Narrado por Romeo.
Eu estava parado, afundado em um oceano de confusão, sem saber como reagir.
Eu franzi as minhas sobrancelhas quando as minhas mãos ficaram soltas no ar depois que Julian as soltou. O que ele estava pensando? Encarei as suas costas enquanto ele se afastava e esperei que ele olhasse para trás, mas ele nunca o fez. O garoto que amo me deixou sozinho no mesmo lugar onde compartilhamos o nosso momento mais especial para correr atrás de outro. Eu não sabia o que pensar ou sentir. Julian havia jurado me amar e estou disposto a lutar por ele, mas agora ele está perseguindo o garoto que o assediava.
Eu encarei o chão por um tempo até que o meu celular tocou. Era Ben.
- Ei, cara, onde você está? - a sua voz soou apressada. Levei um momento para responder, precisando limpar a minha mente e respirar um pouco de ar fresco.
- Oi para você também. Eu... estou no lago, tentando respirar um pouco.
- E Julian, está com você?
- Não, não mais. - fiz uma pausa, lembrando do estado em que ele estava quando ele chegou aqui, chorando e se segurando em mim como se tivesse medo de me perder. Algo havia acontecido e eu precisava saber o que era. - Por que, o que aconteceu?
- Bem, eu sei que você está com Julian agora e eu tento não achar estranho, mas Joana, uma amiga da Hayley, está dando uma festa e o Mat não pode ir comigo porque os pais o proibiram... - ele falava como se fosse um cãozinho abandonado e eu já sabia onde ele queria chegar. - Então pensei que você poderia ir comigo. Vamos lá, Romeo.
- Ah, eu não sei. - fiz uma pausa. - Acho que depois do que aconteceu, não é um bom momento.
- Qual é, Romeo. Não é porque você está com Julian que precisa ser um cuzão com os seus amigos. Será uma boa para você esquecer essa briga. E você sempre adorou uma festinha. - ele riu, provavelmente lembrando de todas as merdas que já fizemos juntos.
Eu realmente sentia falta disso. Julian havia me deixado depois de chorar nos meus braços e ir atrás do garoto maluco que o perseguia. Eu não queria ficar aqui pensando no porquê, pois isso só me deixaria doido. Talvez eu me distrair fosse uma boa ideia, mas Julian ainda me devia algumas explicações. Só espero não me arrepender de ouvi-las.
- Droga, Ben. - eu ri, depois de uma pausa. - O que você não pede chorando que eu não faço sorrindo.
***
Narrado por Julian.
Eu rapidamente segui os passos de Liam, deixando Romeo no pier com um coração pesado. Ele pode não entender porque eu estava fazendo isso, e pode até se sentir rejeitado, irritado ou traído, mas eu não podia deixar que as coisas continuassem arruinadas. Eu estava disposto a fazer qualquer coisa para evitar mais problemas, mesmo que isso significasse correr atrás de Liam.
- Liam! - eu gritei enquanto o via entrar no seu carro. Ele se sentou lá, calmamente me encarando com a porta aberta.
- O que você quer Julian? Acho que o seu namoradinho já deixou tudo claro lá. - ele zombou, sem olhar para mim.
- Olha, eu sei que nunca te dei uma chance e que sempre estou fugindo de você, Liam, mas acho que você não precisa ir contar a Tyler sobre o que viu. Podemos resolver as coisas só nós dois. - eu sugeri, suando frio. Liam não é nem um pouco confiável e já se provou ser um maluco sociopata, mas quando eu pensei em sacrifício talvez esse seja um deles.
- Ah, nós podemos? Eu estou começando a gostar disso. - disse ele, rindo excitantemente como um depravado, eu engoli em seco, nervoso. Ele saiu do carro e encostou-se no mesmo cruzando os braços.
- Então, eu prometo que se você esquecer o que viu e ouviu hoje, eu... eu aceito sair com você outra vez, mas desta vez, eu não vou fugir. - as palavras saindo da minha boca parecendo cacos de vidro de tão dolorosas e afiadas.
- Olha só. Você realmente gosta dele, não é, Julian? - ele balançou a sua cabeça com desdém. - Tudo que eu posso te oferecer e você escolhe ele. Sinceramente, eu me sinto anojado. - ele cuspia as suas palavras em mim.
- Liam, você não sabe o que é amor. Ninguém escolhe por quem sentir. - tentei, mas ele deu de ombros.
- Eu não sei o que é amor? Você se faz de sonso ou realmente é? - ele disse bruscamente depois de virar-se e bater as palmas das mãos na lataria do carro, o que me fez saltar no lugar. - Eu todo esse tempo corro atrás de você para te oferecer o meu amor, mas o que você faz? Você me rejeita. Você até já me mordeu quando eu te beijei, mas você está certo em algo. Ninguém escolhe por quem sentir.
