Capítulo 7: ruptura.

2768 Palavras
Narrado por Julian. - Por favor, me diga que não é quem eu estou pensando. - a voz rouca de Tyler ecoou, enquanto ele largava o cigarro e o esmagava com o sapato. Eu estava atordoado demais para responder. Me mantive paralisado a um metro de distância da varanda, mergulhado em choque e apreensão, preso no meu lugar enquanto um raio de luz destacava o meu corpo. Uma sensação de aperto na garganta começou a se formar. - Julian. - chamou Tyler, a sua voz séria enquanto ele se aproximava, tremendo e pondo as mãos nos meus ombros, apertando-os com firmeza. O seu hálito exalava cheiro de fumaça. - Por favor, me diga que aquele não era Romeo Montgomery? - pediu Tyler Eu respirei fundo, mas soou mais como um suspiro. - Eu... - eu comecei a dizer, mas as palavras me abandonaram. Tyler me sacudiu suavemente, olhando profundamente nos meus olhos. - Ele fez alguma coisa com você? - ele perguntou em voz baixa. - Não! - eu consegui finalmente exclamar, ainda assustado, saindo do estado de choque causado por sua pergunta inquietante. - Não, ele não fez nada. - eu balancei a cabeça com veemência, tentando clarear os meus pensamentos e encontrar uma maneira de explicar tudo. Tyler podia ser um completo i****a, mas ele ainda era meu primo, era família. Ele havia zombado de mim durante toda a minha vida, mas ele sempre me defendia quando alguém tentava fazer o mesmo. Era como um irmão mais velho condescendente. Agora, eu tinha que tentar explicar a minha sexualidade sem perturbá-lo ou ofendê-lo, já que ele havia descoberto o que todos sabiam, menos ele. - Olha, Tyler, sinto muito. - eu disse rapidamente e em voz baixa. - Não era assim que eu queria que você descobrisse, mas sim, aquele era Romeo. E eu... eu sou... eu sou gay. - eu terminei de falar ainda em voz baixa, esperando que ele não surtasse e me estrangulasse. Tyler olhou para mim como se o que eu acabara de dizer não importasse. Ele balançou a cabeça, ignorando isso. - Quem se importa se você é gay? - ele gritou de repente, soltando os meus ombros e passando as mãos pelo cabelo com raiva. - Romeo Montgomery? - ele exigiu, olhando para mim com os olhos arregalados. - De todos os perdedores da Montéquio no mundo, você escolheu logo ele? Desesperado, eu dei um passo em direção a Tyler e tentei fazê-lo entender. - Não é isso! Eu realmente gosto dele! - disse. - E você acha que ele sente o mesmo por você? Você acha que ele realmente gosta de você? Ele está usando você, Julian! Jesus! Você merece coisa melhor. - Tyler perguntou. Eu apenas olhei irritado para ele. - Como quem? - eu exigi. As nossas vozes estavam ficando mais altas, e eu sabia que não demoraria muito para que todos na casa viessem ver o que estava acontecendo. - Na cidadezinha de merda em que moramos, quem mais eu poderia encontrar? Sem contar Liam? Se estiver preocupado com o meu bem-estar, você deveria dar um jeito em Liam para que ele pare de me assediar, em vez de se preocupar com Romeo. - eu disse sarcasticamente. - Liam é inofensivo. - disparou Tyler, parecendo distraído, m*l me ouvindo. - Pelo menos ele é meu amigo. Romeo está fazendo isso só para me atingir. Eu olhei para ele com ironia. - Desde quando me levar em um encontro vai arruinar a sua reputação? - eu perguntei, exigente. - Não é só a minha reputação em jogo, é a nossa. - ele assobiou. - Você também estuda lá, ou você já se esqueceu? - ele acrescentou. Eu apertei meu maxilar, esperando por mais. - "Além disso, você é minha família." - ele finalmente retrucou, como se eu devesse saber disso o tempo todo. - "Ele não está fazendo isso porque gosta de você, Julian. Ele está fazendo isso para me provocar. - Não é só a minha reputação em jogo, é a nossa. - ele assobiou. - Você também estuda lá, ou você já se esqueceu? - adicionou, eu apertei o meu maxilar, esperando por mais. - Além disso, você é minha família. - ele finalmente retrucou, como se eu devesse saber disso o tempo todo. - Ele não está fazendo isso porque gosta de você, Julian. Ele está fazendo isso para me provocar. Antes que eu pudesse responder com qualquer uma das dúzias de retaliações que surgiram na minha cabeça, a porta da frente finalmente se abriu. Meus pais e os pais de Tyler, Nathan e Rosalia saíram, surgindo na varanda. - O que está acontecendo aqui? - perguntou o meu pai, intrigado. Embora Tyler e eu não sejamos os melhores amigos, as nossas brigas raramente são tão intensas quanto esta. Tyler fechou a boca e me olhou cautelosamente. Ele levantou uma sobrancelha, e eu sabia o que ele estava tentando me perguntar: eles sabem que você é gay? Dei de ombros, agitando a mão em direção a Tyler para deixar claro que ele poderia ir em frente e dizer o que quisesse. - Julian acabou de voltar para casa depois de um encontro. - disse Tyler com firmeza, virando-se para nossa família. Todos, exceto Nathan, olharam para Tyler com expectativa, esperando que ele terminasse o que começou. Até os meus pais pareciam surpresos. - Com Romeo Montgomery. - ele acrescentou. Seis pares de olhos se voltaram para mim com uma mistura de surpresa e choque. Nathan balançou a cabeça como se dissesse: Isso só podia estar acontecendo com você. - Romeo... aquele garoto dos Montéquios? - perguntou o meu tio incerto. - Por que você estava em um encontro com um garoto, querido? - perguntou a minha tia curiosa, mas indiferente. - Ele não é aquele jogador de futebol dos Montéquios? - a minha mãe perguntou, surpresa e piscando para mim. - Como isso aconteceu? Mudei de lugar por um segundo, procurando ajuda de Nathan. Ele suspirou. - Romeo estava presente no nosso Baile de Formatura, procurando por... alguém. Foi nessa ocasião que eles se conheceram, e parece que eles se deram bem, eu acho. - comentou Nathan. As informações que Nathan compartilhou pareceram apenas impulsionar a raiva de Tyler, levando-o a novas alturas. - O quê? Ele estava no nosso Baile? - ele exigiu, os seus olhos se virando selvagemente de mim para Nathan e novamente para mim. - E por que você não me contou antes? Dei de ombros, mas as revelações desta noite pareciam extremamente sem importância e eram. Mas não era assim para Tyler. - Eu vou matar ele! - ele gritou, passando por mim com força e dirigindo-se para o fim da varanda, onde saltou para dentro de seu carro. Desesperadamente, eu procurei ajuda dos adultos presentes, mas o meu tio parecia estar achando a situação levemente engraçada, sorrindo levemente. - Crianças. - disse ele, balançando a cabeça e voltando para dentro. Os outros o seguiram, me deixando sozinho. - Nate. - implorei, mas ele já tinha as chaves do carro em mãos e agarrou o meu pulso enquanto passava por mim, puxando-me em direção a ele. - Vamos. - disse ele com firmeza. *** Narrado por Romeo. Ainda era cedo quando eu cheguei ao campo de futebol da Montéquio, sabendo que Ben e Mat estariam lá. Eles costumavam fingir que estavam treinando, mas, na verdade, apenas estvan brincando e provavelmente bebiam algo. Ainda sob o efeito das endorfinas e adrenalina do beijo de Julian, eu decidi me juntar a eles em vez de ir direto para casa. Eu os encontrei deitados no meio do campo, olhando para o céu que escurecia. Mat jogava a sua bola para cima e a pegava na descida, enquanto Ben tomava o que parecia ser sua terceira cerveja. - Alguém está parecendo felizinho. - observou Ben quando eu me aproximei. - O que rolou de tão emocionant - O encontro foi quente? - perguntou Mat, brincando e sem saber o quão perto da verdade ele estava. Ben contou a Mat tudo sobre o que havia acontecido, incluindo como eu tinha conseguido entrar no Baile da Capuleto e sobre Julian. Mas eu não mencionei a nenhum deles que tinha convencido Julian a sair comigo em um encontro. - Sim. - respondi alegremente, me sentando ao lado