O pátio ainda vibrava com o som metálico da derrota de Lyria.
Os campeões se dispersaram aos poucos, mas ninguém falava.
Porque todos tinham visto.
A campeã da Casa II, símbolo de disciplina e invencibilidade, havia sido derrubada por uma mulher da Oitava Casa.
Uma “ninguém”.
Uma “plebeia”.
Kaela recolheu o capuz do chão e o colocou devagar, como quem sela um aviso.
Os olhos felinos ainda percorriam o espaço, atentos, frios… vivos.
— Isso não vai ficar assim — murmurou um dos generais, afastando-se apressado.
— Nunca fica — respondeu Nadia, sorrindo, encantada.
Aiden permaneceu onde estava.. Imóvel. Observando Kaela caminhar em direção à saída inferior do pátio, como se nada tivesse acontecido, Como se derrubar uma lenda fosse apenas parte do aquecimento.
Ele a seguiu.
O CORREDOR DE PEDRA
O corredor que levava aos alojamentos inferiores era estreito e m*l iluminado. O som dos passos ecoava pesado, dois ritmos diferentes, mas perigosamente próximos.
— Você humilhou a Casa II — disse Aiden, quebrando o silêncio. A voz firme, baixa.
Kaela não parou de andar.
— Ela se ofereceu.
— Você criou inimigos.
Ela parou.
Virou-se devagar.
Os olhos dela encontraram os dele com a força de uma lâmina bem apontada.
— Eu já nasci com inimigos, príncipe.
Aiden sustentou o olhar. Não recuou. Não sorriu.
— O Conselho não vai ignorar isso.
— Que tentem. — Kaela deu um passo à frente. — Eles sempre tentam.
A proximidade entre os dois era perigosa. O ar parecia mais denso, como se o corredor tivesse encolhido só para testá-los.
Aiden sentiu algo raro: respeito.
E algo ainda mais raro: vontade de protegê-la.
— Você luta como se não tivesse nada a perder — ele disse.
Kaela inclinou a cabeça, um sorriso quase invisível sob o capuz.
— É porque eu não tenho.
Por um segundo, o príncipe quis dizer algo que não combinava com sua posição, sua criação, seu destino. Algo imprudente. Humano.
Mas passos se aproximaram ao fundo do corredor.
Guardas.
Kaela já estava se afastando quando ele falou, rápido:
— Na arena… não subestime ninguém.
Ela parou apenas o tempo suficiente para responder, sem olhar para trás:
— Faça o mesmo.
E desapareceu na sombra.
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O CHAMADO
Algumas horas depois, sinos ecoaram pelo Palácio de Aço.
Graves.
Definitivos.
O anúncio correu como fogo:
O primeiro desafio do Torneio de Sangue começaria ao entardecer. A primeira lua de sangue estava prestes a nascer.
Aiden subiu em direção às torres com o coração acelerado.
Kaela no alojamento com suas palmas à frente da outra, cantando um tipo de oração em frízio sua língua natal.
Ambos sabiam. Depois do que aconteceu naquela manhã, nada seria simples.
A arena os aguardava.
O reino observava.
E o destino… já tinha escolhido seus favoritos.
O entardecer caiu pesado sobre Astreon.
As sirenes tocaram mais uma vez grave, longa, anunciando o início do Primeiro Desafio do Torneio de Sangue.
A arena se abriu como uma ferida no coração da cidade.
Um círculo colossal de aço n***o, arquibancadas lotadas, todos com medo de perder cada detalhe. O povo gritava, a nobreza observava em silêncio calculado, e o Conselho… o Conselho sorria como quem já contou os mortos antes do espetáculo começar.
Os oito campeões surgiram por portões diferentes.
Quando Kaela entrou, o murmúrio virou choque.
Sem armadura pesada.
Sem símbolos de Casa.
Apenas lâminas, postura e aqueles olhos felinos que pareciam enxergar além das paredes.
— Ela não vai durar — alguém gritou da arquibancada nobre.
Kaela não olhou para cima.
Ela sentiu a arena.
Sentiu o chão.
Sentiu os inimigos.
Do outro lado, Aiden entrou sob aplausos contidos. O príncipe de aço caminhava com calma, mas o olhar… o olhar procurava ela.
Por um segundo perigoso, o mundo se reduziu àquele contato silencioso. Não era desafio. Era reconhecimento.