Eu me sentia m*l depois de ouvir as suas palavras, com toda a certeza Liam não é alguém equilibrado talvez até mesmo longe disso, mas imagino que amar alguém e não ser correspondia seja algo realmente brutal. Suspirei. Liam encarou o nada por um tempo, provavelmente, pensando em como faria o meu assassinato. m*l sabia ele que me sujeitar a estar com ele já me matava por dentro.
Romeo era mais importante, eu faria isso por ele.
- Que seja. - disse ele, de repente, pegando-me de surpresa. - Eu aceito, mas tem alguns poréns. - ele sorriu maldosamente.
- Quais? - perguntei, a minha coragem as vezes me surpreendia e, ao mesmo tempo me assustava.
- Ninguém deve saber, vamos passar o final de semana na cabana da minha família e leve roupas de frio. Ah, você vai amar lá. - disse ele em tom de deboche depois de levar a sua mão até o meu rosto e acariciar a minha bochecha, eu estava imóvel. E inevitavelmente as suas palavras faziam o meu estômago rodopiar com uma sensação desagradável.
Não disse nada apenas acenei.
- Entra, eu vou te levar para casa. - ordenou ele e eu aceitei. Dei a volta no seu carro antes de chegar a porta do carona, quando eu vi parado não muito longe um Romeo decepcionado, ele levantou sua mão para acenar, Liam chamou a minha atenção e eu ligeiramente entrei no carro.
Por que, Deus, isso tinha que ser tão difícil?
Durante todo o caminho Liam invadia o meu espaço, colocando a sua mão na minha perna, as vezes apertando-a, deixando-me enojado.
***
Narrado por Romeo.
Algumas coisas ficaram claras para mim: Julian está com Liam. Quando ele me pediu para encontrá-lo no lago, eu já imaginava que ele queria falar sobre isso. Julian simplesmente cansou de mim, mas eu ainda não entendi por que ele não terminou comigo de uma vez. No entanto, agora não importa mais. Julian me abandonou para ficar com outro cara, mas eu não estou perdendo nada. Ainda assim, eu sinto a necessidade de entender o porquê.
Quando eu cheguei na casa de Ben à noite, eu estava totalmente desanimado. Saber que Julian me deixou para ficar com o garoto que o perseguia tirou todas as minhas forças, e a minha cabeça doía com pensamentos paranoicos. Cheguei a arquitetar vários planos para falar com Julian, mas eu desisti após a vigésima mensagem não respondida. Estava agindo como um i****a obcecado. Talvez Julian estivesse sendo forçado pelo primo a sair com Tyler, que é um maldito lunático e nada vindo dele me surpreenderia.
De qualquer forma, eu ainda preciso falar com Julian.
- Ei, Terra chamando o bobão aí? - Ben me chamou quando entrou no quarto com duas cervejas na mão. Ele me entregou uma e se sentou em sua cadeira gamer não muito longe de mim.
Estávamos bebendo cerveja na casa de Ben porque os seus pais costumavam sair às sextas à noite. Ele descobriu, aos 17 anos, que eles eram frequentadores assíduos de uma casa de swing, mas isso não o incomodava. Na verdade, ele usava essa informação para chantagear o pai e conseguir o que queria, como o carro 0 km que ganhou de presente de aniversário.
- O que...
- Você está muito distraído. Tem certeza que está tudo bem? - perguntou ele.
- Ah, sim, sim. - respondi depois de um tempo. - Então festa na casa da Joana... sério, cara, só estou indo por sua causa.
- Relaxa, cara. Não é como se fosse arrancar um pedaço seu, mas Joana quem sabe... - ele riu, fazendo referência ao fato de eu já ter ficado com ela no passado, não foi nada sério. Nunca teve sentimento, pelo menos, da minha parte.
- Cala a boca, s*******o.
- Ah, para de ser tão sensível. Você foi o primeiro cara que Joana ficou, e ela é muito gostosa. Você teve sorte - provocou ele
- Sinceramente, Ben, acho melhor você calar a boca antes que eu desista de ir com você. O que rolou entre nós já passou e estou com Julian agora. Eu o amo. - vi Ben fazer uma careta e logo ele girou na cadeira indo até a mesinha para pegar o seu celular.
- Está bem, não está mais aqui quem falou. - resmungou ele. - Julian realmente deve ter te deixado na mão.
- É, sério, Ben? Chega de falar do Julian, vamos focar na festa. Só quero me divertir com o meu melhor amigo como nos velhos tempos.
