou lenta e cadenciada.
Assim como sua respiração, indicando que ainda dormia profundamente. Como se fosse possível fazer meu coração derreter ainda mais.
— Estou aqui — respondi de volta, mesmo sabendo que ele não me ouviria.
Não demorou muito para que eu também adormecesse em seus braços.
Quando acordei, senti um carinho sutil nos meus cabelos. Indicando que Vinícius já estava acordado. Me remexi, abraçando sua cintura.
— Não lembrava de ter dormido com você ontem — sussurrou, a rouquidão matinal presente em sua voz.
— Me senti sozinha no meu quarto e como Luan está dormindo fora, só sobrou você — mencionei casualmente.
Vinícius riu.
— Fico feliz que eu tenha dado para o gasto. — Entrou na brincadeira, em seguida me puxou ainda mais para si. — Talvez tenha sido por isso que eu dormi tão bem. Não dormia assim há semanas.
Abri um sorriso de felicidade.
— Precisamos dormir juntos mais vezes então, de preferência em uma cama maior — argumentei, deixando um beijo em seu pescoço.
Vinícius se encolheu e me apertou um pouco mais.
— Já acordou inspirada? — devolveu, rindo. — O que eu faço com você, Mariane?
— Não faz ideia mesmo? — indaguei maliciosa ao sentir um certo volume muito suspeito tocando a lateral do meu corpo.
Acho que ele deve ter aberto o zíper e o botão da calça, porque não estava mais me incomodando como ontem à noite.
— Mariane — recitou meu nome com um sinal de alerta. — Não me provoca desse jeito.
— Ou? — desafiei.
— Nesse caso vou ter que tomar providências a respeito — avisou, girando o corpo para ficar parcialmente por cima de mim.
Não me importei com questões menores, como o fato de que eu provavelmente estava remelenta e com bafo matinal. Apesar de Vinícius estar adorável com os olhos inchados de sono e o cabelo liso todo bagunçado.
— Pago pra ver.
Então ele se inclinou sobre mim, deixando um beijo lento e demorado na minha mandíbula. Vinícius foi percorrendo com os lábios até meu pescoço, fazendo meu corpo arrepiar. Suas mãos apertaram minha cintura, enquanto sua boca traçava rastros de calor na minha pele. Puxei seus cabelos, não tão sutilmente, para fazê-lo olhar para mim e desejei beijá-lo.
Vinícius abriu um sorriso meio cafajeste que eu nunca tinha visto antes e mordeu o lábio inferior com lentidão deliberada. Isso me fez perceber que talvez eu não estivesse totalmente no controle da situação. Mas também me deu o impulso de adrenalina que precisava para tirar a prova sobre... Arranhei seu abdômen por baixo da camiseta, fazendo Vinícius se encolher com o meu toque. Fui descendo até sentir alguns pelos na palma da minha mão, ele realmente abriu o botão da calça e, nossa.
A vontade de tocá-lo me causou uma fisgada na barriga.
Droga, a quem eu queria enganar?
Não foi exatamente na barriga.
Toquei sua ereção por cima da calça, ele soltou um gemido baixo que arrepiou minha nuca.
— Não dorme mais de calça jeans, isso é um atentado à humanidade.
Ele riu.
— Era melhor dormir só de cueca? — provocou, entrando na brincadeira.
Fiz que sim com a cabeça, pensando que ele não fugiria de mim dessa vez.
Mas, para a minha surpresa, Vinícius deixou um selinho nos meus lábios. Levantou da cama e me ofereceu sua mão.
— Vai ficar tarde pra gente sair, você dormiu demais. — Ele pretendia parar por ali? — Vem, vamos tomar café para aproveitarmos o dia.
Que diabos!
— Ei, assim não vale — resmunguei, sendo puxada — Quero continuar de onde paramos!
Vinícius me acomodou com perfeição em seus braços, antes de beijar delicadamente minha testa.
— Tudo tem seu tempo, não quero apressar as coisas com você, Mari — afirmou, sua voz soando um pouco mais grave devido a termos acabado de acordar.
Suspirei, cada vez mais rendida por esse homem.
— Se não tem outro jeito — aceitei, quase chorando.
Como diria aquela música sertaneja:
Eu não desisto do que quero, mas não me desespero.
Eu esperaria pelo Vinícius ou o faria me querer, tanto quanto eu o queria.
Ele se ajeitou, o que incluía fechar o botão da calça, em seguida foi ao banheiro. Enquanto isso também aproveitei para melhorar minha aparência, por sorte não estava tão r**m quanto eu imaginava. Joguei água no rosto e molhei a nuca, percebendo que eu estava subindo pelas paredes. Praticamente ataquei o Vinícius agora pouco, o que esse homem estava fazendo comigo?
Tomamos café juntos, depois fomos até a casa da Vanda, para avisá-la que eu ficaria fora durante uma parte do dia.
