CAPÍTULO 48 — A SEGUNDA NOITE LARISSA O ronco da moto cortou o silêncio do beco. Eu tava sentada na beirada da cama, olhando para a última mensagem de Rafael no celular, quando ouvi o motor acelerar outra vez. Aquele desgraçado tinha vindo mesmo. Olhei pela janela pequena. A moto estava parada perto do portão, com o farol aceso. Rafael permanecia sentado nela, uma perna apoiada no chão e um cigarro entre os dedos. Meu coração disparou. Eu tinha passado a tarde inteira conversando com Manu, contando tudo que tinha acontecido, e agora que Rafael estava ali, parecia que tinha esquecido até como se respirava. Peguei minha bolsa. Ajeitei o moletom enorme que ele tinha me emprestado. E fui até a cozinha. Minha mãe estava guardando os pratos. Dona Lúcia: — Vai aonde? Parei na porta.

