Nicole Brigitte
Mordo levemente meus lábios, ele não estava olhando para mim, mais sim para a loira que descobri que se chamava Margaret.
– Brian, estou tão feliz de te ver.– Ela diz com uma voz fina e irritante.
A mesma passa por mim, fazendo a taça de sua mão derramar o líquido em meu vestido, assim se aproximando de Brian Martim. Viro-me de costas para os dois, procuro na mesa algo para tentar limpar.
– Senhorita.– Escuto ele me chamar.
Viro -me e o mesmo me estende um lencinho. O lencinho tinha seu nome bordado.
– Obrigada.– Digo e vou para longe do mesmo.
Procuro alguma informação que me mostrava onde era o banheiro, assim indo na direção do mesmo. Uma mão segura meu braço, fazendo-me olhar para trás rapidamente.
_ Senhorita, posso dizer que a senhorita é uma garota que foge muito. O que é? Quando chega certo horário, sua carruagem vira abóbora?_ O mesmo pergunta em um tom de humor, mais não avia esboço de sorriso em seu rosto.
_ Sinto muito ter corrido ontem, senhor Martim, eu tinha coisas a fazer e poderia me atrasar._ Desculpo-me.
_ Então sabe quem eu sou. Bom, a senhorita me deixou curiosa para saber seu nome ontem, será que posso ter a honra de saber hoje?_ O mesmo me questiona com o olhar.
Brian Martim era um homem muito atraente, seus cabelos loiros naturais, sem exagero na cor era de dar inveja até as mulheres que sempre sonharam em nasceu loiras.
_ No momento, o senhor ainda irá ficar com essa duvida, eu preciso ir no banheiro me limpar. Com licença._ Falo e entro no banheiro feminino, deixando ele plantado ali.
Ele faz meu coração acelerar, ele é intimidante, tem uma aura marcante, não tem como passar despercebido no ambiente. De todas as garotas que estava ali torcendo pela atenção dele, o mesmo está curioso sobre mim, isso me leva a um questionamento " porque?". Olho para o espelho, meu vestido não avia sujado muito, era mais o mancha de molhado no mesmo, com o lenço que ele me emprestou, começo a limpar, tentando esconder essa mancha de molhado, o que não adianta muito. Solto um suspiro, passo a mão nos cabelos e olho as horas no meu pequeno relógio de pulso. Eu poderia pedir para o senhor e senhora colins me liberar para ver meu pai hoje no hospital.
Saio do banheiro, olho em volta procurando brian martim para me esconder, Não por vergonha ou algo do tipo, mais a presença dele me intimida muito. Ando na direção do senhor colins.
_ Senhor, queria pedir permissão para ir ver meu pai no hospital._ Peço.
_ Claro querida, tome cuidado na rua ok? Não chegue tarde em casa_ Diz colocando a mão - como de costume - no meu ombro em um gesto de carinho.
Ando para fora, viro a rua e ando na direção do hospital. Nunca aceitei uma carona do senhor colins até o hospital e depois de te explica o motivo, hoje em dia, ele nem oferece mais. O caminho até o hospital a pé, me ajuda a pensar, refletir e tentar acalmar a inúmeras coisas que minha cabeça insiste em tentar resolver tudo de uma vez. O ar me acalma, me ajuda a coloca os pensamentos no lugar.
1 - As condições do meu pai pede mais tratamento, mais dinheiro, coisa que eu não tenho no momento.
2 - Preciso de mais dinheiro
3 - eu não sou a mamãe
Minha mãe aguentava tanta coisa, ela carregava tudo com um sorriso, um sorriso único dela e eu sempre fui a chorona, a fraca, se tu tivesse um pouquinho dela, iria me ajudar muito nesse momento.
Chego no hospital, vou para o quarto do meu pai que estava dormindo tranquilamente em sua cama. Aproximo do mesmo, sento-me na poltrona ao seu lado e pego sua mão.
– Eu não quanto mais, papai, eu não sou a mamãe.– Falo deixando uma lágrima cair no meu rosto.
O que eu poderia fazer? Não ia conseguir pagar os medicamentos, meu pai iria morrer e eu não teria mais ninguém; esse pensamento me faz desabar a chorar. Nesses momentos tudo que eu mais queria era o colo da minha mãe, crescemos e esquecemos de valorizar o que está bem a nossa frente... Família. Ela é a maior jóia nossa, e que bom que não esperei minha mãe morrer para demostrar que a amo e valorizo, do mesmo jeito que estou deixando claro a meu pai que faço de tudo por ele e é de coração.
Beijo sua mão, me acomodo na poltrona e fico observando o mesmo dormir. Lembro de um dia em que eu tinha acordado no meu da madrugada, estava no meu quarto de criança, então foi até o quarto dos meus pais e minha mãe estava sentada na cama, observando meu pai dormir, lhe perguntei o motivo e a mesma disse que era amor.
Ah como ela me faz falta.
– Acredito que a falta dela para você é maior, não é papai?– Pergunto mesmo sabendo que não receberia resposta. Ele da um longo suspiro no meio de seu sono. – Vou encarar isso como um sim. Que tal eu dormir aqui hoje? Amanhã cedo quando o senhor acordar, irei embora, assim podemos passar mais tempo juntos. – Falo tirando as sandálias para ficar mais a vontade na poltrona.
Deito minha cabeça no encosto da poltrona, sentindo o cansaço tomar conta do meu corpo. Três batidas na porta, permito a entrada e um médico entra.
– Irá dormir aqui hoje, senhorita?– Perguntou enquanto trocava o soro do meu pai.
– Sim, faz tempo que não fico com ele.– Explico.
– Ele ficará feliz em vê-la aí acordar. Lhe desejo boa noite, até amanhã.– Diz saindo do quarto.
Dou um aceno para o mesmo, olho mais uma vez para meu pai, checando se ele respirava normalmente já que estava sem ajuda dos aparelhos de respiração. Conheço meu pai e sei como é teimoso, não é pra fazer, ele faz, é pra fazer, ele não faz.
Ao chegar se estava tudo bem, me acomodo do melhor jeito possível ali e fecho meus olhos, deixando o cansaço me levar