Chamamos um Uber na sequência, pois Vinícius estava sem carro e o caminho até lá foi rápido, devido a falta de trânsito naquele horário. Inclusive, me peguei recordando do trajeto que eu costumava fazer quase todos os dias. De repente fiquei saudosa, trabalhar na livraria não era de todo r**m. Agora principalmente com algumas mudanças que Vinícius fez, as quais não tive tempo de usufruir, como convênio médico para familiares. Aliás, essa era uma questão que eu precisava acrescentar na minha lista de prioridades em breve.
Na rua onde eu suspeitava ser a casa do Vinícius. Pagamos a corrida, agradecemos e saímos do carro. Nesse ponto constatei que não ficava assim tão perto da parada do fretado ou da livraria. Era mais afastado, onde no geral havia mais casas ornamentadas do que simples.
— Chegamos — comunicou, apontando para uma casa grande com a fachada de tijolos marrons.
Parecia aquelas casas que você fica em dúvida se alguém realmente mora lá. O que me deixou ainda mais curiosa para ver como era por dentro.
— Uau, parece ser enorme! — constatei, admirada.
Vinícius abriu o portão e fomos entrando.
— Morei com meus pais aqui, depois que eles optaram por passar um tempo em São Paulo ao deixar Fortaleza. Mas a casa ficou vazia quando meu pai faleceu e eu comecei a morar com meus avós. — Foi explicando, aguardei pacientemente. — Minha mãe optou por morar perto da outra loja, então ficou tudo meio abandonado até eu vir para São Paulo novamente. No geral eu não gostava muito de ficar aqui sozinho, então passava a maior parte do meu tempo na casa do meu amigo. Aquela em que jantamos juntos. — Ele deu uma risadinha travessa. — Pelo menos até o Gabriel se enroscar com uma mulher e me expulsar porque queriam morar juntos. Enfim, eu fico aqui quando estou na cidade.
— Às vezes esqueço que você é rico — observei, analisando a garagem e o carro que Vinícius costumava me levar em casa.
Ele coçou a nuca.
— Em minha defesa, eu tentei te contar — pontuou, segurando minha mão.
— É, mas não de uma forma muito convincente — alfinetei, cutucando suas costelas com as unhas.
— Ai — resmungou, alisando o local. — Ainda bem que isso ficou no passado, né?
— Ficou sim — confirmei, dessa vez dando um beliscão de leve na mesma região.
— Está parecendo que não — riu, fazendo um movimento para me prender nos seus braços. Minhas mãos ficaram entrelaçadas em frente ao meu corpo, enquanto Vinícius me mantinha encostada nele. — Ainda está brava comigo? — sussurrou no meu ouvido.
Me arrepiei toda.
— Não — respondi muito baixo.
— Então pare de me beliscar — pediu, me soltando.
Foi minha vez de rir e acompanhá-lo sem mais gracinhas.
Ao entrarmos na casa, me deparei com uma sala totalmente estilosa e clean. Parecia que um arquiteto ou designer de decoração passou por ali organizando cada ponto daquele lugar.
— Uau! — exclamei totalmente abobalhada. — É maravilhosa.
— Fico feliz que tenha gostado, mas você ainda não viu nada — rebateu, me puxando para conhecer os outros cômodos.
Eu ficava embasbacada cada vez mais, analisando a diferença entre a primeira "casa" do Vinícius que eu fui: simples e organizada. E esta, ostentosa, chique e tudo de bom.
— Caramba!
Observei a área de lazer com direito a churrasqueira de tijolos, aparentemente sob medida, além de uma piscina nada modesta. Eu não entendia coisa alguma sobre ser rico, então para mim era tudo agradável aos olhos.
— Pensei em darmos um mergulho na piscina, mas não tive tempo de pedir que viessem limpar antes — explicou, vendo que eu não tirava o olho dela. — Não sabia com certeza se viria aqui hoje, senão teria cuidado disso.
Seria maravilhoso tomar um banho de piscina nesse calor. Contudo, passar um dia com Vinícius já era bom demais para ser desperdiçado.
— Tudo bem, desde que me mostre seu quarto — provoquei, dando o troco pela afronta que ele fez comigo mais cedo.
— Acho melhor te manter longe dele — alertou, coçando a nuca.
— Nem pensar, não sei quando vou te ver ou voltar aqui. Quero conhecer todos os cantos da sua casa — assegurei para fazê-lo baixar a guarda.
— Certo — concordou vindo até mim. — Se comporte!
