19 // Conforto

1007 Palavras
"Muitas vezes do inesperado, nasce o que se espera uma vida inteira." Dois toques na porta foram o suficiente para eu levantar do sofá e ir atende-la. Lorenzo estava ali olhando alguma coisa no celular, com as malas de mamãe e Teresa ao seu lado. — Você trouxe as malas! — Mamãe falou animada as colocando para dentro com a ajuda de Teresa. — Grazie! — Não foi nada. — Falou sorridente. De alguma forma a maneira como se encontrava agora parecia sincera. Era possível ver que seu coração era bom, embora muitas das vezes ele demonstrasse seu lado obscuro. — Podemos conversar em particular? — Perguntei, fechando a porta atrás de mim e indo para o corredor. — Claro, vamos até o meu apartamento. — Pediu. Lorenzo chegou se livrando da camisa que usava e a deixando na cadeira da cozinha. Não sei se a intenção era despertar meu lado insano, mas por dentro meu corpo já estava ficando mais quente do que o normal. Tentei mudar minha atenção para a janela, olhando o lado de fora, mais precisamente a rua. — Eu não tenho nem como agradecer o que você fez por mim. — Iniciei falando. — Ninguém nunca fez algo tão lindo assim por mim. E eu agradeço imensamente por isso. Mas acredito que não podemos ficar com esse apartamento. Lorenzo se deitou em seu sofá, mas sua atenção estava em mim. Havia um sorriso em seus lábios. — É uma ótima localização, tem mais cômodos, assim vocês quatro podem morar juntas. — Falou como se fosse óbvio. — Ele é perfeito, sem dúvidas. — Garanti. — Mas o que estou tentando dizer, é que não teremos dinheiro o suficiente para pagar. E irá demorar muito para conseguirmos devolver esse valor para vocês e se precisarem? Nós não temos nada. Por que Lorenzo não apagava aquele sorriso do seu rosto? Apesar de tentar evitar olhá-lo, em breve os meus pés não me obedeceriam e me levariam até ele se continuasse me olhando assim. — Leve o tempo que precisarem, não me importo com o dinheiro que irei gastar. — Respondeu. Claramente para ele esse valor talvez não fizesse diferença, mas e se algo acontecesse? Eu sempre pensava no futuro, sabia que muitas questões poderiam influenciar para precisar de dinheiro. Nós nunca tivemos muito, portanto, sempre tivemos nosso dinheiro contado para cada coisa que iríamos precisar gastar. Caminhei até onde ele estava, me sentando em cima dele. Cada uma das minhas pernas estavam dobradas sobre o sofá, ao lado de seu corpo. Aos poucos desci, colando nossos p****s, até chegar a cabeça bem próxima da sua, nariz com nariz. — Eu não consigo entender você. — Sussurrei. — Você não precisa entender. — Sussurrou de volta. — Eu gosto de te ter por perto. — Afirmei. Ele passou a mão no meu cabelo, parando até perto da minha cintura. Beijei seu queixo e seu pescoço. E senti seu lábio pousar na ponta do meu nariz, fazendo-me sorrir com o ato. — Você é um bom amigo. — Sussurrei. Ele deixou um risinho escapar, como se eu houvesse acabado de contar uma piada. — E a Caterina? — Perguntei curiosa. — O que tem ela? — Perguntou. — Vocês dois? — Insinuei. — Nós ficávamos vez e outra. — Contou. — Mas ela estava exigindo algo que eu não poderia dar agora. — Explicou. — Sendo que ela não me tem como exclusividade. Arqueei as sobrancelhas. Lorenzo parecia ser o tipo que não se preocupa com exclusividade. — Ela queria um relacionamento sério e você não? — Perguntei. — Isso. — Respondeu. — Quer dizer, ela queria namorar comigo, mas com outros sem eu saber. — Contou divertido. Lembrei-me do dia em que ela atendeu uma mesa, onde havia um homem e eles não paravam de jogar charme um para o outro. Se fosse eu em seu lugar, se eu gostasse dele e essa pessoa quisesse ficar com outras eu me sentiria bastante abalada. Lorenzo não parecia nada afetado com a situação. — Sabe que depois que papai morreu, a minha vontade de encontrar alguém se foi? — Contei. — Coloquei na cabeça que deveria dispor a minha atenção toda em mamãe e Teresa, porque sei que precisam de mim para ficarem estável. — Mas elas sobreviveram um mês sem você em Potenza, provavelmente conseguiriam sobreviver mais alguns meses. — Opinou. — Agora que elas estão aqui, graças a você, sinto o peso na minhas costas diminuir. — Expliquei. — Isso quer dizer que está aberta a relacionamentos agora? — Perguntou atento. — Não sei ao certo. — Falei em dúvida. — Não sei se estou pronta para amar alguém. — Eu entendo você, perceber que está amando alguém é assustador. — Afirmou. — Você se vê fazendo coisas que achou que nunca faria por alguém. Encarei seus olhos. — Você amava mesmo Caterina. — Sussurrei. Parte de mim por algum motivo não queria que ele tivesse sentimentos tão intensos por ela. — Eu com certeza não estou falando da Caterina. — Afirmou deixando um sorriso escapar. Colocou suas mãos em minha cintura e levantou meu corpo de modo que ele fosse ainda mais para cima, fazendo nossas bocas se encostarem. Colamos nossos lábios e permanecemos assim, sem movimentos bruscos. Quando eu precisava de uma luz para entender o que estava vivendo, Lorenzo me deixava ainda mais confusa em relação aos meus sentimentos. — Preciso ir até Valerie ainda hoje. — Falei ao me levantar e caminhar em direção a porta. — Minhas coisas estão lá. — Posso ao menos levar você? — Ofereceu-se. — Não quero incomodar você. — Avisei. Lorenzo pegou sua camisa que estava na cadeira e a vestiu, pegando suas chaves do carro que estavam em cima da mesa da cozinha. Seria uma ida rápida até o apartamento onde morava. Estava precisando definitivamente de uma conversa com a minha prima, tanto para decidir se ela também iria para onde iríamos morar a partir de agora, tanto para conversar sobre os meus sentimentos.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR