Capítulo 6: encantador.

2933 Palavras
Narrado por Julian. Eu pisquei algumas vezes, buscando entender claramente a sua sugestão. - Desculpa? - eu perguntei, confuso. Romeo andou desajeitadamente por um instante antes de recuperar a sua habitual compostura confiante. - Um encontro. - esclareceu ele. - Você sabe, sair juntos, comer alguma coisa e conversar. - Um encontro? - eu perguntei cético, lutando para compreender o que estava acontecendo. - Isso é algum tipo de brincadeira ou aposta entre amigos? - eu o questionei, tentando encontrar uma explicação mais plausível. - Não! - Romeo parecia genuinamente ofendido agora. - Eu sei que os Montéquios e os Capuletos tiveram as suas diferenças no passado, mas nunca foi pessoal. - ele acrescentou, tentando tornar a situação um pouco engraçada. - Eu não estava falando de rivalidade. - eu respondi com um tom seco. - A minha mente estava mais pelo território do "crime de ódio" mesmo. Eu entendo que a minha escolha de palavras tenha sido dramática, mas desde que eu percebi que sou gay, eu tenho receio de situações assim. Os meus piores pesadelos são feitos disso: ser convidado para sair por algum cara e acabar em um desastre digno do filme "Carrie, a Estranha". Romeo me olhou com desconfiança e respondeu com um tom levemente sarcástico. - Se eu quisesse punir você por ser quem é, eu já teria feito isso logo após o beijo, não acha? - ele zombou. Eu apenas encolhi os ombros. - Como eu poderia saber? *** Narrado por Romeo. As coisas não estavam indo como eu esperava, e definitivamente não como Ben havia prometido. Ele era extremamente convencido e egocêntrico, acreditando que gestos românticos nunca falhavam. No entanto, ele só tinha experiência com garotas e não compreendia os sentimentos de um adolescente gay, sobrecarregado pelo mundo e desgastados pelo cinismo de homens com três vezes a sua idade. - Você não acha que Tyler se vingaria de mim caso eu fizesse alguma coisa para te machucar ou te humilhar? - eu argumentei com Julian. Eu estava prestes a mencionar as ameaças que Tyler já havia feito contra mim, mas eu me lembrei do conselho de Ben sobre ser romântico. No entanto, considerando que Ben costumava brincar com os corações de algumas garotas, ele não parecia um especialista nessa situação. - O pior já foi feito. - Julian respondeu maliciosamente. Ele parecia estranhamente perspicaz agora, como se estivesse sendo cuidadoso após a minha reação negativa quando eu descobri que ele era um garoto. Antes do beijo, ele não estava tão na defensiva. - Está bem. - eu cedi. - Mas não é como se eu fosse o único jogando fogo aqui. Você também tem munição para se vingar. Pensei em como isso se tornou uma espécie de plano de guerra. - Conversei com você a noite toda, e o garoto com quem você estava na varanda sabia que era eu. Você poderia sair por aí contando que nos beijamos, o que me acertaria em cheio. Mas acredito que você não faria isso de propósito. - eu acrescentei rapidamente. - Eu só quero te conhecer melhor. - Por quê? - Julian perguntou, me fazendo resistir à vontade de suspirar. Ele me daria trabalho, mas eu merecia, afinal, por ter sido tão i****a com ele antes. E eu estava tecnicamente invadindo a sua propriedade. - Antes de te beijar, eu disse que estava começando a gostar de você. E enquanto nós conversávamos a noite toda, eu realmente quis dizer aquilo. Eu gostei de você. - eu expliquei. - E sobre o beijo... - eu hesitei antes de continuar, olhando para ele com alguma dificuldade. - Foi um dos melhores que eu já tive. Você sentiu isso também, certo? Eu olhei para ele com esperança, esperando que não fosse necessário ser mais sutil. Felizmente, Julian pareceu entender. Abaixando os olhos, ele murmurou com relutância: - Sim, eu senti. - Julian respondeu, me fazendo sorrir de alívio. - Ótimo. - eu disse. - Então, amanhã às seis horas? Julian me encarou por um momento antes de um sorriso lento se espalhar por seu rosto. - Certo. Amanhã às seis. *** Narrado por Julian. A minha vida parecia ter sido virada de cabeça para baixo em uma única noite. Ontem de manhã, eu era apenas um garoto nerd com um stalker estranho e amigos um ano mais velhos. Hoje, ainda sou a mesma