- Então, Hayley mandou mensagem. Já podemos ir, ela pediu para a gente levar gelo e mais cerveja. Só espero que não saia de graça, ela e eu já não transamos há uma semana. - disse ele choromingando e eu não pude deixar de rir, ele zombou de mim.
- Até parece que o seu p***o vai cair se não usar. - eu zombei. Ben é o típico cara super afetado quando o lance é sexo, no caso, o lance de não ter sexo. Mas, de qualquer forma, ele é um cara legal.
Saímos não muito depois de terminar as nossas cervejas, eu fiquei olhando pela janela e as memórias de Julian chorando na minha frente assombravam a minha cabeça, mas eu me esforcei para fazê-las sumiram. Abaixei o vidro da janela e o vento soprou forte no meu rosto, fazendo-me arrepiar, levei a minha mão até o botão de volume do rádio, aumentando Circles do Post Malone que tocava, Ben cantava enquanto dançava segurando o volante, ele realmente estava bem animado e eu ria disso.
***
- Até que enfim vocês chegaram. - disse Hayley quando nos viu entrar pela porta da frente, carregando o gelo e cerveja. Ela correu até Ben que sorria para ela como um cachorrinho pedindo carinho na barriga. Eu acho que finalmente Hayley esta conseguindo o que ela sempre quis, Ben correndo atrás dela. - Obrigado, meninos. Romeo que bom que você veio, eu senti a sua falta. - ela sorriu para mim e eu pude ouvir Ben gemer, reclamando do peso das coisas que carregava.
- Onde eu largo isso?
- Ah, pode deixar as cervejas na cozinha, eu preciso ver onde colocar elas. Joana é totalmente perdida no quesito dar festas, felizmente, a melhor amiga dela dá as melhores festas de toda a Montéquio. - disse ela totalmente orgulhosa do fato mencionado por ela mesma. Hayley era completamente alto astral e espontânea, eu sempre gostei disso nela. - Romeo, você poderia deixar o gelo nos freezers na garagem, por favor.
- Ah, é claro... - eu fiz uma careta depois de responder, não sabendo para que direção ir.
- Segue esse corredor na última porta a esquerda. Obrigadinho. Ben, vem que vou achar onde colocar essas bebidas. - disse ela e Ben a seguiu feito um cãozinho ainda reclamando do peso, o que me fez rir.
Quando eu cheguei a garagem me atrapalhei totalmente, pois não sabia onde estava o interruptor para ligar as luzes, em completa escuridão, eu acabei tropeçando em algo e cai, derrubando os pacotes de gelo.
- Ah, droga.
Fiquei um tempo caído no chão, pensando no quão horroroso este dia estava sendo para mim. E novamente Julian vinha em minha cabeça, puxei o meu celular do meu bolso para ver se ele tinha respondido alguma das minhas várias mensagens, mas não. Eu soltei um suspiro pesado e no mesmo instante as luzes acenderam-se.
- O que aconteceu aí? - a sua voz familiar soou e eu a segui. Joana estava na porta, confusão estampando o seu rosto. Não pude deixar de sorrir sem jeito.
- Você ouviu o barulho?
- Sim. - ela riu. - Você caiu. Coitadinho, você está bem? - disse Joana docemente enquanto vinha em minha direção, ela me ajudou a ficar de pé.
Ela vestia uma blusa cinza de mangas longas que ligeiramente era curta e mostrava parte da sua barriga, juntamente com uma saia preta. O seu cabelo claro estava solto e como eu havia esquecido o fato de Joana ser tão linda, as covinhas que se formavam quando ela sorria eram tão encantadoras.
- Estou bem, não posso dizer o mesmo do gelo. - disse, constrangido. Ela pareceu notar e riu para desfazer o clima. - Aliás, obrigado... por acender a luz e me ajudar.
- Imagina, você já me salvou uma vez, lembra? - ela apertou os seus lábios em um sorriso.
- Claro. - eu ri. - Ainda me pergunto como você conseguiu ficar presa naquele banheiro.
- Coisas inexplicáveis ou sobrenaturais. - ela zombou, porque naquela época diziam que a escola era assombrada, um momento realmente memorável já que todos pregavam peças uns nos outros com a desculpa de ser um fenômeno sobrenatural. - De qualquer forma, você foi o meu herói naquele dia, nada mais justo que eu te ajudar agora.
- Você é incrível, Joana. Acho que todo mundo te fala isso, mas eles estão certos. - depois que disse isso, houve uma pausa ainda mais constrangedora. Eu olhei para vê-la sorrir sem jeito.