O ANÚNCIO
O Grão-Chanceler apareceu no centro, ampliado nas telas.
— Primeira Prova: O Labirinto Vivo.
As paredes da arena começaram a se mover.
Placas de aço subiam do chão, corredores se formavam, passagens se fechavam. O chão tremia como um animal acordando.
— Regras simples — continuou o Chanceler.
— Sobrevivam.
— Eliminem seus oponentes
— Encontrem o Coração do Labirinto.
Um brilho vermelho pulsou no centro invisível da estrutura.
Silêncio.
O público ainda gritava quando o Chanceler ergueu a mão mais uma vez. Até o vento pareceu recuar.
— Antes que iniciemos … — a voz dele ecoou, ampliada — o Conselho invoca o direito da Capital.
Um murmúrio de confusão varreu as arquibancadas.
Aiden franziu o cenho.
Kaela sentiu o arrepio subir pela espinha.
— A Casa da Capital, guardiã direta do trono vazio, também possui um campeão.
O chão da arena tremeu.
Um novo portão, que ninguém havia notado antes, começou a se abrir no nível mais baixo — pesado, antigo, selado com símbolos do próprio reino.
— Trapaceiros… — rosnou Ragnor.
— Covardes — sussurrou Lyria.
Kaela apenas… observou.
A ENTRADA
O portão se abriu por completo.
E então ele entrou.
Alto.
Imóvel.
Vestindo uma armadura n***a sem brasões apenas o símbolo do trono gravado no peito: um círculo cortado por uma lâmina vertical.
Cada passo dele fazia o chão vibrar.
Não havia pressa.
Não havia arrogância.
Havia certeza.
— Este é o Campeão da Capital — anunciou o Chanceler, com orgulho contido.
— Caelum Draven.
— Aquele que nunca caiu.
— Aquele que luta em nome do trono.
O silêncio foi absoluto.
Até os guerreiros mais experientes sentiram.
Nadia, nas bordas da arena, murmurou:
— Isso… isso não estava nas regras.
Korven engoliu seco.
— Não… mas sempre esteve nos planos.
Caelum ergueu o olhar.
Frio.
Escuro.
Inabalável.
Ele analisou a arena como quem mede um campo de execução.
Quando seus olhos passaram por Aiden, houve reconhecimento tenso, político.
Quando passaram por Ragnor, desprezo.
Quando passaram por Lyria, indiferença.
E então…
Pararam em Kaela.
O ar pareceu estalar.
Caelum inclinou levemente a cabeça, como quem reconhece algo raro.
— Então é você — disse ele, a voz grave, controlada. — A anomalia.
Kaela deu um passo à frente.
Pequena perto dele
— E você deve ser o cão do trono — respondeu. — Veio garantir que nada mude.
Um sorriso quase invisível surgiu no canto da boca de Caelum.
— Vim garantir que ninguém tome o que não pode carregar.
A MUDANÇA DAS REGRAS
O Chanceler retomou a palavra, rápido — como quem teme perder o controle.
— Por decreto do Conselho, o Campeão da Capital entra imediatamente no Primeiro Desafio.
A arena reagiu em choque.
Aiden virou-se, furioso:
— Isso é ilegal!
— É necessário — respondeu o Chanceler. — O trono precisa de certeza. Não de esperança.
Kaela apertou as lâminas.
Ela entendeu.
O reino não estava testando campeões.
Estava protegendo o poder.
E Caelum era o muro final.
O LABIRINTO
Os campeões se espalharam no instante em que o sinal soou.
Caelum avançou.
Rápido demais para alguém do tamanho dele.
Ragnor rugiu e atacou primeiro, martelo descendo com força suficiente para matar um exército.
Caelum aparou com o antebraço.
O impacto ecoou como um trovão.
E então… um golpe curto, preciso.
Ragnor foi lançado contra a parede do labirinto, caindo inconsciente.
O público gritou.
Lyria recuou um passo.
Aiden levou a mão à espada.
Kaela sorriu.
Não de alegria.
De desafio.
Ela caminhou, ficando frente a frente com o campeão do trono.
— Parece que vou ter que passar por você — disse ela, olhos felinos brilhando.
Caelum inclinou a cabeça de novo.
O verdadeiro torneio tinha começado agora.
