— Bem, vamos ao café.
Eu sigo para a mesa. Só tem o meu prato ali, o que acho estranho, mas não comento.
— Fique à vontade, Ravena. Nós já comemos, Nicolas diz antes de sair da cozinha.
Vejo os três Nicolas, Draco e Peter se afastarem… mas mesmo assim sinto os olhos de Draco e de Peter presos em mim enquanto começo a comer.
Termino rápido, lavo meu prato e olho o horário. Preciso correr para a faculdade.
— Ravena, essa tarde você vai cuidar da Laila, Nicolas avisa antes de sair.
Eu apenas aceno e sigo meu caminho.
A caminho da faculdade, começo a conversar com a Lisa por mensagem.
— Lisa, eu vi o último Ravenscroft hoje, digito.
Ela responde na hora:
— Como ele é, Rave?
— Alto, forte, cabelos pretos com tons de azul. Olhos verdes como jade. Misterioso e sombrio.
— O seu tipo, ela manda.
— Sim. E com o rosto de um deus grego. Ainda bem que ele não é como o Draco, escrevo de volta.
Estou tão concentrada na conversa que não vejo alguém parado na minha frente. Bato direto na pessoa e quase caio até que mãos fortes me seguram pela cintura.
— Obrigada… e desculpa
começo, mas quando olho para cima…
Minhas pernas quase falham.
Estou nos braços do Peter.
— Só cuidado…
ele diz, ainda me segurando por um instante antes de me soltar rápido demais.
Sem dizer mais nada, ele vira e entra na faculdade com aquela calma distante dele.
Eu fico parada por alguns segundos, tentando respirar.
Pego o celular de novo. Luna tinha mandado mensagem:
— Rave, o que foi? Por que não está respondendo?
Eu digito rápido:
— Calma, eu só… bati no Peter.
Ela responde na hora:
— Como assim, bateu?!
— Eu estava tão presa nas nossas mensagens que não vi ele na minha frente e esbarrei. Ele me segurou, escrevo.
sem conseguir evitar corar só de lembrar das mãos dele em mim.
_ nossa rave já está querendo voar nos braços do sombrio Peter
a Luna provoca.
_ eu preciso ir até a noite, Luna respondo antes de guardar o celular e tentar achar o Peter no meio de tantos estudantes, mas ele some como por mágica.
É quando escuto uma voz familiar atrás de mim.
_ oi de novo, você se lembra de mim?
ela pergunta.
_ oi… sim. Sara, não é?
olho para a mesma garota que ontem me avisou para tomar cuidado com a família Ravenscroft, mesmo sem explicar o motivo. Como antes, ela está sorrindo. O sorriso ilumina mais do que o próprio sol que, nessa cidade, parece eternamente preso entre nuvens pesadas.
_ posso ver suas aulas? Talvez a gente tenha alguma turma juntas ela pergunta, toda animada.
Entrego o papel com meus horários para ela.
Ela analisa, os olhos piscando de empolgação.
_ bem… temos aulas juntas. E a nossa primeira aula é com o professor Jones Sebastian.
Quando ela fala o nome, o meu coração aperta não por surpresa.
Eu já sabia que ele estaria aqui, já tinha lido e relido sua biografia, seus artigos, e até assistido as entrevistas que conseguiu dar entre uma expedição e outra.
Mas uma coisa é admirar alguém de longe.
Outra… é saber que você vai respirar o mesmo ar que o ídolo que sempre amou.
A garganta seca.
_ então… hoje eu vou ver o Jones pessoalmente.
murmuro, mais para mim do que para ela.