Capítulo 18: ele merece isso.

2839 Palavras
Narrado por Julian. Ao chegar em casa acompanhado de Liam ao final da tarde, eu me senti como um súdito enquanto ele agia como o rei. Ele estacionou o seu carro em frente à minha casa, e quando eu tentei sair do veículo para me libertar do seu domínio, rapidamente eu pude ver os pinos das portas abaixarem e as mesmas serem trancadas. - Não tão rápido, Julian. - ele me chamou a atenção, e eu voltei a me sentar no banco. - Já temos um acordo, e eu dou a minha palavra em cumpri-lo. Agora, você pode me deixar ir? - eu pedi com um sorriso falso, encarando os seus olhos negros. Ele sorriu de volta para mim e disse: - Eu sei que você vai cumprir, amor, mas eu gosto de tirar todo o proveito que algo pode me dar, nesse caso, você. A sua expressão cínica me deixou com medo e irritado, e eu me perguntei como alguém poderia me fazer sentir esses dois sentimentos ao mesmo tempo. - Isso é tão... você está certo. - eu concordei com ele, sabendo que remar contra a maré só pioraria a situação e poderia afetar Romeo. - Então por que não me dá um beijo de despedida? - sugeriu ele, sabendo que isso me irritaria. Resolvi jogar o jogo dele e eu concordei com um tom desinteressado - Claro. - deixei as palavras saírem da minha boca sem nenhuma vontade e me inclinei em sua direção. Liam pareceu surpreso com a minha iniciativa, mas ele rapidamente me puxou pela nuca e me beijou. Eu fechei os meus olhos e engoli em seco, enquanto me entregava ao beijo. De longe, o beijo de Liam não chegava aos pés do beijo de Romeo. Era mortificado e repugnante, mas eu sabia que era um sacrifício que precisava ser feito. Eu abri os meus olhos quando Liam quebrou o beijo e eu percebi que Liam não estava mais me olhando. Seguindo o olhar de Liam, eu vi Tyler do lado de fora do carro, sorrindo para mim vitoriosamente. - Já chega. Abre as portas agora, Liam! - eu gritei para ele irritado depois de me afastar, mas Liam apenas riu da minha reação. E cada vez mais eu tinha motivos para odiar esse garoto. - Como você quiser, majestade, - zombou Liam antes de destravar as portas. E eu abri rapidamente a porta do carro e saí, mas antes que eu pudesse bater a porta na cara de Liam, ele chamou a minha atenção. - Julian, não se esqueça do combinado. - disse Liam, mordendo o lábio inferior de forma não atraente. - Te busco amanhã de manhã. Sonha comigo, amor. - ele acrescentou, sorrindo. - Não preciso nem dormir para viver esse pesadelo. - eu murmurei, sem saber se Liam ouviu, mas eu apenas dei de ombros. - Até amanhã, Liam. - gritei para ele, batendo a porta do carro. O motor do carro de Liam ligou e ele se afastou rapidamente, indo para longe de mim. Não pude evitar olhar para Tyler pelo caminho até a porta da frente da minha casa já que ele fez o desfavor de se sentar na escada da varanda. Obviamente, ele tinha que vir me provocar e deixar claro que ele tinha vencido, ou talvez isso era o que ele pensava. - Vocês fazem um casal tão fofo. - disse Tyler, rindo, virando a sua cabeça para me encarar. Eu o ignorei. - Qual é, Julian? Vai fazer de conta que não está me vendo agora? Achei que já tivesse superado isso. - E eu nunca pensei que você fosse tão s*******o. Ah, não, já pensei sim. - eu respondi, cuspindo as minhas palavras em Tyler enquanto entrava em casa. Eu estava exausto e a minha cabeça latejava com cada pensamento enquanto eu fechava a porta atrás de mim. Um suspiro escapou quando eu ouvi o meu nome sendo chamado. - Julian? - eu segui a voz vindo da sala de estar, onde eu encontrei os meus pais e Rose. Sorri fracamente enquanto eles me olhavam. - Julian, onde você estava? - perguntou a minha mãe. - Ah, eu estava na casa de uma amiga, Sabrina. Vocês lembram dela, né? - disse eu sem motivo. Eu não queria mentir para eles, mas