CAPÍTULO 9 - bia no baile Bia. O grave da caixa já tremia o chão do morro antes de eu terminar de passar batom. Eu sabia que tava brincando com perigo, mas o vício era maior. Vício em baile, bebida, pó que acelerava a noite e, acima de tudo, em Rafael. Pra mim a conta era simples: se eu fui pra cama com o patrão algumas vezes, eu já não era qualquer uma. Na minha cabeça confusa de quem passa semana à base de brisa e promessa vazia, eu era a fiel. A dona do morro. Coloquei o menor shorts que tinha, cropped colado que quase não cobria nada, cabelo trançado pra trás, perfume doce. Desci a viela rebolando, sentindo olhares dos caras nas esquinas. Mas nenhum importava. Só queria chegar no camarote e ver o Rafael. O morro fervia. Cheiro de espetinho misturado com fumaça de maconha e lança.