pessoa, mas estou prestes a ter um encontro com o cara mais bonito da cidade, e estou confiante de que isso não terminará de forma desastrosa. Eu avisei Nathan sobre o meu paradeiro e também pedi que ele ficasse acordado até eu voltar. Se demorasse mais de sessenta segundos, ele deveria ligar para Tyler, a minha melhor aposta em situações assustadoras, apesar do seu status inabalável de i****a. Ele iria atrás de Romeo e talvez até da sua família, dependendo de quão zangado ele estivesse. E eu esperava que isso não fosse necessário. Romeo me surpreendeu ao me adicionar no f*******: hoje cedo e sugerir que nos encontrássemos no lago da cidade, um lugar isolado e abandonado. Embora eu tivesse preocupações sobre a segurança de ir para um lugar tão isolado assim, sendo totalmente favorável para algo r**m, era uma opção melhor do que sermos vistos juntos já que pertencemos a escolas rivais. Além disso, ambos estamos no armário, embora eu não tenho certeza sobre a orientação de Romeo, um encontro convencional não era uma opção. Mesmo assim, a escolha de um lugar tão estranho quanto o lago me deixou apreensivo. *** Narrado por Romeo. Eu reconheço que tudo está acontecendo rapidamente, mas eu preciso manter esse encontro em segredo. Eu ainda não contei para Ben ou Mat, embora suspeite que Julian já tenha comentado algo com o garoto da varanda. Julian parecia um pouco apreensivo de que eu pudesse ser intolerante ou homofóbico, o que não é o caso. Vivemos em uma cidade tranquila, onde as pessoas geralmente mantêm as suas convicções políticas e religiosas para si mesmas. Nossos preconceitos, se houver, estão mais ligados à rivalidade entre escolas do que a outras questões. No entanto, eu compreendo por que Julian ainda não se assumiu. Revelar a sua homossexualidade seria como causar um grande alvoroço na nossa cidade, que é excessivamente preocupada com os assuntos dos adolescentes, equivalente a um desastre iminente. Mesmo sem uma reação negativa, a pressão ainda seria avassaladora. Eu sei que também vou enfrentar essa situação quando eu entender melhor as coisas. *** Narrado por Julian. - Ah, oi. - disse eu, um pouco desajeitado, parando a alguns passos de Romeo. Ele estava de costas, admirando o lago, mas rapidamente se virou ao ouvir a minha voz. Ele superou a surpresa com um sorriso encantador e coçou a parte de trás da sua cabeça timidamente. - Oi. - ele respondeu, dando um passo na minha direção e parando. - Como você está? Eu o encarei cautelosamente, buscando sinais de possível perigo. Ele usava uma camiseta branca de mangas curtas, que indicava que ele não esperava ter sangue em si. Também a sua musculatura definida se destacava e contrastava com a sua pele levemente bronzeada. Por outro lado, eu estava vestindo uma camiseta xadrez e um jeans skinny, mas havia arregaçado as mangas e calçava um par de Vans combinando, que era a minha tentativa de parecer mais apresentável. - Eu estou bem. - respondi. Com a luz de final de dia, eu pude ver o seu rosto claramente, o que tornou a conversa um pouco mais desafiadora para mim. No entanto, eu não me importaria de passar a noite inteira apenas olhando para ele. - E você? - eu perguntei - Ah, estou bem. - ele respondeu cuidadosamente. - Um pouco nervoso, na verdade. Eu nunca fiz isso antes. - ele acrescentou com um sorriso tímido. Vindo de outra pessoa, isso poderia parecer patético, mas vindo dele, era encantador e vulnerável. - Também estou nervoso. - eu admiti, tentando imitar o seu sorriso tímido, embora tenha provavelmente falhado miseravelmente. - A menos que você considere fugir de Liam em um encontro. - eu brinquei. Romeo pareceu mais relaxado com a minha tentativa de piada fraca. Ao mesmo tempo, eu percebi mentalmente que estava me apaixonando rapidamente. Que droga! - Aquele cara é realmente bem estranho. Por que você não o denúncia? O que ele está fazendo é praticamente assédio? - comentou ele, balançando a cabeça. Eu apertei os lábios e o olhei maliciosamente. - Ao contrário de invadir o jardim de alguém e se recusar a sair sem um encontro? - eu retruquei, e Romeo pareceu surpreso por um segundo com a minha audácia, mas depois ele riu. - Gosto de como você inspira perseverança. - Sorte a minha. - ele riu novamente. - Venha, o meu carro está aqui perto. - disse ele, se virando e caminhando na direção oposta ao lago. - Para onde estamos indo? - eu perguntei, curioso, o seguindo. - Eu conheço um pequeno restaurante em St. Peters. - disse ele, destravando remotamente o carro para que eu pudesse deslizar para o banco do passageiro. Ligando o motor, partimos pela estrada. - Imaginei que você não gostaria de ser visto comigo em Verona, tanto quanto eu.