também não queria envolvê-los no meu drama adolescente de amor proibido e chantagens. Eu já tinha problemas suficientes em minha mente e idade suficiente para lidar com eles sozinho. Eu percebi que Rose franziu as suas sobrancelhas para isso, mas sabia que ela não iria dizer nada. - A filha dos Watson? - o meu pai perguntou. - Isso mesmo. - eu confirmei. - Aliás, já que estamos falando disso... - eu fiz uma pausa, sabendo que poderia ser julgado agora, mas eu não podia ignorar o fato de que Liam não me deixaria em paz se eu não cumprisse a sua exigência. Eu não podia dizer a verdade, porque era uma das condições impostas por Liam. Então, eu precisei mentir mais uma vez. - Sabrina me convidou para passar o final de semana na sua casa. Vocês acham que tudo bem eu ir? - eu perguntei, fingindo empolgação e sorrindo. Rosalia franziu as suas sobrancelhas novamente para minhas palavras. Imagino que teria que falar com ela depois. Talvez me arrependesse de ir para um lugar desconhecido com um garoto obviamente obcecado que faria qualquer coisa para ter algum tipo de controle sobre mim. Mas o que mais eu poderia fazer? Me sinto como se estivesse no topo de um grandioso penhasco, onde eu luto para me manter de pé ou me jogo de uma vez por todas. Tyler vai continuar me vigiando, me controlando e pode até mesmo fazer algo para manter Romeo longe de mim. Liam é um i****a egoísta e obcecado que não sabe levar um não e que não desisti facilmente. Eu amo Romeo tanto que palavras não seriam capazes de expressar e isso chega a me assustar, eu só queria poder ficar junto dele o tempo todo, poder beijá-lo, abraçá-lo quando quisesse sem ter que fazer isso as escondidas. Eu só quero viver nosso amor sem medo, sem essa estúpida rivalidade, sem ter que esconder nada. - Claro, querido. - a voz da minha mãe me trouxe de volta à realidade, e eu engoli em seco antes de forçar um sorriso fraco. - Faz um tempo desde que eu te vi com os seus amigos, vai ser bom para você. - Sim, mãe. Obrigado. - eu sorri para os dois, que não se importaram em voltar a sua atenção para a tela da TV. - Rose, posso falar com você? - eu perguntei, e ela acenou com a cabeça com entusiasmo. Ela me seguiu silenciosamente até o meu quarto, onde eu podia falar livremente sem que os meus pais me ouvissem. - Está tudo bem, Julian? Eu nunca te vi falando com Sabrina antes. - perguntou Rosalia, obviamente pegando o rastro com as minhas mentiras depois que eu fechei a porta do meu quarto atrás de mim. - Se ser forçado a passar o fim de semana com um cara que eu odeio conta, então não, nenhum pouco. - eu respondi rapidamente. Rose sentou-se na beira da minha cama, olhando para mim. - O que aconteceu? - perguntou ela, confusa. - Eu pensei que você ia encontrar Romeo? - Sim, então... - eu comecei depois de me sentar ao lado dela na cama. - Mas por alguma razão desconhecida, quando eu estava prestes a terminar com Romeo, chorando nos seus braços, Liam apareceu atrás de mim, e com isso... - Que merda. - ela me interrompeu, apertando os seus lábios. - Com isso, ele me viu nos braços de Romeo e juntou um mais um. - eu disse, deixando um suspiro pesado sair. - Então agora ele sabe sobre você e Romeo. E você nem conseguiu terminar com ele. Realmente, que merda. - E para piorar as coisas, Liam está me chantageando para não contar a Tyler o que ele viu. - eu disse, sentindo-me totalmente desanimado, jogando o meu corpo de volta na cama. - Eu não sei mais o que fazer, mas eu amo Romeo, e todo esforço vale a pena, certo? - Julian, você está certo. Se você o ama, faça o que o seu coração mandar. - disse Rosalia, numa tentativa de me confortar. - Estou deixando o meu coração me guiar... - eu deixei sair um suspiro suave. - Eu só espero que as coisas não piorem. *** Narrado por Romeo. Já