- Obrigada.
- Então, Hayley disse para colocar o gelo ou o que sobrou dele, nos freezers aqui.
- Sim. Eles ficam ali, espera aí que eu te ajudo de novo. - ela disse e nós rimos disso.
Era bom estar com o pessoal das antigas, os meus amigos da enorme e vigorosa Montéquio. Saber que esse era o meu último ano, que depois disso tudo iria mudar, era suavemente esmagador.
Era um novo começo.
Eu voltei com Joana para a festa, que já estava começando a encher de pessoas, por onde passava eu era cumprimentado mesmo que as vezes nem sabia o que eles diziam, porque o som da música estava extremamente alto, todos enalteciam o grandioso Romeo Montgomery, eu sentia falta disso, como era bom se sentir no topo de tudo e todos.
- Romeo, você está pronto?
- Para que eu deveria estar pronto?
- Para uma das melhores noites da sua vida. - gritou Ben depois que me fez beber dois copos de tequila e chupar um limão com sal.
Era tão forte que distanciava qualquer pensamento de minha cabeça, fazendo-me não lutar e pedir por mais.
***
Já havia passado um tempo, eu já havia bebido muito para me sentir entorpecido, mas eu decidi dar um tempo quando não me sentia mais confiante o suficiente. Estava sentado no topo das escadas, observando a festa acontecendo diante dos meus olhos, adolescentes dançando, rindo e bebendo até se sentirem livres para serem eles mesmos. Por mais que eu me esforçasse para manter Julian longe da minha cabeça por agora, eu falhava miseravelmente, sempre havia vestígios dele, de nós. Eu suspirei pesadamente quando me lembrei da última vez que o vi hoje mais cedo, quando ele soltou as minhas mãos para ir atrás de outro cara, isso me corroía e ainda mais com o fato de não saber o que ele queria conversar sobre. Obriguei-me a tomar outro gole do misto de vodka e energético que havia pegado, o copo gelado brincava nos meus dedos quando o beijei, fechando os meus olhos.
- Achei o meu herói. - ouvi a sua voz feminina soar animadamente antes de sentir a sua mão na minha perna e eu abri os meus olhos rápido o suficiente para ver Joana pousar no meu colo.
Seu perfume era extremamente doce, algo totalmente distante do perfume de Julian.
- Ei, o que você está fazendo? - eu perguntei, mantendo as minhas mãos nos seus braços.
- Estou sentando no meu herói. - ela ria altamente, o que me fez rir também.
- Acho melhor você se acalmar.
- Estou calminha, Ben me disse para te animar, então aqui vai... - disse Joana rapidamente e antes que eu pudesse impedir, ela me beijou, mantive os meus olhos abertos sem reação. Acho que de alguma forma foi bom isso ter acontecido, porque foi depois disso que percebi o quanto eu amo Julian e preciso deixar claro isso para ele, f**a-se seu primo.
Eu empurrei Joana para longe de mim, parando o seu beijo roubado e trazendo-a de volta a realidade. Ela saiu do meu colo totalmente constrangida, mas eu não podia mudar nada.
- Eu... desculpa. Eu achei que você estava afim, Ben disse...
- Tudo bem, não há porque se desculpar, na verdade, eu devo. - disse e ela fez uma carreta. A música ainda era alta e o nível de álcool no meu sangue ainda era o suficiente para me fazer o cara mais corajoso.
Então, por que não dizer a verdade?
- Desculpa, é que... eu amo um garoto, ele se chama Julian, é, e... ele é a melhor coisa que já me aconteceu. - eu disse tudo tão rápido que até eu estava surpreso. Joana ergueu as suas sobrancelhas incrédula, ela olhou para a bebida nas suas mãos e depois para mim novamente.
- Ah, eu... hm... - ela tentou claramente surpresa com as minhas palavras libertadoras e tonta por conta do álcool em suas veias. - Eu fico muito feliz... por você. - ela gaguejou.
- Obrigado. - ela sorriu para mim fracamente. - E eu cheguei a conclusão que preciso ir atrás dele para dizer que o amo. - disse antes de levantar e me preparar para ir atrás do garoto que eu amo.
- É claro. Vai atrás do Julian e diga que o ama. Seja feliz Romeo. - ela gritou e eu ri.
- Eu vou. - eu disse antes de deixar Joana totalmente perdida em confusão com a sua bebida.
Eu não sabia como iria fazer, mas eu precisava ver Julian e dizer a ele que eu o ama, aproveitar a coragem que fervia em minhas veias. Não falei com Ben, apenas fui embora para a casa de Julian.
Sendo guiado pela lua e o meu amor.