- eu balancei a cabeça, apesar de me sentir um pouco desapontado por isso. As nossas razões para evitar sermos vistos juntos eram válidas, mas sempre é um problema quando alguém tem vergonha de ser visto com você. - Isso é realmente uma merda. - acrescentou ele, olhando para mim de lado com outro sorriso irônico. Não sei se ele estava consciente disso ou se era apenas sua natureza, mas esse garoto era como um Casanova. Ele poderia encantar até mesmo uma freira, se quisesse. - Não vejo a hora de sair de Verona. - eu admiti enquanto nos dirigíamos para a cidade vizinha. Romeo levantou uma sobrancelha enquanto ele ainda mantinha os olhos na estrada. - Mesmo? Eu pensei que a sua família adorasse a cidade natal. - disse ele. - O lado da família de Tyler, sim.- eu esclareci. - Mas é apenas o meu primo e os meus tios. Meus pais, meu irmão e eu não estamos tão comprometidos. Além disso, quero ir para uma faculdade em algum lugar longe daqui. - ele assentiu com compreensão. - Vou para a UCLA no outono. Para onde você está pensando em ir? - eu fiquei boquiaberto - Califórnia? - ele olhou para mim rapidamente, sorrindo. - Sim, eu sei, a dois mil quilômetros de distância. Pena que não posso ir mais longe, mesmo que eu tente. - ele brincou enquanto eu balancei a cabeça. - Parece perfeito. - eu disse. - Você deve fazer as inscrições quando chegar a hora. Quer saber o que eu gostaria de estudar? - ele perguntou de repente. - O que você gostaria de estudar? - eu perguntei, ficando rapidamente mais impressionado com esse cara do que antes. - Arquitetura. - ele respondeu. - Eu escondo bem, mas eu sou realmente bom em matemática. - Uau. - eu respirei, sem me preocupar em esconder o quanto estava impressionado. Mal percebi que já tínhamos chegado a St. Peters até que Romeo estacionou o carro do lado de fora de um discreto restaurante chamado Rules. - Chegamos. - Romeo disse levemente, pegando as chaves e saindo do carro. Eu me movi para segui-lo, observando sem palavras enquanto ele negociava por uma mesa no pequeno, mas quase cheio, lugar. - Acho que vou comer um hambúrguer. - ele pensou em voz alta quando estávamos sentados, como se conseguir um lugar tão rapidamente fosse a coisa mais natural do mundo. - O que você vai querer? Eu examinei rapidamente o menu, tentando encontrar algo que não fosse muito caro. Não estava preparado para jantar em um restaurante tão caro, e na melhor das hipóteses, me contentaria com um simples McDonald's. Parece que Romeo percebeu os meus olhos vagando pelos preços, porque ele disse casualmente: - E, obviamente, eu vou pagar. - quando olhei para ele, os seus olhos estavam fixos no cardápio e não em mim. Como eu nunca havia tido um encontro assim antes, eu não sabia o que esperar, mas o bom senso indicava que eu deveria deixar acontecer. Nunca pensei que gostaria que alguém me tratasse como se eu precisasse de cuidados, mas quando ele disse aquilo, eu senti uma sensação boa e quente na minha barriga, então eu decidi seguir o fluxo e pedi uma lasanha, que estava deliciosa. Era, no entanto, mais cara do que qualquer lasanha que eu já havia comido. - Então, o que você planeja estudar depois do ensino médio? - Romeo olhou para mim, voltando à nossa conversa anterior. Dei de ombros. - Eu ainda não tenho ideia. Não sou muito bom em nada Romeo franziu a testa brevemente, mas logo ele sorriu e disse: - A UCLA tem um excelente programa para estudantes LGBTs, talvez você devesse considerar isso. - ele comentou e eu joguei um guardanapo nele, rindo. - Talvez você devesse tentar também, já que é novato nisso. - eu sugeri. - Você está nisso há mais tempo do que eu. - Romeo fez uma careta. - Ponto para mim. De qualquer forma, deve haver algo