Kaela correu para baixo, usando sombras, encostando no metal frio, ouvindo a respiração do labirinto. Ela não buscava confronto imediato.
Um estrondo à esquerda: Ragnor que havia se recuperado do primeiro contato estava quebrava paredes com o martelo, abrindo caminho à força, para não passar perto de caelum.
Kaela sorriu por dentro.
Barulhento. Perfeito como distração.
Ela avançou por um corredor estreito e encontrou Korven. Olhos brilhando, lâminas nas mãos.
— Sabia que você sobreviveria ao começo — ele disse, animado.
Kaela não respondeu.
Atacou.
Rápida. Baixa. Mortal.
Korven defendeu por um triz, recuando com um riso nervoso.
— Depois, então — disse ele, desaparecendo por uma f***a lateral.
Kaela não perseguiu.
O labirinto mudou de novo.
O PRÍNCIPE OBSERVA
Aiden enfrentava Yoran em outro setor. O guerreiro silencioso atacava sem aviso, golpes limpos, fatais.
Aiden bloqueou, girou e desarmou porem não o finalizou, Porque naquele instante, pelas fendas dos muros, ele viu Kaela deslizando por um corredor em colapso, saltou por a******a e derrubou lyria uma adversária menor com um movimento tão preciso que o público gritou.
Aiden sentiu o peito apertar.
Orgulho?
Desejo?
Medo?
Tudo junto.
— Concentre-se — rosnou balançando sua cabeça , atacando de novo.
Yoran respondeu com força total.
SANGUE E ESTRATÉGIA
Perto do Coração do Labirinto, Nadia, a Serpente Dourada, esperava nas sombras. Quando Kaela surgiu, as duas pararam.
— Então é você — Nadia disse, sorrindo. — A que faz o reino tremer.
— Saia do caminho — Kaela respondeu.
Nadia atacou com velocidade venenosa. Kaela desviou por centímetros cortando levemente sua bochecha direita, colocou suAs lâminas por baixo, fazendo as espadas de Nádia voarem para o outro lado da arena. O chão tremeu, o ar cortante. Kaela chutou com força o tórax de Nádia, que girou arremessada para o meio do labirinto, o fazendo modificar
Foi rápido.
Foi brutal.
Foi lindo.
— Outra hora — murmurou Kaela, seguindo adiante.
O Coração do Labirinto pulsava.
Quando as paredes finalmente cessaram, seis figuras permaneceram de pé no centro iluminado:
Nádia
Aiden.
Lyria (ferida, mas resiliente).
Ragnor (ensanguentado, sorrindo).
Caelum
E Korven
O público explodiu em gritos e aplausos
O Chanceler ergueu a mão:
— o tempo está acabando
Kaela estava em um corredor estreito o tempo estava acabando, uma virada no labirinto ela não conseguiria mais sair, sentiu o olhar de Aiden nela.
Ele gritou
— Kaela, corra. Vamos
Todos prenderam o fôlego
O labirinto começará a se modificar e criou um abismo em relação ao caminho que Kaela estava e o centro dele.
Kaela saltou com fúria nos olhos.
Com seu olho direito viu quando O SACERDOTE n***o, MALZAHAR entrou em sua frente prestes a lhe dar um golpe de esquerda.
Kaela se ateou em chamas reluzentes, uma irradiação de poder, fez com que todos fossem jogados contra parede.
Todos com os olhos fechados e com o forte impacto olharam para frente assustados, não conseguiram entender o que havia acontecido.
Quando o fogo sessou, viram malzahar de joelhos ao chão em cinzas, escorrendo como área ao chão, virando pó. A fumaça era intensa, com brasas caindo ao chão.
Kaela caminha entre a fumaça seminua com suas vestis rasgadas. Seus olhos negros e sua boca roxa entre o maxilar travado, sua pele estava pálida como a neve, Com passos lentos chega ao meio da arena.
O barulho estrondoso encerra a primeira partida.
Todos ficam em choque, além de que Kaela está viva depois de pegar fogo subitamente, Malzahar desintegrou completamente.
Aiden mesmo sem entender o que acabará de acontecer, não conteve sua língua.
— Você foi incrível — Aiden disse, baixo, sincero.
Ela sustentou o olhar, poderosa, perfeita, indomável.
— Isso foi só o começo, príncipe.