Fiz uma carinha de anjo inocente e beijei meus indicadores. Então seguimos de mãos dadas para dentro da casa. Subimos a escada caracol de madeira e não consegui evitar notar o quanto tudo ali gritava: somos ricos. Entretanto, eu só pensava na sensação de ter a mão quente do Vinícius na minha. Eu me sentia segura com ele. Ao chegarmos num corredor, onde indicava os quartos. Vinícius apontou o que provavelmente era o dele e eu entrei. Era organizado e simples, diferente do que imaginei. Havia uma estante com muitos livros, guarda-roupa num tamanho normal, uma cômoda, televisão tela plana conectada a um videogame, uma cama box — ele parecia gostar de espaço, apesar de ter dormido espremido no sofá ou comigo. Miniaturas de personagens de animes, essas coisas geek.
Sem grandes alardes, mas eu analisei a cama.
— Você parece gostar de espaço, porque dormiu no meu sofá e na cama minúscula do Luan, ao invés da sua que é enorme? — perguntei, curiosa.
— Me sinto muito sozinho aqui, sua casa pra mim é mil vezes mais aconchegante e familiar — confessou, aquecendo meu coração.
Caminhei até ele, abraçando sua cintura.
— Você não precisa mais ficar sozinho quando estiver na cidade. — Vinícius abriu um sorriso e acariciou meu rosto.
— É bom saber disso — respondeu, tomando meus lábios em um beijo que foi evoluindo rapidamente.
Por que toda vez que eu chegava perto do Vinícius meu corpo entrava em combustão?
Levantei sua camiseta, experimentando a sensação de sentir sua pele quente sob a minha palma. Toquei os músculos rígidos de seu abdômen, aproveitando para sentir cada pedacinho do Vinícius, ele estremeceu com meu toque. Aprofundei ainda mais o beijo, tentando retirar sua camiseta. Vinícius não protestou, se afastando o suficiente para finalizar a tarefa. Observei seu corpo definido e mordi o lábio, ele era realmente uma tentação.
Voltei a beijá-lo, dessa vez explorando sem pudor sua pele. Em resposta, suas mãos começaram a me tocar em todos os lugares, enviando um choque para minhas terminações nervosas. Ele me ergueu facilmente e eu entrelacei minhas pernas ao redor de sua cintura. Ao sentir sua ereção, soltei um gemido baixo e então Vinícius foi andando comigo até chegarmos à cômoda. Eu pensei erroneamente que ele fosse me jogar na cama, mas também estava bom.
Caramba, estava mais do que bom!
Vinícius se encaixou entre as minhas pernas, diminuindo a distância entre nós.
— Mari, me ajuda — sussurrou rente a minha boca — Assim também eu não consigo resistir.
— Para de resistir, por favor — implorei, com a voz entrecortada — Só deixa rolar, não estou aguentando mais. Ou você não me quer? Se não me quiser, eu...
— Claro que eu quero — Vinícius segurou meu rosto em suas mãos e olhou dentro dos meus olhos — Quero mais do que tudo, Mariane. Não duvide nem por um segundo.
— Então me torne sua, Vinícius.
Ele ofegou e fez menção de me pegar no colo, mas eu protestei.
— Aqui mesmo, depois a gente repete na cama.
Vinícius riu com rouquidão e voltou a me beijar cheio de desejo.
Não sei em que ponto minhas roupas se perderam no chão, junto com as do Vinícius. Contudo, para mim não fazia diferença. Não agora que ele me fazia delirar ao lamber o bico de um dos meus s***s e estimulava meu c******s com a ponta dos dedos.
Joguei a cabeça para trás completamente entorpecida.
Já não sabia mais o que estava fazendo, meu cérebro meio que entrou em colapso e nos momentos seguintes só consegui observá-lo colocando desajeitadamente a camisinha.
Achava que Vinícius era mais experiente, mas ao notar suas mãos levemente trêmulas quando voltou a me tocar e sua expressão um pouco constrangida. Percebi que talvez, só talvez, ele não tivesse tido muitas mulheres em sua vida. Essa conclusão também não fez diferença alguma, principalmente quando ele entrou em mim com lentidão deliberada. Como se quisesse guardar na memória aquele momento, nossos olhares se encontraram e eu acariciei seu rosto.
Ele voltou a me beijar com volúpia, saindo e entrando de dentro de mim.
Gemi alto e Vinícius fez o mesmo, nossos sons se misturavam e eu mordi o lábio com força. Arranhando suas costas ao senti-lo se movimentando devagar no meu interior. Enrosquei as pernas ao redor de sua cintura e o puxei contra mim, fazendo com que Vinícius aumentasse a velocidade das estocadas.
Ele entrava e saia com certo desespero, enquanto acariciava meus s***s. Intercalando entre lambidas e chupões. Eu não sabia por quanto tempo iria aguentar, estava na seca há muito tempo.
— Mariane — gemeu meu nome, fazendo o restante de lucidez que existia em mim evaporar.
Naquele momento só pensei que a melhor coisa foi finalmente me permitir perder o controle com o Vinícius. Ou fazê-lo perder o controle, a ordem dos fatores não interferia no resultado final.