que você goste de fazer. O que te interessa? Dei de ombros. - Ler, assistir TV, sair para passear... coisas comuns. Eu tenho dezesseis anos. Eu sou naturalmente apático. - Romeo coçou o queixo, perdido em seus pensamentos. - Você poderia ser um advogado. - ele sugeriu, aparentemente ignorando o meu comentário anterior. - Lidar com casos de assédio, enfrentar caras como Liam. Eu ri disso, achando a ideia um pouco exagerada, já que a lei raramente punia caras como Liam. Mas depois, quando eu cheguei em casa e me deitei na minha cama, esperando pelo sono, a ideia continuou a martelar na minha cabeça. *** Narrado por Romeo. - Não vou deixar você ir para casa daqui do lago. - eu afirmei com determinação, deixando claro que não aceitaria outra opção. Tínhamos discutido isso desde que saímos do restaurante. A tensão s****l estava se intensificando a cada momento, e eu m*l conseguia resistir ao desejo de beijá-lo. Cada vez que olhava para Julian, a atração aumentava, e eu pensava em parar o carro e beijá-lo ali mesmo. - Mas já está escuro, e a sua casa fica longe daqui. - eu insisti. - Eu sei, mas se alguém nos ver, estamos ferrados. - ele retrucou, olhando ansiosamente através do para-brisa em busca de alguém. Embora houvesse algumas pessoas, ninguém parecia prestar atenção em nós. Revirei os olhos em resposta. - Deixar você em casa é muito mais fácil de explicar do que se fôssemos vistos juntos. Você poderia dizer que estava pedindo carona, e eu parei antes de perceber que você era um Capuleto. - eu sugeri, com um sorriso malicioso. - Encantador. - ele falou, olhando para mim de lado. Eu parei do lado de fora da casa de Julian e debati comigo mesmo momentaneamente se desligaria ou não o carro. Eventualmente, decidi deixá-lo ligado para que ele não pensasse que eu estava esperando ser convidado para entrar ou algo do tipo. - Hm, obrigado pelo jantar e pela conversa. - ele murmurou, de repente tímido novamente. Não conseguia decidir qual versão dele eu preferia: a tímida e adorável ou a irônica e defensiva, que era estranhamente sexy. Nota: A partir deste ponto, eu comecei a considerar seriamente a possibilidade de ser pelo menos bi. - De nada. - eu respondi, sorrindo e tentando parecer mais confiante do que realmente estava. - Eu também me diverti muito. - Eu também... - Então, hm... - ele brincou com o cinto de segurança antes de tirá-lo. - Acho que nos veremos por aí? Eu apontei para o meu celular, que estava descansando no painel. - Eu tenho o seu número agora. - eu lembrei a ele, sorrindo. - Verdade. - Julian abriu a porta e balançou as pernas para fora, antes de se virar e dizer: - Ah, mais uma coisa. - e então ele se inclinou e me beijou de repente. E com toda a certeza, eu prefiro o lado confiante de Julian depois de tudo. Surpreso, eu deixei escapar um som de surpresa antes de envolver os meus braços ao redor do pescoço de Julian, puxando-o para mais perto e beijando-o de volta com desejo. Ele se moveu de volta para dentro do carro enquanto os nossos lábios se encontravam; os meus dedos acariciavam a sua nuca e a sua boca se abria para um beijo mais profundo, enquanto as nossas línguas dançavam em perfeita sincronia. Sem chance de um de nós desistir do domínio. Depois de alguns segundos, nos separamos, ambos ofegantes, com as nossas testas quase se tocando, o meu coração batendo acelerado. Quando eu finalmente abri os olhos, Julian sorriu para mim. - É melhor você me enviar uma mensagem. - ele sugeriu, antes de sair do carro e fechar a porta. *** Narrado por Julian. Não sei de onde eu tirei tanta coragem, mas eu sabia que não poderia sair daquele carro sem beijá-lo novamente. Não tinha certeza se teria outra oportunidade, mas algo me dizia que eu ainda o beijaria mais vezes. Talvez eu tenha, inadvertidamente, desenvolvido um vício por isso. Caminhei pelo jardim em direção à minha casa, refletindo alegremente sobre o encontro e sonhando com a possibilidade de outro. No entanto, os meus pensamentos foram abruptamente interrompidos quando eu parei em frente à varanda e me deparei com o meu primo Tyler, em estado de choque, segurando um cigarro esquecido na mão.
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