deles. Ambos ficaram intrigados e me olharam, esperando por mais informações. - Com... Julian? - perguntou Mat, com os olhos arregalados. - Claro que sim, com quem mais seria? - eu respondi. Ele deu de ombros desconfortável e mudou de assunto. - E como foi? - perguntou Ben, interessado, desfazendo o desconforto. Eu lancei a ele um olhar malicioso antes de responder. - Ok, muitos detalhes. - Ben riu e me jogou uma cerveja. - E agora? - perguntou Mat. - Você e Julian estão, tipo, juntos? Vai contar para todo mundo? Dei de ombros, incerto do que dizer. - Ainda não sei, acho que vamos só deixar acontecer naturalmente... - parei quando senti o meu celular vibrar no bolso da minha calça. Peguei-o e desbloqueei, lendo a mensagem. - É ele? - perguntou Ben, curioso. - Sim. - respondi, tentando não deixar transparecer a minha ansiedade. - O que ele disse? - Mat exigiu saber, franzindo a testa. - Já está te dando o fora? - Não exatamente... - eu suspirei e mostrei a tela do celular. Julian 21:13 PM Tyler nos viu. Ele estava do lado de fora da minha casa. Ele realmente não gostou nada, acabou de sair dizendo que vai te matar. Estamos tentando encontrá-lo agora, ele está de cabeça quente. Mat começou a rir. - Que situação! - ele zombou. - Lá vem outro showzinho igual ao de Milkshake no The Cube! - Cala a boca, seu i****a. - Ben murmurou, acotovelando-o. - Você acha que ele está a caminho daqui? - ele me perguntou. Dei de ombros sem importância. - Talvez. Ele sabe onde podemos estar. Todos nós nos entreolhamos, sentindo o clima tenso e incerto no ar, sem saber como reagir à ameaça de Tyler. Mas antes que pudéssemos decidir sobre o que fazer, o som dos pneus no estacionamento próximo nos trouxe de volta à realidade. - O que você vai fazer? - Ben perguntou, sussurrando enquanto nos levantávamos e esperávamos. - Eu ainda não sei. - respondi sinceramente, pegando o meu celular novamente para digitar uma resposta rápida para Julian e informá-lo que encontramos o seu primo. De repente, uma batida forte na porta de um carro chamou a nossa atenção, e logo a figura irritada de Tyler surgiu no campo e avançou em nossa direção. - Você! - ele gritou com raiva enquanto se aproximava. - Eu vou matar você! - Oi, para você também, Tyler. - respondi com a maior educação possível. Percebi Ben e Mat assumindo posições defensivas, mas sabíamos que, se as coisas se transformassem em uma briga, todos nós jogaríamos limpo e todos nós sabíamos que seria um a um. Nós não jogamos sujo. - Vai se ferrar. - ele bufou em resposta. - Eu não vou brigar com você. - disse firmemente, levantando as minhas mãos em sinal de paz. Notei Mat olhando para mim, com uma expressão preocupada. Ele não estava feliz. Distraidamente, eu ouvi o som de um segundo carro estacionando próximo. - Bem, então vai ser mais fácil matar você. - zombou Tyler, dando mais um passo em minha direção. - Ok. Olha, Tyler, eu entendo a sua frustração, mas a violência não vai resolver nada. - comecei, tentando manter a calma. - Nós podemos conversar e tentar chegar a uma solução pacífica. - Julian e o menino da varanda apareceram e se juntaram a nós, ficando atrás de Tyler de forma cautelosa. Tentei não me distrair com a presença deles. - Não precisamos resolver isso aqui, vamos guardar isso para o jogo, o que acha? - Você só deve estar de brincadeira. - ele zombou, as suas mãos se fechando em punhos. - Pare de ser tão covarde e brigue comigo. - olhei para Julian, ele estava olhando com cautela entre o seu primo e eu. Os seus olhos encontraram os meus e ele ergueu as sobrancelhas de forma interrogativa. - Eu não vou fazer isso. - disse com firmeza. - Você é primo do Julian e eu não vou fazer nada que possa machucá-lo. Ouvi um barulho de impaciência à minha direita, Mat estava irritado. Tyler deu mais um passo em minha direção, mas deixei as minhas mãos frouxas ao meu lado, sem reagir. Ele levantou