estava tarde quando eu cheguei a casa de Julian, enquanto o clima esfriava e o silêncio das ruas paradas era tudo o que eu tinha como companhia. Mesmo assim, a minha vontade de ver Julian e dizer a ele que eu o amo ainda fervia em mim como um fogo selvagem que só se apagaria ao vê-lo. Ao chegar em sua casa, eu percebi que todas as luzes estavam apagadas e Julian provavelmente já estava dormindo. Mesmo assim, eu estava determinado a vê-lo e não iria embora sem cumprir o meu objetivo. Os meus lábios ansiavam por sentir os dele e o meu coração clamava por sua presença. Eu encarei a janela do seu quarto ansiosamente antes de pegar o meu celular em meu bolso, eu tentei ligar para ele, mas eu não tive sucesso o seu celular deveria estar desligado, quatro chamadas e nenhuma resposta. Foi então que uma ideia - não muito brilhante - me ocorreu. Eu saltei a cerca da sua casa, quase tropeçando devido ao álcool no meu sangue e à ansiedade de tocá-lo. Chegando perto da sua janela, eu rapidamente peguei algumas pedrinhas que encontrei pelo caminho e as atirei para chamar a sua atenção. Na segunda tentativa, a luz do seu quarto acendeu e um sorriso se abriu no meu rosto quando ele abriu as portas francesas da sua varanda. - Julian... - eu chamei pelo amor da minha vida assim que ele estava na varanda. Ele pareceu surpreso, mas ele não evitou me dar um sorriso suave. - O que você está fazendo aqui, Romeo? - Julian exigiu com a sua voz baixa. - Eu precisava te ver, Julian, eu precisava te dizer uma coisa. Eu sei que está tarde, mas eu... - Julian me interrompeu ligeiramente antes que eu terminasse de falar. Ele parecia chocado pela minha situação. - Romeo, você está bêbado? - perguntou ele, apertando os seus olhos. - De amor. - eu respondi e sorri para ele, eu estava tão feliz em vê-lo, a minha vontade era de escalar a parede até chegar na sua varanda e agarrá-lo. Tê-lo para mim. - Eu preciso te dizer isso, você pode vir aqui? - Romeo, por favor, não é o melhor momento. - Julian respondeu suavemente. - Julian, eu não vou embora antes de te falar isso. - eu insisti. - Vá em frente, fale. - disse ele. - Você pode vir aqui ou eu vou aí? - eu anunciei determinado. Eu só queria poder dizer a ele que o amo cara a cara. - Romeo, não... - Julian começou e assim que eu ouvi a sua voz, eu segui caminho até a parede para subir nela. Não levou muito tempo para ele mudar de ideia. - Merda. Estou indo aí. - ele disse antes de me fazer sorrir outra vez. *** Narrado por Julian. Eu estava saindo do meu quarto para encontrar Romeo no lado de fora de casa quando eu acabei encontrando Rosalia na porta do seu quarto. - Julian... - ela me chamou me fazendo estremecer. - Eu ouvi vozes, era você? - Que susto, Rose. - eu suspirei ligeiramente sorrindo para ela. - Ah, sim, você não sabe... - eu fiz uma pausa. - Romeo está lá em baixo e está bêbado, ele disse que precisa me dizer algo e acho que ele não vai embora até eu descer para encontrá-lo. - eu contei a Rosalia resumidamente, franzindo as minhas sobrancelhas. - Vá até ele. - começou ela, então dando-me um sorriso. - Acho que depois do que aconteceu no lago, ele mereça isso. - ela sugeriu. - Você está certa. - eu disse, apertando os lábios. Ela realmente estava certa, depois do que aconteceu no lago, ter uma conversar com Romeo era o mínimo que eu devo a ele. - Rose, você poderia me avisar se alguém acordar? - Claro, Julian. Você pode sempre contar comigo, você sabe. - respondeu Rosalia, apertando o meu braço suavemente. Eu sorri para ela antes de dizer "obrigado" e descer as escadas para encontrar o meu amado Romeo. *** - Romeo? - eu o chamei suavemente assim que eu saí para fora de casa, mas eu não tive resposta. - Romeo? Caminhei até onde ele estava antes, jogando pedrinhas na minha janela. Estava ligeiramente