o punho e apontou para o meu rosto. Eu vacilei automaticamente, esperando pelo golpe, mas ele nunca veio. Quando abri os meus olhos, a mão de Mat estava envolta no punho de Tyler, impedindo o ataque. Com um empurrão firme, Mat forçou Tyler a dar um passo para trás. - Tudo bem. - disse Mat, colocando-se à minha frente. - Eu brigo com você. - Não dou a mínima para você. - zombou Tyler. Eu me senti impotente e chamei Mat, mas os dois me ignoraram. Tyler abriu a boca para falar, mas foi interrompido quando Mat lhe acertou um soco no queixo. Tyler tropeçou para trás, surpreso pela reação de Mat. Ele inclinou a cabeça com arrogância e, antes que alguém pudesse intervir, eles já estavam brigando à nossa frente. Ambos estavam rapidamente machucados e ensanguentados, rolando no chão em uma luta desesperada por vantagem. Ao meu lado, Ben estava pronto para pular e ajudar Mat se necessário, enquanto Julian olhava com olhos arregalados e mordia o lábio. O irmão de Julian, Nathan, parecia desaprovador e irritado. Senti a minha barriga apertar, lamentando que isso estava acontecendo, isso não era o que eu queria quando fui atrás de Julian e o convidei para sair. Por que não pensei no futuro? Tyler rolou para cima de Mat e deu um soco na cara dele, fazendo com que o meu amigo tivesse um lábio partido e um olho inchado. Mesmo lutando para recuperar a vantagem, Mat não conseguia. Tyler continuou a socá-lo implacavelmente, desferindo golpes no rosto de Mat, que acabou por parar de lutar, mas Tyler não. - Tyler! - Julian gritava desesperadamente. - Para! Ben pulou à frente e agarrou um dos braços de Tyler, tentando puxá-lo para trás, mas ele continuava a socar com o outro braço no rosto de Mat. Eu corri para ajudar, agarrando Tyler e puxando-o para longe de Mat, enquanto Nathan calmamente pegava o seu celular e chamava uma ambulância. - Dê o fora daqui! - Ben disparou contra Tyler, empurrando-o com força longe. Eu sabia que ele estava se segurando para não bater em Tyler. Antes de sair de cima de Mat, Tyler deu um último passo, tropeçando para trás, encarando cada um de nós antes de sair do estacionamento. Ben e eu caímos de joelhos, um em cada lado de Mat. Ele estava respirando e consciente, aliviando-nos um pouco, mas logo ficou claro que ele não conseguia se mover. Mat gemeu de dor quando tentamos levantá-lo, então eu coloquei a minha jaqueta debaixo da cabeça dele, enquanto esperávamos pela ambulância. Nathan agiu rapidamente como se já tivesse visto algo pior do que isso antes, recolhendo as garrafas de cerveja vazias e não abertas que estavam espalhadas pelo chão atrás de nós. - Vou colocar isso no meu carro. - ele disse. - Então vocês não se metem em encrencas. - pelo tom dele, era impossível discernir o que ele estava pensando. A ambulância chegou rapidamente, avançando em direção ao meio do campo. Os paramédicos imediatamente avaliaram os sinais vitais de Mat e o colocaram em uma maca, levando-o para a parte de trás da ambulância. - Ele vai ficar bem? - perguntou Ben, enquanto tentávamos segui-lo e subir na ambulância atrás dele. - Ele vai ficar bem! - respondeu o paramédico, bloqueando o nosso caminho. - Mas vocês terão que ir para o hospital. - ele bateu as portas da ambulância e partiu, deixando-nos ali parados, atônitos e chocados. - Romeo? - Julian me chamou em voz baixa assim que a ambulância desapareceu, olhando para mim com timidez. Olhei para ele, surpreso por quase ter esquecido que ele estava ali. - Sinto muito. - ele sussurrou, seus olhos molhados de lágrimas. Fiquei surpreso ao ver a suas emoções à flor da pele. - Não acredito no que Tyler fez. - ele continuou, pedindo desculpas. Eu caminhei em sua direção e o abracei com força, mantendo-o junto a mim. Ele descansou a sua cabeça no meu ombro e retribuiu o abraço, juntos, encontrando conforto um no outro.
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