frio e m*l iluminado do lado de fora, continuei procurando por ele até sentir alguém me abraçar por trás. Logo, o seu perfume preencheu os meus sentidos, o meu Romeo. - Julian... - ele me chamou antes de eu me virar para encará-lo. Tão rápido quanto os nossos olhos se encontraram, ele me puxou para um beijo quente e intenso, era como se estivéssemos em falta disso tanto quanto as estrelas poderiam ser contadas. Os seus lábios pressionados contra os meus, macios e quentes, eu não sabia que precisava disso até tê-lo. Eu levei a minha mão direita até a parte de trás da sua cabeça, segurando o seu cabelo suavemente. O nosso beijo era intenso e apaixonado, quente e cuidadoso. Rapidamente, ficamos sem ar e eu ri disso, Romeo percebeu e parou o beijo, dando pequenos selinhos nos meus lábios. Sentir os seus lábios e olhar nos seus olhos fazia o tempo ao nosso redor parar, não havia nada além de nós dois ali, vivendo em uma bolha feita com o nosso amor. Por mais que me doesse quebrar esse momento, eu o fiz. - Romeo... - eu deixei sair suavemente dos meus lábios, ele me encarou atentamente como se isso fosse a chave para a sua atenção. - Eu... me desculpa por hoje no lago, eu te deixei lá sem dizer uma palavra... - Meu amor, você não precisa pedir desculpas. - disse Romeo, interrompendo-me ligeiramente enquanto levava a sua mão direita até o meu rosto e o acariciava suave e cuidadosamente, eu sempre vou amar o seu cuidado comigo, as vezes me doía sentir que podia ter machucado-o. - Quanta sorte tenho eu... - disse e eu pude ver o rosto de Romeo iluminar-se entre um leve riso. - Ei, essa fala é minha. - zombou ele, fazendo-me rir. - Vem cá. - Romeo puxou-me para um abraço forte nos seus braços quentes, então eu afundei a minha cabeça no seu peito. Era doido pensar em como estar com ele dissolvia as minhas preocupações e medos facilmente, mas, ao mesmo tempo, pensar em perder isso ou perder ele... nem mesmo conseguia imaginar. Eu nunca pensei que teria algo assim, agora eu não sei como posso viver sem isso. - Você disse que queria me falar algo. O que era? - perguntei a Romeo quando eu o senti colocar o seu queixo sobre a minha cabeça ainda em seus braços, eu segurava a sua cintura. - Eu já disse isso, mas eu preciso dizer de novo e enquanto eu estiver vivo. - ele começou e eu soltei a sua cintura para poder olhar em seus olhos enquanto ele falava. Talvez agora os meus olhos brilhassem mais que as estrelas no céu à noite. - Espera, não fala ainda não. - eu o interrompi. Talvez eu seja julgado agora, mas algo veio na minha mente e estava me incomodando. - Você estava em uma festa? - Então... sim. - o garoto de cabelo castanho escondido na luz da lua comigo, fez uma pausa. - Logo que você me deixou no lago, Ben me ligou e praticamente me implorou para ir com ele nessa festa como nós fazíamos, eu estava abalado com o que aconteceu e eu achei que me ajudaria a distrair... não estou falando isso para te atingir nem nada... uma garota que eu costumava ficar me beijou, mas eu quero que saiba que o beijo não foi recíproco e não teve importância, na verdade, ele me fez perceber que eu te amo demais, Julian, e por isso estou aqui agora. - ele disse e acabou a sua sentença, franzindo as suas sobrancelhas e apertando as minhas mãos, talvez preocupado com como eu iria reagir. Mas eu rapidamente lhe dei um sorriso de lábios apertados, a sua honestidade me encantava e eu não podia evitar sentir o meu coração mais quente. - Quer saber de uma coisa...? - eu lhe perguntei de repente. - O quê? - Eu também te amo, Romeo. - deixei as palavras saírem dos meus lábios suavemente e eu pude ver os seus olhos iluminarem em resposta. Então ele sorriu antes de me puxar para um beijo quente novamente.
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